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27ª Jornada

27ª Jornada - Orense à Castro Dozón – 42 quilômetros – O derradeiro sábado!”: 

 
A saída de Orense se faz pela Avenida del Progresso, até seu final, exatamente quando conflui acessando à enorme “Puente Romana”, construída sobre o rio Mino. 
Após atravessá-la, há duas opções: por Amoeiro ou Tamallancos e ambas tem um perfil similar e mesma quilometragem, porém, a segunda possui mais “tramos” por “carretera”.    
Depois de estudar minuciosamente minhas anotações e mapas, resolvi seguir a primeira alternativa. 
Assim, após transpor a ponte, continuei em frente pela Avenida de Las Caldas.




  

No trajeto, por ser final de semana, encontrei vários jovens voltando para casa, depois de bela noitada.     
O semblante cansado e sonolento demonstrava sinais de que consumiram álcool, além da conta. Ainda assim, a maioria se mostrou respeitosa ou taciturna, e alguns desejaram-me o clássico “buen camiño”.
Na seqüência, passei defronte à “Estación del Ferrocaril”e prossegui, então, pela Calle Carrero Blanco até o povoado de Quintela, que praticamente está unido à Orense.    
Ali, defronte um bar, convergi à esquerda e, em seguida, prossegui à direita, pelo acostamento da “carretera nacional” que liga Orense à Vigo.
O trajeto está mal sinalizado, no entanto, logo à frente atravessei o povoado de Canedo, o que levou um bom tempo.




    
À minha direita havia elevados morros pelos quais em determinado momento iria transpor, conquanto não soubesse em qual dos lados faria tal travessia, nem quais encostas seriam vencidas, vez que à distância, pareciam extremamente íngremes.
Num perigoso cruzamento deixei a rodovia e, obedecendo a sinalização, segui à direita, após passar sob um pequeno túnel da estrada de ferro.
Na seqüência, acessei um abrupto aclive nominado de “Costiña de Canedo”, que possui uns três quilômetros de extensão. 
E, para se ter idéia de seu grau de inclinação, diria que o desnível é tão forte, que alguns carros circulavam em primeira marcha.
Fui forçado a fazer algumas paradas para tomar fôlego e beber água. 
Sentia minha camiseta empapada de suor, contudo, o ar externo estava bastante frio, de maneira que não podia tirar a jaqueta. 
No final da ladeira, adentrei à pequena vila de Cima da Costa.







    

E, próximo a uma fonte, havia uma placa de pedra encravada numa rocha, indicando que me restavam, exatamente, 99 quilômetros até Santiago. 
A visão desse marco me infundiu, de pronto, um sentimento duplo e estranho, misto de tristeza e alegria.
Era 9 h da manhã e eu já havia percorrido 9 quilômetros, de maneira que fiz uma pausa restauradora para beber água e descansar um pouco.
Na seqüência, o caminho tornou-se mais suave, por corredores com grande vegetação que me impediam de ver cada “pueblo” ou aldeia pelas quais passaria, antes de atingi-los.
Muitas dessas vilas estão tão próximas, que quase não se percebe a divisa de uma e de outra.
Em Mandrás, um pequeno vilarejo, havia um bar aberto, onde entrei e ingeri um café, pois, a temperatura externa mantinha-se ao redor de 10 graus.








O senhor que servia o balcão puxou conversa e foi difícil deixar o estabelecimento. 
Contou-me que possuía inúmeros familiares residindo no Brasil, assim, queria detalhes de nosso país, cultura, enfim, fiquei deveras impressionado com o despertado interesse por nossa amada pátria.
Na seqüência, a vegetação seguiu abundante, predominando os pés de carvalho e, curiosamente, em alguns locais, o caminho se estreita de tal maneira, que se reduz a diminuta e penosa senda, onde se é obrigado a atravessar.
Rapidamente, passei por Pulledo, pequeníssima vila e, às 11 h 30 min, 18 quilômetros percorridos, cheguei em Casasnovas, onde se convergem novamente os dois roteiros que partiram de Orense.




E, 15 minutos depois, adentrei em Cea, simpática cidadezinha, famosa por seus pães cozidos à lenha em fornos de pedra e barro.
Em sua praça central se encontram os dois edifícios mais significativos da povoação: A Torre do Relógio, de formato quadrangular, que possui em sua base uma fonte de quatro canos, e a igreja paroquial de San Facundo.
Parei no excelente albergue particular, carimbei minha credencial, tomei água e, depois, segui em frente, pois, uma fina garoa principiava a cair.
O roteiro para Oseira está muito bem sinalizado, e não encontrei dificuldades para sair do povoado.
Atravessei, primeiramente, uma zona em que a abundância de pedras de granito fincadas no solo impediu o crescimento normal das árvores que nasceram esgueirando entre elas.
Porém, mais à frente, cheguei à Silvaboa, onde voltei a encontrar uma exuberante vegetação; 
Passei, depois, por Pieles e, finalmente, prossegui pelo acostamento da “carretera”, enfrentando os derradeiros quilômetros até avistar o impressionante Monastério de Oseira.
Conforme me aproximava do local, pude ver sua magnificência, que possivelmente foi um dos grandes centros de poder da Igreja Espanhola, pois, é um dos maiores conjuntos religiosos que já havia visto e seu porte é verdadeiramente impressionante.

    
A abundância de ursos (oso, em espanhol) nessas terras, deu nome ao Mosteiro, cuja construção se iniciou no ano de 1.137. 
Inicialmente, foi habitado por monges beneditinos que, posteriormente, aderiram à Cister, uma ordem monástica católica, fundada em 1.098, por Robert de Molesme e seus seguidores, conhecidos como monges brancos, devido à cor do seus hábitos.
Através de um noviço fiquei sabendo que o pernoite se faz em local extremamente rústico, na verdade, sobre rijos estrados de madeira, algo impensável para quem caminhou mais de 30 quilômetros e precisava de um bom descanso físico.
Ainda era cedo, o clima persistia fresco, me encontrava bem e animado, de forma que, após, carimbar minha credencial e fazer breve pausa para lanche, resolvi seguir adiante.
A saída foi feita num caminho em forte ascenso e, rapidamente, foi necessário vencer um desnível de uns 200 m. 
No solo sobressaem enormes pedras de granito e como a chuva persistia, ainda que em pequenas pancadas, todo o cuidado era necessário para não escorregar ou cair.




A rota, depois, em descenso, onde se caminha entre muito verde e lindos vales, me levou a Vilarello e, posteriormente, à Carballedina. 
Nesse pique, cheguei à Outeiro, o último “pueblo” da Província de Orense e ali fiz rápida parada, enquanto aguardava a chuva amainar.
Como nas terras Galegas a topografia muda a todo instante, na seqüência, em forte ascenso passei por A Goucha, a primeira povoação da Província de Pontevedra. 
No local existe um bonito cruzeiro que, também, indica aos peregrinos o roteiro onde devem seguir.



Mais à frente, ultrapassei Vidueiro e Taberna, pequenos e desertos “pueblos”. 
A partir dessa última povoação, prossegui intercalando estradas de terra e asfalto até aportar à cidade de Castro Dozón, às 15 h 30 min.
Ali fiquei hospedado no Albergue Provisional que está situado dentro do acanhado parque aquático da cidade e construído com a junção de alguns contêineres de aço.





Como o próprio nome diz, é provisório, e nele não existe cozinha ou sala de estar. 
Apenas, 2 banheiros, 3 duchas e dormitório contendo 7 beliches.
Nele reencontrei meu amigo Gianfranco, o italiano, bem como os alemães Walfrid e Karl, que já conhecia desde a Província de Cáceres. 
Também, travei contato com Natália, uma jovem de nacionalidade uruguaia, que havia iniciado sua peregrinação em Salamanca. 
Ao todo, pernoitamos em 10 pessoas naquele local, um número razoável se levarmos em conta a época do ano.
Depois de tomar banho e lavar as roupas, fui visitar a Igreja de São Pedro, jóia do romântico galego do século XII, porém, infelizmente, a mesma se encontrava fechada.
À tardinha, chegou Francisco, o português, que havia percorrido o mesmo trajeto que eu naquele dia. 
Através dele fiquei sabendo que Olaf e Miquelle, fatigados pela opressiva jornada, tinham resolvido pernoitar em Oseira, numa Casa Rural.
À noite fomos todos jantar no bar Fraga, onde funciona uma “tienda” anexa.     
Aproveitei, então, para adquirir água e provisões para a etapa do dia seguinte. 
E, logo após a lauta refeição retornarmos ao refúgio para descansar, pois, o dia fora extremamente desgastante.

Com Gianfranco, o italiano, feliz reencontro no albergue de Castro Dozón

                     

 

Resumo: Tempo gasto: 9 h – Sinalização: Ruim no início, contudo, após a cidade de Canedo, normal  - Clima: Tempo nublado e/ou chuvoso, com temperatura variando entre 4 e 10 graus.
 

Impressão pessoal: Uma etapa bastante complicada, pois, praticamente toda feita em asfalto. Ainda, com dois desníveis a serem suplantados, um logo no início, após, Canedo. E outro, logo depois do Monastério de Oseira, ambos com respeitável grau de dificuldade.


Subpáginas (1): 28ª Jornada