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2º dia – SANTANA DO CAPIVARI/MG a ITANHANDU/MG – 29 quilômetros



2º dia – SANTANA DO CAPIVARI/MG a ITANHANDU/MG – 29 quilômetros


"O caminho é mágico, mas a magia dele é espiritual. Ela está presente nas pessoas que encontramos, no céu azul, no sol que desponta, nas igrejas ao longo do caminho, no silêncio, no canto dos pássaros, numa árvore frondosa no topo de uma subida. Também está presente no perfume das flores ou mesmo numa seta que surge quando nos julgamos perdidos. Ali, longe da rotina diária, dos vícios, manias e intrigas, a divindade mostra seus sinais. A nossa alma, lavada e limpa de tantas coisas supérfluas permite que a paz entre no nosso ser. Não importa se existem dores, se faz calor ou frio, a paz se instala na alma." (Anônimo)




O percurso seria, novamente, de razoável extensão e, muito interessante, eu estava, por rodovia, a apenas 7 quilômetros do meu destino, a cidade de Itanhandu, onde pernoitaria.

Por isso, tomei a providência de remeter minha equipagem, já que não havia motivo para transitar com ela às costas, face ao desgaste físico e do risco envolvido.

Dessa forma, acordei bem cedo e verifiquei que a chuva do dia anterior já se fora para outras plagas.

Assim, após as providências de praxe, deixei o local de pernoite lépido e animado, carregando apenas uma mochilinha de ataque, onde levava água, frutas e barras de cereais, além da imprescindível capa de chuva.

Afinal, como bem diz o ditado: “O seguro morreu de velho!”

Então, eu retornei pelo acostamento da rodovia BR-354, transpus novamente o rio Capivari, depois adentrei à direita, exatamente, na praça José Gregório Rabelo, onde encontrei fincado o primeiro totem da ER daquele dia.

Eu prossegui em ascenso por uma rua calçada e nela, apesar do horário extemporâneo, já cruzei com diversas pessoas se dirigindo ao trabalho.

Todas cortesmente me cumprimentaram, inclusive, 2 crianças que não teriam mais de 12 anos, demonstrando sua educação e o respeito pelas pessoas mais velhas, ainda que desconhecidos, como era o meu caso. 


Muita nebulosidade no entorno.

No final de pequena elevação, eu girei à direita novamente, e logo acessei uma estrada de terra bastante úmida, em virtude das fortes chuvas que haviam assolado a região na noite anterior.

Uma espessa cerração encobria todo o entorno e o caminho seguiu sempre em ascendência.

E nesse primeiro trecho, não vi nem encontrei vivalma, apenas o gorjear dos pássaros dava o tom, saudando o novo dia.

Também ouvi um casal de seriemas gritando ao longe, numa baixada. 


Descendendo por um piso liso..

Na verdade, sua principal característica é o canto longo e estridente que pode ser ouvido a um quilômetro de distância, sendo, sem dúvida, a vocalização mais importante e conhecida nos campos de pastagem.

Segundo o dito popular, ela possui a fama de avisar quando vai chover e dizem na roça que quando a seriema canta é chuva na certa.

O que estava fora de prognósticos naquele dia, já que a meteorologia previa tempo nublado, mas nada de intempéries.

Depois de finalizar um brusco descenso, passei diante da entrada do belíssimo Haras C3 e, mais abaixo, pude visualizar suas magníficas instalações. 


Entrada para o Haras C3, à direita.

Porém tudo ali também se encontrava deserto e silencioso.

Prosseguindo, logo me encontrei com um rebanho de vacas leiteiras que vinham em direção a essa propriedade, certamente, para serem ordenhadas.

O vaqueiro que tangia a boiada saudou com um sonoro bom dia, depois trocamos algumas palavras sobre o clima vigente, antes de cada um seguir o seu destino. 


Caminho silencioso e hidratado. Uma delícia!

O caminho seguiu neblinoso e frio, excelente para caminhar, e eu prossegui animado, com passos em ritmo uniforme.

Um senhor descia a trilha montado em um cavalo, tendo dois latões pendurados nas laterais do animal.

Disse-me o pobre homem que se dirigia a uma fazenda situada à direita, onde também ordenharia vacas. 


O vaqueiro seguindo para a ordenha..

Estava um tanto atrasado, confessou-me, porquanto o caminhão que diariamente recolhia o leite passaria dentro de 3 horas.

Numa bifurcação, eu segui à direita e, de imediato, cruzei com uma robusta senhora montada em uma motocicleta, calçando vistosas botinas de plástico azul.

Com certeza, ela também se dirigia ao seu labor. 


Locais ermos e silenciosos...

O roteiro prosseguiu em meio a muita mata nativa, um paraíso para os olhos e a respiração, face ao ar puro que dali se desprendia.

Vencidos, aproximadamente, 5 quilômetros transitei diante de um grande sítio, por uma estrada plena de poças de água, onde avistei um imenso bando de urubus se banqueteando num pasto. 


Poças d'água, frutos da chuva do dia anterior.

E malgrado tenha prestado imensa atenção no que eles ingeriam, não consegui identificar o que lhes servia de repasto.

Não era carcaça de animal morto, vez que eles estavam esparramados, bicando a grama. 


Nesse local, fiz um giro de 90 graus, à direita.

Quinhentos metros adiante, seguindo às instruções, eu girei 90 graus à direita e prossegui ainda entre grandes propriedades rurais onde o forte continuava sendo a pecuária leiteira.

Nesse trecho avistei belas chácaras e, algumas delas, orladas com vistosas residências. 


Belas e bem cuidadas residências.

O sol lutava para perfurar um espesso bloco de nuvens e, por trás dele, ao longe, já podia divisar os contrafortes da temível serra da Mantiqueira. 


Ao fundo, a temível Mantiqueira.

Um quilômetro adiante, transitei diante das imensas instalações da Iana Alimentos, que se destina a comercialização de ovos.

Segundo li em seu site, ela tem como missão prover alimentos saudáveis que contribuam para a nutrição humana, produzindo leite, ovos e suínos para abate, ovos processados e ovos de codorna em conserva.

Suas marcas registradas são Iana Alimentos, Fazenda Bom Retiro e Ovos Iana.

A Fazenda Bom Retiro produz mais de 403.000 litros de leite e 500 suínos para abate por mês.

Contei, por alto, mais de dez colossais barracões, solidamente edificados, onde são alojadas as aves poedeiras.

Trabalhadores chegavam para o labor do dia, tratores e caminhões de movimentavam pela estrada, enfim, havia uma febril atividade no entorno. 


Transitando ao lado Iana Alimentos.

Seguindo as instruções da planilha que portava, eu adentrei à esquerda e prossegui beirando a extensa granja, tendo um rumorejante rio correndo à minha esquerda. 

A partir desse local, passei a caminhar em meio a locais belíssimos, onde a natureza está preservada, pois se trata de uma área protegida e fiscalizada pelo Ibama.


Trecho fantástico da ER.

A vegetação era luxuriante, o clima estava fresco e hidratado, tudo seguiu ermo e silencioso, enfim, eu estava adentrando ao paraíso.

Logo adiante, passei diante de uma chácara onde está situado o Desafio Jovem Maanaim, um Centro de Recuperação para alcoólicos e drogados, que existe em 200 países, oferecendo uma estrutura diferenciada para o processo de reabilitação, agregando uma série de métodos criados pelo reconhecido pastor norte-americano, David Wilkerson.

Sua atividade principal e a de assistência psicossocial e de saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química.

Segundo li, ela integra a maior rede de recuperação de dependentes químicos do mundo. 


Entrada da chácara onde está instalado o Desafio Jovem Maanaim.

E pelo que soube, o tratamento ali ministrado não é voltado à prescrição de remédios, pois o programa destina-se à abstinência total de qualquer substância toxicológica.

Sendo assim, diversas atividades são oferecidas regularmente durante o período de reabilitação, incluindo ginástica laboral, aulas, palestras e acompanhamento psicológico.

As construções ali existentes são de esplendorosa beleza e praticidade, e seguem um roteiro pré estabelecido, vez que obedecem a uma ordem bastante natural, como alojamentos, quadras, refeitório, lavanderia, horta comunitária, tudo em forma sequencial.

Meu relógio marcava 7 h 30 min e o local se encontrava integralmente silencioso.

Na verdade, o único som que eu ouvia era o latido de um cão que estava acorrentado numa casa situada do outro lado da estrada, onde se localiza a ala masculina dessa comunidade. 


Caminho mágico!

Prosseguindo, o trajeto persistiu maravilhoso, pleno de muitas árvores e sons da natureza.

Um quilômetro adiante, passei pelo interior do maravilhoso Haras Cachoeira do Coura, instalado em um local de avassaladora beleza.

Um senhor transitava pelas imediações, rodeado por 4 cães, e conversamos alguns minutos. 


Transitando pelo interior do Haras Cachoeira do Coura.

Ao saber que eu estava percorrendo o roteiro da Estrada Real, muito atencioso e solícito, sossegou seus “guardas” peludos, depois, me deu instruções sobre o percurso sequente, mormente quanto à trilha que eu ainda empreenderia.

A vereda prosseguiu fantástica, plena de locais bucólicos e maravilhosos. 


Animais pastando do lado oposto do rio Coura.

Do outro lado do rio, numa parede rochosa, mas plena de vegetação, eu podia divisar, no alto, cavalos pastando.

O roteiro nesse intermeio é de esplendorosa beleza e eu não me cansava de fotografar o entorno. 


Caminho paradisíaco!

Quinhentos metros adiante, passei diante da cachoeira que dá nome ao rio Coura que, por sinal, se mostrava caudaloso naquele dia.

A cachoeira está dividida em duas partes, sendo que há uma linda queda e poço para banho na parte pública. 


A famosa Cachoeira do Coura.

Já para visitação da parte privada é necessário um diálogo com o caseiro local.

A trilha para acessá-la é curta, mas íngreme.

Dessa forma, preferi fotografá-la à distância, vez que me senti temeroso em descender e depois não conseguir retornar ao caminho, porque a vereda se mostrava abrupta e lisa.

No entanto, para aqueles que se mostrarem curiosos em ver sua queda e caudal líquido, poderão acessar o vídeo abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=vQJuc3YuhnM 


O caminho prossegue ermo e silencioso.

Prosseguindo, logo passei diante do sítio Paraíso e, como em outras casas, tudo ali era silêncio e ermosidade.

Creio mesmo, que os proprietários só frequentam esses locais nos finais de semana, embora tenha avistado vacas e cavalos na propriedade.

Alguém, talvez empregado, deve passar pelo lugar diariamente, para alimentar os animais. 


Um marco do CRER, que nesse trecho também coincide com a ER.

Cinquenta metros adiante, encontrei uma porteira e, após ultrapassá-la, comecei a percorrer uma trilha campestre, localizada, graças a Deus, em campo aberto.

Afinal, eu estava sozinho e ninguém se movia pelas imediações, a não ser os animais. 


Depois desse portão, tem início a trilha...

Por sorte, o local está muito bem sinalizado e não tive problemas em encontrar meu rumo.

Contudo, antes de atravessar a cancela, fiz demorada pausa para hidratação e ingestão de uma banana.

A vereda seguiu maravilhosa, sobre pastos orlados por exuberante vegetação e bosques naturais. 


Trilha maravilhosa, em meio a muito verde.

Foram, aproximadamente, dois quilômetros percorridos por locais de imperecível beleza, sem dúvida, um dos trechos de maior plasticidade que encontrei em toda a Estrada Real.

Finalmente, após ultrapassar um derradeiro sítio, também deserto, eu girei à direita após uma casa e, na sequência, ultrapassei o rio Coura por uma pinguela feita de tábuas. 


Pinguela feita de tábuas.

Então, já do lado oposto, segui em forte ascenso por outra estrada úmida e silenciosa. 


Observando minha retaguarda, locais por onde transitei...

A todo momento eu parava para descansar e podia observar à minha retaguarda, os locais por onde transitara, todos de maviosa beleza. 


Em ascensão, observando o vale por onde eu viera caminhando.

No ápice do morro, ainda caminhei quinhentos metros em local plano, depois passei a descender com violência.

E, no final da trilha, acabei por desaguar na rodovia LMR-881, que liga as cidades de Itamonte e Alagoa. 


Quase no final da trilha, já é possível visualizar a rodovia, abaixo, e à esquerda.

Foram mais cinco quilômetros sofridos, trilhados sobre piso duro, até atingir a praça central da cidade de Itamonte, localidade que eu já conhecia, pois ali me hospedara em duas oportunidades, quando, então, percorria o Caminho dos Anjos, em julho de 2014.

Parei diante da igreja matriz para fotografá-la, mas em seu interior não pude adentrar, pois ela também se encontrava fechada.

Num bar próximo eu adquiri um isotônico e, num banco de jardim, fiz rápida pausa para ingerir uma barra de cereais.


Adentrando em Itamonte.

Itamonte que dizer “pedra do monte ou montanha de pedra”, e embora a área urbana tenha os seus encantos, é em sua zona rural que se encontram os grandes atrativos naturais.

A cidade pertence a APA (Área de Proteção Ambiental) da Mantiqueira, o Parque Nacional de Itatiaia - localizado na área mais alta da Serra da Mantiqueira, que tem no Pico das Agulhas Negras, com 2791 metros de altitude, o seu ponto culminante.

Ele foi o primeiro parque nacional a ser criado, em 1937, por Getúlio Vargas, que possuía uma residência no local, conhecida como a "Casa de Pedra".

Em Itamonte existem dezenas de cachoeiras, entre elas, as da Conquista, Escorrega, Usina dos Braga e Fragária, além de corredeiras para a prática de canoagem ou acquaride.

A pesca da truta arco-íris, no estilo “fly”, pode ser feita no rio Aiuruoca, na região da Fragária (um vale que faz divisa com o Parque Nacional de Itatiaia e o Parque Estadual da Serra do Papagaio.

Uma curiosidade interessante desse pequena urbe: a água mineral jorra das fontes, no alto da Garganta do Registro e no povoado de Engenho da Serra.

Nesse local, ainda existe um casarão que abrigava D. Pedro II, Conde d'Eu e a Princesa Isabel, a seu passo pela chamada "Estrada Real".

O clima que anualmente registra entre -5 e 25 graus, parece ter sido importado da Europa, e a região é um presente tanto para aqueles que buscam apenas o sossego e a contemplação, quanto para os amantes de aventuras ecológicas e dos esportes radicais. 


Igreja matriz de Itamonte.

A saída da cidade deu-se por bairros periféricos, sob piso duro e muito movimento, tanto de pessoas quanto de veículos.

Aproximadamente, um mil e quinhentos metros percorridos, adentrei numa estrada de terra, num entorno de grande beleza, onde o verde era a cor predominante. 


Deixando o asfalto, paisagem maravilhosa.

Em determinado local, diante de duas rústicas habitações, um grande cão, mestiço da raça policial alemão, fez menção de me seguir.

Fiquei a pensar: porque esses nobres animais denotam tamanha atração por peregrinos?

Na verdade, naquele dia, isto já ocorrera em outras duas oportunidades, e precisei afastar os intrusos com palavras ríspidas.

Nesse caso, distraí o amigo atirando-lhe um pãozinho francês guardado na mochila e que, face ao horário, não pretendia mais ingerir. 


Caminho deserto e silencioso.

Transitei, em sequência, por locais desertos e também de excelsa beleza.

O caminho prosseguiu em forte e longa ascendência, porém, já no topo, mergulhei sob um fresco e vasto dossel formado pelas árvores circundantes. 


Chegando ao topo do morro. Daqui em diante, só descida...

Enquanto fazia uma pausa para fotografar o entorno, conversei com um senhor que roçava o pasto fronteiriço.

Confirmou-me que dali para diante tudo seria em franco declive e que esse trecho do caminho era muito frequentado por pessoas de Itanhandu para caminhadas matinais ou cicloturismo.

Prosseguindo, pude verificar “in loco” que a jornada desse dia provou ser uma das mais belas de toda a Estrada Real, pela exuberância da natureza. 


Roteiro sensacional, pleno de muito verde!

Como não encontrei vivalma nesse intermeio, adentrei em grande introspecção e fui curtindo o silêncio que vivenciava.

No entanto, o mundo prosseguia em franca atividade no entorno, com pássaros cantando, as árvores realizando sua fotossíntese, borboletas circulando em direção às flores, formigas em grande correição no piso da estrada. 


Sem dúvida, um dos trechos mais maravilhosos da ER.

Ou seja, o coração do mundo prosseguia pulsando, embora tudo me parecesse estático e sob grande beleza.

Segundo a história, essas terras pertenciam a Fazenda do rio Verde e seu primeiro dono foi o português Antônio Mendes da Silva. 


Muito verde e ar puro no entorno.

No século XVIII, a casa da sede situava-se à margem do Caminho Velho, de frente para a serra da Mantiqueira e com fundos para o rio Verde, na atual praça da matriz de Itanhandu.

Mais abaixo, o caminho finalmente planeou e, depois de transitar diante de um belo condomínio, por uma ponte, ultrapassei pela derradeira vez o rio Verde. 


Retão, um pouco antes de ultrapassar o rio Verde.

Por sinal, esse belíssimo curso d'água nasce na serra da Mantiqueira, numa altitude de 2.600 m, na divisa entre os municípios de Itanhandu e Passa Quatro.

E depois de percorrer 220 quilômetros e banhar 31 municípios, deságua no lago de Furnas, no limite entre os municípios de Três Pontas e Elói Mendes.

Dentre os tributários que recebe em seu percurso, há que se destacar os rios do Aterrado, rio Baependi, rio Capivari, rio do Carmo, rio Lambari, rio Palmela, rio Passa Quatro, rio do Peixe e rio São Bento.

Prosseguindo, logo passei a caminhar sobre bloquetes, bem diante da imensa Granja Sétimo Céu, onde a faina diária seguia em açodada movimentação.

E depois de ultrapassar a rodovia MG-158, adentrei em zona urbana, seguindo em direção ao centro da cidade. 


Hotel Casarão, local onde me hospedei nesse dia.

Lá me hospedei no hotel Casarão, onde paguei R$50,00 por um excelente quarto individual.

Para almoçar, utilizei os serviços do restaurante Asgard onde, por R$15,00, pude comer à vontade no sistema Self-Service.


Praça central de Itanhandu e sua igreja matriz ao fundo.

Itanhandu que quer dizer em língua tupi "ema de pedra", através da junção dos termos itá ("pedra") e nhandu ("ema"), e conta atualmente com 14.500 habitantes.

Entre os atrativos naturais, encontra-se, a vinte quilômetros da cidade, a nascente do Rio Verde, no alto da Serra da Mantiqueira, com matas virgens, clima puro e belas paisagens.

Corria o final do século XVI quando foram ouvidos os primeiros passos dos exploradores europeus.

Tudo era novo e desconhecido para esses homens rudes, que rasgavam impiedosamente a Mata Atlântica.

Surgia o primeiro caminho ligando o litoral a uma terra rica em ouro e pedras preciosas, hoje chamada Minas Gerais.

No princípio do século XVIII, um pequeno aglomerado de casas, circundado por várias fazendas, deu origem ao Arraial de Barra do Rio Verde.

Com a inauguração da Estrada de Ferro de Minas - Rio, em 1884, a população começou a crescer, e o arraial instalou-se à beira dos rios Verde e Itanhandu, este último dando o nome definitivo ao lugarejo.

O Caminho Velho passava por Itanhandu e foi usado para escoar o ouro e outras riquezas de Minas para o porto de Parati, no Rio de Janeiro. 


Justa homenagem aos heróis da cidade.

Dois fatos históricos ficaram bastante marcados na história de Itanhandu: as Revoluções de 1930 e a de 1932.

Nos dois acontecimentos, a cidade ficou exposta a conflitos armados entre Minas Gerais e São Paulo, em vista de sua posição estratégica de fronteira.

Toda a população era retirada, as luzes apagadas à noite, e dos combates de 1932, participou um jovem tenente médico, futuro governador de Minas Gerais e presidente do Brasil: Juscelino Kubitschek, que declararia, mais tarde, a amigos: "Minha carreira política começou em Itanhandu".

Ela também é conhecida como a capital mineira do ovo, com uma produção diária em torno de 7 milhões de ovos/dia, e a única cidade das Terras Altas da Mantiqueira a possuir uma usina de reciclagem de lixo.

Com uma economia bem diversificada, possui várias fábricas especializadas na produção de calçados, inclusive militares, granjas, pecuária leiteira, confecções, facções, laticínios e uma indústria de ferramental aeronáutico (única no estado de Minas Gerais), cujo principal cliente é a Embraer.

Em termos econômicos, a cidade apresenta uma das mais modernas granjas da América Latina, a Mantiqueira, que remete seus produtos para diversas regiões do Brasil e até mesmo para o exterior.

Segundo os dados do IBGE do ano de 2006, os galináceos atingiram a cifra aproximada de 3 milhões e 600 mil cabeças. 


Praça central de Itanhandu e sua igreja matriz ao fundo, de outro ângulo.

Mais tarde, após merecido descanso, fui dar uma volta na cidade e pude visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora da Conceição.

Em seguida, na praça central, conversei bastante tempo com o Sr. Celso, um aposentado que nasceu e trabalhou a vida toda nessa simpática urbe.

Depois, no caminho para o supermercado, pude conferir o local por onde deixaria a povoação na manhã seguinte.

Como de praxe, à noite optei por ingerir um singelo lanche no quarto e logo fui dormir.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de razoável extensão, que não apresenta variações altimétricas importantes. Foi, com certeza, uma das mais belas jornadas que cumpri em toda a Estrada Real. O trecho localizado entre a Iana Alimentos até a transposição do rio Coura foi um dos mais exuberantes que conheci. Assim, também, o percurso em terra localizado entre Itamonte e Itanhandu me surpreendeu de forma estupenda. Trata-se de duas autênticas joias, onde a natureza está integralmente preservada.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada O Caipira, em Santana do Capivari/MG, até o Hotel Casarão, em Itanhandu/MG: 6 h;

Clima: frio e nublado até o final da jornada.

Pernoite no Hotel Casarão: Apartamento individual excelente – Preço: R$50,00, com café da manhã;

Almoço no Restaurante Asgard: Excelente! – Preço: R$15,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.