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4º dia – CONGONHAS à SÃO BRÁS DO SUAÇUÍ – 23 quilômetros


4º dia – CONGONHAS à SÃO BRÁS DO SUAÇUÍ – 23 quilômetros


O percurso, comparativamente aos anteriores, seria de pequena extensão, dessa forma, acordei às 5 h e, calmamente, deixei o local de pernoite às 5 h 40 min.

Seguindo as orientações da planilha que levava, prossegui, subindo a ladeira em direção à Basílica. 

Como diz o povo local, um manto branco “abraçava” a cidade, tal qual um imenso “cobertor”, em razão da neblina presente, dificultando-me o reconhecimento de locais adjacentes, por onde caminhava.

Então, ultrapassei o Santuário de São Bom Jesus de Matosinhos, e segui, ainda em aclive, por ruas e vielas tortuosas em direção à rodovia BR – 040. 

Congonhas é uma cidade de porte relativamente grande, por isso, muitas pessoas já circulavam pelas ruas naquele horário. Assim, aproveitei a oportunidade, e confirmei com os passantes, o rumo a seguir.

Finalmente, depois de 20 min de caminhada, encontrei o primeiro marco da Estrada Real e segui por uma rua calçada em “pé de moleque” até atingir uma rotatória, onde há um singelo cruzeiro, àquela hora todo iluminado. 

Olhei as placas e verifiquei que se seguisse em frente, iria aportar no distrito de Santa Quitéria.

Assim, fleti à esquerda, prosseguindo rumo à Alto Maranhão. 



Por mais um quilômetro, aproximadamente, transitei sobre bloquetes, seguindo o fluxo dos hexágonos de concreto que revestiam o chão.

Depois, acessei larga e plana estrada de terra, integralmente ladeada por farta vegetação. 



Apenas a cerração não dava trégua, tornando o ambiente úmido e frio. 
O trajeto se mostrou, naquele horário, deserto e quase sempre em meio a exuberantes matas, sob um clima afeito a caminhadas.


Às 7 h, acessei um entroncamento calçado em bloquetes e fiz uma pausa, a fim de consultar meu rumo. 

Glauber, um rapaz jovem, alto e franzino, aguardava a condução para o trabalho, sob uma grande árvore, ouvindo música em seu celular. 

Conversamos amenidades e ele me contou que eu estava adentrando ao distrito de Alto Maranhão, cuja sede é Congonhas, e me disse que sua população é de, aproximadamente, 300 habitantes.

Essa antiquíssima localidade era conhecida por Arraial do Redondo. 

Foi mencionada no livro “Rio de Janeiro até as Minas do Ouro”, de autoria de Francisco Tavares de Brito, uma obra publicada em 1.732. Sobre ela, uma nota esclarecedora, que merece destaque:

O arraial do Redondo, dos mais antigos de Minas, surgiu no início do séc XVIII. No censo de 1831, tinha 1.077 habitantes. A Lei n.723 , de 30.9.1918, mudou a denominação para Alto Maranhão.(Op. Cit.). O nome de Redondo, usado também para outras localidades no Brasil, provavelmente foi herdado da grande cidade de Redondo até hoje com o mesmo nome em Portugal. (Nota de Flaviano Trindade)


       

Depois da prosa, prossegui à esquerda, e logo à frente, passei defronte às ruínas da antiga cadeia desse pequeníssimo povoado. 

Já, em zona urbana, pude fotografar externamente a graciosa capela de Nossa Senhora da Ajuda, cuja pintura recente lhe deu nova vida.



A vila mostrava-se silenciosa em face do horário, assim, rapidamente caminhei por uma rua deserta e logo acessei uma agradável e plana estrada de terra. 

Nela, um pé de manacá da serra, todo florido me aguardava para uma foto.



O trajeto seguiu silencioso e sempre rodeado de muito verde, sendo que em alguns locais as árvores se entrelaçavam, formando um aprazível túnel verde, por onde eu transitava com o pulmão a arder, tamanha a concentração de oxigênio puro na atmosfera.

Num certo local, extremamente arborizado, um bando de maritacas revoluteou inquieto no ar, enchendo a manhã com seus gritos alegres e, logo perdeu-se além, para os lados em que ondulava a floresta sem fim. 

O dia infiltrava-se em nesgas transparentes de luz, rendilhando a ramagem alta, gotejando o sereno fresco e úmido.



Numa placa afixada num totem da ER, localizado no 12º quilômetro do percurso, li interessante escrito, que aqui reproduzo: “Apraz o mineiro plantar, colher, beneficiar e cozer o pão da terra que oferece aos viajantes, com o intento de que provem da hospitalidade e dos sabores do interior mineiro”.



Importante ressaltar, que esse trecho, quase em sua totalidade, encontra-se em excelente estado de conservação e tem ínfimo movimento de carros, sendo que alguns intermeios são de mata fechada. 

E, segundo a planinha que portava, o viajante pode apreciar ao seu lado direito a belíssima Serra do Gambá de 1.274 m de altitude. 

Contudo, não me foi possível aferir tal informação, porquanto a cerração que me acompanhou por todo o trajeto, impediu-me de uma visão nítida, a mais de 100 m de distância.



Às 8 h 10 min, depois de percorrer 14 quilômetros, cheguei à Pequeri, um diminuto distrito pertencente à cidade de Congonhas, onde encontrei tudo deserto e silencioso. 

Ali não existe nenhum comércio que possa favorecer o peregrino.

No entanto, pude admirar uma graciosa igrejinha azul fincada num outeiro. Porém, pelo lado externo, pois um muro alto circunvalava todo o templo.

Sem contar que a neblina persistia forte, impedindo-me uma visualização mais clara do ambiente, por onde eu trafegava escoteiro. 

Desse modo, confirmei os marcos da ER e prossegui, subindo uma rua calçada no estilo “pé de moleque”, em direção à caixa d'água, por sinal alocada no ponto de maior altitude do pequeno povoado.



Já me despedia da diminuta vila, e próximo a um grande mata-burro de concreto, encontrei um grupo de homens no preparo para iniciar a labuta diária, no caso, o calçamento de uma pequena praça, que segundo me informaram, servia como ponto final de ônibus, que fazia a linha Pequeri a Congonhas.

Fazia muito frio e eles se serviam de um fumegante café, acondicionado em uma imensa e providencial garrafa térmica.   

Convidado a participar da roda, não me fiz de rogado e pude ingerir o saboroso “pretinho”, enquanto conversávamos sobre a história do local, além de algumas particularidades de seus moradores.

Alguns minutos depois, eles iniciaram sua lida e eu segui em frente, adentrando pela porteira da fazenda do Sr. Dalton Neiva. 



Prossegui, subindo por uma larga estrada de terra, integralmente ladeada por coqueiros recém-plantados até chegar à sede da propriedade.

Lá, tudo era silêncio, apenas alguns galináceos se movimentavam pelas imediações. 

Aproveitei a estrutura do local, onde existem bancos e torneiras, para fazer breve pausa para hidratação e ingerir uma fruta.

Logo acima, encontrei uma porteira e após transpô-la, fui literalmente, engolido pela mata verde. 

A luz tornou-se escassa, como se fosse anoitecer, depois de um dia claro. 

O local, de parasidíaca beleza comoveu-me em razão da quantidade de árvores adultas e do silêncio reinante.

A impressão é de que um guardião ou uma entidade superior, via tudo de cima, tomando conta daquele reino intocado, e a quem se devia pedir licença, em virtude do santuário que habitava aquele lugar. 

Na verdade, eu estava invadindo um templo da natureza. 

Era necessário me achegar de mansinho, em silêncio, respirar fundo, deixar-se envolver pela auréola de paz que envolvia o ambiente.


 

Assim, fui penetrando devagar, passo a passo, aquele fantástico lugar, e já bastante emocionado, pude sentir as vibrações daquele mundo misterioso, impregnado de energias, cheio de vida simples, calma e bela.



Infelizmente, esse maravilhoso enlevo durou pouco, pois 1.000 m à frente, deixei a mata e prossegui em franco descenso numa trilha bastante acidentada, face à brutalidade das intempéries, que provocaram profunda erosão em seu leito carroçável.

Alguns metros adiante, a senda foi se estreitando e ficando cada vez mais matosa. 



Contudo, depois de 2 quilômetros, a vereda se findou. 

Então, atravessei uma porteira, transpus o rio Paraopeba por uma ponte de concreto e prossegui, à direita, por uma larga e bem cuidada estrada de terra.

Logo à frente, tomei pequeno susto ao encontrar um exemplar de cobra coral morta, possivelmente por atropelamento.



Na sequência, defronte uma grande fazenda de gado leiteiro, vi a sinalização, e adentrei à esquerda, em um pasto recentemente roçado, e segui por uma trilha batida, sempre em contínua ascensão.

No topo do outeiro, avistei do meu lado direito inúmeras e luxuosas casas em construção, dentro de uma seleta propriedade.

Depois de dois quilômetros percorridos nesse ramerrão, passei próximo da entrada do condomínio Copaíba, onde um grupo de operários trabalhava açodadamente na edificação de um imenso portal.

A partir desse marco, segui caminhando por uma larga e bem sinalizada estrada de terra, paralela ao asfalto, e mais acima transitei pelo bairro Capela do Capão, pertencente à cidade de São Brás.



Em seguida, num cruzamento, fleti à esquerda, atravessei a rodovia MG – 383, e pelo acostamento, em terra, prossegui até um posto de combustível. 

Ali fiz uma pausa e adentrei a uma lanchonete para tomar café e comprar água, pois o sol mostrava-se candente, apesar de ter saído à pouco.

Muito animado, prossegui pelo acostamento da rodovia, no sentido inverso ao fluxo de veículos, e depois de mais dois quilômetros, adentrei à esquerda numa rua de paralelepípedos, e às 10 h chegava ao centro de São Brás de Suaçuí, minha meta para aquele dia.



Ali fiquei hospedado na Hospedaria Quincas Pires, de excelente qualidade. 

Sua proprietária, a Sra. Eliane, foi extremamente hospitaleira, cativante e prestativa.

A cidade, fundada em 1.713, está situada na zona dos Campos das Vertentes, possui uma população atual de 3.500 pessoas. 

Localizada na microrregião da Serra do Espinhaço, mais especificamente na margem esquerda do Rio Paraopeba, que é afluente pela margem direita do Rio São Francisco, apresenta uma altitude média de 1.000 m.

O nome do lugar foi emprestado do ribeirão existente na região, Suaçuhy. 

Segundo relato de historiadores, é derivado do idioma indígena, çuaçu, cervo grande, e hi, água ou rio (Arthur Álvares de Alcântara Campos e outros) resultando sua compreensão em “aguada de cervos”.

Há que ser objeto de pesquisa o nome do padroeiro agregado ao de Suaçuí. 

A hipótese mais razoável, refere-se a uma homenagem ao governador Dom Brás Baltazar da Silveira. 

No entanto, ainda carece de maior verificação.

A localidade, como um todo, apresenta uma vegetação bastante variada, indo de típicos cerrados a pequenos bosques que abrigam, além de plantas exóticas, a fauna local composta dos tradicionais veadinhos, que embora raros, ainda habitam a região.

Além destes, existem ainda as raposas, lobos, gatos selvagens, jaguatiricas, capivaras, pacas, coelhos, furões, tamanduás, esquilos e, entre outros, os macaquinhos e os brincalhões micos-estrela, que costumam buscar sua alimentação nos quintais das residências, também frequentados por uma diversidade de pássaros, sendo mais comuns os tico-ticos, sabiás, tizius, sanhaços, gaviões, maritacas, andorinhas, pombas e pardais. 


      

Esta paisagem natural, que cerca o município, regado pelo frescor das fontes e cascatas, é como um ninho a abrigar a população local, apesar do perigo que ronda os cerrados e os bosques, representado por uma grande quantidade de cascavéis e urutus, o que coloca em risco a vida dos incautos visitantes de passagem sobre regiões virgens.

John Luccock, comerciante inglês, que havia chegado ao Brasil em meados de 1808, em viagem empreendida a Minas, passando por Suaçuí em direção a São João d’el Rey, em seu livro “Notes on Rio de Janeiro and the Southem Parts of Brasil”, Londres 1820, conta sobre o que viu:

“Suá-suí é uma povoação que fica em sítio sêco e exposto, contendo cêrca de cinqùenta casas dispostas à maneira dos jesuítas. Nenhuma delas era caiada, nem mesmo rebocada, prova de que estávamos penetrando em região de outros minerais. De novo aqui encontramos algumas manchas de terra amarela, resquícios do revestimento primitivo que mencionamos como provavelmente tendo já recoberto o cume da Mantiqueira.

O vendeiro do povoado informou-me de que na véspera, na estrada de Barbacena, havia passado à frente de um cavalheiro que por muitos meses estivera nos “sertões”, ou florestas inhabitáveis, à cata de plantas. 

Exprimiu seu pasmo, com a naturalidade de seus apoucados conhecimentos, de que um homem se abalançasse da Europa, sòmente a-fim-de reùnir e levar para casa tais ninharias, perguntando-me se não possuíamos plantas em nossa própria terra e se converteríamos aquelas que colhíamos em mèzinhas.


Pelo que se disse desse estrangeiro, pensei que bem podia tratar-se do Sr. Sello, algo conhecido do público como botânico, ou, então, o Sr. Friesrice, outro viajante, que já enviou inúmeros espécimes da história natural para a Universidade de Upsala. Descobri mais tarde, que esse cavalheiro era dinamarquês, e não tinha relação nenhuma com nenhum daqueles. Levava consigo catorze bestas inteiramente carregadas de volumes que espero tenham alcançado Copenhague a são e salvo.

Pela madrugada, quando deixámos Suá-suí, a limpidez da atmosfera fazia com que avistássemos nìtidamente objetos mui remotos. Erguia-se o Itacolomí para norte-nordeste e, para sudoeste, as montanhas que se esbatiam, descortinando extenso panorama. Estávamos evidentemente viajando pelas cabeceiras dos rios e transpusemos uns poucos regatos que caíam para norte e nordeste; mas a bacia maior ficava para sul e sudoeste.

Algumas das casas por que na estrada passámos, apresentavam aspecto de confôrto e opulência; numa delas pedimos água, que nos foi hospitaleiramente concedida pela dona.

Tendo meu guia, conforme casualmente escutei, descrito a minha pessoa de maneira a tornar-me ridículo para ela, isto é, como de quem transpôs os mares, gastou seu dinheiro e submeteu-se à fadiga e privações sem outro propósito que pudesse ele descobrir a não ser o de pasmar ante a montanhas do Brasil, flanar pelos arredores de suas vilas e atirar passarinhos, acrescentou ainda, como que para definitiva prova de algo de fronteiriço da aberração mental, que eu estivera em Vila-Rica e dali não trouxera nem ouro em pó nem jóias.”



São Brás, realmente, tem histórias para contar. A exemplo, R. Walsh, (que segundo Manuel Bandeira no seu “Guia de Ouro Preto” passa por ter injuriado o prestígio britânico no Brasil, tais coisas espalhou de nós), em seu diário de viagem “Notices of Brazil in 1828 and 1829 ”, Londres, 1830, nos relata:

“Ao cair da noite chegamos ao arraial de Sua Suci. Trata-se de um lugarejo comprido e espalhado, situado num morro, com cerca de quarenta casas miseráveis e sujas; possui, contudo, duas igrejas brancas, que o tornam visível de longe. Paramos numa espécie de estalagem mantida por um senhor idoso que todos chamavam de major; tinha uma longa barba grisalha e era tão prestimoso que não nos deixou sozinhos um segundo sequer.

Sabia uma porção de lendas sobre os paulistas na época em que haviam descoberto a região - fato esse de que ele quase poderia ter sido contemporâneo. Falou-nos que o nome “Sua-suci” significava, no dialeto da província, “grande viagem e pequena viagem”, sendo a seguinte a sua origem: dois grupos rivais de aventureiros, um de Taubaté, outro de Piratininga, desejando por fim às suas disputas resolveram estabelecer certas fronteiras.

Com esse propósito os dois grupos partiram de rumos opostos e vieram caminhando na direção um do outro, tendo ficado combinado que o local onde os dois se encontrassem seria aceito como o limite das terras de ambos. Um dos grupos viu-se forçado a dar uma longa volta, ao passo que o outro veio de uma estrada direta; o encontro dos dois ocorreu naquele lugar, dando assim origem a seu nome. Essa é uma variação da história de Sallust – arae Philenorum – embora eu não tenha observado qualquer indício de cultura clássica no major.

Fomos informados, por outras pessoas, de que sua-suci, ou sussuy, era o nome de um grande pássaro existente outrora nessa região, mas cuja espécie já se tornara extinta. 

O lugarejo parecia ter tido mais importância no passado do que agora. A estalagem tinha nada menos do que quatro camas, um número muito maior do que havíamos encontrado em qualquer outro lugar. 

Eram feitas de couro de boi fortemente esticado sobre uma armação de madeira, e se mostravam não só tão elásticas mas também tão sonoras como um tambor.

O velho major era um dos muitos exemplos da notável salubridade da região, tendo preservado a saúde e o vigor até uma idade avançada. Tinha mais de noventa anos e uma penca de filhos à sua volta, não havendo o mais velho completado ainda dez anos.    


Os relâmpagos e trovões continuaram pela noite adentro, acompanhados de uma chuva torrencial; nossa esperança era que, tendo assim descarregado toda a sua força, estaríamos livres deles ao amanhecer o dia.

Antes de partirmos, uma velha negra, que nos servira, aproximou-se de mim e, depois de olhar cautelosamente à sua volta para ver se era observada, juntou o polegar e o indicador, formando com eles um círculo. Percebendo que eu não entendia o significado desse seu gesto, ela correu novamente os olhos ao redor e em seguida levou um dedo à boca e se pôs a masca-lo. Compreendi então que ela queria dinheiro para comprar fumo; dei-lhe uma moeda de cobre, que ela recebeu com alegria, escondendo-a cuidadosamente no cinto.

Não é costume no país dar dinheiro aos serviçais, que são sempre escravos e costumam utiliza-lo – ao que se diz – unicamente para comprar cachaça, o que é inteiramente condenado por seus amos. Entretanto, não conheço nenhuma outra classe que seja mais merecedora dessas pequenas dádivas do que a dos escravos. Muitos deles, segundo fui informado, guardam esse dinheiro, juntando-o para comprar a sua liberdade. Uma pequena parcela das quantias desperdiçadas com os insolentes criados ingleses representaria uma importante aquisição para esses pobres, humildes e prestimosas criaturas.

Deixamos o venerável patriarca sentado em sua varanda, com um menino e uma menina em seus joelhos, sendo ele o pai dos dois, embora parecesse haver um intervalo de três gerações entre eles.”


Segundo me confidenciou o dono de uma pequena quitanda, a cidade já não é mais a mesma, de sua infância, pois passa, na atualidade, por grande surto de progresso. 

È fato que sua população se encontra bastante inflada numericamente, fruto do investimento de 1,6 bilhão de dólares feito na instalação de uma grande usina de tubos de aço, que está sendo implantada no município de Jeceaba, que se situa próximo dali.

O empreendimento, uma parceria da empresa francesa Vallourec com a japonesa Sumitomo Metals – Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), deve gerar, durante o primeiro ano de funcionamento, mais de sete mil empregos — quantidade superior à população da cidade, que é de quase seis mil habitantes. 

A ideia da empresa é dar preferência à mão de obra regional. 



Além da usina, o distrito industrial de Jeceaba, com área de 12 milhões de metros quadrados, vai abrigar outras empresas de médio e grande porte. A VSB vai elevar a produção de aço do Estado de 12,8 milhões de toneladas/ano para quase 14 milhões.

Da produção de cerca de 1 milhão de toneladas/ano, 700 mil serão destinados aos tubos de aço sem costura, comprados, principalmente, por países da América do Norte, Oriente Médio e África. 

A proximidade com a linha de trem da MRS Logística e com as BRs 040 e 381 foram pontos favoráveis à instalação da planta da VSB na cidade, facilitando o escoamento da produção. Além disso, a região é rica em fontes de matéria-prima.

Em face desses acontecimentos, São Brás que era uma cidade calma e pacata, viu-se invadida por uma grande leva de imigrantes, provenientes de outras regiões do Estado. 

Com esse incremento humano, existe carência de moradias na cidade e a segurança já não é mais a mesma, conforme me relatou outra moradora local, que nasceu e sempre residiu nessa bela localidade.


Para almoçar utilizei os serviços do restaurante “Populaire”. 

E depois de proveitoso descanso, saí para visitar a igreja de São Brás, bem como a capela do Senhor dos Passos.

Numa avaliação bastante particular, a cidadezinha me deixou uma impressão bastante favorável, pois sua população é por demais simpática e prestativa. 

Diria mesmo, que essa localidade foi a que melhor me impressionou nessa viagem, pois, além das belezas naturais, suas ruas são limpas, bem sinalizadas, e os jardins impecavelmente cuidados.

Ademais, ela é famosa por seus quitutes e quitandas caseiras, com destaque para os biscoitos e doces. 

E, também nas artes, pois seus corais são conhecidos e referência em toda a região.


Com a Sra. Eliane, simpática proprietária da Pousada Quincas Pires


AVALIAÇÃO PESSOAL – Um percurso tranquilo, agradável, silencioso, bastante arborizado e quase sempre plano, um dos mais fáceis e bonitos dentre todos que trilhei nessa aventura.