FINAL


EPÍLOGO

"Um Universo chamado Caminho de Santiago"
Enquanto o mundo gira, peregrinos caminham, sempre respirando a intimidade e a beleza da pura e intocável natureza, cruzando comunidades, vilas, vilarejos, pequenas e médias cidades, cuja lembrança nos toca o coração, pela simplicidade do acolhimento. Colocamos na mochila do aprendizado a história, a cultura e a gastronomia local. Seguimos colecionando amigos, somando irmãos, multiplicando conhecimentos, dividindo experiências, contando e ouvindo contos e causos. Assim, viemos caminhando e com o coração pleno de emoção, talvez com os olhos em lágrimas, até a casa do filho de Zebedeu e Salomé, em Santiago de Compostela.” 


Praça de Los Fueros, em Tudela.

Muitas pessoas já me questionaram a razão de eu percorrer Caminhos, quase sempre, de forma solitária.

Infelizmente, nem sempre encontramos a companhia adequada, e os amigos que eventualmente poderiam me acompanhar nas caminhadas, ainda estão na ativa, trabalhando duro, e não posso postergar meus planos.

Mas, minha opção de caminhar escoteiro têm também outros fundamentos.

Nessa situação, você tem necessidade de se comunicar com as pessoas à sua volta, interagir, até pela simples vontade de conversar.

Além do que, estando em lugares novos e desconhecidos, muitas vezes, não sabemos ao certo o que fazer ou aonde ir. 


Um brinde ao Caminho de Santiago, em Quinto.

Desta forma, sempre conhecemos pessoas e fazemos amigos.

Outro motivo é que, sozinho, decidimos tudo sem ter de consultar mais ninguém.

Assim, não há atritos ou divergências, pois não necessitamos convencer nem brigar com nós mesmos.

Creio que é muito difícil conciliar decisões e vontades por um longo período, convivendo 24 horas do dia com outra pessoa.

Porém, o mais importante é que seu sonho pode não ser o mesmo do amigo que está ao seu lado, sendo assim, as renúncias que você faria para conquistá-lo poderiam não ser feitas pela outra.

Já li e ouvi relatos de grandes amigos que saíram em viagem e menos de um mês depois se separaram, para um não assassinar o outro.

Estar só, onde não se conhece ninguém, longe de seu país e da língua, é também uma oportunidade de autoconhecimento, de superação, de enfrentar desafios e ter que encontrar solução para eles.

A grande desvantagem é quando algo dá errado, você não tem com quem compartilhar os dissabores. 


No Caminho: solidão e silêncio, como eu gosto...

Quando planejamos uma viagem, não contamos, obviamente, com ajuda externa.

Nem pensamos que no caso de ocorrer algum problema, alguém aparecerá para nos ajudar.

A ideia é que tenhamos sempre a solução para o imbróglio e as ferramentas para tal.

Contudo, muita gente tem prazer em auxiliar os peregrinos estrangeiros, dentro de óbvios limites.

E, graças a Deus, sempre consegui ajuda e solidariedade ao longo dos Caminhos, nas mais diversas situações.


Bom Caminho a Todos! 

Junho/2016