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4º dia: AMPARO/SP a PINHALZINHO/SP - 28 quilômetros


4º dia: AMPARO/SP a PINHALZINHO/SP - 30 quilômetros

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós!




A jornada não seria longa demais, porém o sol estava crestando forte depois das 10 h da manhã.

Assim, deixamos o local de pernoite às 5 h, caminhamos uns 500 metros e nos enlaçamos novamente com o roteiro do Caminho da Providência.

O primeiro trecho, extremamente urbano, nos obrigou a caminhar sobre piso duro por 7 quilômetros, até atingir o centro do distrito de Três Pontes, cuja sede é Amparo.

E, quando ali aportamos, o dia principiava a clarear.

Então, acessamos uma estrada de terra, larga e ascendente, que nos propiciou clima fresco e um silêncio profundo, só quebrado pelo barulho do rio Camanducaia, que corria pelo nosso lado esquerdo.

Tal sossego durou pouco, pois, 3 quilômetros adiante, voltamos a transitar sobre asfalto e por essa estrada vicinal, ultrapassamos vários bairros periféricos, numa paisagem urbana, algo um tanto decepcionante.

E somente depois de percorrer 16 quilômetros, foi que adentramos em terra novamente.

Lindas paisagens voltaram a nos envolver, poucos veículos transitando, matas nativas, enfim, desfrutamos do silêncio e da ermosidade por, aproximadamente, 4 quilômetros.

Então, acessamos outra estrada vicinal asfaltada que nos levou ao distrito de Aparecidinha, cuja sede é Pinhalzinho.

Seguiram-se, depois, mais 10 quilômetros em piso duro, até nosso aporte ao destino do dia.

No global, certamente, mais de 2/3 dessa etapa foram caminhados sobre piso asfáltico, num trajeto duro, que levaram nossos pés a reclamar muito.

Algumas fotos dessa etapa:


Igrejinha situada no distrito de Três Pontes. O dia ainda não nasceu.


Caminho mágico e hidratado.


Locais belíssimos. Depois vieram mais 6 quilômetros em asfalto.


Depois de 16 quilômetros percorridos, volta aos campos...


Trechos belíssimos e ermos..


Muita sombra e silêncio..


A sinalização nesse trecho..


Clima frio e nublado nesse dia.


Igreja de Nossa Senhora Aparecida, no distrito de Aparecidinha/Pinhalzinho/SP.


No trecho final, flores à beira do asfalto.


Pousada Madri, onde nos hospedamos nesse dia. Recomendo! Excelente!

Pinhalzinho, nome derivado da abundância de araucárias na região, foi fundado em 1840, pelas famílias João Domingues Siqueira e Generoso de Godói Bueno. O povoamento de Pinhalzinho deu-se principalmente por imigrantes italianos, entre eles Antônio Fornari e filhos, que fundaram a primeira casa comercial.

A imigração estrangeira decorreu do fim da escravidão, em 1888, principalmente de colonos da imigração subvencionada, encaminhados pela Hospedaria de Imigrantes para as fazendas de café da região, como a Fazenda de João Gomes, no bairro da Rosa Mendes.


A igreja matriz de Pinhalzinho/SP.

No bairro dos Mendes, entre a Rosa Mendes e a Cachoeirinha, viveu dona Maria Mendes, reconhecida ceramista de potes para água. Usava uma técnica indígena: em vez do torno movido com os pés, de origem portuguesa, amassava com as mãos compridas “linguiças” de barro, que ia colocando uma sobre a outra e moldando com os dedos até obter uma peça bojuda na base, estreitada na parte da boca.

Pinhalzinho foi, até os anos 1950, um reduto de sobrevivência do dialeto caipira, a língua portuguesa falada com forte sotaque da língua nheengatu ou língua geral falada pelos povos do tronco tupi.

É uma região que ainda tem muitos pardos de zigomas salientes e olhos ligeiramente repuxados, resquício da ancestralidade indígena não muito anterior ao século XVIII.


Interior da igreja matriz de Pinhalzinho/SP.

O povoado, em 1900, contava com vinte habitações dispersas. A partir de 1910 o crescimento foi acelerado em função da criação de uma escola particular, mantida por moradores como Eduardo Fornari, Henrique Torricelli e outros, e o aumento da população causada pelo anúncio de oferta de terrenos gratuitos, divulgado pelo jornal Cidade de Bragança.

Em 1922, concluiu-se a igreja, obra realizada pelo construtor Tomás de Camargo e o carpinteiro José, sendo trazida diretamente de Barcelona, a imagem da padroeira, Nossa Senhora de Copacabana.

Em 28 de fevereiro de 1964, através da Lei Estadual nº 8092, Pinhalzinho foi elevado à categoria de município, desmembrado de Bragança Paulista.

População atual: 14 mil habitantes. Altitude: 910 m.


Ao fundo, em destaque, a imagem de Nossa Senhora de Copacabana.

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde o Ancona Center Hotel, em Amparo/SP, até a Pousada Madri, em Pinhalzinho/SP: 6 h 50 min.

Clima: Ensolarado, variando a temperatura entre 13 e 24 graus.

Pernoite: Pousada Madri: Excelente! Uma das melhores onde eu já pernoitei em minha vida peregrina no Brasil! – Apartamento, com café da manhã - Preço: R$60,00.

Almoço: Restaurante Sabor Divino: Excelente! – Preço: R$16,90, pode-se comer à vontade no sistema self-service.


Para visualizar essa trilha, gravada no aplicativo Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/amparo-a-pinhalzinho-25979942


AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma etapa de média extensão, que oferece caminhos silenciosos e belas paisagens em seu entremeio. A parte inicial, bem como os derradeiros quilômetros, são trilhados sobre piso asfáltico, que oprimem sensivelmente os pés do peregrino. No geral, foi uma jornada de superação, pois aspiramos muita poeira nesse dia, caminhamos mais de 20 quilômetros sobre piso duro, bem como enfrentamos sol forte depois das 10 horas.