FINAL
“A vida é feita de dias que nada significam e momentos que exprimem tudo!” (Ricardo Blefari)
“A vida é feita de dias que nada significam e momentos que exprimem tudo!” (Ricardo Blefari)
A VIDA É UMA VIAGEM
Viagens sempre estiveram no pensamento, no desejo e nas atitudes do homem.
Para os homens das cavernas, significava grandes deslocamentos em busca da caça e, mesmo assim, tinham que pesquisar locais seguros para dormir e sobreviver.
O que era uma necessidade de sobrevivência, evoluiu ao longo da história da humanidade para uma necessidade de conhecimento.
Na era das navegações, foi a necessidade de descobrir novas rotas que levaram a lugares até então desconhecidos.
O homem sempre viajará, seja por conhecimento, por conquista, por aventura, para comprar, vender, para colher e transmitir sabedoria, divertimento ou curiosidade.
E a cada dia temos muitos mais meios, além dos lombos de montarias e caminhadas.
Estamos na era dos foguetes e, talvez, algum dia, muitos estarão viajando pelo espaço e se aventurando entre as estrelas.
Para sair de casa nada mais precisamos do que o desejo e disposição.
Viajar com arte, olhando para o destino, com a visão de quem descobre novos horizontes, e com a mente aberta para aprender.
Os viajantes que assim o fizerem, sempre retornarão melhores do que foram.
Conhecer outras cidades, países e povos amplia nossa maneira de enxergar e compreender o mundo e as pessoas.
Viajando e observando com sensibilidade o que se vê, nos torna mais complacentes, menos pretensiosos, amplia nossos horizontes e atenua o preconceito.
E hoje também podemos nos deslocar a qualquer ponto, através da internet e da nossa imaginação.
Conhecer um destino é perceber sua essência, seu povo, sua cultura e patrimônio.
Falar ou escrever sobre um lugar e uma cultura é tão difícil quanto colocar uma cidade numa caixa de fósforos e, às vezes, faltam palavras para descrever a fascinante aventura de estar e sentir a essência de um lugar.
Por mais longe que possamos ir, lá estará aquele que torna nossa viagem fascinante: o ser humano.
Boas viagens!
EPÍLOGO
“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental, cujo desconhecimento mata inúmeras ideias e planos esplêndidos. A de que, no momento em que nos comprometemos, a providência move-se também. Toda uma sorte de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor, incidentes, encontros e assistência material, que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção. O que quer que você possa fazer, ou sonhar, faça. Coragem contém genialidade de poder e magia. Comece agora! (Goethe)
Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante. (Albert Schwweitzer)
O peregrino é um ser inquieto, que ama a vida e a liberdade, e sabe que a felicidade não está no final do roteiro, e sim, no caminho que se faz ao caminhar.
Tomei conhecimento do Caminho dos Anjos em 2008, quando de sua implantação e, desde essa data, ansiava por percorrê-lo.
Os anos foram passando e, finalmente, num domingo de junho, em uma manhã fria e nebulosa, aportei na cidade de Passa Quatro para iniciá-lo.
O início do Caminho dos Anjos, em Passa Quatro/MG.
Então, compenetrado, me posicionei em seu “ponto zero” para fotos, defronte ao Hostel Hárpia e, enquanto observava a paisagem circundante, lembrei-me do livro “A jangada – 800 léguas pelo Amazonas”, escrito por Júlio Verne, em 1881.
O autor, que nunca esteve na Amazônia, descreve o rio e seus afluentes com tal verossimilhança, que é como se lá tivesse vivido.
O livro conta a viagem imaginária realizada em 1852, baseada numa história real, para revelar a odisseia do fazendeiro João Garral, que após um pedido da família, decide levar a mulher, os dois filhos, um futuro genro, índios e negros, até Belém do Pará, numa balsa gigante.
O maravilhoso Pico do Papagaio!
Que, em sua partida, desde a cidade de Iquitos, no Peru, e, assim como eu nesse meu périplo por Minas Gerais, também se perguntava “onde acabaria” seu deslocamento feito em direção à foz do rio Amazonas, se nada modificasse o itinerário escolhido.
Na verdade, tanto na ficção quanto na vida real, a pergunta mais sensível seria outra: “Como ela acabaria?”
Para essa questão, nem o próprio autor sabia a resposta, “isso era um segredo do futuro.”
Tanto quanto o escritor do romance, eu também pretendia desvendar esse segredo nos próximos dias.
A belíssima serra do Charco!
Hoje, posso afirmar com total segurança, que o Caminho dos Anjos me encantou por suas belezas paisagísticas, bem como pelo trato hospitaleiro e cordial com que fui acolhido ao longo de todo o roteiro.
E, embora existam no percurso trechos íngremes, rudes e exigentes, a riqueza da mata preservada aliada à rica fauna e flora que sobrevivem nesse paraíso ecológico, inserto no Parque Estadual da Serra do Papagaio, encantam de tal forma o peregrino, que todas as mazelas eventualmente sofridas acabam por passar ao segundo plano.
Tive, também, a honra e o prazer de conhecer e me confraternizar com seu criador, o Sr. Alexandre Gaspar, em Caxambu/MG, fato que muito me enalteceu e alegrou.
Com a irmã e amiga peregrina Célia Andrade, na Cachoeira dos Garcias.
Por derradeiro, um agradecimento especial a amiga peregrina Célia Andrade, de Recife, que dividiu a trilha comigo e que, com seu indelével bom humor e extrema solidariedade, muito contribuiu para deixar o Caminho mais alegre e suave.
Finalizando, diria que esse Circuito tem um enorme potencial turístico, pois está inserido numa região pródiga de atrativos naturais e, por isso mesmo, faz jus à sua finalidade, conforme o epíteto lançado no site oficial desse Caminho:
“Foi idealizado para difundir e incentivar a compreensão da sustentabilidade, em face da exuberante natureza dos locais por onde passa, dita por todos que o fazem como o mais bonito de todos os caminhos. Essa natureza se mistura com a natureza interna de cada um, fazendo com que as pessoas voltem mudadas.”
Bom Caminho a todos!
Julho/2014