RESUMO TOPOGRÁFICO DO CAMINHO FRANCÊS


RESUMO TOPOGRÁFICO  DO CAMINHO FRANCÊS

Começando por Saint Jean Pied Port o Caminho começa em ritmo de subida forte até o Collado Lepoeder para em seguida ter uma forte descida num desnível de mais de 600 metros até Roncesvalles. A subida não é tão problemática porque tem estrada asfaltada na sua maior parte. Cuidado se optar em descer pelo bosque: o declive é bem mais acentuado, mas o visual é único. Pela rota de Napoleão a descida é menos acentuada e menos acidentada.

De Roncesvalles a Larrassoana continuamos descendo até que se chega à cota de 600 metros de altura. Um cuidado especial ao subir e descer o Alto do Erro. Há muitas pedras soltas e cruza-se a estrada algumas vezes, depois até Pamplona o trecho é plano.

Todo o cuidado é pouco na travessia das grandes cidades. Pamplona é a primeira delas. Tem muito trânsito urbano e o peregrino embevecido com as paisagens rurais acaba esquecendo que está num centro urbano e pode sofrer um acidente.

De Pamplona a Estella não há grande dificuldade havendo apenas duas pequenas subidas. Uma de Cizur Menor até Zariquiegui e outra de Punte de La Reina até Maneru. Atravessar a cordilheira do alto do Perdão com chuva ou com ventos é uma barra pesada onde a subida é menos acentuada do que a descida, que tem para agravar muitas pedras soltas.

No trecho de Estella até Najera temos uma ascensão começando em Asqueta, com uma descida até Los Arcos. Entre Logrono e Najera há uma subida de uns 100 metros de altura. Nada muito forte.

O trecho Nájera - S. Juan de Ortega começa numa altitude de 450 metros e vai até quase 1050 metros. Quase não dá para perceber, mas o rendimento da caminhada cai um pouco. As pernas pedem uma massagem relaxante. Em montes de Oca tem uma série de tobogãs íngremes que põem à prova a musculatura do peregrino.

A travessia de Burgos pelo polígono industrial é cansativa. A atenção deve ser redobrada. São 10 quilômetros de intenso e pesado tráfego de veículos. De S. Juan de Ortega até Castrojeriz o panorama muda pouco não há nenhuma subida ou descida forte. O que é de certa forma massacrante é que em ambos os casos elas são continuas, mas cuidado depois. A chegada a Hontanas surpreende o peregrino, pois o pueblo fica num buraco e você chega lá cansado, a descida é forte e os joelhos doem. Cuidado com as pequenas pedras soltas. Se estiver chovendo fica um verdadeiro lamaçal. 

De Castrojeriz até Sahagun a coisa muda um pouco. Na saída de Castrojeriz há uma forte subida até o alto de Mostelares e a descida idem. Ela é pequena, mas com o vento que é uma constante vai atrapalhar muito, e com chuva piora mais ainda. Praticamente entramos nas mesetas espanholas, onde o relevo muda pouco, e a vegetação é mínima. A partir de Fromista começa a subir de novo sem que se perceba. Saímos de uma altitude de 750 metros e subimos a 920 metros até Terradillos de Templários e começamos uma descida até Sahagun com 825 metros.  

De Sahagun até Leon o cenário pouco se altera. As subidas e descidas são fracas e a altitude varia de 800 metros a 860 metros. A travessia de Leon também merece muito cuidado, pela intensa movimentação de veículos até Virgen Del Camino De León até Astorga o relevo também não tem grandes variações. De Astorga a Ponferrada o trecho tem uma variação de relevo mais forte. De El Ganso (1.000 metros) até a Cruz de Ferro há uma subida de 500 metros de altura, sendo o trecho mais forte o de Foncebadon até a Cruz de Ferro, mas a subida de Rabanal até Foncebadon já rouba um pouco das nossas energias, porém o pior é a descida a partir de Manjarin até Molinaseca passando por El Acebo e Riego de Ambrós. Não esquecer de usar o cajado, senão é problema de tendinite na certa.

De Ponferrada ao Cebreiro temos um início de subida suave a partir de Ruitellan que está a 500 metros de altura, a forte subida começa em Lãs herrerias e vai até 1300 metros no Cebreiro. Evite a opção de seguir por Pradela, que embora tenha um visual lindíssimo, a subida é muito aguda acrescendo alguns quilômetros de caminhada. Há uma opção pela estrada secundária beirando o rio. A distância é menor e você vai ouvindo o barulho do rio Valcarce e caminhando entre vales e bosques.

Do Cebreiro a Portomarin a descida forte vai de Viduedo até Triacastela. A descida além de ser é muito íngreme conta também com muitas pedras soltas. Neste trecho entre Triacastela até Calvor há uma subida rápida até San Xil de 250 metros de altura, e desce até Calvor, depois o trecho é plano.  

O trecho de Portomarin até Melide há uma pequena subida até Gonzar, depois é tudo plano. Alguns pequenos tobogãs no trecho. De Melide até Santiago não tem nenhuma surpresa. Há apenas uma pequena descida no alto de Santa Irene e depois uma subida com pouco aclive de Labacolla até o Monte do Gozo... Mas aí tudo é festa!

Um dado interessante é que a grande maioria dos pueblos fica em pequenas elevações, que no passado representavam uma vantagem estratégica em caso de guerra, mas depois de caminhar o dia inteiro parece que você não vai chegar lá nunca. Tais subidas nem sempre são muito fortes, mas dói até na alma.

Colaborador: Tácio Renato (AACS-Brasil)

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