EQUIPAMENTOS INDISPENSÁVEIS


EQUIPAMENTOS INDISPENSÁVEIS

1 - MOCHILA:

Uma das qualidades essenciais de uma mochila é que ela tenha o conceito de ERGONOMIA. Ele refere-se à ajustabilidade dos objetos à anatomia humana. No caso da mochila ele é fundamental. Proporcionar transporte de carga em harmonia com a constituição física humana é a principal função da mochila. Na hora de escolher a sua, preste muita atenção em como ela se ajusta às costas e aos quadris. As mulheres devem verificar se a curvatura das alças não está incomodando na altura dos seios. Depois de algumas horas de caminhada, alças inadequadas podem machucá-los. Assim, experimente todas as mochilas que você puder, não leve só em consideração que a mochila funcionou bem com outra pessoa. O que foi bom para mim, pode não ser bom para você.

Outra coisa importante é o volume lateral. Bolsos laterais e traseiros são interessantes para separar a bagagem e manter determinados itens sempre à mão. Entretanto, bolsos externos podem se enroscar facilmente quando se caminha em trilhas fechadas ou atrapalhar a locomoção em lugares muito movimentados como rodoviárias e aeroportos. O ideal é que a mochila seja mais estreita que seus ombros, mais baixa que sua cabeça e tenha perfil achatado sem bolso traseiro. Os modelos com bolsos destacáveis, que podem ser usados como pequenas mochilas de ataque são muito interessantes, assim como as que têm zíperes nas partes superior e inferior.



 O que uma mochila deve ter?

1.  Barrigueira: tira ajustável na cintura. Deve ser larga e acolchoada, para aumentar a capacidade de carregar pesos maiores sem machucar a cintura e sem comprometer o equilíbrio. Deve ficar logo acima do osso ilíaco (os dois ossos proeminentes na frente do quadril), área onde a região pélvica começa a ficar mais larga, permitindo uma fundação estável e forte para a mochila. Dica: mantenha a mochila próxima ao corpo, mas não aperte muito o cinto, pois pode incomodar e até machucar. (ela deve estar firme, mas não muito apertada)

2.  Alças acolchoadas: mochila grande, peso grande. Portanto, as mochilas devem ter alças largas anatômicas, acolchoadas e com ajuste (tiras finas e duras podem machucar o ombro e deixar o peso mais difícil de carregar).

3.  Painel nas costas: camada fina, mas resistente, feita geralmente de polietileno de alta densidade. Isso acrescenta rigidez à estrutura sem acrescentar peso, deixando a mochila mais firme (reta) e evitando que os objetos dentro da bolsa fiquem “cutucando” as costas. Algumas já vêm com uma armação.

4.  Protetor das costas: algumas mochilas de estrutura interna oferecem um painel de espuma até a metade das costas, em uma tentativa de separar a mochila das costas e melhorar a circulação de ar. No entanto, esse sistema não ajuda muito – em longas caminhadas ou atividades mais puxadas é inevitável ficar com as costas suadas.

5.  Sistema de suspensão: são diversas tiras com ajuste, localizadas nos ombros, no dorso e na cintura (apoio lombar, apoios dorsais laterais, estabilizadores superiores e laterais e estabilizador peitoral). Essas tiras permitem que o peso seja reposicionado e distribuído entre ombros, costas e quadris, deixando a mochila mais leve e fácil de carregar.

6.  Revestimento: como as mochilas com sistema de ajuste costumam ficar mais próxima ao corpo, é normal que as costas fiquem mais quentes e suadas. Portanto é interessante escolher uma mochila com revestimento Dry System em todas as partes em contato com o corpo, para melhor absorção do suor e ventilação.

7.  Material: as mochilas modernas geralmente são feitas de nylon ou Cordura, que são tecidos fortes, resistentes, leves, e com um bom acabamento. Ambos resistem bem à abrasão e à água (é claro que você não vai poder mergulhar em um rio com a mochila ou pegar uma tempestade...).

8.  Compartimento para água e sistema de hidratação: algumas mochilas possuem vários bolsos externos laterais e outros compartimentos onde é possível guardar uma garrafa de água e pegá-la facilmente no momento da sede. Outras possuem dois bolsos laterais de tela elástico onde é possível acomodar duas garrafas pequenas de água, deixando-as mais à mão. Algumas mochilas modernas já vêm equipadas com sistema de hidratação, ou seja, um compartimento interno para depositar uma bolsa ou reservatório de água e uma pequena abertura para passar o longo e flexível canudo com tampa, que pode ser levado à boca a qualquer momento, sem precisar abrir a mochila ou procurar as garrafas de água nos bolsos.

9.  Extras e anexos: muitas mochilas possuem inúmeros pontos de amarra que possibilitam que você anexe ainda mais bolsas e equipamentos, como cordas, tiras, capacetes, etc. Algumas mochilas possuem compartimento frontal externo ajustável - ótimo para guardar itens molhados -, além de bolsos laterais feitos de tela elástica, ideais para carregar garrafas de água. Tudo isso é muito bom para organizar melhor sua bagagem, mas é preciso ter em mente que todos os extras acrescentam mais peso à mochila.

Contudo, mochila boa é mochila leve! Portanto, pense bem no que deseja levar e compre uma mochila com o tamanho certo - não compre uma maior do que precisa. Lembre-se quanto maior é a mochila, maior é o peso (e o peso pode atrapalhar muito o deslocamento e deixar a caminhada bem mais cansativa).

Algumas considerações que você deve fazer antes de escolher o tamanho de sua mochila: o volume exato depende também de suas características físicas e outros fatores. Dependendo de sua altura, resistência física e experiência na atividade a escolha pode variar. Por exemplo, uma mulher de 1,60 cm e 50 kg dificilmente irá carregar uma mochila de 75 litros com 12 kg de peso. Neste caso, o melhor é uma mochila de 45 litros no máximo. Saber a experiência de outras pessoas para determinar o que será útil ou não na sua peregrinação faz muita diferença. Excesso de roupa, muito alimento, equipamentos inúteis são erros comuns que requerem mais volume e aumentam o peso da mochila.

As mochilas possuem várias regulagens e é fundamental conhecer suas funções para poder adequá-las a cada situação. Conhecer os detalhes do produto e saber fazer a regulagem correta pode salvar a sua peregrinação. Com exceção da regulagem dorsal, todas as outras devem ser ajustadas toda vez que se veste a mochila, pois dependem da carga, do terreno, da roupa e até do humor do dono e quanto mais técnica for a atividade mais se exige estabilidade da mochila e mais apertadas devem ser as regulagens.

1.  Regulagem Dorsal - Normalmente é a única regulagem fixa da mochila, ou seja, você regula apenas uma vez de acordo com o tamanho do seu tronco. Faça essa regulagem de maneira muito atenta e de preferência com o auxílio de alguém. Se for mal feita, esta regulagem poderá sobrecarregar os ombros.

2.  Fitas de compressão lateral - Este tipo de regulagem se torna especialmente importante para mochilas com meia carga, pois permite compactar a carga mais perto das costas. O ideal é deixar a mochila achatada e rígida. O sistema mais comum é o de duas ou três fitas horizontais em ambas as laterais da mochila. A regulagem é feita com fivelas de nylon do tipo "só puxar". É bom que se tenha pelo menos quinze centímetros de fita sobrando para prender apetrechos (o isolante, por exemplo). Neste caso fivelas tipo "macho-fêmea" facilitam ainda mais a operação.

3.  Barrigueira - Este é o acessório mais importante da mochila, média ou grande. Fuja das mochilas com regulagem fixa, ou seja, aquelas que além da fivela principal da barrigueira tem outra que fixa a regulagem. No mínimo um dos lados deve ter regulagem livre: ajustável sem que seja preciso desconectar a fivela principal. Certifique-se também se a regulagem mínima da barrigueira vai se ajustar adequadamente quando você estiver magrinho ou caminhando sem camisa. Algumas pessoas chegam a emagrecer até cinco quilos numa caminhada de quinze dias em terreno difícil ou altitude. Não se esqueça de que a função principal da barrigueira é transferir o peso da mochila para os quadris. Barrigueiras fofinhas e com aparência confortável podem se tornar um martírio sob uma mochila carregada, e normalmente perdem muito em durabilidade. Muitas mochilas pequenas e leves têm barrigueiras de fita que não transferem carga para a cintura. Elas funcionam com estabilizadores e são muito úteis para escalar, correr ou caminhar em terrenos acidentados. Fique atento também para a fivela. Existem muitos modelos diferentes e alguns deles podem quebrar se utilizados de forma exigente, principalmente se forem de plástico. As boas fivelas são de nylon e geralmente fazem um sonoro "clac" quando fecham.

4.  Alças principais - Assim como na barrigueira, as alças devem ser estruturadas (semi-rígidas) para melhor eficiência e durabilidade. As alças "acolchoadas" ou "fofinhas" acabam se deformando e tendo a superfície de contato diminuída. A regulagem das alças pode ser de cima para baixo, quando as fivelas são fixas nas extremidades das alças, ou debaixo para cima quando as fivelas são fixas na base da mochila.

5.  Estabilizador lateral - Item responsável pela estabilização do movimento lateral da mochila sobre as costas, deve ser regulado após a barrigueira e as alças terem sido apertadas, pois sua regulagem muda drasticamente a cada situação.

6.  Estabilizador superior - Mantém a mochila próxima das costas e desloca o peso para frente, o que aumenta a eficiência da barrigueira. Muitas mochilas permitem regular a altura desta inserção, o que deve ser feito depois da regulagem dorsal. O ideal é que ela se mantenha alguns centímetros acima dos ombros.

7.  Estabilizador peitoral - É uma ótima solução para cargas pesadas, terrenos acidentados e caminhadas longas. Evita que as alças entrem em baixo dos braços e permite transferir o "puxão da mochila" (tendência da mochila cair para trás) para a área peitoral, aliviando os ombros. Mudando-se a regulagem do estabilizador peitoral durante o decorrer do dia, ou mesmo soltando-a algumas vezes, alivia-se bastante o desconforto na parte superior do tronco.


2 - SACO DE DORMIR:

Mais do que apenas uma cama, o saco de dormir irá protegê-lo durante uma noite no albergue, ou em algumas situações ao sob um telhado do lado de fora de uma igreja, ou até mesmo em barracas... então é bom se prevenir.... Sentir frio no meio da noite ou mesmo morrer de calor a ponto de não deixá-lo dormir não significa que você não comprou um bom saco de dormir, mas, sim, que você comprou o saco errado... Por ser um item fundamental, para quem vai fazer o Caminho de Santiago, o cuidado na escolha é imprescindível. E, para isso, você precisa levar em consideração uma série de detalhes. Antes de comprar um saco de dormir, uma boa regra é pensar na noite mais fria que você deverá enfrentar e, então, desça uns 5 graus centígrados. Lembre-se que é mais difícil se manter aquecido em um saco de dormir fabricado para temperaturas mais quentes do que se refrescar em um saco de dormir para temperaturas mais frias – um zíper totalmente aberto costuma resolver este problema em questão de segundos.

Existem dois formatos principais de sacos de dormir:

•  Camping – são os retangulares. Costumam abrir inteiramente, se tornando um edredon. Alguns vêm com capuz, o que facilita em lugares mais frios, mas, em geral, são sacos para lugares quentes, pois a abertura maior deixa escapar o calor com mais facilidade. Para quem é um pouco claustrofóbico ou se mexe muito durante a noite, estes modelos são os mais indicados.

•  Múmia - acompanha o formato do corpo e aquece melhor, além de ser mais leve e compacto. Alguns possuem zíperes que permitem transformá-lo em saco de casal (tenha certeza de ter comprado sacos com zíperes colocados em lados opostos, para que possam se unir). Alguns vêm com fitas compressoras para diminuir o tamanho quando guardados.



Além do nome, o que difere os modelos é a temperatura mínima que ele permite que você durma confortavelmente dentro dele – isto não é uma ciência exata e você só verá efetivamente a diferença entre sacos do mesmo fabricante. A temperatura é definida como tolerância, conforto e extrema. Tolerância significa que aquela é a temperatura mais alta que o saco o deixa dormir sem morrer de calor. Conforto significa que, dentro daquela faixa de temperatura, você conseguirá dormir com pouca roupa extra, confortavelmente. Extrema é, como o próprio nome diz, o máximo que o saco aguentaria. Mas alguns fatores devem ser levados em consideração, como o cansaço, a fome, a umidade e a pessoa, já que existem calorentas e friorentas... Procure deitar alimentado e você terá uma noite melhor. E, o mais importante, procure ter um saco de dormir um pouco além do que a temperatura mínima que você pretende enfrentar.

Se você usar o seu saco de dormir envolto por um cobertor ou um saco de alumínio de emergência, seu isolamento térmico melhora em até 5o C, protegendo-o também da umidade. O cobertor de emergência é um acessório útil e de baixo custo que não deve faltar dentro das mochilas.

Um fato importante e que nem sempre consideramos, é que nós perdemos pelo menos 25% do calor pela cabeça e, para manter o corpo aquecido alguns sacos de dormir possuem capuz que fecham o suficiente para permitir que você respire, mas não deixam o calor gerado pelo seu corpo sair. Alguns também tem o colar térmico que impede que o calor do corpo saia pela abertura na área do pescoço, mantendo seu corpo aquecido. Vale lembrar aqui que todos os equipamentos para frio não "fabricam" calor, mas têm a função de não permitir que o calor produzido pelo próprio corpo se dissipe mantendo, assim, seu conforto térmico. Estes itens costumam não existir em sacos de dormir retangulares, mas são fundamentais em sacos que aguentam baixas temperaturas.

As costuras podem ser uma importante forma de se perder calor, pelos micro furos feitos pela agulha. Assim, os sacos de dormir para temperaturas mais frias possuem costuras "desencontradas" entre a camada interna e externa, não permitindo a fuga do ar quente.

Os zíperes devem ser fáceis de manusear e abrir para os dois lados. Lembre-se que você poderá ter de manuseá-los com luvas, em noites mais frias. Os sacos de dormir desenhados para temperaturas mais baixas terão uma ‘aba’ entre seu corpo e o zíper, para não permitir que seu calor saia por ali. Alguns dos sacos de dormir da linha da Trilhas & Rumos viram um saco de casal bastando, para isso, unir os zíperes, que devem estar em lados opostos. Você deverá verificar isso ANTES de comprá-los.

Os tecidos externos e internos normalmente, são feitos de náilon/poliéster (externo) e tactel ou microfibra (interno). O náilon exterior não é tratado com impermeabilizantes, pois seu corpo transpira muito durante a noite e este vapor precisa sair de alguma forma, para não condensar dentro do saco e acabar molhando-o.

A grande diferença entre os sacos de dormir está no enchimento... é aqui que se define o quanto um saco de dormir suporta de temperatura. O ar é o maior isolante que temos e a capacidade das fibras do enchimento armazenar ar é o que vai torná-lo mais ou menos quente. As fibras podem ser naturais (pluma do papo de ganso – duvet ou down – e lã) ou sintéticas.


3 - CALÇADOS:

Para percorrer o Caminho os peregrinos na sua grande maioria elegeram as botas de caminhada como o seu calçado favorito. Mas existem outros. Eles podem ser os tênis de caminhada (trekking) ou sandálias esportivas também conhecidas como “papetes”. Me arriscaria a dizer que 97% dos peregrinos utilizam um desses três tipos de calçados para a sua peregrinação.

Os progressos na tecnologia de fabricação de botas têm levado à evolução das botas de caminhada. Feitas na sua maioria usando o nylon ou outros materiais leves, sem perder de vista a resistência, estas botas pesam de um terço até a metade do peso das botas tradicionais. Certifique-se que as botas são altas o suficiente para proteger o tornozelo, que um rígido contorno envolva os dedos e calcanhar e que as áreas de abrasão sejam reforçadas. Vantagens das leves botas de caminhada incluem o aumento da ventilação, melhorias no conforto e secagem rápida.


Existem vários fabricantes que apresentam produtos de qualidade: Salomon (atualmente administrada pela Adidas), San Marco (italiana), a Chiruca (espanhola) e a Timberland (americana) estão entre as melhores. Mas há outras, e certamente uma delas irá atender a sua preferência. Entre as nacionais podemos citar a Snake. Eu já tive uma Salomon, uma Chiruca e hoje uso uma Timberland nas minhas caminhadas. Nunca tive nenhum problema físico com elas.

Se você optou em adquirir botas para fazer longas caminhadas como o Caminho de Santiago, por exemplo, o tamanho apropriado é decisivo. Peça ao vendedor um ou dois números maior aos sapatos que normalmente você usa. O vendedor experiente nas boas lojas de material esportivo já vai lhe oferecer isso, mas é bom já ir sabendo. Tente experimentar várias opções e estilos, com meias semelhantes às que você usará na sua caminhada. Esteja certo de trazer os dispositivos ortopédicos (palmilhas, tornozeleiras, protetores de calo, etc.) que você planeja usar dentro das botas. Calce as botas na loja por vários minutos para dar as meias tempo de se comprimirem em torno dos seus pés.

Faça isso sem nenhuma pressa. Note se as botas possuem alguma costura desconfortável ou rugas e se elas apertam contra o pé ou tendão de Aquiles. Em botas de tamanho devidamente apropriado, você deve sentir seus calcanhares firmemente ancorados no lugar enquanto seus dedos tenham bastante espaço para se movimentarem e não fiquem espremidos contra a biqueira quando você pressioná-los à frente. Botas apertadas diminuem a circulação sanguínea, causando esfriamento dos pés e isso é mau sinal!!! De outro modo, botas folgadas causam desconforto, desequilíbrio e o que é pior: bolhas.

A maioria das pessoas fica com os pés inchados com o decorrer do dia, então, para melhor ajuste, considere isto ao comprar botas no período da noite. Escolhendo entre uma bota larga e uma apertada fique com a bota larga. Você pode preencher o espaço com outra meia (meia fina) e a maioria das botas pode encolher quase meio número com o tempo (porque o bico da bota tem a tendência de enrolar).

Escolher sua bota de caminhada talvez seja a decisão mais importante que você tome ao preparar uma viagem como, por exemplo, percorrer o Caminho de Santiago. As botas podem, se mal escolhidas, arruinar sua peregrinação! Lembre-se que seus pés fazem todo o trabalho duro para você e deverão ser tratados com carinho – eles precisam estar saudáveis, felizes e livres de bolhas durante todo o tempo de caminhada.



Na hora da escolha, esqueça a moda, marcas e principalmente o preço – uma bota realmente boa não será barata, mas fará toda a diferença. Tenha certeza de que você escolheu uma bota durável que se adapta ao seu pé, que te protegerá e, mais importante de tudo, que você se sinta bem com ela. Pés desconfortáveis significa sofrimento, e o Caminho não foi feito para sofrer, mas sim para desfrutar. Assim, a regra número 1 é: encaixe, ajuste, adaptação. Seus pés têm de ficar perfeitos dentro da bota. Mas outras regras são igualmente importantes como:

•  Conheça o tipo do seu pé e procure por calçados que sejam feitos para ele;

•  Procure por calçados que tenham amortecedor para impactos;

•  Compre à tarde ou depois de caminhar/correr, quando seus pés aumentam pelo inchaço e/ou pelas longas horas de ‘uso';

•  Experimente a bota já com as suas meias de trekking. Tenha certeza de que está comprando e experimentando o pacote completo;

•  Tenha certeza de que o calcanhar não aperta nem deixa seu pé deslizar;

•  Você precisa conseguir mexer os dedos com as botas no pé, mas este espaço não pode ser muito grande, ou você terá uma bota ‘sambando' no pé principalmente toda vez que estiver descendo alguma trilha – pior, o calcanhar tenderá a sambar também;

•  Procure uma rampa ou uma escada para experimentar a bota tanto subindo quanto descendo – se o dedão bate no bico da bota ou o calcanhar sobe e desce livremente nos fundos dela (ele não deve mover mais do que meio centímetro), experimente outro número;

•  Sempre experimente os dois pés ao mesmo tempo, fechando-a completamente como se fosse sair para caminhar naquele instante;

•  Caminhe ou corra pela loja, antes de tomar a decisão – é sempre bom lembrar que seus pés podem aumentar de tamanho ao colocar peso sobre eles. Portanto, não experimente os calçados apenas sentado. Levante-se, caminhe etc.;

•  O movimento que você faz ao caminhar também é importante e, por isso, você deve caminhar pela loja;

•  O calçado que você está experimentando deverá fazê-lo sentir-se bem com ele imediatamente – você nunca deverá ter de alargar ou algo mais do que simplesmente amaciar o couro de um calçado para atividades esportivas. Aliás, esta é uma regra que deveria valer também para seus calçados sociais!

•  Considere as condições que você irá utilizar suas botas. Como é o clima de onde você costuma caminhar?

•  Qual o peso que você costuma carregar? Como costumam ser as trilhas que você vai?

•  Procure calçados leves, sempre que possível, mas não sacrifique o apoio, a proteção ou a durabilidade por isso... Existe um ditado que diz: “cada grama que você carrega nos pés equivale a 5 gramas extras nas costas”;

•  Experimente. Experimente. E experimente de novo. Experimente todos os modelos e tipos de botas e calçados que estiver ao seu alcance. Cada fabricante tem desenhos diferentes e nem mesmo dois pares do mesmo fabricante vestirão iguais. Não descanse nunca, mesmo quando você acha que encontrou o par perfeito! Você deve considerar todas as opções – aquele modelo que você tinha certeza de que não serviria, poderá surpreendê-lo;

•  Como você se sente? Desconfortável? Simplesmente esqueça-os! Por mais bonito, barato etc que você o ache. Se eles não vestiram bem na loja, o que dirá em uma trilha em terreno desigual, subindo ou descendo por horas a fio?

Indícios que a sua bota está OK:

•  Veja se os ilhoses do cadarço estão paralelos, depois de amarrá-la aos seus pés.

•  A bota deverá se encaixar perfeitamente ao redor dos seus pés. Nenhum ponto de atrito deve existir, nem pontos vazios. Aperte-a suavemente com ela vestida e veja se existem alguns espaços vazios onde a bota não esteja tocando seus pés.

•  Seus dedos não devem ser comprimidos nem pressionados. De forma alguma. Uma das regras práticas é escolher sempre botas com um ou dois números maior.

•  Lembre-se que você poderá aumentar ainda mais a performance e o ajuste de sua bota com palmilhas compradas avulsas. E isso poderá ser trocado durante a vida útil do calçado, que continuará a oferecer apoio, proteção contra impacto etc.

Opções:

Escolher uma bota não deveria ser uma tarefa impossível. Considere as opções do mercado e seu pretenso uso, antes de entrar em uma loja. Lembre-se dos truques para conseguir o ajuste perfeito, tenha certeza de que escolheu sua melhor opção porque o calçado que você selecionou para acompanhá-lo em qualquer das suas excursões ao ar livre poderá tanto fazer você feliz, quanto destruir sua peregrinação.

•  Sandálias esportivas (também conhecida como papete) - cada vez mais abundantes no mercado, são sandálias de fitas ou couro, com solado de borracha ou poliuretano e que têm na marca Teva sua grande precursora. Começaram como sandálias para esportes aquáticos, pois secam muito rápido, e, hoje, até sandálias para corridas e trekkings já existem. Algumas podem ser usadas com meias e são ótimas como calçados para áreas de camping, por deixarem os pés respirarem e serem muito confortáveis. Algumas pessoas caminham em trilhas com elas, mas não são recomendadas, pois oferecem pouca proteção e apoio para os pés e tornozelos contra torções etc. Mas são ideais para rafting, caiaque e outras atividades aquáticas, bem como trilhas muito curtas e planas.

•  Tênis de Aproximação ou Tênis de Corrida em trilhas - por ser feito para usar em trilhas, ele protege mais do que os tênis comuns de corrida. Possuem solados aderentes e entressolas macias. Por ser leve, respirável e flexível, costuma ser o escolhido para caminhadas mais longas também, o que não é indicado, pois ele não oferece o apoio e proteção ideais. Lembre-se, também, que se você estiver carregando uma mochila pesada, ele se tornará ainda menos recomendável.

•  Botas de caminhadas leves - normalmente feitas de uma combinação de couro e tecido, estas botas costumam ser leves e possuem modelos com três tipos de cano: alto, médio ou baixo. Costumam, também, ser flexíveis e são indicados para caminhadas de um dia ou com o uso de mochilas cargueiras não muito pesadas (menos de 10 kg). As de cano alto protegem o tornozelo de torções, mas não são tão eficientes assim.

•  Botas de trekking - mais duráveis e de construção mais rústica, estas botas são as mais indicadas para a maioria dos trekkings, incluindo aqueles com um ou mais pernoites. A maioria é feita de couro com algum tipo de tratamento para a umidade. O solado é mais resistente e protege melhor das pedras no caminho. Elas são mais pesadas que os modelos do item 3 e, por isso, mais duráveis. Também deverão proteger melhor seus tornozelos de torções etc.


4 - MEIAS:

Bolhas e machucados nos pés podem acabar com uma viagem ou uma caminhada. E a meia é uma escolha fundamental para que isso não aconteça. Escolher meias que sejam exatamente do seu tamanho é tão importante quanto as botas. Entenda o sistema botas/meias como algo que deva funcionar muito bem juntos.

E lembre-se que:

•  As meias não podem nem devem mudar o ajuste das suas botas;

•  Se elas forem muito grandes, sobrarão em alguma parte e isto poderá causar desconforto, inchaço ou mesmo bolhas;

•  Se elas forem muito justas, poderão afetar a circulação e o movimento dos dedos o que, no final das contas, também causará lesões.

Escolhê-las dependerá do tipo de bota que você estará usando e a condição climática que irá encontrar.

Alguns tipos de meias:

•  Liner - são fininhas e podem ser usadas sozinhas durante uma corrida, por exemplo. Para prevenir bolhas, a sugestão é usá-las como a primeira camada de meias. O tecido fininho é feito para levar a umidade para o lado de fora, mantendo seu pé seco, arejado e confortável.

•  Lightweight (leve) – ideais para serem usadas com tênis de corrida ou de aproximação e em dias quentes com botas para caminhadas leves ou de trekking. Elas são acolchoadas na parte posterior e anterior e em cima costuma ser mais fino, para ventilar melhor. São perfeitas para serem usadas como segunda camada.

•  Midweight (média) – são acolchoadas e funcionam muito bem para botas mais rústicas e duras como as de trekking, aproximação ou mesmo as de gelo. Também podem ser usadas por cima das liner e são perfeitas para o nosso inverno.

•  Heavyweight (pesadas) – oferecem o máximo de aquecimento para temperaturas muito frias e condições extremas. Ideais para uso em esportes de inverno ou expedições. Costumam ser mais compridas, para cobrirem parte de sua perna também e funcionam muito bem com as liner por baixo.

Materiais – procure meias sintéticas ou de lã. As de algodão demoram muito para secar e não afastam o suor do contato com sua pele. Meias mais grossas feitas de uma mistura entre materiais sintéticos e naturais costumam funcionar bem com um liner por baixo. Os avanços na manufatura da lã melhorou em muito sua performance – a lã tem, naturalmente, uma excelente proteção contra a umidade e o isolamento térmico e é a escolha perfeita para meias de alta performance.

Colaborador: Tácio Renato (AACS-Brasil)

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