Caminho do Sol


2002  -  O Caminho do Sol a pé, em 11 etapas

O grupo antes da partida em Santana do Parnaíba

 
Mercê de férias extemporâneas, resolvi percorrer sozinho o Caminho do Sol em outubro passado. 

Tentativa frustrada, vez que àquela época, as credenciais eram emitidas apenas para grupos maiores de 10 pessoas, face ainda ao sistema embrionário da Rota e à precariedade de alguns dos locais que servem de abrigo noturno aos caminhantes.
 
Assim, juntei-me a um grupo de 16 pessoas que partiu de Santana de Parnaíba dia 07/10/2002. 

Levei na mochila capa de chuva, saco de dormir, papete, uma troca de roupas, objetos de higiene e outros de uso pessoal, num total de 7 quilos. Antes de relatar minha experiência, um pouco da história dessa nova Trilha.

 
O CAMINHO DO SOL
 
O Caminho do Sol, recentemente inaugurado, pretende ser uma versão brasileira para o Caminho de Santiago espanhol, porém sem os misticismos inerentes àquele, e visa estabelecer na região do Alto Médio Tietê um ambiente propício à caminhada, ao turismo, ao lazer e à reflexão. 

Este caminho objetiva o contato dos participantes com a natureza, levando-os à contemplação de pontos históricos, a postos de preservação ambiental, a uma integração e ao autoconhecimento.
 
Na paisagem poderão admirar: fazendas do período colonial, pastagens, canaviais, bosques, as margens do rio Tietê, montanhas, matas preservadas e pedras que marcam o trajeto, além de locais históricos, como a casa em que viveu a artista Tarsila do Amaral (1886-1973), a qual se localiza no município de Capivari.

Ele se inicia em Santana de Parnaíba e termina em Águas de São Pedro, passando por 11 cidades. Todo sinalizado com setas amarelas, o roteiro paulista tem 240 quilômetros de extensão.

Parte é realizada em trecho urbano (Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Capivari e Águas de São Pedro) e parte, em zona rural (Itu, Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Mombuca, Saltinho, Piracicaba e São Pedro).
 
O percurso não oferece muitas dificuldades, exceto alguns trechos de serra, apresenta-se plano quase sempre. 

A hospedagem é feita em galpões, nos próprios sítios e em propriedades das Prefeituras. A segurança é oferecida pelas guardas municipais de cada cidade da rota.


Saindo de Pirapora do Bom Jesus, na ponte sobre o Rio Tietê, com o amigo Ricardo


O Caminho do Sol foi estudado e mapeado pelo engenheiro agrônomo saltense, Sérgio Cleto. 

A ideia de abrir uma peregrinação religiosa no Estado de São Paulo foi do empresário José Roberto Palma, que percorreu o Caminho de Santiago de Compostela há dois anos e lá fez o propósito de concretizar um trajeto semelhante no Brasil.
 
O caminho espanhol existe há mais de um século onde peregrinos do mundo inteiro percorrem 850 quilômetros, desde os Pirineus, no sul da França, até Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha). 

Lá, existe uma catedral que guarda, desde a Idade Média, os restos mortais do Santo Apóstolo. O Caminho de Santiago se configura como um momento de reflexão, e pode propiciar mudança de vida, além de proporcionar introspecção e auto-determinação.

A nova rota turística foi inaugurada festivamente em julho passado, com o primeiro grupo composto de 93 pessoas, partindo de Santana dia 15 de julho e chegando a Águas de São Pedro em 25 de julho, dia de São Tiago, curiosamente o dia do aniversário dessa cidade. 

A caravana carregou uma imagem do apóstolo feita em pedra por artesãos galegos que foi solenemente entronizada num altar também em pedra, no mini horto de Águas de São Pedro, ponto final da caminhada. 

É o primeiro altar do Santo a ser construído fora da Europa, e a imagem foi doada pelo famoso hospitaleiro Jesus Jato, que mantém o albergue Fênix, em Villa Franca Del Bierzo, na Galícia.

Para percorrer a trilha, o caminhante receberá uma credencial, "o Passaporte do Sol", que deverá ser carimbada em cada uma das 13 cidades em que passará. 

Esse passaporte dará direito ao uso dos serviços oferecidos aos caminhantes ao longo da trilha, por preço acessível e diferenciado. 

O último carimbo deverá ser aposto na "Casa de Santiago" - Mini Horto Águas de São Pedro, oportunidade que se fará a conferência dos demais carimbos para a emissão do certificado de conclusão da caminhada, o qual será entregue em cerimônia especial. As inscrições para se fazer o Caminho do Sol devem ser solicitadas diretamente à Secretaria de Cultura e Turismo de Santana de Parnaíba.


Em Cabreúva, no Colina Camping


A MINHA CAMINHADA

Imprescindível frisar que para fazer as seis primeiras etapas do trajeto enturmei-me ao 4º grupo de caminhantes liberado pela Prefeitura de Santana de Parnaíba, e as cinco etapas restantes feitas apenas a dois, visto que não me foi possível cumpri-la de uma só vez. 

Embora caminhasse a maior parte do tempo junto a uma ou mais pessoas, este depoimento traduz unicamente minha visão sob uma ótica própria e estrita, expressando um sentimento pessoal de tudo que vivi e observei durante os dias em que estive no Caminho.

O primeiro dia, 07/10, foi bastante suave, eis que após a apresentação do grupo na Secretaria de Turismo da cidade, ouvimos uma palestra do Sr. JOSÉ ROBERTO PALMA, o idealizador do Caminho, o qual se baseou nas experiências anteriores para orientar os caminhantes, além de dar-lhes recomendações úteis de praxe.

Ofereceu-nos um guia, o Betão, que iria de carro, monitorando os caminhantes, e que se propôs também a levar as mochilas daqueles que preferissem caminhar sem as mesmas.
 
Combinou-se o preço, a fim de guiar o pessoal de R$20,00 para cada pessoa, incluindo o percurso todo. 

Para transportar as mochilas o Betão cobraria, R$7,00 por dia, daqueles que utilizassem seus serviços. Às 9:00 horas partimos rumo a Pirapora do Bom Jesus, distante dali, 12 quilômetros.


 
1º DIA - SANTANA DE PARNAÍBA A PIRAPORA DO BOM JESUS - 12 QUILÔMETROS  

No céu azul translúcido, sem um retalho de nuvem, o sol brilhava radioso, como a referendar a feliz escolha do nome dado ao Caminho. 

A etapa desse dia foi quase toda feita em asfalto, trilhando a Estrada dos Romeiros, utilizando-se o acostamento da pista, em sentido contrário ao fluxo de veículos.
 
O grupo logo se dispersou, cada um fazia o percurso no seu ritmo. 

O trajeto embora curto, é extremamente cansativo em razão do expressivo número de carros e caminhões que trafegam por aquela via. 

Depois de 10 quilômetros pelo asfalto, seguindo as flechas indicativas, adentrei por um caminho de terra que me levou até o cimo de um morro donde pude ter uma visão panorâmica de toda a região. 

Quinhentos metros à frente, já descendo o morro, passei por um cruzeiro de madeira portentosa, ali fincado em 1900 pelos habitantes das cercanias, e que à noite fica todo iluminado.
 
Dali se tem uma visão privilegiada da cidade de Pirapora do Bom Jesus, do rio Tietê que ali serpenteia, e de toda a redondeza. 

Meia hora depois adentrava à cidade por uma rua de terra, saindo diretamente ao lado da igreja principal daquela urbe, que tem em seu altar mor a imagem do Bom Jesus. 

À noite, ali, assisti uma proveitosa missa, acompanhado de outras pessoas do grupo.
 
Na parte alta da cidade existe um imenso Seminário inaugurado em 1897 pelos cônegos premonstratenses cujo padroeiro da ordem é São Norberto. 

Atualmente ele se encontra desativado, sendo utilizado apenas para eventuais encontros religiosos. 

Ele abriga em seu interior um museu sacro, infelizmente, somente aberto às visitas nos finais de semana. 

Por deferência do zelador daquele magnífico edifício, pude visitar seus jardins e fotografar sua insólita estrutura pelo lado externo. 

Em Pirapora ficamos alojados no Hotel Casarão.
 
Fomos recebidos pela proprietária, Sônia, pessoa amiga e simpática, que cria num canil instalado no quintal no hotel, 14 cães malteses. 

O hotel oferece roupa de cama mediante um valor adicional de R$ 5,00, para acomodações de 2, 4 ou até 8 pessoas no mesmo quarto. 

Almoçamos e jantamos no próprio local, embora existam outras opções para pouso e refeições na cidade, todavia de qualidade inferior.


No Caminho, entre o Armazém do Limoeiro e a Fazenda Cana Verde, com o cão Santiago 



2º DIA - PIRAPORA DO BOM JESUS A CABREÚVA - 24 QUILÔMETROS 

Deixando a cidade atravessei o rio Tietê por uma moderna ponte. É importante ressaltar que o rio neste trecho, se encontrava coberto por imensos flocos de espumas, e suas águas escuras exalavam um cheiro fétido, fruto dos inúmeros dejetos que lhe são lançados a partir da cidade de São Paulo, uma visão triste da morte do rio, momentos estes para se refletir sobre a poluição que assola todo o planeta.
 
Ainda pelo asfalto, trilhei novamente a estrada dos romeiros até Cabreúva e, embora, esse trecho de estrada não apresente acostamento, caminhei tranqüilo, pois o fluxo de veículo é ameno. 

Após três horas de caminhada, no KM 26 do Caminho, perpassa-se pelo Bairro do Bananal, local singelo, onde além de um agrupamento de casas, existem um pequeno Supermercado e um bar, em que pude descansar e comer um lanche.     
    
Um senhor daquela comunidade, muito sorridente e simpático, confidenciou-me que as pessoas ali residentes já se acostumaram a chamar os caminhantes de "romeiros do avesso", vez que fazem o trajeto inverso da multidão de pagadores de promessas que por ali passa o ano todo.     
    
Depois de caminhar por mais duas horas, chegamos a Cabreúva, onde ficamos alojados no Camping Colina que se localiza 900 metros depois que se ultrapassa a cidade, num local aprazível e selvagem. 

À tarde retornei à simpática cidadezinha para conhecer sua igreja matriz dedicada à N.S.da Piedade, a praça central e ao comércio.
 
No local do alojamento fomos acomodados em chalés, e, também, mediante um pagamento adicional de R$ 5,00, foi fornecida roupa de cama. 

Nesse dia fez-se as duas refeições no Camping, e diga-se de passagem, a Márcia, a proprietária do local, atende a todos de modo gentil e especial, além de cozinhar estupendamente bem.


 
3º DIA - CABREÚVA A FAZENDA CANA VERDE (ITU) - 26 QUILÔMETROS

Partimos cedo por um caminho extremamente íngreme e arborizado, que sai por trás do Camping, e depois de 3 quilômetros por dentro de matas e pastagens, nos levou até a via asfaltada que liga Cabreúva a Jundiaí. 

Seguimos então pelo acostamento da estrada por 5 quilômetros até a Rodovia Marechal Rondon, fletindo então em direção a Itu por 200 metros, adentrando à direita numa estrada poeirenta.
 
O Caminho a partir daí é trilhado na terra e após uma hora de caminhada fizemos uma parada no Armazém da Fazenda Limoeiro de propriedade do Sr. Clemente Nunes, KM 50 do Caminho, que nos recepcionou festivo, e fez questão, ele próprio, de apor o carimbo em nossas credenciais.
 
Ao reiniciarmos a caminhada, Ricardo, Maria e eu, um cão de tamanho avantajado e porte majestoso começou a nos acompanhar. 

Imaginei que ele em breve desistiria de seguir-nos, ledo engano, pois marchou ao nosso lado até o término daquela etapa, e de todas as seguintes.

Ao final de mais 12 quilômetros de caminhada sob um sol escaldante, alojamos-nos na Fazenda Cana Verde que está localizada no Município de Itu, e pertence ao Sr. Laerte Meirelles. 

À tarde, após um merecido descanso fiz um "tour" pelo belíssimo local, culminando com uma revigorante ducha na cachoeira que lá existe, localizada próxima às cavalariças.
 
A Fazenda possui sua sede e capela anexa, cuja data remonta o ano de 1881, época em que foi grande produtora de café. Atualmente dedica-se à criação de búfalos, gado bovino e ovelhas, possui um haras, campo de pólo, trilhas, cachoeiras, enfim, é um local extremamente rústico e agradável para os amantes da natureza, um deleite para aos olhos. 

O alojamento é bastante confortável, com prédios distintos para homens e mulheres.
    
Oferecem roupa de cama, bem como apartamentos a quem eventualmente se interesse.


4º Dia - FAZENDA CANA VERDE (ITU) A FAZENDA VESÚVIO (SALTO) - 15 QUILÔMETROS 

Saindo da Fazenda Cana Verde por estrada de terra, caminhamos por um extenso bosque de eucaliptos, atravessamos o rio Jundiaí por uma antiga ponte, ladeamos a cidade de Salto por uma rua asfaltada que pertence ao Bairro Japão, passamos pela rodovia que liga Salto/Campinas, e nos dirigimos à Fazenda Vesúvio que dista 8 quilômetros de Salto, a fim de nos alojarmos.
 
A fazenda tem 140 alqueires de extensão, e se situa num local privilegiado e extremamente belo. 

A proprietária do local, Adriana, fez questão que conhecêssemos toda a gleba. 

Um trator guiado por seus filhos Roberto e Vitória, puxava um trenzinho de madeira onde nos acomodamos, o qual circundou o interior da fazenda, mostrando-nos suas imensas plantações de milho, acerola, parreirais, estufas com pimentões, criação de cavalos, etc.
 
Ficamos alojados num enorme barracão de alvenaria com vários banheiros separados, para homens e mulheres. Os colchões foram colocados diretamente no chão, e ali pela primeira vez utilizei o saco de dormir.


 
5º Dia - FAZENDA VESÚVIO (SALTO) A ELIAS FAUSTO - 23 QUILÔMETROS 

A etapa desse dia foi feita integralmente por estrada de terra, sendo que no final deste percurso caminhamos pelos carreadores dos canaviais existentes na região.
 
Inicia-se o trajeto por uma estradinha que atravessa a Fazenda Vesúvio, ingressando numa estrada rural e após ultrapassarmos algumas pequenas propriedades onde se avistam extensos parreirais, passa-se pelo Bairro Buru que possui um condomínio fechado de chácaras ainda no Município de Salto.
 
Sempre por terra, seguimos, ultrapassando enormes fazendas de gado, agora já no Município de Indaiatuba. 

Mais à frente, ladeamos a pequena Vila de Cardeal da qual passamos a largo, e a partir dali iniciam-se as plantações de cana, cultura que nos fará companhia até o ponto final do Caminho, em Águas de São Pedro.
 
Após 4 horas de caminhada, no KM 94 do Caminho, encontramos uma simpática senhora de nome Mercedes que nos ofereceu água gelada. 

Fazia um calor infernal e aceitamos de bom grado. 

Naquele local funciona uma fábrica que beneficia o tomate, produto com o qual fomos agraciados pela simpática hospedeira.
    
Aproveitou-se para descontrair-se com um breve repouso e um bom bate papo, após uma pausa, voltamos a caminhar por mais uma hora, sempre em meio a densos canaviais, e fomos nos alojar em Elias Fausto, na Pousada do Sr. Serra e Dona Marlene, a qual fica na entrada da cidade. 

À tarde, após um demorado banho na piscina, fui até a cidadezinha conhecer a igreja matriz cujo santo padroeiro é São José, e fazer algumas compras no comércio local.
 
A Pousada onde ficamos alojados possui excelentes instalações, com possibilidade de fornecimento de roupa de cama e quartos individuais, conforme preço a combinar.


Na Fazenda Vesúvio



6º dia - ELIAS FAUSTO A FAZENDA MILHÃ (CAPIVARI) - 22 QUILÔMETROS

Partirmos atravessando toda cidade de Elias Fausto, e após ultrapassarmos um posto de gasolina localizado na saída em direção à Indaiatuba, enveredamos à direita por uma estrada de terra.
 
O caminho nesse local é reto e plano, porém ensolarado, sem sombra para se refrescar. Após 5 quilômetros, avista-se um lago à esquerda, segue-se em frente, passando diante de uma imponente casa, desgastada pelo tempo, localizada no lado direito do Caminho, que pertenceu outrora a Assis Chateubriand, o todo poderoso no setor das comunicações no Brasil, entre as décadas de 40/60. 

Caminhei mais uma hora por canaviais, e atravessei a Rodovia do Açúcar, que liga Sorocaba a Piracicaba.
 
Segui então sempre trilhando em carreadores, com plantações de cana por todos os lados, algo monótono, pois não há sombras, árvores, e a paisagem é árida e imutável. 

Fazia um sol escaldante, e a passagem dos treminhões, veículos que fazem o transporte da cana, deixava tudo e a todos envoltos numa perene nuvem de poeira. Foi sem dúvida nenhuma a pior etapa vivenciada no Caminho, e após 4 horas nesse diapasão avistei uma enorme represa cujas águas abastecem a cidade de Capivari, e sua barragem situa-se na Fazenda Milha.
 
Os últimos 3 quilômetros são agradáveis, pois o caminho margeia a represa, serpenteando sobre seus inúmeros braços, sob a mata ciliar. 

A Fazenda é imponente com uma sede antiga e preservada. As acomodações para 2, 4 ou mais pessoas são feitas em casas simples e a proprietária da fazenda, Sra. Christina, extremamente prestativa, acolheu-nos com muita simpatia e agradáveis surpresas, como o churrasco que preparou para o pessoal naquele sábado à noite.

Face o encerramento de minhas férias, conforme estava previsto, retornei ao meu lar, enquanto o grupo seguiu em frente, chegando em Águas de São Pedro dia 17.10.2002. 

A desistência transitória, forçada por compromissos profissionais não impediu que reiniciasse o caminho quinze dias depois, um sábado, dia 26/10, dessa vez a dois, fizemos o trajeto inverso, retornando novamente à Fazenda Milha, descendo defronte à sede da mesma, local exato da minha parada anterior.
 
Enquanto fazia um pequeno aquecimento para reiniciar a caminhada, fui recepcionado por um barulhento bando de cachorros. 

Repentinamente, para minha surpresa, eis que surge a Sra. Christina. 

Trocamos cumprimentos e algumas palavras sobre o Caminho. 

Ela se recordou de mim e me perguntou se precisava de alguma coisa e, após breve despedida, partimos às 7:30 horas para trilhar mais uma jornada.


 
7º Dia - FAZENDA MILHÃ (CAPIVARI) A MOMBUCA - 22 QUILÔMETROS 

Havia chovido forte na véspera e a temperatura fresca e agradável fez com que essa etapa fosse amena e tranquila. 

O caminho, após 6 quilômetros, adentra a cidade de Capivari pela Rua 15 de novembro.
 
Nela, após ultrapassar a praça principal, parei para uma foto defronte a Casa da Cultura, que foi outrora a residência da pintora Tarsila do Amaral. 

Alguns quarteirões à frente, as flechas apontaram à esquerda e me conduziram para fora da cidade em direção à rodovia que liga Capivari a Mombuca, local do meu pernoite.
 
Caminhei então mais 1,5 quilômetros pelo acostamento, entrando numa estrada de terra que me levou por dentro de extensos canaviais. 

Após ultrapassar algumas fazendas mistas de criação e plantação de cana, no KM 135 do Caminho, fui muito bem recepcionado na Fazenda Bianchini, uma bela propriedade com criação de gado, represa e um engenho de pinga. 

O pessoal dali, muito simpático, serviu-me água e refrigerante. Após uma agradável conversa com os moradores, segui por mais 4 quilômetros chegando então a Mombuca.
 
A Prefeitura local mudou o trajeto para se adentrar a cidade, de forma que dei uma imensa volta, apenas para passar defronte a um quiosque e uma praça recém inaugurados. 

Fiquei alojado na Pousada dos Peregrinos que se encontrava em reforma, porém graças à gentileza dos seus proprietários, Kátia, Luci e Fernando, num gesto de rara solidariedade e extrema confiança, pude pernoitar na própria residência, uma vez que o local a ser destinado para o albergue localiza-se no piso inferior, e estava sendo reformado e preparado convenientemente para receber os futuros caminhantes.
 
A cidade é pequena, e seu povo simples e agradável. Em pouco tempo, graças aos meus trajes, muitos já sabiam que eu estava trilhando o Caminho do Sol, e fui sabatinado e cumprimentado na rua por vários dos habitantes daquela simpática cidadezinha. Nesse dia utilizei-me do saco de dormir.

Chegando à Fazenda Milhã

 

8º dia - MOMBUCA A CLUBE ARAPONGAS (SALTINHO) - 26 QUILÔMETROS 

O dia iniciava-se muito quente, assim parti exatamente às 6 horas da manhã. Era domingo, dia de eleição, porém a cidade estava, ainda deserta e silenciosa. 

Seguindo as flechas passei ao lado da igreja matriz, e mais acima, em frente ao Ginásio de Esportes, sendo o Caminho dali em diante sempre em terra.
 
Nesse dia o trajeto foi todo feito por dentro de canaviais, porém como o terreno a ser percorrido é montanhoso, tem-se uma noção da paisagem ao redor. 

Após 1 hora de caminhada avistei uma pequena placa que me alertava sobre a proximidade do "desafio do caminho". Curioso, desci então, um barranco a pique e, lá embaixo atravessei um pequeno riacho equilibrando-me sobre um poste de metal, a fim de transpô-lo. 

Do lado oposto a subida era bastante íngreme e escorregadia, porém, convenientemente amarrou-se uma corda no local para auxiliar os caminhantes.
 
Após 6 horas de marcha contínua, e depois de atravessar um frondoso bosque, um oásis naquelas áridas paragens, avistei o Clube Arapongas (Saltinho), local do meu pernoite. 

O Sr. Odair e sua senhora Dona Linete me receberam muito bem, ficando eu alojado em precárias instalações, num velho galpão ao lado de uma capela, onde, antigamente, existia uma escola.
 
Para tomar banho precisei utilizar os vestiários do Clube, onde há além do campo de futebol, uma pequena sede e, dentro dela, vestiários, um bar e um campo de bocha. 

O almoço e o jantar foram servidos na residência do Sr. Odair, que também me forneceu roupa de cama para o pernoite.
 
À tarde, acompanhado do Sr. Odair e esposa, retornei de carro até Mombuca, eles iam votar, eu justificar o voto.
 
À noite fiquei no Clube assistindo um acirrado jogo de bocha disputado por simpáticos e alegres moradores das cercanias.


 
9º dia - CLUBE ARAPONGAS (SALTINHO) A MONTE BRANCO (PIRACICABA) - 28 QUILÔMETROS 

Por motivos profissionais precisei novamente interromper a caminhada ao final desta etapa. 

Assim, levantei-me às 4,30 horas e às 5 horas exatamente reiniciava minha aventura para trilhar a etapa mais longa do Caminho e, na minha opinião, a mais bonita. 

O dia já estava claro e o frescor do alvorecer fez meus passos se estugarem.
 
Após percorrer quatro quilômetros passei diante do Restaurante Packer, que para minha decepção se encontrava fechado àquela hora.

O caminho então deixa o asfalto apontando uma estrada de terra pelo lado esquerdo da rodovia. 

Alguns metros à frente cruzei uma pequena vila, cujo nome é Arraial de São Bento e pertence Saltinho. 

O Caminho a partir dali se torna bucólico e interessante ao passar por imensas fazendas de criação de gado, com lagos, bosques e árvores frutíferas.
 
Quase no final da jornada deparei-me com um canavial e ali as flechas repentinamente sumiram. 

Após alguns minutos de incerteza resolvi seguir em frente e logo após ultrapassar uma cerca, verifiquei que elas recomeçavam, agora pintadas em todos os locais visíveis e com cores intensas.
 
Soube, depois, que o proprietário daquelas terras, um apedeuta, resolveu obstruir a passagem dos caminhantes fechando a estrada, e agora discute o impedimento sem causa com a Prefeitura de Piracicaba e os adeptos do Caminho, visto ser ali um logradouro público e, portanto, aberto a todos.
        
Logo à frente transpus uma ponte toda pintada de amarelo exclusiva para pedestres, recentemente inaugurada e, após galgar uma ladeira, avistei ao longe um enorme morro que se destaca na paisagem por ser o único na imensa pradaria, e inferi ser ali o famoso Monte Branco. 

Meia hora depois, exatamente 10 horas da manhã, aportei no meu local de destino, onde em frente ao asfalto existiam uma casa, uma igrejinha e um pequeno bar.
 
Não havia indicação de que o pernoite seria ali, dessa maneira sem avistar ninguém no local e ver flechas à frente, resolvi continuar até mesmo porque não acreditava ter feito todo o percurso de 28 quilômetros em apenas 5 horas. 

Depois de cruzar o asfalto o Caminho então ladeia o enorme morro que dá origem ao nome do bairro e, 45 minutos depois, sem identificar nenhuma flecha e nem sinal do local de pousada, resolvi indagar numa casa.
 
Fiquei então sabendo que estava no Bairro Floresta, a 4 quilômetros depois de Monte Branco, sendo que o local de pouso ficava exatamente junto à igrejinha, que eu havia passado anteriormente.
 
Extremamente aborrecido retornei rapidamente a passos largos a casa citada, onde fui atendido pela Sra. Adriana, responsável pelo acolhimento dos caminhantes naquele ponto. 

Disse-me que realmente não havia indicação do ponto final naquela etapa, e que a placa indicativa estava sendo providenciada. 

Respondi-lhe, um pouco áspero, que por sua omissão, eu havia caminhado sob um sol abrasador, mais 8 quilômetros, além dos 28 previstos, sem necessidade.
 
Após carimbar minha credencial, e face compromissos profissionais já agendados, novamente tive que me afastar do Caminho. 

Tomei um circular até Piracicaba e de lá embarquei de volta rumo a meu lar.
 
Quatro dias depois, em 01.11.2002, fiz o trajeto inverso e, às 8,30 horas aportava novamente em Monte Branco, agora sim, para cumprir as etapas restantes do Caminho. 

Após uma parada para conhecer a igrejinha que ali existe, cuja padroeira é Santa Terezinha, reiniciei minha jornada final.


No Canavial, em Saltinho


 
10º DIA - MONTE BRANCO (PIRACICABA) A ARTEMIS (PIRACICABA) - 24 QUILÔMETROS 

A viagem nesse dia percorre trechos agradáveis, onde encontrei inúmeros flamboiãns floridos, ladeando fazendas com extensas pastagens. 

Seis quilômetros além do ponto de partida, passei pelo Bairro Floresta onde há uma igrejinha que fotografei por ser de uma singeleza especial.
 
Depois de 3 horas de caminhada já no Bairro Água Bonita, ultrapassei a rodovia que liga Piracicaba a Botucatu. 

Segui então pelo acostamento da estrada por 2 quilômetros, até sair novamente do asfalto pelo lado esquerdo. 

Duas horas depois chegava a Artemis, um bairro de Piracicaba, antigo Distrito de João Alfredo, que já foi porto fluvial. 

De Artemis até o local onde iria repousar, na fazenda do Sr. Egydio Mauro, são mais três quilômetros.     
 
Ali, as instalações são amplas e arejadas, e o pessoal muito cordial e alegre, sendo que ali também encontrei 09 cães que convivem em perfeita harmonia. As acomodações são razoáveis e mediante pagamento adicional foi-me fornecida roupa de cama.
 
O Sr. Egydio já foi vereador em Piracicaba por duas legislaturas e, atualmente é um batalhador pela implementação do transporte fluvial no Rio Piracicaba, uma vez que como esse rio deságua no Tietê e este no rio Paraná, torna-se possível navegá-lo de Artemis até Buenos Aires na Argentina, e essa ideia tem sido sua luta e seu sonho de vida.
 
Basta que se construa apenas mais uma barragem depois da cidade de São Pedro, e a rota fluvial poderá ser ativada de imediato. 

Passei horas agradáveis ouvindo suas explanações feitas com muito critério e conhecimento de causa sobre o tema.


 
11º DIA - ARTEMIS (PIRACICABA) A ÁGUAS DE SÃO PEDRO - 18 QUILÕMETROS

Após um lauto café da manhã, parti exatamente às 6:00 horas, para meu destino final, o Mini Horto cujo altar de Santiago encontra-se nele encravado. 

Meia hora de caminhada e transpus o rio Piracicaba numa balsa pertencente à Usina Costa Pinto, utilizada para transporte de caminhões de um lado a outro do rio.
 
Ao deixá-la, caminhei por uma hora e estaquei surpreso pois justamente num cruzamento percebi que não havia flecha indicativa, fiquei em dúvida, para que lado seguir?

Salvou-me o celular, pois liguei para a casa do Sr. Egydio que prontamente me orientou derivar à esquerda, além disso prontificou-se a comparecer no local para regularizar a sinalização, um exemplo de solidariedade e amor ao Caminho. 

Nessa última etapa caminhei praticamente o tempo todo entre canaviais.
 
A imensidão desses campos de interminável monotonia, sabendo próximo o final do Caminho, produzia em mim enlevados sentimentos. 

Os derradeiros quilômetros foram feitos em asfalto, e depois numa estrada de terra beirando a rodovia que liga Piracicaba a Águas.
 
Exatamente às 10:00 horas transpus o portal de entrada da cidade e me dirigi à Casa de Santiago. 

O Mini Horto está situado numa rua de acentuado aclive e possui uma exuberante arborização.
 
Ao adentrar no local, seguindo a tradição, badalei o sino localizado na entrada do Horto. 

Após, em passos firmes, segui em direção ao altar em que está entronizada a estátua de Santiago. 

Houve momentos de puro regozijo e intensa emoção, pois avistei o Santo Apóstolo em seu santuário. 

Coração exultante de alegria, hora de abraçar Santiago e agradecer a jornada cumprida sem percalços de qualquer espécie. 

Lágrimas de felicidade derramadas em gratidão por mais um sonho concretizado.
 
Depois, uma oração diante do monumento que ali existe em homenagem ao Peregrino brasileiro, Antonio Ferreira, falecido este ano quando fazia o Caminho de Santiago. Por derradeiro, a apresentação da credencial para carimbo e recepção do Certificado de conclusão do Caminho do Sol, conquista que guardarei com carinho.


Chegando em Artemis

 

IMPRESSÕES PESSOAIS:
 
O CAMINHO DO SOL, com uma extensão global de 240 quilômetros, está dimensionado para 11 etapas, e face à reduzida dificuldade para se vencer todo o percurso, poderia ser facilmente trilhado em um período inferior de dias se houvesse outras opções de pernoite ao longo do caminho projetado, alternativa ainda inexistente visto a incipiência da Rota, mas que por certo, com maior divulgação do Caminho e, conseqüentemente, com o aumento da demanda de caminhantes, num futuro próximo, serão criados e credenciados. 

Pelas propostas e objetivos visados, quando de sua implementação, e em vista sua similitude com o Caminho de Santiago, sem dúvida nenhuma, o Caminho do Sol é uma ótima experiência para amadurecimento daqueles que pretendem caminhar no campo, ou sonham um dia realizar a antiga Rota espanhola.
 
O percurso todo é bastante ameno e acessível a qualquer idade. No meu caso específico, por uma questão de orgulho pessoal, carreguei minha mochila ao longo do trajeto. Mesmo com esse ônus, somando-se ao sol escaldante que brilhou todos os dias, e descontando-se as paradas obrigatórias que utilizei para descanso, desenvolvi com tranqüilidade uma velocidade média de cinco quilômetros por hora, algo improvável no Caminho espanhol. 

É importante fazer a distinção entre penitentes, pagadores de promessas e caminhantes por esporte. Assim, aquele que vai a Roma é romeiro. Os que demandam à Jerusalém são os palmeiros. Quem faz o Caminho de Santiago é peregrino. E aquele que percorre o Caminho do Sol é, simplesmente, CAMINHANTE. 

 
OS CÃES:

Como no Caminho espanhol, os cães encontram-se soltos e estão por todo o percurso, alguns amarrados, por correntes, quer seja na área rural ou urbana. Uns alegres e festivos. Outros, nada amistosos.
 
Um bom conselho é utilizar-se de um cajado, que além de ajudar na caminhada, por certo impõe respeito aos animais que possam oferecer algum perigo ao longo da trilha. Um conselho útil é não incentivá-los a nos seguir, sob pena de grave arrependimento, como ocorreu no meu grupo. Como já relatei anteriormente, no KM 50 do Caminho, um cão enorme, após receber um agrado, começou a nos seguir a partir do Armazém da Fazenda Limoeiro.
 
Contrariando todos os prognósticos, ele acompanhou o pessoal até Águas de São Pedro, caminhando praticamente 200 quilômetros, sempre com alegria e companheirismo. Não por acaso foi batizado (depois se soube que se chamava Fred) com o nome de Santiago. Por um golpe de sorte, o grupo após a chegada em Águas conseguiu localizar seu proprietário que reside numa fazenda em Itu, e ele foi devolvido ao seu antigo lar.     
    
Outra experiência digna de comentário foi quando ultrapassei o Arraial de São Bento no 9º dia de caminhada. Ali fiz alguns agrados num vira-lata que inopinadamente começou a me acompanhar. Debalde foram meus esforços para dissuadi-lo do seu intento e acabei então me conformando. Coloquei-lhe o nome de Santiago II, e ele me seguiu o resto da etapa, inclusive trotando ao meu lado nos 8 quilômetros que percorri, por engano, depois de Monte Branco.
 
Ali, face meu retorno ao lar, deixei-o com os proprietários do bar que existe naquele local, Sr. José e Dona Vera, e quando do meu retorno para reinício do Caminho, pude afagar-lhe o pêlo, agora já engajado e de casa nova.


A SINALIZAÇÃO: 

Diferentemente do que ocorre no Caminho de Santiago, o Caminho do Sol não possui uma sinalização uniforme, pois cada responsável pintou o trecho sob sua área de influência a seu gosto.
 
Uma sugestão seria seguir o padrão adotado pela Sra. Christina da Fazenda Milha (Capivari), que utilizou o logotipo do Sol nas marcações, com excelente resultado visual.
 
Com a liberação do Caminho a partir do mês de novembro para ser percorrido individualmente ou em pequenos grupos, é importante informar e alertar os futuros caminhantes para redobrar a atenção em relação às flechas, que além de não estarem padronizadas, em algumas etapas se encontram extremamente deficientes, e muitas vezes pintadas em locais de difícil visualização, podendo induzir o caminhante, mais afoito, ao erro, como ocorreu comigo na 9ª etapa.

 
ALGUMAS DICAS:

1) Um aliado e, também, um empecilho, ao longo do Caminho, é o sol, que não por acaso empresta seu nome a este. Durante os onze dias que caminhei não houve trégua, o tórrido sol queimou impiedoso, ocorrendo altas temperaturas e escassa umidade.
 
Assim, como as etapas são relativamente curtas, é aconselhável sair bem cedo, não se esquecendo de levar bastante água para hidratação, tendo em vista a inexistência de comércio na maior parte da trilha, além de óculos escuros e filtro solar. Utilizando-se desse expediente, geralmente, atinge-se os locais de pernoite antes da hora do almoço.
 
Aí surge outro problema: o que fazer durante o resto do dia? A maioria dos alojamentos encontra-se em fazendas situadas em locais distantes do perímetro urbano, com poucas alternativas para se aproveitar o tempo livre restante. Talvez a leitura de um bom livro seja a companhia ideal para esses momentos de descontração.

2) O saco de dormir é um acessório imprescindível na mochila, pois em algumas pousadas não se oferecem roupas de cama, porém face o seu peso razoável e sua textura sintética inadequada para o nosso clima, sugiro que levem em seu lugar um jogo de lençóis de algodão e uma fronha para prover o colchão nu que nos é oferecido, com vantagem no peso e na comodidade para dormir.

3) Como a maior parte das pernoites serão em alojamentos localizados em zona rural, um conselho útil é levar repelente e, também, um aparelho elétrico com refil para se proteger dos pernilongos, praga que encontrei em todas as pousadas.

 
FINALIZANDO:

Trilhar o Caminho do Sol foi uma maneira que encontrei para aplacar mente e corpo ainda ávidos e sedentos por emoções da espécie que vivenciei quando fiz sozinho, em abril/2001, o Caminho de Santiago.
 
Foi também um mergulho profundo no tempo, pois o contato diário com o pessoal simples da roça lembrou minha origem humilde, já que nasci e vivi até os sete anos numa fazenda de gado/café, em Itu (SP). As emoções durante a caminhada foram muitas, também sobrou calor humano dessa gente pueril e trabalhadora que labuta de sol a sol, sob condições inóspitas, para ganhar o pão de cada dia.

O Caminho proporcionou-me também um saudável contato diário com a natureza e serviu-me como um exercício de paciência e solidariedade a interagir num grupo de 16 pessoas. Um obrigado a todos e em especial ao Ricardo/Beth, Luiz/Cristiane, Maria L, Laércio, Márcio, pelos ensinamentos e pela companhia constante nesses ensolarados dias de convivência mútua.
 
Por derradeiro, a certeza de que o Caminho do Sol, uma criação genial do Sr. JOSE ROBERTO PALMA, contém os ingredientes necessários para se viver uma grande aventura e, é uma opção imperdível para os amantes da caminhada ecológica, tendo tudo para se consolidar como uma nova Rota Esportiva, Turística e Cultural no Brasil, num local de privilegiada beleza, próximo aos grandes centros. Para saber mais acesse: www.caminhodosol.org ou www.santanadeparnaiba.sp.gov.br.
 

NOVEMBRO/2002

Minha Credencial


* Texto Original publicado no Portal Peregrino: www.caminhodesantiago.com.br