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7º dia - CAMPOS DO JORDÃO/SP a DISTRITO DE PEDRINHAS/GUARATINGUETÁ/SP - 31 quilômetros


7º dia - CAMPOS DO JORDÃO/SP a DISTRITO DE PEDRINHAS/GUARATINGUETÁ/SP - 32 quilômetros




Novamente, teríamos outra jornada de grande extensão, com alguns acidentes altimétricos importantes.

Dessa forma, cumprindo o combinado, levantamentos às 4 h, e meia hora depois, ao redor do fogão a lenha, estávamos todos ingerindo um profícuo desjejum.


Aguardando o café da manhã na cozinha da pousada. (Créditos: Rogério Furlan)

Depois da oração do grupo onde o Sr. Sérgio, proprietário da pousada, também participou, partimos todos, seguindo à direita, sobre asfalto.

A temperatura exterior estava próxima de 6 graus e havia abundante cerração cobrindo o entorno.

Não havia trânsito de veículos nesse horário de forma que após 4 quilômetros vencidos em bom ritmo, chegamos à portaria do Horto Florestal de Campos do Jordão.

Nosso “carro de apoio” já estava ali nos aguardando e aproveitei a ocasião para me hidratar e ingerir uma banana.

A partir daquele marco eu já conhecia, com folgas, todo o percurso, pois já havia descendido pela estrada de Pedrinhas quando finalizava o Caminho da Fé em, no mínimo, 6 ocasiões pretéritas.

Portanto, dali até Aparecida, já não havia mais novidade para mim.


Mata fechada e hidratada... Trecho magnífíco!

Na sequência, já com o dia claro, caminhei na vanguarda do pessoal e aproveitei para curtir o visual e a magnífica natureza que me rodeava.

Tudo ali está muito bem preservado e podia ouvir inúmeros pássaros gorjeando, cada um com seu pipilar característico, enquanto a estrada ia passando sob meus pés.

Mais quatro quilômetros vencidos, encontrei nosso “carro de apoio” estacionado ao lado do Mirante do Pau Arcado, de onde se descortinava estupenda vista de Campos do Jordão e adjacências.


Vista desde o Mirante do Pau Arcado.

A neblina ainda cobria boa parte da cidade, dela submergindo apenas o cimo das montanhas.

A temperatura persistia baixa, ao redor de 11 graus, embora o sol já estivesse brilhando a algum tempo.

Ocorre que desde a nossa partida caminhávamos em lento ascenso, e nesse local estávamos a 1750 metros de altitude.


Junto à imagem de Nossa Senhora Aparecida.

No morro fronteiriço ao local existe uma singela caixa de madeira e dentro dela há uma redoma de vidro, em cujo interior há uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Aproveitei, então, a oportunidade para escalar o barranco e posar para uma foto junto à estátua da Mãe Maria.

Prosseguindo, ainda persistiu a floresta nativa a cobrir o entorno.


Novamente, mata nativa e frescor.

Foram momentos indeléveis, caminhando sob o frescor das árvores e o silêncio típico das grandes matas.

Ainda em ascendência, fizemos outra pausa junto à estrada para o mirante de São José dos Alpes, onde foi servido nosso café na trilha.


Caminho arejado em meio aos imensos campos da Fazenda Lavrinhas.

Prosseguindo, mais acima, emergi do trecho umbroso e passei a caminhar por locais abertos e devassados, ladeado pelos imensos campos que pertencem a Fazenda Lavrinhas.

Sem maiores percalços ou novidades, transitamos diante da magnífica Pousada Santa Maria da Serra e um pouco antes de começar a descender em definitivo, fizemos outra pausa para hidratação e descanso.

Enquanto conversávamos, fomos ultrapassados por uma romaria de cavaleiros, que seguia confiante em direção a Aparecida.


Pausa para descanso e hidratação, um pouco antes do início do descenso.

Em marcha novamente, caminhamos ainda alguns metros no plano e, na sequência, principiamos a descender, em alguns trechos, de forma brusca e violenta.


Descendência bruta...

Os primeiros quilômetros forma trilhados em meio a espesso bosque, depois, já mais à frente o panorama se abriu e pude visualizar abaixo, um grande vale, em meio a muito verde, por onde eu prosseguiria meu périplo.

Mais abaixo, encontramos nosso “carro de apoio” estrategicamente estacionado diante do portão de acesso à Trutaria Bela Vista Gomeral, onde fizemos outra pausa para ingerir nosso almoço de trilha que, como de costume, constou de linguiça assada na chapa, acompanhada de pão e saladas.

Uma hora mais tarde reiniciamos nossa jornada e em determinado local, pude ver destacando-se na montanha em frente, o Pedrão, também conhecido por Pedrona, Pedra Preta ou Pedra Grande.


Em destaque, o Pedrão do Gomeral.

Trata-se de um enorme maciço montanhoso que, com seus 1789 metros de altitude, é o ponto culminante da região, além de ser o cartão-postal do bairro Gomeral, do qual faz parte.

Mais cinco quilômetros vencidos em perene declive, passei pelo distrito de Gomeral, cuja sede é Guaratinguetá, um bairro rural que ainda preserva sua história e cultura.

Ele se localiza num região rica em recursos naturais, como rios, cachoeiras, florestas de altitude e remanescentes da Mata Atlântica, propiciando a existência de diversas trilhas e observação de flora e fauna.

Situada em meio à Área de Proteção Ambiental Federal da Serra da Mantiqueira, é região estratégica para a conservação dos recursos hídricos, florestais e turísticos de todo o Vale do Paraíba.


Abaixo, o distrito de Gomeral, por onde transitaríamos a seguir.

Enquanto aguardava por meus companheiros, fiz uma pausa no restaurante Tao do Gomeral, que se encontrava fechado, para conversar com sua proprietária, a Sra. Vera, vez que seu marido, o Sr. Pedro, trabalhava na fabricação de cerveja artesanal.

Prosseguindo, cumpri o trecho final solitário, aproveitando o tempo para reflexionar sobre a peregrinação e os colegas que me faziam companhia na caminhada, mormente nosso chefe maior, o peregrino Rogério Furlan, que tão bem nos guiou.


Depois de Gomeral, ainda há bastante declividade e mata nativa.

Importante comentar que após o acesso à rodovia asfaltada ainda é necessário caminhar 3.500 metros até o ponto final da etapa.

Nosso pernoite ocorreu na Pousada do Sr. Agenor que se encontrava bastante movimentada naquela data.


Pousada do Sr. Agenor. Dejair, Marcelo, José Palmeiras, Leca, eu e Furlan.

Vez que além das 9 pessoas que compunham o nosso grupo, havia ainda outros 9 peregrinos que percorriam o Caminho da Fé e mais 15 cavaleiros procedentes de Brasópolis.

Tirante os peregrinos a cavalo, que trouxeram cozinha e fizeram sua própria refeição num espaço específico cedido pela Dona Maria, esposa do Sr. Agenor, os demais peregrinos participaram de um jantar coletivo, onde a tônica foi a animação e a troca de experiências.


Confraternizando com peregrinos do Caminho da Fé. Na chefia, o simpático Sr. Lourival.

Restavam apenas 22 quilômetros para a chegada ao Santuário e todos, que ali pernoitariam, viviam momentos de alegria e intensa expectativa.

E comigo, apesar de ser veterano naquele trecho, também ocorria o mesmo, porquanto, o aporte à Basílica da Mãe Aparecida, nos rejubila mas também nos confrange o coração.


O Sr. Agenor, família e o pessoal do nosso Grupo. Dia de bolo e festa!

Custo individual na Pousada Pedrinhas, do Sr. Agenor: R$80,00, incluindo pernoite, jantar e café da manhã.

AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma jornada em lento, contudo, perene ascenso nos primeiros 16 quilômetros, quando atingimos a altitude de 1956 metros. A partir dali caminhamos alguns quilômetros num planalto, depois, literalmente, despencamos serra abaixo. De minha parte era a nona vez que percorria esse trecho, assim, poucas coisas poderiam me surpreender. De qualquer maneira, por sorte, o dia estava claro, o pessoal animado e a etapa foi tranquila. O pernoite na Pousada do Sr. Agenor sempre foi agradabilíssimo e desta vez também não foi diferente. No global, um trajeto um tanto penoso pelo atrito que a grande descendência impõe aos nossos pés, mas a certeza da chegada ao objetivo final anima e nos faz esquecer todo dissabor pretérito.