A SINALIZAÇÃO DO CAMINHO


A SINALIZAÇÃO DO CAMINHO

É natural que, uma das grandes preocupações para quem pretende fazer o Caminho de Santiago saber qual o caminho deverá seguir para chegar ao seu destino, mesmo ter dúvidas sobre a possibilidade de ser perder ao longo das trilhas.

Além dos mapas, Guias e até mesmo com o uso de GPS que cada um pode levar consigo, a grande ajuda que encontraremos ao longo do caminho serão as marcações no terreno, nas paredes, nas árvores enfim, para as quais deveremos estar atentos para não sofrer o desconforto de ter que retornar para tomar o rumo certo.

Em um primeiro momento argumentam os estudiosos, o Caminho era assinalado pela Vieira de Santiago (Concha de Santiago) que se apresentava sob a forma de elementos de bronze, de cerâmica, de etiquetas, de gravuras, etc., sendo o sentido a seguir indicado pelos “dedos” da vieira, ou seja, o lado aberto da concha indicava a direção de Santiago de Compostela.

Nesta mesma época existia apenas uma vieira na marcação do Caminho em que os “dedos” apontavam para baixo, mas neste caso havia uma justificativa: ela está em Finisterre – o fim do Caminho (e o Fim da Terra).

Depois, por várias razões, a concha deixou de ser eficaz em termos de sinalização do caminho. Devido à tendência dos peregrinos levarem estes objetos identificadores (aliás como o fazem até hoje) como “recuerdo”, eles foram desaparecendo pouco e pouco. Por outro lado, depois de o Caminho de Santiago ter sido classificado como Itinerário Cultural do Conselho Europeu a concha estilizada amarela sobre fundo azul foi assumida como símbolo identificador europeu do Caminho de Santiago. Assim, a concha passou a ter caráter de logotipo oficial, identificando apenas a presença do Caminho de Santiago. Deste modo, este logotipo mantém sempre a mesma posição, deixando agora de indicar qualquer direção. Esta situação veio causar alguma confusão entre os peregrinos menos avisados, uma vez que os “dedos” da concha podem agora indicar uma direção bastante diferente daquela que é a verdadeira do Caminho de Santiago.

Existem ainda situações como a que apresentamos abaixo que podem induzir o peregrino a seguir uma direção errada (os dedos da Vieira para um lado e a seta para outro)

Contudo, atualmente as “setas amarelas” são a principal sinalização do atual Caminho de Santiago. Elas começaram a ser pintadas em 1980 pelo Padre Elías Valiña Sanpedro, pároco do Cebreiro, a primeira localidade galega do Caminho Francês. Desde então foram se espalhando por todos os caminhos e hoje são o meio mais seguro de identificar corretamente e seguir o Caminho de Santiago sem grandes preocupações. A razão porque as setas são amarelas e não de outra cor tem também uma explicação, mas, por favor, não pensem simbolismos ou esoterismo! São amarelas apenas porque começaram por ser pintadas com o resto da tinta de marcação de umas obras na estrada, que os trabalhadores ofereceram ao Padre Elias.

A sinalização de todos os Caminhos que nos levam até de Santiago tem sido feita recorrendo ao sistema convencionado para toda a Europa para identificar de forma simples os itinerários jacobeus e que é a seta amarela pintada em muros, paredes, pavimentos, árvores, postes, etc, em todos os locais onde pudessem ocorrer dúvidas, particularmente nos cruzamentos e bifurcações.

Assim, hoje temos as setas amarelas, marcos de pedra que nos mostram a distância à Catedral de Santiago, incluindo um azulejo azul com uma vieira amarela posicionada de acordo com o sentido da marcha ou, noutros casos, apenas o mesmo azulejo colado em paredes e muros.

Além da sinalização convencional já citada, encontramos por vezes marcações provisórias, feitas pelos peregrinos, quando há problemas com a sinalização existente (mau tempo, azulejos roubados, a vegetação cresceu por cima das marcas, tais como pedras arrumadas em forma de seta, montes de pedra, fitas plásticas amarradas em galhos de árvores, etc.

Há ainda uma identificação de direção a ser seguida que é um pouco diferente. São as “setas azuis” que poderão aparecer (e que normalmente apontam o sentido contrário) e que são a indicação do Caminho de Fátima, nomeadamente para orientação dos Peregrinos que de Santiago de Compostela se dirigem a Fátima.

Finalizando, há um outro tipo de sinalização que poderemos encontrar com muita facilidade principalmente na região basca/navarra, que são as marcações dos Caminhos de Grand Randonnée (GR), de acordo com o estabelecido pela Federação Francesa de Randonneur (FFR), conforme abaixo.

Ao longo do Caminho Português de Santiago, este tipo de sinalização, pode encontrar-se pelo menos entre Rates e Barcelos e entre Ponte de Lima e Valença. É a indicação da GR11-E9, um itinerário que tem origem em S. Petersburgo, na Rússia, atravessa toda a Europa e termina em Portugal na casa de S. Vicente.

Destaco o fato de que os itinerários compostelanos nem sempre são GR e que nem todas as GR são caminhos para Compostela. A GR11-E9, por exemplo,  não corresponde integralmente ao traçado do Caminho Português, pois apresenta algumas alternativas pontuais aos trechos originais do Caminho de Santiago.

Já aqueles peregrinos que saem de Saint Jean Pied de Port ou de Roncesvalles vão encontrar tal marcação com a indicação de GR-65.

A marcação pode encontrar-se sob a forma de traços pintados sobre árvores, pedras, muros ou de marcações auto-adesivas sobre postes ou ainda sob a forma pequenos painéis acompanhados de textos.

Esta sinalização é constituída por dois traços, um vermelho e um branco, e funciona como se pode ver nas imagens abaixo apresentadas.

No caso das Pequenas Rotas (PR) o traço branco passa a ser amarelo, mas a nomenclatura da sinalização é a mesma.


Atualmente, podem ser encontrar marcações no caminho, quase, a cada 200/250 metros, pelo que se fizermos mais de 500 metros sem ver uma seta amarela ou um marco, muito provavelmente estaremos perdidos. Resta voltar atrás e recuperar o caminho certo!

Com toda esta informação, pensamos que não haverá grandes problemas para caminharmos no rumo correto, mas se restarem dúvidas só temos que perguntar a alguém nas imediações pelo Caminho de Santiago que com toda a certeza tais pessoas darão uma informação correta, uma vez que existe um grande respeito ao peregrino.

Colaborador: Tácio Renato (AACS-Brasil)

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