1º dia – A CORUÑA a HOSPITAL DE BRUMA – 34 quilômetros


1º dia – A CORUÑA a HOSPITAL DE BRUMA – 34 quilômetros 

"Ficar trancado entre quatro paredes ou viver apenas no concreto das grandes cidades, nos afasta de nossa verdadeira essência e pode nos levar a um estado de desânimo e apatia. Para alimentar o otimismo precisamos entrar em contato com a natureza regularmente." (Allan Percy) 



A jornada seria de grande extensão e sua primeira parte, integralmente, urbana.

Assim, deixei o local de pernoite às 6 h 30 min, sabendo que o dia somente clarearia 2 horas mais tarde.

Os primeiros 5 quilômetros foram vencidos sob a intensa iluminação urbana, por ruas e avenidas onde o trânsito de veículos e pessoas ainda era ínfimo.

Nesse tramo inicial eu me guiei por uma trilha gravada no aplicativo Wikiloc, inserta em meu aparelho celular, e não tive problemas para encontrar o rumo, apesar de não ter avistado nenhuma sinalização nesse trecho, enquanto transitei pelos bairros de Eiris e O Portazgo.

Na verdade, a primeira flecha desse roteiro eu avistei afixada numa parede, após já ter percorrido 5 quilômetros.

Ainda transitando por bairros periféricos, logo acessei uma grande passarela destinada a caminhantes e ciclistas, localizada ao lado da ria de O Burgo, que dizem ser maravilhosa; no entanto, a paisagem se encontrava sob intensa neblina, obstando minha observação do local.

Nesse trecho, caminhei algum tempo ao lado de um casal de idosos, que externou curiosidade sobre a minha nacionalidade e o lugar para onde eu seguia.

Posteriormente, prossegui sempre sobre piso duro, em leve ascendência e, nesse passo, atravessei inúmeros povoados, como O Burgo, Sigrás, Ancéis e Lameira, e quanto mais eu me afastava da civilização, melhor me sentia interiormente.

Somente depois de percorrer 19 quilômetros, já próximo de Rio Barcés, é que passei a caminhar sobre terra, por uma pista arenosa e deserta.

Mais adiante, depois de ultrapassar a vila de Sergude, onde existe um albergue de peregrinos inaugurado em julho de 2014, é que atravessei um belo bosque galego, pleno de ar puro, silêncio e integralmente ermo.

Em Sarandós, percorridos 23 quilômetros, encontrei um bar aberto e aproveitei para carimbar minha credencial, adquirir água e tomar café, porque a partir dali teria início um forte e contínuo ascenso, pelos próximos 5 quilômetros.

Um senhor que lia um jornal no balcão, perguntou sobre o meu objetivo e passamos alguns momentos em agradável diálogo.

Depois de transpor o rio Barcés por uma ponte, a primeira parte desse obstáculo altimétrico foi trilhada sobre uma rodovia vicinal asfaltada, ainda não muito exigente.

Contudo, dois quilômetros acima, depois de transitar por O Castro, eu abandonei o piso duro para adentrar à esquerda, numa larga estrada de terra, localizada entre eucaliptos.

Então, enfrentei um difícil e contínuo ascenso, o qual fui vencendo lentamente, até atingir o topo da elevação, já no povoado de As Travessas, situado junto à rodovia AC-542, onde fiz uma pausa no bar Casa Avelina para adquirir água e carimbar minha credencial.

Ali encontrei dois peregrinos lanchando, na verdade, os primeiros que eu avistava, aos quais cumprimentei, e pela resposta recebida, inferi serem alemães.

Prosseguindo, um pouco mais à frente, o caminho segue à esquerda, em direção a Hospital de Bruma, onde esse roteiro de A Coruña conflui com o Caminho Inglês, proveniente de Ferrol.

Nessa pequena vila há um albergue de peregrinos, o primeiro que se construiu nesse roteiro, edificado sobre o solar de um antigo Hospital de Peregrinos, fundado em 1140 e anexado à Catedral de Santiago em maio de 1175.

Porém, seguindo minha programação, eu caminhei ainda mais 2 quilômetros à beira da rodovia, até aportar em O Mesón do Vento, onde pernoitei nesse dia.

Algumas fotos batidas no percurso:


A primeira flecha que encontrei nesse dia, após caminhar 5 quilômetros.


Muita neblina nesse dia, que perdurou até às 10 horas.


Uma fonte localizada no roteiro desse dia. Mas a água não era potável.


Depois de caminhar 20 quilômetros, finalmente, adentrei em bosques galegos.


A ponte que utilizei para transpor esse riacho.


Trajeto belíssimo nesse trecho.


Transitando por bela e silenciosa mata.


Em forte ascenso, em direção ao topo do morro.


No topo do morro, paisagem aberta e com sol.

O Mesón do Vento é um pequeno povoado situado próximo da confluência das rodovias AC-542 e N-550, que apresentam um expressivo tráfego de veículos.

Na pequena vila há hostais, restaurantes, comércios variados, agência bancária, supermercado e, inclusive, uma farmácia.

Ela dista, aproximadamente, 1.200 m de Hospital de Bruma, onde existe um concorrido albergue de peregrinos. 


O local onde almocei nesse dia. Excelente!

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde o Hostal Linar, em A Coruña, até o Hostal O Mesón Novo, em O Mesón do Vento: 7 h.

Clima: Ensolarado mas agradável, variando a temperatura entre 12 e 22 graus.

Pernoite: Hostal O Mesón Novo – Apartamento individual Excelente!

Almoço no Restaurante La Ruta: Excelente! - Preço: 9 Euros.


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão e, praticamente, toda plana, até o 24º quilômetro, em Sarandós. Porém, a partir dessa simpática vila, inicia-se um forte ascenso, que perdura por 5 quilômetros, sempre morro acima. Os primeiros 18 quilômetros dessa etapa são urbanos, com trânsito por pequenas aldeias e algumas edificações isoladas. O trajeto restante mescla povoações, rodovias e bosques silenciosos. Contudo, ao menos, 3/4 do percurso foi feito sobre piso duro, um tormento para os pés. No global, uma etapa difícil, mas, vale lembrar que encontrei o percurso, a partir do 5º quilômetro, muito bem sinalizado.