8ª etapa: CASTILDELGADO à SAN JUAN ORTEGA – 36 quilômetros


8ª etapa: CASTILDELGADO à SAN JUAN DE ORTEGA – 36 quilômetros

Surpreendentemente, a chuva se fora e a previsão era de frio, mas com sol para aquele dia.

E como a jornada seria novamente de razoável extensão, acordei bem cedo e deixei o local de pernoite às 6 h 30 min, quando o dia ainda não raiara.

Eu poderia ter seguido diretamente pelo asfalto, evitando uma grande volta, o que iria me economizar 2 quilômetros nessa jornada, porém fiz questão de passar pela cidade de Viloria de Rioja, pois tinha esperança de poder abraçar novamente meus amigos Acácio e Orietta.


Ainda estava escuro, quando passei por Viloria de Rioja.

Ocorre que passei defronte ao albergue ainda muito cedo e, lamentavelmente, encontrei tudo fechado e silencioso, de forma que, triste e frustrado, fiz apenas fotos do local, depois prossegui em frente. 

Esse pequeno povoado fica a 16 quilômetros de Santo Domingo de la Calzada e não aparece documentado até o ano de 1028, embora sua existência seja anterior a esta data.


Infelizmente, encontrei tudo fechado e silencioso em Viloria de Rioja.

Historicamente, ele nasceu no final do século IX, quando reinava Alfonso III, e estas terras da antiga província romana de Tarragona tinha um valor político-militar muito forte, em razão das pressões exercidas sobre elas, pelos árabes, navarros e castellanos.

O conde Diego Rodriguez, fundador de Burgos em 884, recuperou Oca, sede episcopal, e todo o território oeste da atual Sierra de la Demanda, e as fontes do Tirón e Oja, estabelecendo um novo campo militar, cujos bastiões eram Pancorbo, Cellorigo, Cerezo e Ibrillos.

A ação militar foi acompanhada de uma colonização abundante, fundando-se então a maioria dos povoados que hoje existem, como Viloria, e outros que não existem mais, como Olmillos.


Quando passei no refúgio do Acácio e Orietta ainda era muito cedo e ele estava fechado.

Viloria conta com não mais de 100 habitantes, mas neste povoado nasceu em 12/05/1019, Santo Domingo de la Calzada, tendo sido batizado na pia batismal que ainda hoje se conserva na igreja. Contudo, a casa onde ele nasceu não mais existe.

A Santo Domingo de la Calzada se deve a reconstrução da calçada entre Nájera e Redecilla del Camino, que acabou por desviar o Caminho que era mais ao sul, fazendo com que o mesmo subisse às mesetas pelos Montes de Oca, onde atuou seu discípulo San Juan de Ortega.

Há atrações para visitar neste pequeno povoado, como a igreja de Virgen de la Assunción, que não tem estilo definido, aparentemente pela sua arquitetura é (ou era) gótica renascentista, e vem do final do século XVI, embora recentemente tenha sido reformada.

Sua planta apresenta uma nave retangular com dois quadrados, e uma cabeceira também quadrada, destacando-se a pia batismal.


Viloria de Rioja, local de nascimento de Santo Domingo.

Um pequeno mosaico feito de azulejos comemora o nascimento de Santo Domingo neste pueblo.

Todos os serviços básicos que os peregrinos precisarem, podem recorrer ao Refúgio de peregrinos Acácio & Orietta, que dispõe de café, internet, banheiros, etc., além, é claro, de um pernoite em ambiente acolhedor, com um jantar comunitário. 

Eu descendi pelo outro lado da cidade, e logo voltava à beira da rodovia N-120, seguindo por um bem cuidado “andadeiro” lateral.


"Andadero" em direção à Villamayor del Rio.

Sem maiores problemas, mais 4 quilômetros percorridos em bom ritmo, e com o dia clareando, passei por Villamayor del Rio.

Destaca-se nesse povoado de 60 habitantes, à margem da estrada o hostal/restaurante El León, que é famoso pelo seu "jamón".

O povoado é conhecido com “pueblo de las três mentiras”, já que não é uma vila, nem é maior e, muito menos, tem um rio.

No passado, havia nesse local um hospital de peregrinos, porém hoje, além do hostal/bar/restaurante, há apenas um albergue, localizado a menos de 100 metros fora do Caminho, em pleno campo.

 

Chegando em Belorado!

Prosseguindo, logo cheguei à Belorado, este sim, um povoado com fortes tradições jacobeias.

Descendendo em direção à cidade, logo passei defronte ao albergue paroquial, situado ao lado da igreja de Santa Maria, que encontrei já fechado, visto que possivelmente todos os peregrinos já haviam partido.

 

Igreja de Santa Maria, com seus ninhos de cegonha, em Belorado.

A Calle Mayor é parte da rota jacobeia em sua passagem por Belorado, vez que ela é uma das cidades do Caminho com melhor infraestrutura para acolher com dignidade ao peregrino.

Destaque para sua Plaza Mayor, de aspecto tipicamente castelhano, um espaço agradável com marquises e terraços.

As igrejas de San Pedro (s.XVII) e Santa María (s.XVI), a ermita de Nuestra Señora de Belén, único vestígio do antigo Hospital de Peregrinos, o convento de las monjas Clarisas (s.XVI), e as Cuevas de San Caprasio, San Valentín y Santa Pía, assim como a ponte "El Canto", não devem passar despercebidas pelo peregrino.

Com relação ao paladar, seus guisados de cordeiro, javali, e os derivados de porco são alguns dos pratos típicos da gastronomia desta zona conhecida como “Riojilla”.

Possui cinco albergues, sendo um deles o paroquial, quatro hostais/pensões, e três bons restaurantes.


Albergue de peregrinos de Belorado.

Dispõe ainda de várias tiendas e um bom supermercado, duas farmácias e bom posto de saúde, e até mesmo um centro de Promoção Jacobeia, que oferece informações valiosas do traçado do Caminho de Santiago sobre as 69 localidades por onde o peregrino percorre na comunidade de Castilla e Leon, e também sobre os principais monumentos da região.

Segundo os estudiosos, a origem de Belorado é Celta, como demonstra através da arqueologia e epigrafia, embora se configure como sendo na Idade Média, faz fronteira entre as Províncias de  Castilla e Navarra.

Era a passagem natural do Valle do Ebro para as Mesetas e, para maior controle, foi construído no começo da Reconquista um castelo sobre um monte para cujos pés se transferiram todos os habitantes que originalmente habitavam o outro lado do rio, na época romana.

As ruas do casco antigo, estreitas e tortuosas, com típicos passadiços, denotam a numerosa população que habitou dentro de suas muralhas.


Uma rua de Belorado, por onde discorre o Caminho.

Foi praça forte do lendário El Cid – El Campeador, como dote de Fernando (primeiro rei castelhano), ao se casar com Dona Jimena.

Atualmente, do castelo restou apenas uma muralha, de onde se tem uma bela visão panorâmica.

Suas magníficas igrejas de Santa María e San Pedro, construídas nos séculos XVI e XVII, os hospitais de Nuestra Señora de Belén, de San Lázaro e de la Misericórdia, assim como os conventos de San Francisco e de Nuestra Señora de la Bretonera, dão o exato testemunho da importância dessa urbe.

Na saída da cidade, a ponte medieval de El Canto, sobre o rio Tirón, que verte suas águas ao Ebro, foi obra de Santo Domingo, e depois melhorada por San Juan de Ortega.

 


Eu cruzei a cidade toda, utilizando suas “calles” tortuosas e bem conservadas, para sair mais abaixo, à beira da rodovia N-120, que transpus cuidadosamente, para depois acessar um caminho de terra, localizado do lado oposto.

E, na sequência, por uma ponte de madeira eu transpus o rio Tirón que, por sinal, nesse local, é bastante largo, sendo que, mais adiante, vai lançar suas águas no rio Ebro.


Ponte para pedestres, sobre o rio Tirón.

Prosseguindo, iniciou-se um largo e bem cuidado caminho de terra, por onde segui tranquilo e feliz, sendo ladeado por plantações de trigo e canola.

Mais 5 quilômetros caminhados, passei por Tosantos, um minúsculo povoado, com não mais de 60 habitantes, e que foi fundado no ano de 940.

Nele poucos serviços há para o peregrino, incluindo uma modesta tienda, alguns bares e um albergue municipal, com boas e modernas instalações, localizado na casa paroquial, situada próximo da praça central da cidade.

Também vi propaganda de dois outros albergues privados, sinal de que o progresso também está chegando naquele lugar.


Famosa igrejinha encravada numa rocha, em Tosantos.

O destaque é a ermita rupestre da Virgen de la Peña, escavada na rocha, onde se venera uma imagem românica da virgem, do século XII.

Há ainda na cidade uma simples igreja românica, dedicada a Nossa Senhora de la Natividad.

Eu cruzei uma rua tortuosa e logo as flechas me remeteram, radicalmente, à esquerda, para outro caminho precioso, largo e muito bem cuidado, onde pude contar uns 20 peregrinos caminhando à minha frente.

A grande maioria era de turistas, pois portavam pequenas mochilas às costas e caminhavam em ritmo bastante lento, vez que muitos tinham idade já um tanto avançada.

Na verdade, estávamos na Pascoela, que significa “páscoa pequena”, e corresponde à segunda-feira após do Domingo de Páscoa, e na Espanha essa data é feriado e, salvo exceções, ninguém trabalha.


No caminho para Villambista.

Fui ultrapassando o pessoal, a quem sempre cumprimentava com um olá ou Bom Camiño, que é o padrão entre os peregrinos.

Nesse ritmo, logo passei por Villambista, mais um povoado com poucos habitantes e escassos serviços ao peregrino, mas que conta com um albergue e um bar-tienda, que só abre no período da tarde.

Tem, ainda, uma fonte no meio do povoado que dizem operar milagres, porquanto contam as lendas do Caminho, que um peregrino cansado do duro trajeto desde Redecilla del Camiño, debaixo de um sol inclemente, teve sintomas de debilidade alguns quilômetros depois de Belorado.

Reza a tradição, que um ancião do lugar, ao vê-lo em tão precária situação, lhe falou do costume de Villambistia, consistente em molhar por completo a cabeça, na fonte do povoado, no trajeto do próprio Caminho.


No caminho para Espinosa del Camiño.

E este revigorante banho deu o ânimo necessário para o peregrino prosseguir sua jornada.

Quando o peregrino chegou à Santiago, comentou tal fato com seus amigos, que século a século, e de boca em boca, criou a tradição de passagem obrigatória por essa minúscula vila, para aqueles que querem chegar à Santiago, em perfeitas condições físicas e de saúde.

Na localidade ainda pode ser visitada a igreja de San Esteban, um pouco maltratada pelos anos, mas ainda em serviço. 

Fiz uma pequena pausa num banco da praça para hidratação e ingerir uma banana, depois prossegui meu périplo.

Quanto à fonte milagrosa, fazia uma temperatura de 12 graus no momento em que ali passei, dessa forma se eu molhasse a cabeça, como manda o costume, poderia me revigorar, mas também corria o risco de apanhar uma gripe, quiçá, uma pneumonia.

Assim, preferi ignorar a lenda e prossegui adiante.


Chegando em Espinosa del Camiño.

O trecho seguinte, em leve ascenso, me levou a transitar rapidamente por Espinosa del Camiño, minúsculo povoado, onde vi apenas um bar aberto.

Prosseguindo, após vencer pequeno ascenso, atingi o topo de pequena elevação, e de lá pude observar ao longe e abaixo, a cidade de Villafranca Montes de Oca, o próximo povoado por onde eu transitaria.


No caminho em direção à Villafranca Montes de Oca.

E ali aportei, depois de vencer os derradeiros 700 metros caminhando pelo acostamento da rodovia N-120, um trajeto perigoso, pois o tráfego de veículos naquele horário era intenso.

Villafranca Montes de Oca encontra-se aos pés do Porto de la Pedrajam, e segundo os gastrônomos do Caminho, nele se come uma das melhores "ollas podridas" da região, sendo que tal prato é composto de feijão e derivados de porco.

A pequena vila dispõe de um albergue, dois hostais, quatro bares/restaurantes, uma padaria e um minimercado.


Placas indicativas na entrada de Villafranca Montes de Oca.

A cidade foi a antiga sede episcopal de Auca (Oca, en latim), trasladada primeiro para Gamonal e, posteriormente, a Burgos, por Alfonso VI, no século XI.

A igreja paroquial de Santiago é uma construção remodelada, levada a cabo ao final do século XVIII, e também acolheu um hospital nominado "El Hospital de la Reina", já que sua construção foi ordenada por Dona Juana Manuel, esposa de Enrique II de Castilla.

Pouco antes de chegar ao povoado, à direita do Caminho, pode ser visto os restos da cabeceira do templo pré-românico de San Félix de Oca, lugar onde foi sepultado o fundador de Burgos – O Conde Diego Porcelos.

Pelo lado do vale se encontra a ermita da Virgem de Oca, lugar onde a tradição conta que junto a um manancial, foi martirizado San Indalécio, discípulo de Santiago.

 

Igreja da Virgem de Oca, em Villafranca Montes de Oca.

A igreja principal da pequena vila se encontrava fechada, obstando minha visita ao templo.

Assim, comprei frutas e água num pequeno mercado ali existente, tomei informações sobre o caminho sequente, depois segui adiante.

Iniciou-se, então, difícil ascenso, que fui vencendo lentamente, observando com atenção o local onde eu punha os pés, pois o solo se encontrava úmido e escorregadio e, nessas horas, o cajado é de grande importância para se manter o equilíbrio.


Placa explicativa sobre a "Sierra de Sán Millán".

Já no plano, parei para respirar e observar uma placa explicativa, que me clarificava estar muito próximo da “Sierra de Sán Millán”, uma cadeia de montanhas que eu avistava no horizonte.


No caminho em direção à San Juan de Ortega.

Ainda ascendendo, mas em condições bem mais tranquilas, transitei por bosques silenciosos, que abrigavam árvores ainda sem folhas, e lentamente despertavam a primavera que havia chegado à pouco.


Deixando os bosques, para acessar uma área aberta.

Mais acima, o roteiro se abriu, e passei a caminhar por uma estrada larga e plana que discorreu sempre entre um grande bosque de eucaliptos e pinheiros.


Monumento em homenagem às vítimas da Guerra Espanhola.

Em determinado ponto, parei para fotografar um monumento erigido em homenagem às vítimas que ali foram fuziladas e enterradas numa fossa comum, em 1935, e descobertas em 2011, quando das obras efetuadas naquele local, visando a ampliação do Caminho.

Na sequência, o roteiro apresenta um grande desnível, para depois oferecer uma íngreme ladeira a ser superada, porém, de pequena extensão.


Uma pronunciada baixada, depois um forte "repecho" à frente.

Vencido esse obstáculo, o caminho voltou a ser plano e trilhado em meio a um grande bosque de robles.


San Juan de Ortega, no horizonte, finalmente!

Por sorte, o dia se apresentava fresco e nublado, com alguns chuviscos ocasionais, clima perfeito para caminhar, de forma que logo pude avistar ao longe o Monastério de San Juan de Ortega, minha meta para aquele dia.

Ali aportei por volta das 14 horas, extremamente cansado, e sem outras opções para pernoite, me hospedei no Albergue do Monastério ali existente.

 

Chegando em San Juan de Ortega; um casal de coreanos segue à frente.

San Juan de Ortega é uma das menores aldeias do Caminho, com seus não mais de 30 habitantes.

Esta fantástica edificação, que se ergue solitária no alto das montanhas, entre Belorado e Burgos, é muito mais que uma igreja, vez que é um conjunto complexo, formado por duas igrejas, dois mosteiros, um Hospital de peregrinos, e algumas residências.

San Juan nasceu (com o nome de Juan Velázquez) em 1080, na pequena aldeia de Quintanaortuño, nessa mesma província.


Igreja de San Juan de Ortega.

Tendo realizado uma peregrinação a Jerusalém, ao retornar, decidiu dedicar-se a proteger os peregrinos que demandavam à Compostela.

Retirou-se para um local denominado Ortega, nos montes de Oca, onde construiu uma ermida consagrada a San Nicola de Bari, bem como um Hospital de peregrinos.

Além disso, dedicou o resto de sua vida à manutenção, reconstrução e aprimoramento do Caminho de Santiago, sendo ele o construtor de todo o trecho que leva a Atapuerca, além de pontes em Nájera, Logroño e Santo Domingo de la Calzada.

Ele faleceu em Nájera, em 1163, e foi enterrado na ermida que havia construído em Ortega. Apesar de reformada e ampliada, a velha ermida existe até hoje.

São Juan de Ortega foi contemporâneo, companheiro e colaborador de Santo Domingo, o de la Calzada.

Sete anos após sua morte, o local passou a abrigar um mosteiro da ordem de Santo Agostinho, que a partir do século XV (1432) passou à ordem de São Jerônimo.


Clássico baldaquim localizado no interior da igreja de San Juan de Ortega.

Hoje em dia, o conjunto abriga o mais amplo albergue de todo o Caminho, com capacidade para receber centenas de peregrinos.

No dia do equinócio, um raio de sol, penetrando por um pequeno orifício, ilumina a imagem da Anunciação esculpida no capitel de uma das colunas da igreja.

O fato reveste-se de um significado especial, quando se recorda que o equinócio de primavera (21/22 de Março) ocorre nove meses antes do nascimento de Cristo, portanto na suposta data da real Anunciação.

Embora ainda espartana, a hospitalidade em San Juan de Ortega é inesquecível.

É o único refúgio no caminho que ainda conserva a secular tradição de o pároco oferecer sopa de alho ao peregrino que ali pernoita.

Entre as inúmeras pessoas que marcam de maneira indelével a alma do peregrino, nenhuma encarnava de maneira mais viva o espírito do Caminho que o padre José María, que foi o responsável há muitos anos pelo local.

Era um digno sucessor do próprio San Juan, mas partiu para o Oriente Eterno em 24/02/2008, aos 81 anos.

O único serviço que o povoado dispõe fora o albergue e a igreja, é o Bar da Marcela, uma pessoa encantadora, que com sua família administra o local, onde serve comidas simples a preços bem razoáveis.

 

O túmulo de San Juan, localizado no interior da igreja homônima.

Bem, eu desconhecia que houvesse outra opção de pernoite no local, de forma que, por 5 Euros, me hospedei no albergue situado dentro do monastério, onde já havia pernoitado em 2001 e 2004.

Muitos outros peregrinos que vi lanchando no bar em frente, seguiram adiante, e eu pude perceber o porquê, visto que encontrei o ambiente do refúgio bastante desgastado, úmido e com péssima iluminação.

Ainda assim, constatei que eu era a sexta pessoa que ali adentrava, então tratei de encontrar um local ventilado, próximo de uma janela e situado o mais longe possível dos banheiros, para onde logo me dirigi com a intenção de tomar banho.

Para minha surpresa, a ducha estava fria, embora a temperatura vigente no local estive próxima de uns 10 oC.



Quando retornei à minha cama, já a encontrei ladeada por outros 4 peregrinos alemães que, já estavam deitados, ainda com a mesma indumentária com que ali haviam aportado.

Bem, eu não estava preparado para dormir em albergues, visto que não havia levado saco de dormir, muito menos lanterna para colocar na cabeça à noite ou toalha de banho.

Ainda assim, tentei relaxar e descansar um pouco, porém um dos peregrinos alocado do meu lado esquerdo, já roncava a todo vapor, sinal de que eu teria muita dificuldade para conciliar o sono noturno, mais ainda, quando me lembrei que também não havia levado tampões para os ouvidos.

Assim, preocupado, desci e fui ao bar da Marcela, para ingerir um lanche e lá, para a minha felicidade, vi a oferta de habitações em uma casa rural próxima, cuja reserva devia ser tratada ali mesmo, visto que de propriedade do mesmo dono do bar.

Consegui um quarto e, feliz da vida, retornei ao albergue, apanhei todos os meus pertences e, rapidamente, me alojei no novo e excelente ambiente a mim disponibilizado.

Com tranquilidade, pude tomar um novo e decente banho, lavar toda a minha roupa, tratar de meus pés, enfim, minha vida deu uma reviravolta para melhor.

Bem mais tranquilo, compareci na missa das 18 horas, que diariamente é realizada na igreja ali existente, com direito a benção aos peregrinos no final da celebração.


No bar da Marcela, jantando com meus amigos José Eduardo, brasileiro, e Juan, um colombiano.

Finda a cerimônia, conheci dois simpáticos peregrinos: um brasileiro, o José Eduardo, que reside em Mogi das Cruzes, e outro, um colombiano de nome Juan.

Juntos, fomos jantar no bar da Marcela e face o frio e animação reinante, consumimos 3 garrafas de vinho, o que propiciou um ambiente festivo e alegre em nossa inusitada confraternização.


Um "selfie", brindando nosso aporte à Burgos no dia seguinte.

Posteriormente, eu e o Juan, retornamos à Casa Rural onde estávamos hospedados, sendo que o Eduardo marchou para o albergue e, embora fossemos partir em horários diferenciados de manhã, firmamos um compromisso de nos reencontrarmos na cidade de Burgos, nossa meta para o dia seguinte.

Eu passei algum tempo estudando a jornada sequente e cuidando de meus pés, depois fui dormir e tive um sono profícuo e altamente reparador.

 

 09ª etapa: SAN JUAN DE ORTEGA à BURGOS – 28 quilômetros