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18ª Jornada

18ª Jornada - Zamora a Tábara – 46 quilômetros – “Adeus à N-630!”:


 

Por uma feliz coincidência, o hotel onde me hospedei situava-se próximo da Praça de São Lázaro, qual seja, local onde passa o roteiro do Caminho.

Assim, como de praxe, levantei-me às 6 h e parti, ainda no escuro, às 7 h. 

Caminhei primeiramente pela Calle Obispo Nietto e, depois, pela Calle Cuesta de la Morana até atingir uma rotatória.     

Aí acessei novamente a “N-630” e segui pelo acostamento da rodovia.




Uma hora depois, 7 quilômetros percorridos, cheguei à Roales del Pan, pequeno “pueblo”, onde encontrei vários bares abertos. 

Num deles entrei e tomei proveitoso desjejum.


Na sequência, segui por uma estrada de terra larga e plana, tendo a “N-630” próxima e à minha direita. 

O caminho é todo reto, monótono e trilhado em meio a enormes plantações de trigo, com ampla visão derredor. 

O trecho todo é feito sobre um chão bastante pedregoso, cujas pedrinhas soltas torna o caminhar incômodo e fatigante.

Às 10 h 30 min, 19 quilômetros percorridos, passei por Montamarta, simpática povoação onde existe um excelente albergue particular.

Já saindo da cidade, pude admirar extasiado a igreja de “La Virgem del Castillo”, do século XVI, fincada no topo de uma grande elevação, longe do centro urbano e ao lado do cemitério da cidade.





Mais 6 quilômetros em lenta ascensão e encontrei a bifurcação das 2 “carreteras”.     

Se continuasse em frente iria até Granja de Moreruela. No entanto, como não tinha intenção de seguir em direção ao Caminho Francês, mais especificamente à Astorga, dei um adeus emocionado e definitivo à “N-630”, rodovia que me acompanhava desde Sevilha e havia sido minha referência durante toda a Rota, para adentrar à esquerda, na “N-631”, em direção à Tábara.        

Logo em seguida, cheguei ao Embalse de Ricobayo que é alimentado pelo rio Esla e atravessei a enorme massa de água ali represada pela moderna “Puente de la Estrella”.

A partir dali, enfrentei um dos trechos mais difíceis de todo a roteiro, pois, a “carretera” não tem acostamento e em face do intenso trânsito de veículos, a todo momento precisei sair do asfalto e vice-versa. 

Foi um percurso tenso, duro e cansativo, sob sol ardente, que me exauriu sobremaneira.






Quatro horas depois, 16 quilômetros à frente, passei pela pequena vila de Pozuelo de Tábara e num bar à beira da rodovia, fiz uma pausa reparadora para comer um lanche e comprar água, pois meu estoque do preciso líquido a muito havia acabado.

Depois, caminhei ainda mais 6 terríveis quilômetros, até aportar à Tábara, onde cheguei às 17 h. 

Na cidade fiquei alojado num albergue municipal, novo e moderno, infelizmente, localizado um tanto longe do civilização.

No prédio existem 20 camas disponíveis, banheiros duplos, água quente, calefação em todos os ambientes e uma grande cozinha equipada com TV.

No exterior foi construída uma bem equipada lavanderia e ainda existe um amplo local para estender a roupa lavada.    

Ficamos alojados ali em 6 peregrinos, todos do sexo masculino, sendo 3 de nacionalidade alemã, 2 italiana.



Depois de tomar banho, retornei à cidade para carimbar minha credencial no bar Robles, onde, também, combinei jantar à noite. Em seguida, comprei mantimentos numa “tienda” e, em seqüência, no prédio da Prefeitura local, pude acessar a Internet gratuitamente.

No centro da urbe existe uma grande praça, no centro dela foi construída uma estátua em homenagem ao famoso poeta espanhol León Felipe, que nasceu nesse lugar.

E num dos extremos desse largo se encontra a Igreja de Nossa Senhora de Assunção, conhecida como “El Convento”, construída no ano de 1.559, que ainda conserva belíssimos arcos românticos em sua cripta.




Porém, a “jóia” deste pequeno “pueblo” é o antigo monastério de San Salvador, de estilo visigótico, fundado pelo abade San Froilan, no século IX. 

No ano de 970 albergou mais de 600 monges, nominados de artífices do “Beato de Tábara”, que copiaram numerosos manuscritos, cujos originais se encontram expostos no “Archivo Histórico Nacional de Madrid”.

Às 20 h, eu e os demais peregrinos fomos à cidade para a saborosa e aguardada “cena”, por sinal, de excelente qualidade (10 Euros). 

No final, graciosamente, o proprietário nos brindou com uma dose de “oruco”, um bebida digestiva de agradável paladar.







Na hora de dormir ocorreu um fato interessante: Eu estava sem saco de dormir e no albergue não existiam cobertores, incidente que me passara despercebido até então.

Todavia, Gianfranco, um dos peregrinos italianos, “emprestou-me” um casaco de veludo vermelho, tamanho “GGG”, e mais uma enorme bermuda, agasalhos que ele havia encontrado na parte superior de seu beliche, certamente “esquecidos” por algum peregrino antecessor e que, inferi pelas medidas, devia ter mais de 2 metros de estatura.

Para me aquecer, vesti a indumentária sobre o meu pijama e, embora a temperatura noturna beirasse zero grau não passei frio, posto que além de estar protegido pelo “estranho vestuário”, os aquecedores permaneceram ligados, ininterruptamente.



 

Resumo: Tempo gasto: 10 h - Sinalização: Boa - Clima: Ensolarado, com temperatura variando entre 5 e 19 graus.

 

Impressão pessoal: Um percurso fácil e interessante até o acesso da “N-631”, onde cheguei após percorrer 24 quilômetros. Porém, a partir desse marco, que atingi às 11 h 30 min, encontrei muita dificuldade para vencer os derradeiros 22 quilômetros, em vista do calor reinante e, mais ainda, por falta de acostamento na rodovia, obrigando-me a fazer verdadeiros malabarismos para não ser atropelado. Nesse passo, o percurso final foi um dos mais duros que enfrentei em toda a minha jornada. No geral, uma etapa longa e extremamente cansativa. No entanto, quem dispuser de mais tempo poderá pernoitar em Montamarta, onde existe um bom albergue municipal.


 
Subpáginas (1): 19ª Jornada