03º dia – ESPOSENDE a VIANA DO CASTELO – 26 quilômetros


03º dia – ESPOSENDE a VIANA DO CASTELO – 26 quilômetros

É pra frente que se anda, é pra cima que se olha e é lutando que se conquista.





Deixei o local de pernoite às 6 h 45 min, retornei uns 200 m e, numa esquina próxima, me enlacei, novamente, com o roteiro do caminho.


Duzentos metros à frente, já, à beira do mar, eu transitei por uma ciclovia, depois segui por ruas iluminadas e planas e, sem maiores novidades, depois de percorrer 4 quilômetros, passei próximo do albergue de peregrinos que existe em Marinhas, quando o dia amanhecia.

Na sequência, prossegui por uma avenida retilínea e, praticamente, sem tráfego de veículos.

Mais alguns quilômetros vencidos, sempre por zona urbana e piso duro. parei para fotografar a igreja matriz de Belinhos, outro pequeno povoado por onde transcorre o roteiro.

Foi somente depois de percorrer 10 quilômetros, já, na aldeia de Antas, que adentrei em terra, transitando por um silencioso bosque, até uma encruzilhada, onde avistei um monólito jacobeu em pedra.

Ali, obedecendo a sinalização, segui à esquerda e logo teve início uma trilha pedregosa, em forte descenso, de extrema beleza que, em seu final, me levou a passar diante de uma estranha construção, antes de ultrapassar o rio Neiva, utilizando as pedras de granito alocadas em seu leito e sem corrimão, tal como era feito na época romana e medieval.

Tal edificação era um antigo moinho de grãos, o “azenha de Guilheta”, hoje convertida numa Casa Rural.

Já, do outro lado, prossegui à direita e em forte ascenso, até que, percorridos 13 quilômetros, encontrei a igreja de São Tiago de Castelo de Neiva, um edificação que remonta ao ano 862, quando ela foi consagrada e dedicada a Santiago pelo bispo de Coimbra, a referência ao apóstolo mais antiga existente em Portugal.

Ao seu lado, além de alguns bancos, há também banheiros e um pequeno comércio.

Eu adentrei ao templo para fotos, orações e, ainda, aproveitei para carimbar minha credencial peregrina.

Prosseguindo, enfrentei curto ascenso, depois, girei à direita, transitei próximo de um cemitério e adentrei em outro formoso bosque de pinheiros, muito bem sinalizado, que venci sem pressa, aspirando o ar puro que dele emanava.

Foram, aproximadamente, quatro quilômetros caminhando por trilhas agrestes e silenciosas, onde não avistei vivalma, até que, após vencer forte e perigoso descenso, acabei por sair em Chafé, uma pequena aldeia empedrada.

A partir desse local, transitei sempre sobre piso duro e, após ultrapassar os povoados de Anha e Darque, pela extensa ponte Eiffel, que tem dois níveis e 560 m de extensão, eu ultrapassei o rio Lima; a ponte foi construída pelo famoso engenheiro francês em 1878, dez anos antes da torre Eiffel, em Paris.

Já, do outro lado, eu adentrei à belíssima cidade de Viana do Castelo, seguindo em direção ao seu “casco viejo”, onde me hospedei nesse dia.

Apenas, como registro: nesse dia eu avistei apenas um casal de peregrinos, que ultrapassei na metade da jornada.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Caminhando por uma ciclovia em Esposende. O dia ainda não raiou.


O sol nascendo, enquanto eu transitava por Marinhas.


A igrejinha de Belinhos.


Um interessante azulejo que encontrei na parede de uma casa em Belinhos.


Um monólito jacobeu. O Caminho segue à esquerda.


Trajeto maravilhoso pelo interior de um bosque.


A travessia do rio Neiva, por uma ponte de pedra.


Interior da igreja de Santiago, do ano 862. A parte exterior está em reformas.


Um fresco bosque, localizado em Castelo de Neiva. 


Trânsito solitário e silencioso.


A trilha segue plana e fresca...


Caminhando pela vila de Chafé.


Ponte sobre o rio Lima. Do outro lado, já se avista Viana do Castelo.


Uma construção do século XV, localizada próximo do local onde me hospedei nesse dia.

A ocupação humana da região de Viana remonta ao Mesolítico, conforme o testemunham inúmeros achados arqueológicos no Monte de Santa Luzia.

A povoação de Viana recebera Carta de Foral de Afonso III de Portugal, em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana da Foz do Lima. Devido à prosperidade desde então adquirida, Viana tornou-se num importante entreposto comercial, vindo a ser edificada uma torre defensiva (a Torre da Roqueta) com a função de repelir piratas oriundos da Galícia e do Norte de África, os quais procuravam por este porto.


Viana do Castelo me encantou por sua beleza e pelas ruas bem-cuidadas.

O próspero comércio marítimo com o norte da Europa envolvia a exportação de vinhos, frutas e sal, e a importação de talheres, tecidos, tapeçarias e vidro. O espírito comercial de Viana alcançou tais proporções que a rainha Maria II de Portugal concedeu alvará à extinta Associação Comercial de Viana do Castelo, em 1852. A mesma soberana — para recompensar a lealdade da população de Viana, que não se rendera às forças do conde das Antas (1847) — decidiu elevar a vila à categoria de cidade, com o nome de Viana do Castelo (20 de janeiro de 1848).

No século XX, tornou-se um dos principais portos portugueses da pesca do bacalhau.


Calçadões floridos..

Na cidade — que cresceu ao longo do rio Lima — podem ser observados os estilos renascentista, manuelino, barroco e Art Déco. Na malha urbana destaca-se o centro histórico, que forma um círculo delimitado pelos vestígios das antigas muralhas. Aqui cruzam-se becos com artérias maiores viradas para o rio Lima, e destacam-se a antiga Igreja Matriz (catedral desde 1977), que remonta ao século XV, a Capela da Misericórdia (século XVI), a Capela das Almas, e o edifício da antiga Câmara Municipal, na Praça da República (antiga Praça da Rainha), com uma fonte em granito — com uma bacia de casal e tanque — construída por Inês Lopes, a Velha, e terminada pelo seu filho João Lopes, em 1559.


Uma rua de Viana do Castelo. Ao fundo, no alto do morro, o Santuário de Santa Luzia.

Fora do centro da cidade — em posição dominante no alto do Monte de Santa Luzia — destaca-se a Igreja do Sagrado Coração de Jesus ou de Santa Luzia, cuja construção fora iniciada em 1903 e inspirada na Basílica de Sacré Cœur em Paris, de onde se descortina uma ampla vista sobre a cidade, o estuário do rio Lima e o mar.

População atual: 90 mil habitantes.



A igreja matriz de Viana do Castelo, século XV.

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde o Hotel Zende, em Esposende, até o Enjoy Guest House, em Viana do Castelo: 6 h.

Clima: nublado e frio, variando a temperatura entre 14 e 20 graus.

Pernoite no Enjoy Guest House: Bom!

Almoço no Restaurante Taberna Soares: Espetacular! - Preço: 6 Euros.


IMPRESSÃO PESSOAL: Trata-se de uma etapa de média extensão, com alguns desníveis importantes, mas nada de grande monta. Embora quase toda urbana, possui dois entremeios de rara beleza, mormente, a caminhada ao lado e transposição do rio Neiva, além do frondoso bosque de pinheiros que se atravessa, após a visita à igreja de Santiago. No global, um percurso um tanto cansativo, pelo excesso de piso duro que encontrei no início e no final da jornada, lembrando, ademais, que nesse dia não eu não passei diante de nenhuma praia.