Breve história

VIA DE LA PLATA – BREVE HISTÓRIA   

  

                                   

       Ponto "Zero" da Via de La Plata                                                        Marcação inicial na Catedral de Sevilha       

 

A Via de La Plata é o caminho Jacobeu de maior extensão. 

Passa pelas Províncias de Sevilha, Extremadura, Salamanca, Zamora, Ourense, Pontevedra e A Coruña, atravessando espaços naturais de grande beleza, com um rico patrimônio cultural e ecológico.

Na verdade, tudo começou com os “Tartessos”, uma das primeiras civilizações urbanas do ocidente a usar várias rotas comerciais na Península Ibérica. 

No ano 218 a. C a Espanha foi conquistada pelos romanos que utilizaram esses roteiros, em particular, a via romana “La Iter ab Emérita Asturicam”, (séc I a. C), antecedente da Via de la Plata, para o deslocamento de tropas e comércio.

Octávio Augusto, nomeado Imperador em 25 a. C, mandou construir uma calçada que unisse Mérida (Emérita Augusta, capital da Província de Lusitânia) com o norte da Península, atravessando o leito dos rios Tejo e Douro, a fim de facilitar o transporte dos exércitos cuja missão era combater os bárbaros.

Esta Via chegou até Astorga (Asturica Augusta) e tinha mais de 500 quilômetros de extensão, sendo que, posteriormente, outros Imperadores, como Tibério e Trajano a ampliaram, em ambos os sentidos, até Sevilha e Gijón.

Com a queda do Império Romano, esses roteiros deixaram de ser utilizados, no entanto, a invasão árabe do século VIII atingiu, inclusive, o noroeste da Península, culminando sua conquista com a queda de Santiago de Compostela, no ano 997. 

Os árabes batizaram-na de Bal’latta (Blata), que significa “Caminho de Pedra”.

À medida que os cristãos iam reconquistando o território espanhol, restabeleceu-se as vias de “visitação” à Santiago, sendo que, por esta antiga calçada romana, iniciou-se a verdadeira Rota de peregrinação à tumba do Santo Apóstolo.


 

MINHA  PEREGRINAÇÃO

 

A aventura começou num sábado à tarde, quando embarquei rumo à Espanha. 

No dia seguinte, após breve translado pelo aeroporto de Madri, desembarquei em Sevilha.

Era "Domingo de Ramos" e a cidade se encontrava efervescente, pois, nessa época, milhares de turistas visitam o local interessados em assistir aos desfiles das confrarias, bem como participar dos festejos da Semana Santa.

 

                                             

  

Logo, encontrei Francisco, um engenheiro de 35 anos, que se tornou meu companheiro durante a peregrinação. 

Havíamos feito alguns contatos no início do ano e tivemos a oportunidade nos conhecer em São Paulo, quando participamos de algumas caminhadas com o fito de treinar o condicionamento físico. 

Fran, como prefere ser chamado, se mostrara animado e em excelente forma física. 



No mês de março, ele estava em Barcelona, onde fazia um curso de especialização na área de implosão de edifícios. Contudo, na data aprazada, embarcou num trem a fim de se encontrar comigo.

Para evitar dissabores, assim que chegou em Sevilha, ele tomou um ônibus, foi até o aeroporto e ali, pacientemente, aguardou minha chegada.

O motorista do táxi, que nos levou até o centro da urbe, informou-nos sobre a impossibilidade de adentrar ao "casco viejo", porquanto, inúmeras ruas já se encontravam interditadas por conta dos eventos religiosos programados para aquele dia.

Dessa maneira, deixou-nos numa avenida larga e movimentada, onde estavam localizados inúmeros hotéis e pensões.



 

                             

 

Assim, ficamos hospedados no Hostal Arcóbia, que nos cobrou um preço exorbitante (48 Euros), se levarmos em conta a vetustez de suas instalações. 

A proprietária do estabelecimento justificou tal medida sob o argumento de que as diárias estavam liberadas pela Secretaria Municipal de Turismo, em razão do interregno pascal.


    

Depois de nos instalarmos, viemos a saber que pernoitaríamos exatamente do lado oposto do Caminho “Via de La Plata”, roteiro que acessaríamos no dia imediato.

E mais, que a magnífica Catedral da cidade se encontrava fechada, em face de sua adequação às festividades cristãs a serem realizadas naquela noite. Desse modo, não pudemos conhecê-la internamente e nem carimbar nossas Credenciais de Peregrino em suas dependências.

Ainda, revelou-se frustrada a nossa planejada visita à Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Sevilha, onde pretendíamos adquirir o Guia atualizado do Caminho e o imprescindível cajado, isto porque sua sede não funciona aos domingos.





  


Dessa forma, após um longo giro pelo movimentado centro velho da cidade, nos perdemos por conta da sinuosidade de seus becos e travessas.     

Por isso, demoramos muito para  retornar ao hostal, retardando nossa convergência na preparação dos equipamentos e provisões, ante a iminente partida rumo à Santiago.

Mais tarde, pós minhas orações costumeiras, pronto para dormir, li um pequeno texto escrito por um experiente aventureiro brasileiro, que me fez refletir com mais propriedade sobre o motivo de estar ali, prestes a iniciar minha peregrinação:

 

    “Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.” (Almir Klink)



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