POR QUÊ, CAMINHO DE SANTIAGO?

POR QUÊ, CAMINHO DE SANTIAGO? 


Há séculos, o caminho de Santiago fascina e atrai gente de todo o mundo.
 
Localizado na Espanha, o Caminho de Santiago não é UM caminho.
 
Há várias rotas que levam este nome, e que cortam toda a Espanha, pelo menos umas dez, as mais conhecidas.

 
    Algumas rotas do Caminho de Santiago na Europa
 
Na Idade Média se dizia que o Caminho começa na porta de casa. Os europeus, das diversas regiões, saiam de casa a pé ou, se mais ricos, a cavalo, geralmente em pequenos grupos, iam até Santiago e voltavam. Era uma viagem que podia durar meses ou anos.
 
Aliás, o principal caminho fica situado no paralelo 42 e já era usado pelos homens pré-históricos como um caminho iniciático. Os povos primitivos costumavam caminhar para o oeste, em direção ao Atlântico, como um processo de transformação e iniciação.
 
É um caminho que fica sob a Via Láctea, o caminho das estrelas, e muitos acidentes geográficos e nomes de cidades nos remetem às estrelas.
 
O cristianismo adotou esta rota que hoje seria o Caminho Francês e o do Norte, dois dos principais caminhos de Santiago.
 
Santiago ou São Tiago, foi um dos apóstolos de Cristo, um dos primeiros a serem chamados por Jesus para serem seus apóstolos, junto com seu irmão João, o evangelista, que seria conhecido depois como o “discípulo amado”.

 

 São Tiago, no Pórtico da Glória, na entrada principal da catedral: obra do mestre Matteo.

 
Tiago e João, filhos de Maria Salomé e Zebedeu, eram bastante impetuosos, queriam resolver as coisas sem muita diplomacia e foram por isso, chamados Boanerges, filhos do trovão.
 
Tiago é conhecido como o maior, por ser o mais velho, já que havia outro Tiago, o Alfeo, ou menor, venerado hoje na Armênia, onde há também uma peregrinação ao seu tumulo.
 
Não há comprovação histórica da vida que Tiago levou após a morte de Cristo, a não ser as citações do Novo Testamento, especialmente dos Atos dos Apóstolos.
 
Mas a tradição diz que Tiago foi predicar na Ibéria, hoje Espanha, na época sob domínio romano, possivelmente entre os anos 33 e 42. Não teve muito êxito. A região tinha sido terra dos celtas, povo muito ligado à natureza, e seus descendentes se mostraram pouco simpáticos à nova doutrina.
 
Tiago fez alguns discípulos e voltou com seis deles a Jerusalém. Os Atos dos Apóstolos narram o episódio da morte de Tiago, por ordem do rei Herodes  Agripa I, no ano 44 da era cristã, dia 25 de maio. Foi ele o primeiro seguidor de Jesus a sofrer o martírio. Foi decapitado, seus restos mortais jogados fora das muralhas da cidade, recolhidos por dois dos seus discípulos, Teodoro e Atanásio e levados em um barco de pedra guiado por anjos até a Galicia.
 
Por uma das rias, o barco chegou a Iria Flavia, hoje Padrón, nome retirado da pedra onde o barco foi amarrado.
 

        O pedrón onde foi amarrada a barca de pedra, em Padrón, Galicia.

 
Os dois discípulos sofreram muitas perseguições por parte da rainha Lupa, que dominava o lugar, e finalmente, depois da intervenção de anjos, conseguiram sepultar os restos, guardados em uma arca de mármore em um bosque chamado Libredón, onde construíram um sepulcro de estilo romano. Estes discípulos quando morreram também foram aí enterrados e se acredita que os restos deles, juntos com os de Santiago, estão na arca de prata sob o altar da catedral de Santiago de Compostela. O caminho de Santiago, é, na realidade, uma peregrinação até o tumulo do apóstolo Tiago.

 

    A arca de prata com os restos de São Tiago e dos dois discípulos, na catedral de Santiago


 

O altar mor da catedral de Santiago, com as três representações de São Tiago: o apóstolo, o peregrino e o guerreiro. Sob ele está o túmulo. Foto: André Lacativa

 
Os anos passaram, a localização destes túmulos foi esquecida, até que no ano 813  um eremita chamado Pelayo, que morava no local onde hoje em Santiago de Compostela é a igreja de San Fiz de Solovio, viu uma chuva de estrelas caindo sobre um local no bosque. Foi até lá, descobriu o sepulcro romano, contou ao bispo de Iria Flavia, Teodomiro, e as peregrinações se iniciaram. O bosque Libredón se transformou na cidade de Santiago de Compostela (de compositum, cemitério ou de stellae, estrelas) e o túmulo, na catedral de Santiago.
 

                                                   

O bispo Teodomiro e o túmulo do Apóstolo Tiago, descoberto por Pelayo no bosque Libredón.



 

    A Catedral de Santiago de Compostela, vista da Alameda

 
A dominação moura na Espanha, com o desejo ibérico da reconquista, a dificuldade de peregrinar a Terra Santa, com Jesusalém nas mãos muçulmanas, fez com que o Caminho de Santiago se desenvolvesse, atingindo uma importância crucial na Europa medieval, a ponto de Goethe dizer que a Europa se fez peregrinando a Santiago.
 

As três mais importantes vias de peregrinação cristã levam  a  Jerusalém, a Roma e a Santiago.

Os caminhos mais conhecidos e percorridos hoje são o Caminho Francês, o que tem mais infra-estrutura e obras de arte, o Caminho do Norte, O Caminho Aragonês, o Caminho Primitivo, a Via de la Plata, que sai da Andalucia, o Caminho (ou caminhos) Português, o Caminho Inglês, a Ruta do Ebro, o Caminho Sanabês,  e o Caminho Catalão.
 
O caminho Francês na província de Navarra (início da subida do Monte do Perdão)




Alguns dos caminhos de Santiago

           

 
Autoria de Clinete Lacativa, publicado no site: www.adventurezone.com.br