12ª Jornada

12ª Jornada - Carcaboso a Aldeanueva del Camino – 38 quilômetros: “O grande desafio!”

     
Finalmente, me deparava nesse trecho com a etapa “Rainha” de todos os Caminhos. Isso me deixou assaz preocupado e acabei não dormindo bem. 
Por conta disso, às 5 h 30 min, já estava desperto me preparando para uma intensa e inesquecível jornada.  
No dia anterior havia verificado a saída da cidade, de forma que parti ainda no escuro, às 6 h 30 min, por ruas desertas e logo adentrei em larga e plana estrada rural, muito bem sinalizada, sempre bordejando um grande caudal de água.     
Assim, segui em meio a enormes fazendas de criação de gado, delimitada por porteiras, onde pacíficos rebanhos de gado ruminavam mansamente. 
Em diversas ocasiões tive que passar ao lado das reses, sempre com muita cautela.


   
Ao final de uma “finca” ultrapassei o canal de Jerte, que possui um volume d’água superior a todos aqueles que havia transposto naquele dia. 
Mais à frente, adentrei por bosques de “alcornoques” despidos de folhas e casca, onde havia enormes pedras repletas de mugos e ruínas da estrada romana, num trajeto plano, silencioso e verdejante.

Às 10 h, 15 quilômetros percorridos, aportei à “finca de Venta Quemada”, onde existe somente uma grande casa à beira do asfalto. 

Porém, verifiquei que não havia possibilidade de conseguir mantimentos, posto que ali não se pratica nenhum tipo de comércio.





O fato é que os sitiantes da região, dedicam-se, apenas, ao pastoreio e fabricação de queijos. 

Ademais, quando o leite está em processo de coalho, não podem interromper o processo para atender peregrinos que, amiúde, solicitam água no intuito de repor o precioso líquido no corpo.

Fiz ali breve pausa para o lanche e alongamento, pois, sentia um princípio de cãibras na perna esquerda. 

Depois, revigorado, segui em frente. 

O roteiro prosseguiu em franco descenso, entre árvores de grande porte, num trajeto plano, agradável e sem maiores dificuldades.

Às 11 h 30 min, depois de percorrer um total de 20 quilômetros, cheguei ao magnífico Arco quadriforme de Cáparra, de 9 metros de altura, o ponto alto desta jornada.




Trata-se de uma enorme construção solitária num grande planalto, em meio a um olival e ruínas de antigo “ayuntamento” romano. 

Num miliário próximo, recentemente recuperado, há uma inscrição do ano CX (60), época em que Nero era o Imperador de Roma.

Segundo os historiadores, a povoação ocupava uma área total de 15 hectares e chegou a ter 2.000 habitantes, uma cifra muito superior à população de inúmeras cidades que cruzei pelo caminho, algumas das quais não superam uma centena de pessoas.

Existem grandes escavações sendo feitas próximo dali, pois Cáparra foi, durante séculos, motivo de atenção por parte de curiosos e eruditos, centrada especialmente em seu elemento mais atrativo e melhor conservado: o “Arco Tetrapylon”, único do gênero na Península Ibérica.

Fiz novamente uma pequena parada para fotos e lanche, depois prossegui por um caminho plano e agradável, entre grandes pastagens, cruzando vários riachos e porteiras até sair, mais à frente, numa estrada asfaltada, que vai até Zarza de Granadilla. À minha direita podia observar a magnífica “Sierra de Gredos”, que é composta por uma impressionante cadeia de montanhas.


O caminho de terra seguiu paralelo à rodovia, até alcançar mais abaixo a “N-630”, onde é preciso prestar atenção, porque neste ponto o Guia está defasado. 

Nesse local, as flechas indicam que devemos passar por baixo de um pontilhão e depois transpor o rio Ambroz, sobre pedras.

Em seguida, observando as setas, ultrapassei uma porteira fechada à cadeado e entrei numa grande fazenda de gado, onde, um enorme rebanho pastava. 

Num poste de cimento, três grandes setas indicavam a direção a seguir.

Assim, segui as flechas, mas, logo me perdi, pois as marcações desapareceram. 

Desesperado, com meu estoque de água se findando, saltei mais 3 cercas e sem saber para onde me dirigir, por fim, acabei, com grande dificuldade, retornando embaixo do pontilhão.

Atualmente, paralela à N-630, passa a “Autovia Nacional”, mas, a sinalização não foi modificada, o que induz o caminhante a erro, como aconteceu comigo.



O correto é acessar a “carretera” N-630, que esta à esquerda da Autovia, e por ela seguir mais 7 quilômetros, indo até Aldeanueva del Camino, minha meta naquele dia. 

Assim, nesse trecho, exceto os dois ciclistas que me ultrapassaram no trigésimo quilômetro, não visualizei nenhum outro peregrino no caminho.

Ali fiquei alojado no Hostal Montesol (15 Euros), onde também fiz minhas refeições (8 Euros).

Depois de tomar meu banho, almoçar e lavar roupas, fui dar uma volta pela graciosa cidadezinha, onde a maioria das habitações possui bem cuidados balcões floridos. 

Famosos, na localidade, são os ramos de castanheira que ali tem utilidade na fabricação artesanal de cestos, bengalas e cajados.




Aproveitei, então, para conhecer o albergue, onde carimbei minha credencial. A hospitaleira Balbi, uma senhora simpática que reside próximo dali, me contou que havia chegado naquele dia, apenas dois ciclistas, porém, tinham seguido de táxi até Plasência para consultar um médico ortopedista, vez que um deles sofreu uma queda e estava com sérios problemas em um dos joelhos.

No retorno ao local de pernoite, parei para conhecer as igrejas de San Servando e de Nuestra Señora del Olmo, ambas do século XV.

E, ainda ultrapassei a “puente medieval sobre la Garganta de la Buitrera”, célebre construção de um só arco, cimentada sobre rocha viva há mais de 2.000 anos, sendo considerada uma jóia da arquitetura militar romana.








Resumo: Tempo gasto: 10 h 30 min - Sinalização: Excelente até o cruzamento da “N-630” com a Autovia Nacional. - Clima: Ensolarado, com temperatura variando entre 4 e 19 graus.

 

Impressão pessoal: Trajeto bonito e fácil nos primeiros 32 quilômetros de percurso, apesar de haver me perdido nele. Depois, bastante cansativo pelos derradeiros 7 quilômetros feitos em asfalto, sob sol quente. Há que se considerar, também, a longa distância a ser percorrida nessa jornada. Importante: Observar, com atenção, o encruzo da “carretera” N-630 com a Autovia Nacional, quase no final da jornada.


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