DOENÇAS RURAIS


CAMINHOS NO BRASIL - DOENÇAS RURAIS

Fonte: http://peregrinosecia.blogspot.com.br/


Pessoal,

Nesta página vamos divulgar algumas doenças que podemos pegar nas trilhas.



HANTAVIROSE


Hantavirose é uma enfermidade aguda, bastante grave, de distribuição universal, provocada por diferentes sorotipos de Hantavirus eliminados nas fezes, urina e saliva de roedores silvestres. Na maior parte dos casos, a transmissão para o homem se dá em ambientes fechados pela inalação de aerossóis (partículas suspensas na poeira) provenientes das secreções e excretas dos hospedeiros, que funcionam como reservatórios do vírus. Ela pode também ocorrer pelo contato direto com esse material infectado ou através de ferimentos na pele, assim como pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Embora menos frequente, mordeduras desses animais são outra forma possível de contágio. A hantavirose é uma doença de notificação compulsória e de investigação epidemiológica obrigatória. O objetivo é localizar os focos de transmissão dessa doença de distribuição universal, e implantar medidas de controle da zoonose e de tratamento das pessoas já infectadas.

Classificação:

A hantavirose pode manifestar-se como uma doença febril, aguda e inespecífica ou sob formas mais graves como a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), prevalente na Europa e Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavirose (HPS), com maior incidência nas Américas, onde o número de casos, muitos deles letais, tem aumentado nos últimos tempos.

Grupos de risco:

São considerados grupos de risco para as hantaviroses: os moradores das áreas rurais, especialmente os envolvidos em atividades agropecuárias e de reflorestamento, os trabalhadores encarregados da limpeza de paióis, celeiros e galpões para o armazenamento de alimentos e ração. Fazem parte também do grupo de risco as pessoas que fazem trilhas ou acampam nas matas.



Sintomas:

O período de incubação pode variar de 5 a 60 dias. Em parte dos casos, a hantavirose pode ser assintomática. Prova disso é a presença de anticorpos circulantes em portadores do vírus que nunca manifestaram sinais da doença. Nos outros casos, nas fases iniciais, os principais sintomas são febre alta e dores musculares (mialgias), dor de cabeça, náuseas, vômitos e diarreia. Alguns sintomas de instalação súbita são mais específicos da SHFR: aumento da ureia no sangue (uremia), diminuição na produção de urina (oligúria), sangramentos gengivais, petéquias (pequenas manchas avermelhadas ou arroxeadas pelo corpo), insuficiência renal e choque (queda de pressão que causa comprometimento do funcionamento normal dos órgãos). Tosse seca, falta de ar (dispneia), hipotensão arterial, insuficiência respiratória causada pelo acúmulo de líquido nos pulmões (edema) e colapso circulatório são característicos da síndrome cardiopulmonar por hantavírus.

Diagnóstico:

O diagnóstico considera as queixas e sintomas do paciente e as condições do local que visitou recentemente ou onde vive e trabalha. A confirmação, porém, depende dos resultados de exames que detectam anticorpos produzidos pelo organismo contra o hantavírus, como o ELISA IgM e IgG, a imunofluorescência indireta, neutralização, hemaglutinação passiva, western-blot, PCR e coloração imuno-histoquímica



Prevenção:

Não existe vacina contra a hantavirose, uma doença emergente, mas pouco conhecida. Até o momento, a prevenção baseia-se na implementação de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores e suas excretas. Para tanto, é preciso adotar práticas de higiene, saneamento e manejo ambiental que impeçam a aproximação desses animais e revertam em condições mais adequadas de moradias e dos locais de trabalho, especialmente para as populações de maior risco.

Tratamento:

Não existe tratamento específico para nenhuma das formas de hantavirose. As alternativas terapêuticas limitam-se à introdução de medidas de suporte na fase aguda em ambiente hospitalar, preferivelmente em UTIs. Apesar do risco de morte que representa, a hantavirose pode ser curada desde que o diagnóstico seja feito precocemente e os pacientes recebam os cuidados necessários sem perda de tempo.



Recomendações:

* Saiba que o hantavírus é inativado em poucas horas quando exposto ao sol. Por isso, antes de entrar num local que fica permanentemente fechado, a pessoa deve abrir portas e janelas para promover a entrada de ar e luz solar;

* Nunca varra ou espane os lugares que possam servir de habitat ou passagem para os roedores. A limpeza deve ser feita sempre com panos úmidos embebidos em desinfetantes;

* Estoque os alimentos em utensílios fechados e lave pratos e talheres logo depois de usá-los;

* Tome todo o cuidado se pretende acampar. Arme a barraca com fundo impermeável numa clareira afastada da mata;

* Mantenha a área ao redor das casas sempre limpas e livres de vegetação que possa abrigar roedores;

* Certifique-se de que o lixo está sendo descartado de modo adequado;

* Mantenha as mãos sempre limpas e bem lavadas.

Fonte:http://drauziovarella.com.br/letras/h/hantavirose-2/


FEBRE MACULOSA OU FEBRE DO CARRAPATO



Definição:

A febre maculosa é uma infecção aguda causada por uma bactéria, a Rickettsia rickettsii. O homem é infectado através da picada do carrapato que eventualmente carrega esta bactéria nas suas glândulas salivares.

Incidência:

Esta é uma doença rara, porém o número de pessoas diagnosticadas vem aumentando desde 1996 quando se tornou obrigatória a sua notificação para os centros de vigilância epidemiológica. Estima-se que a maioria dos casos não é diagnosticada e que os dados disponíveis são provavelmente inferiores à verdadeira incidência.

É mais comum na zona rural, principalmente dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.



Infecção:

A Rickettsia é uma bactéria que sobrevive basicamente dentro das células dos carrapatos. No Brasil, o carrapato mais comum e também o que mais comumente é vetor desta infecção é do tipo Amblyomma cajennense. Estes carrapatos são também conhecidos como "carrapato-estrela", "carrapato de cavalo" ou "rodoleiro". Eles infestam animais domésticos como as galinhas, cavalos, bois, cachorros e porcos e também animais selvagens como os gambás, as capivaras, cachorros-do-mato, coelhos, tatus e cobras.

O carrapato infectado pica o hospedeiro e através de sua regurgitação inocula a bactéria na corrente sanguínea do animal ou, mais raramente, em feridas abertas. No homem, isso não é comum porque para que haja a infecção o carrapato tem que ficar aderido de 4 a 6 horas.

Todas as pessoas são susceptíveis à infecção as quais, depois de infectadas, adquirem imunidade, provavelmente para o resto da vida.

Esta infecção não passa de uma pessoa doente para outra por contato físico nem contato com saliva, urina ou fezes. Sempre é necessária a picada do carrapato. Porém, a ausência de um relato de que houve a picada por um carrapato não exclui o diagnóstico já que este relato depende da observação e da memória do indivíduo. Além disso, mais de um caso pode aparecer na mesma família ou em pessoas que moram na mesma região porque foram expostos aos mesmos animais portadores de carrapatos infectados.

Os casos são mais comuns nos meses de primavera e verão.



Sintomas:

A pessoa infectada pode desenvolver sintomas de 2 a 14 dias após a picada, em média, uma semana. Estes sintomas podem praticamente não existir ou serem muito fracos, o que dificulta o diagnóstico.

Nas pessoas que desenvolvem o quadro mais característico, a febre pode ser moderada a alta, chegando até 39 a 40 graus. Esta febre pode durar de 2 a 3 semanas e geralmente a pessoa tem que restringir as suas atividades, necessitando repouso no leito. É comum ter dor de cabeça intensa, dor no corpo, calafrios e edema dos olhos e conjuntivas.

Nos primeiros dias de febre pode aparecer a mácula, de onde vem o nome da doença. São lesões de pele, róseas, nos punhos e tornozelos, que progridem para o tronco e face e após, mãos e pés. Em 2 a 3 dias, estas lesões adquirem um certo volume e podem ser sentidas ao toque quando ficam de uma coloração mais forte. Após 4 dias podem ficar arroxeadas. Nas áreas de maior atrito, podem se unir e formar uma placa que se parece com um hematoma. Pode haver descamação nas áreas mais intensas. O local onde houve a picada pode formar uma úlcera necrótica semelhante à lesão de picada de aranha.

A doença pode evoluir para cura espontânea em 3 semanas. Porém nas formas mais graves, as lesões de pele são mais hemorrágicas podendo até ocorrer áreas de necrose nos dedos, nas orelhas, no palato mole e nos genitais. Podem ser acompanhados de sangramento de gengivas, do nariz, vômitos e tosse seca intensa. Os casos que necessitam de internação hospitalar são aqueles em que há um comprometimento sistêmico com pressão baixa, sangramento digestivo, desidratação e insuficiência ventilatória.

O diagnóstico diferencial se faz com outras doenças infecciosas que também se apresentam com lesões de pele e febre alta como febre tifoide, sarampo, rubéola, meningite meningocócica, leptospirose e malária.

É importante ressaltar que muitas pessoas podem ter esta infecção sem ou quase nenhuma lesão de pele ficando o diagnóstico muito difícil.

A mortalidade pode chegar até 20% dos casos diagnosticados.

Diagnóstico:

O diagnóstico de certeza se faz através de exames laboratorial do sangue do doente, através de sorologia e cultura.



Tratamento:

A maioria das pessoas tem um curso benigno que necessita só de medicações sintomáticas como analgésicos, antitérmicos, hidratação oral e repouso. Estima-se que estas pessoas não chegam a procurar atendimento médico e a infecção tem uma resolução espontânea em algumas semanas. Os casos mais graves, quando diagnosticados, devem receber antibióticos específicos e medidas de suporte, muitas vezes necessitando até de tratamento intensivo.

Prevenção:

- Evitar contato com animais domésticos e silvestres em regiões reconhecidamente de alta incidência da doença.

- Se for necessário entrar em contato com animais vistoriar o corpo de 3 em 3 horas já que o carrapato necessita ficar aderido por mais de 4 horas para transmitir a infecção.

- Se necessitar andar em locais de vegetação alta, usar calças compridas e botas.

- Não esmagar o carrapato, já que a bactéria pode entrar em algum ferimento do homem.

- Usar carrapaticida em animais domésticos com a freqüência recomendada.



Curiosidade:

Esta doença é a mesma conhecida nos Estados Unidos como Rocky Mountain Fever, ou, Febre das Montanhas Rochosas.

Fonte:http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?610

Fonte: http://peregrinosecia.blogspot.com.br/


VOLTAR