DICAS SOBRE CALÇADOS PARA O CAMINHO DE SANTIAGO


DICAS SOBRE CALÇADOS PARA O CAMINHO DE SANTIAGO




Um equipamento fundamental para o peregrino é o calçado.

Afinal, serão seus pés que o levarão a realizar a aventura mais incrível da sua vida, uma experiência única que vai provocar mudanças muito positivas em sua maneira de ver o mundo.

Existem divergências constantes entre os peregrinos sobre se o caminho deve ser feito usando-se botas ou tênis.

Há defensores convictos das vantagens do uso de um e do outro tipo de calçado.

Mas na verdade o ideal é que seja usado o tipo de calçado a que mais o peregrino se adapta. 



Há quem prefira as botas pela segurança, pois protegem mais os pés.

O caminho é cheio de pedras roliças, como seixos de rio, cobrindo não só terrenos planos, mas também subidas e descidas.

É grande a possibilidade de uma torção, e a bota protege bem o tornozelo. 




Outra vantagem da bota é que, controlando os cadarços, é possível mantê-las mais justas ou mais folgadas.

Para subir, afrouxa-se os cadarços e, para descer, aperta-se.

Evitando assim que os dedos fiquem batendo na frente do calçado e protegendo as unhas da fricção com o calçado.


RECOMENDAÇÕES


Recomenda-se usar um a dois números maiores que o tamanho dos seus pés.

Isso é mais importante para as pessoas que tem tendência a pés inchados.

No final do dia, os pés dilatam, ocupam todo o espaço dentro da bota, e o resultado disso são bolhas e unhas com equimoses, e a possível perda delas. 




Fazer esta fixação de um calçado maior que seu pé, sem que ele fique folgado e com o pé saindo a cada passo (o que também provoca bolhas), é difícil com um tênis, mas bastante fácil com as botas.

Tênis ou botas, os calçados devem ser comprados com antecedência para que sejam usados em caminhadas, nas chuvas e no sol, nos treinamentos que o peregrino fará para se adaptar ao equipamento, às distâncias e ao peso que carregará por, as vezes, mais de 30 dias, diariamente.

Uma boa dica é comprar o calçado no final do dia e usando as meias grossas próprias para caminhadas, que serão usadas durante o caminho.

Independente da escolha do calçado, é imprescindível que o mesmo seja impermeável. 




Há um produto, Gore-Tex, que promove esta impermeabilização e mantém seus pés secos, mesmo sob chuvas fortes.

Posto que, como todos sabem, pés úmidos proporcionam o surgimento de bolhas.

Caso ocorra de molhar o calçado, a primeira providência é lavá-los, retirar o excesso de lama que se acumulou e acomodar jornais dentro.

Não se deve colocá-los muito perto do fogo, aquecedores ou motores de geladeiras: o calor excessivo pode danificar o couro e provocar o aparecimento de rachaduras, acabando com a impermeabilização.

Fonte: ACASARGS


BOTAS, TÊNIS OU PAPETE? 

Autor:Tácio Renato Caputo (AACS-Brasil) 

Que tipo de calçado escolher?

Uma bota resistente para proteger bem os pés durante uma travessia ou um tênis específico para “trekking”, com solado de borracha, flexível, que permita movimentos mais ágeis?

Ou o velho e confortável tênis de caminhada?

Ou ainda, as levíssimas e arejadas papetes?

A resposta seria: Depende… 




Depende da temperatura/clima e época que você vai para o Caminho. Depende do tipo de terreno (quanto mais acidentado, mais você terá de proteger seus pés), da mobilidade com que vai se locomover, de quanto tempo fará a caminhada, só para citar dois exemplos.

As botas de “trekking” devem obedecer algumas recomendações para que o usuário tenha segurança sem perder muito do conforto, algo as vezes fundamental principalmente quando no caso do Caminho de Santiago a caminhada é longa e o terreno é variável. Há dois tipos de botas: a de cano longo e a meio cano. A cano longo é muito recomendável, pois segura bem o tornozelo no caso de uma torção, além de ser uma proteção a mais contra entrada de insetos e pedrinhas, enquanto a de meio cano dá maior mobilidade para os pés. Alguns itens são importantes na aquisição de uma boa bota de caminhada:

1 - Língua vedada e passadores externos para cadarço. Isso impede, ou pelo menos dificulta a entrada de poeira, pedrinhas e água;

2 – Forro interno no tornozelo e na palmilha feito de material absorvente e macio;

3 – Entressola macia (permite maior conforto e elasticidade);

4 - Contrafortes no bico e calcanhar para evitar deformações e proteção das extremidades dos pés;

5 - Solado interno adicional que impeça penetração de objetos pontiagudos;

6 - Solado externo com boa tração e aderência, permitindo a subida e a descida em ladeiras de baixa graduação e minimizando os inevitáveis escorregões nos terrenos muito acidentados;

7 – Ser resistente a água e possuir isolamento térmico. (Caso não seja, pode ser aplicado um spray para impermeabilização). A mesma regra serve para os que não gostam das botas mas se sentem seguros usando os tênis de “trekking”. 




Mas você poderia até usar seu bom e velho par de tênis. Macio e habituado a seu passo, ele serviria muito bem para caminhar em locais com vegetação aberta, sem muito sobe e desce íngremes, sem terreno acidentado. Portanto lembre-se: invista neste tipo de equipamento. Calçados bons e funcionais não são apenas para posar nas fotos, mas sim itens de segurança.

Fique atento quanto ao solado resistente, conforto e absorção de impacto. As melhores marcas de tênis para “trekking” estão usando entressolas de borracha EVA que minimiza o impacto, e solado externo de borracha natural para melhor frenagem em terrenos com inclinação elevada e terreno acidentado e flexibilidade. Aliás, essa é uma das qualidades que os caminhantes de trilhas procuram nos calçados, que possa acompanhar os movimentos naturais dos pés, o que a bota rígida (de cano alto) deixa a desejar. O solado Vibram, recentemente tem acompanhado os calçados das marcas mais conhecidas do mercado como a Snake, San marco, Chiruca, Salomon, etc.. sendo um fator condicionante para uma boa compra. 




Não deixe de ver também na hora da compra se as espumas internas são resistentes, se as palmilhas não esfarelam à primeira travessia de rio e se o tecido interno é de fácil evaporação.

No caso da sua opção ser a compra de uma papete, tenha sempre em mente que seus pés e tornozelos estão expostos a um maior risco de uma contusão por estarem mais desprotegidos. Mas se ainda assim você quer adquirir uma papete procure uma que tenha proteção na parte dianteira para prevenir-se de possíveis “topadas”, e que ao calçá-las você sinta que seus pés não estão “sambando” dentro da sandália. Para os (as) peregrinos (as) “fashion” eu sei que é meio feio, mas o uso das papetes por longos períodos sem meias pode fazer surgir o inimigo público número um dos peregrinos – as bolhas – pela fricção direta dos tirantes do calçado com seus pés, portanto mesmo que as meias fiquem literalmente imundas ao fim de uma jornada, elas são fundamentais para lhe proporcionar um melhor conforto e proteção.