CAMINHO DE SANTIAGO: VISITAS IMPERDÍVEIS NO CAMINHO FRANCÊS


VISITAS IMPERDÍVEIS NO CAMINHO FRANCÊS


Imagine a aventura: cruzar a Espanha inteira de leste a oeste a pé!

O Caminho de Santiago de Compostela é uma ancestral rota de peregrinação que se estende por toda a Península Ibérica até a cidade de Santiago de Compostela, no extremo oeste do Reino da Espanha, aonde se acredita estar o túmulo do apóstolo homônimo.

Desde o século IX, homens e mulheres partem de suas cidades tendo como destino aquele lugar sagrado, movimento este que teve seu auge nos séculos XII e XIII com a passagem de centenas de milhares de viajantes.


Segundo uma tradição muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Tiago, foi pregar as "boas novas" em regiões longínquas, passando algum tempo na Galiza, extremo oeste da Espanha.

Ao retornar à Palestina, foi preso e decapitado, e seu corpo jogado para fora das muralhas de Jerusalém.

Dois de seus discípulos, Teodoro e Atanásio, recolheram seus restos e os levaram de volta ao ocidente de navio, aportando na antiga cidade de Iria Flávia, na costa oeste espanhola, sepultando-o secretamente em um bosque de nome Libredón.

O lugar foi esquecido até que oito séculos depois, um ermitão chamado Pelágio começou a observar um estranho fenômeno que ocorria neste mesmo lugar: uma verdadeira chuva de estrelas caía todas as noites sobre um ponto no bosque, emanando uma luminosidade intensa.

Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do Santo.

A notícia se espalhou e pessoas começaram a deslocar-se a fim de conhecer o sepulcro originando o Caminho de Santiago de Compostela.


Assim, em 1993, o Caminho de Santiago de Compostela foi declarado Patrimônio da Humanidade por Decreto da Unesco.

Embora não haja um ponto de partida definido (muitos europeus saem da porta de sua casa, seja ela onde for), a maioria dos modernos andarilhos acabam escolhendo um dos pontos cercanos à fronteira francesa, no caso, Saint-Jean-Pied-de-Port, Roncesvalles ou Somport (vide mapa).

Há em média 200.000 pessoas por ano viajando pelo norte da Espanha nas três maneiras reconhecidas como formas autênticas de peregrinação: a pé, de bicicleta ou a cavalo

Roteiro de 30 dias pelos caminhos de Compostela:

01- Km 01 - Em Roncesvalles, não deixe de receber a bênção dos peregrinos ao final da missa na Igreja de Santa Maria, obedecendo antigos ritos medievais.  Veja no link as informações de San Jean – Roncesvalles;

02- Km 63 - Na Vila de Muruzábal, entre Pamplona e Puente la Reina, não deixe de desviar-se um pouco da Rota (20 minutos) para conhecer a igreja românica de Eunate, antiga possessão dos Cavaleiros Templários – para nos, um dos mais bonitos monumento do Caminho. Procure antes saber os horários de abertura (que podem variar ao decorrer do ano).  Os horários: de terça a domingo, de 10 às 13 e de 16 às 19. Mas, se for segunda-feira, você pode apelar para a caridade do povo espanhol aos peregrinos e pedir (em uma casa de pedra ao lado da igreja, onde vive a encarregada pela conservação) para abrirem para você o templo.

03- km 67 - Em Puente la Reina é imperdível a Igreja de Santiago, também herança dos Cavaleiros do Templo de Salomão. Pintadas nas paredes do templo, note a versão ibérica da cruz templária.

04- Km 89 - Em Estella, suba uma colina (à cinco minutos do albergue) e aprecie a vista panorâmica da cidade a partir da Igreja de Santo Domingo. Lá, de alguns anos para cá, uma boa parte dos peregrinos brasileiros fazem uma caridade. Se você quiser dar continuidade a esta tradição criada por um brasileiro em 1996, basta fazer um pequeno ato de amor: visite em um prédio colado a esta Igreja um abrigo de velhinhos. Fale para eles que você é peregrino e brasileiro. Tenho certeza que será uma experiência construtiva para você (como para eles).

05- Km 91 - Saindo de Estella, um pouco antes de chegar ao Monastério de Irache, pare na Fuente del Vino, uma fonte com duas bicas. Em uma delas, água fresca. Na outra, puro vinho. E de graça.

06- Km 96 - Um pouco antes de chegar à vila de Ázqueta, você pode ter a sorte de conhecer Pablito, um personagem do Caminho, que nas horas vagas dedica-se a presentear os peregrinos com cajados de madeira talhados por ele.

07- Km 173 - No povoado de Azofra, pare para tomar um café no bar (na praça principal) e peça (de presente) a moeda cunhada pela vila em homenagem aos peregrinos.

08- Km 189 - Em Santo Domingo de la Calzada, aprecie a curiosíssima gaiola com um galo e uma galinha vivos dentro do templo. Se quiser ver onde se cria as aves da Igreja, é só dar uma espiada na lavanderia do albergue de peregrinos.

09- Km 211 - Na vila de Villafranca Montes de Oca, no interior da Igreja de Santiago (que infelizmente fica a maior parte do tempo fechada), aprecie uma pia de água benta original: uma imensa concha marinha trazida das Filipinas.

10- Km 223 - Se você pernoitar em Belorado, veja o pôr do sol a partir de um monte na parte oeste da cidade (bem atrás do albergue de peregrinos), onde há ruínas de um antigo forte. Belíssima vista panorâmica.

11- Km 235 - Em San Juan de Ortega, descubra o “milagre da luz” que ocorre lá nos equinócios. Também, conheça esta figura que é o Padre José Alonso. Participe da ceia dos peregrinos no refeitório do Monastério (que acolhe os peregrinos em dois amplos quartos), com a famosa sopa de alho oferecida por aquele sacerdote.

12- Km 248 - Em Carrión de los Condes, conheça a Igreja de Santa Maria del Camino, desde o século IX albergue de peregrinos. O padre José Mariscal fará as honras da casa.

13- Km 263 - Na cidade de Burgos (a maior do Caminho), não deixe de conhecer o centro histórico com uma das maiores Catedrais góticas da Europa.

14- Km 287 - Seis horas de caminhada de Burgos, entre os vastos campos verdes, há um albergue de peregrinos (no meio do nada mesmo!). Vale a pena fazer um desvio de 5 minutos para conhecer o refúgio moderno, levantado ao lado da fonte medieval de San Roque. Curioso é conhecer Luis, o “hospitaleiro” (atende os viajantes e toma conta do local), que segue antigos preceitos templários de acolhida caridosa aos peregrinos. Se estiver na hora do almoço, possivelmente ele fará uma bela macarronada para você. Tudo gratuito.

15- Km 326 - Em Frómista, visite uma das mais perfeitas igrejas do estilo românico, San Martín. Quase 20 quilômetros depois, em Villacázar de Sirga, conheça a igreja românico-gótica de Santa Maria, obra dos Templários.

16- Km 385 - Outra dica para os amantes da arquitetura: em Sahagún aprecie as igrejas de influência mourisca recobertas de ladrilhos, em especial, San Tirso.

17- Km 440 - Em León, há 2 albergues. O indicado e preferido (mesmo que bem mais rústico, com colchões postos diretamente no chão) é o Convento de Santa Maria del Carbajal, na Praça Santa María del Camino (centro histórico). Lá, ao cair da tarde os peregrinos são chamados pelas freiras para participarem de uma singela cerimônia com cânticos devocionais.

18- Idem - Românico e gótico: ainda nesta cidade, conheça a chamada “Capela Sixtina do românico”, com belíssimos afrescos do século XII, no museu da Basílica de San Isidoro. Também, visite a Catedral, um dos marcos do estilo gótico, com seus famosos vitrais.

19- Km 496 - Depois de Astorga, faça um ligeiro desvio da Rota tradicional, entrando no povoado de Murias de Rechivaldo (a trilha normal vai pela esquerda sem passar na vila) para, dez minutos além, conhecer o belíssimo povoado de Castrillo de Polvazares, todo em pedra. Vale a pena!

20- Km 512 - Na vila de Rabanal del Camino, tente conhecer a Igreja octogonal de Santa Maria (pena que vive fechada...).

21- Km 520 - É tradição secular dos peregrinos, ao passarem pela Cruz de Ferro, monumento localizado entre as vilas de Foncebadón e Manjarin, pegar uma pedra no inicio de sua caminhada e acrescentarem ao grande monte, marcando sua passagem. Um ritual muito antigo e carregado de simbologia.

22- Km 522 - Manjarin: imagine uma cidade medieval abandonada no alto da montanha e só uma casa de pé (logicamente, o Albergue de Peregrinos...). Apesar de um pouco desconfortável (não há banheiro e são poucas as camas), vale a pena dormir lá. Tomás é o hospitaleiro que cuida do local. Outra dica: caso você tenha pernoitado antes em Rabanal e chegue a Manjarin antes das 10 h, pare no albergue para tomar um café oferecido por Tomás. Você ouvirá ótimas histórias e, quem sabe, poderá participar de um Ritual Templário. Verdade!

23- Km 537 - Em Molinaseca, se você for no verão, aproveite as piscinas naturais (rio represado) do povoado. Passear pelos inúmeros bares e restaurantes da vila é obrigatório.

24- Km 567 - Em Villafranca del Bierzo, fique atento: há 02 albergues na cidade. Um da prefeitura, novo e confortável, mas sem nenhuma personalidade. O outro, o tradicional Refúgio Ave Fênix, de Jesus Jato, um senhor que há mais de 30 anos acolhe os peregrinos em sua própria casa. Usualmente, pela noite ele faz um curioso ritual no refeitório do albergue, queimando ervas e álcool em uma vasilha de cerâmica, fazendo uma bebida fortíssima, o Orujo.

25- Km 597 - Desbrave o pequeno povoado de O Cebreiro, no topo da montanha de mesmo nome, com suas casas de pedra seguindo a tradição celta. Assista a missa na única igreja do povoado e descubra o “Santo Graal dos Peregrinos”.

26- Km 698 - Em Melide, procure uma “pulperia” e deguste a especialidade local: polvos e vinhos.

27- Km 745 - No Monte do Gozo, há apenas 5 quilômetros da Catedral de Santiago, é tradição secular peregrina descer o morro cantando. Outra tradição medieval: se você estiver em grupo, o primeiro a chegar ao Monte e avistar a Catedral, é tido pelos outros como “Rei”, merecendo deles todas as deferências inerentes ao cargo.

28- Km 750 - Na Catedral de Santiago, procure descobrir com os que lá trabalham quando haverá a cerimônia do “botafumeiro”. Pode ser realizado 20 minutos antes das missas principais para grupos de turistas (que pagaram por isto), ou ao final da missa das 12h (a “Missa del Peregrino”), o que é mais tradicional.

29- Idem - Na Catedral de Santiago, não deixe também de tocar a coluna central do “Pórtico da Glória”, dar um abraço (literalmente) na estátua do apóstolo no altar-mor, e de visitar a singela cripta com os ossos do Santo.

30- Idem - Ainda na cidade de Santiago, pela manhã , vá a Finisterre. Depois de visitar o povoado, tomar um banho de praia e se empanturrar de mariscos, percorra 4 quilômetros do vilarejo até o “Cabo de Finisterre” (uma imensa península que parece que será engolida a qualquer hora pelo Oceano Atlântico). É tradição os peregrinos queimarem, ao pôr do sol, algumas roupas que foram usadas durante a caminhada.  

31- Idem - Em Santiago de Compostela, não deixe conhecer o restaurante "Casa Manolo" (ao final da rua de San Beito, próximo à praça Cervantes, 5 minutos da Catedral), um verdadeiro ponto de encontro dos peregrinos. Também pudera: ambiente alegre, descontraído e - o que é mais importante - comida excelente e barata.  


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