FINAL


FINAL

Nós viajamos, em primeiro lugar, para nos perdermos; e em seguida, viajamos para nos encontrarmos. Nós viajamos para abrirmos nossos corações e olhos e para aprendermos mais sobre o mundo do que aquilo que nos é noticiado pelos jornais. Nós viajamos para trazermos um pouco do que pudermos, em nossa ignorância e conhecimento, daquelas partes do globo nas quais os riscos estão diversamente dispersos. E nós viajamos, em essência, para nos tornarmos jovens tolos novamente – para diminuir a velocidade do tempo e absorvê-lo, e nos apaixonarmos mais uma vez.” (Pico Iyer) 



Toda peregrinação é um misto de meditação e aventura, porquanto, mesmo um simples turista, ao encerrar qualquer excursão, equipara-se a um peregrino.

Posto que ele acaba por absorver aquilo que o roteiro tem de melhor a lhe oferecer, e não somente aquilo o buscava encontrar.

Nesse sentido, os caminhos de peregrinação nos levam ao isolamento necessário, e suas ramificações fazem conexões entre nosso mais profundo sentimento – aquele que a convivência nos impede de mostrar – e o mundo físico deve identificar o estado da alma de cada ser imperfeito.

Esse contato com a imensidão e com as condições mais adversas é fundamental, não somente para o indivíduo que ousa, que abre frentes, como também para a humanidade em sua totalidade. 


Minha Credencial Peregrina, com os carimbos do Caminho Brasileiro em seu início.

Já que, todos os grandes modelos de espiritualização e cada grande descoberta, que modificaram os paradigmas das civilizações sofreram ou experimentaram um processo semelhante: o isolamento em um biotério.

Mesmo que dentro de um laboratório.

Essa busca solitária deve localizar-se entre as atitudes orientadas pela vontade racional, emocional, mas, principalmente, existencial.

A solidão, outra faceta contida na alma humana, é fundamental durante esse trajeto, pois seu desenvolvimento e aprofundamento perscrutam nossa intimidade de forma reflexiva.

E nela, os sentimentos de prazer e dor são exercitados e analisados, e nossa decisão de continuar ou não por outros “Caminhos” escolhidos, dependerá desse equilíbrio. 


Minha 14ª Compostela.

Em consonância, não existem meios ou palavras para expressar o bem-estar que produz ao final de uma peregrinação.

Aportar em Santiago de Compostela, novamente, em perfeita forma física e paz interior, não foi apenas a coroação de uma “viagem” especial, rica de acontecimentos.

Ou o deleite físico de suplantar obstáculos, escalar montanhas, caminhar em locais ermos e silenciosos, sempre escoteiro e compassivo.

Maior que tudo isso, foi o prazer incomensurável de ter apostado num desejo e de poder conseguir realizá-lo, sem intercorrências ou vicissitudes de espécie alguma.

Dessa forma, o Caminho Inglês, desde A Coruña, ficará eternamente gravado em meu coração como um dos roteiros mais belos que já percorri.

Pois nele vivi dias raros, desses em que não é preciso acontecer absolutamente nada para se saber que são os melhores da vida. 


Adeus Santiago, ou melhor, Deus permitindo, um até breve!

Por derradeiro, um agradecimento especial ao simpático casal Mariana Mansur e Fábio Tucci Farah que, ao criarem o Caminho Brasileiro - Santiago de Compostela, em Florianópolis/SC, me propiciaram a oportunidade de percorrê-lo para, depois, complementar minha odisseia na Espanha.

Então, consoante ao fato, fazer jus a mais um Diploma Compostelano.


Bom Caminho a todos!
Novembro/2018