Home‎ > ‎Estrada Real / Cam Velho‎ > ‎

6º dia: CRUZÍLIA à CAXAMBU - 29 quilômetros


6º dia: CRUZÍLIA à CAXAMBU - 29 quilômetros


"Não conheço uma maneira mais agradável de viajar do que caminhando. Você começa quando quer, para quando sente vontade. Olha para a direita, para a esquerda: olha o que interessa. Observa um rio, uma árvore, descansa debaixo da sua sombra. 

Quantos prazeres diferentes se reúnem com esta agradável maneira de viajar. Sem mencionar que fortalece a saúde e o humor. Quando você quer chegar pode usar uma condução, mas quando você quer viajar, então você tem que ir a pé!" (J.J. Rousseau)



Trecho com a maior parte de estradas boas e acessíveis, poucos mata-burros e poucas subidas e descidas. Na parte inicial, há muitas fazendas. Por isso, é comum encontrar animais na pista. Os primeiros bandeirantes que chegaram à última década do 

século XVII, nas terras onde se localizam Baependi, teriam chamado o lugar de Maependi, que em tupi significa “clareira na mata”, em provável referência ao acesso aberto junto ao Rio Grande para facilitar a passagem dos desbravadores. De Baependi a 

Caxambu são 6 km de estrada de terra esburacada e toda plana. O trecho termina em Caxambu, que tem como principal atrativo as fontes de água minerais descobertas em 1814, que tornaram a cidade famosa em todo o país. Por lá, em 1748, foi erguido o 

templo dedicado a Nossa Senhora dos Remédios. Em torno dele se constituiu a sede da cidade. O Parque das Águas de Caxambu, com doze fontes, é um dos mais completos balneários do país. (Fonte: 

http://www.institutoestradareal.com.br/roteiros/velho/39)





A jornada desse dia, embora de razoável dimensão, não me preocupava tanto quanto a anterior, pois sabia de relatos de outros caminhantes que ela continha bastante sombra.

Qual seja, teria bastante proteção contra os raios solares que, como no dia anterior, também seriam intensos.

Assim, me levantei no horário costumeiro, tomei um copo de café preto que o porteiro noturno gentilmente preparou para mim e, às 5 h 30 min, dei início a minha aventura.

Eu segui em direção à rodovia BR-383 que corta toda a cidade e, quando a acessei, segui rumo ao Circuito das Águas.

Dois quilômetros adiante, bem defronte ao prédio que abriga a empresa Laticínios Supremo, observando à sinalização, adentrei à direita e segui por uma estrada vicinal de piso asfáltico, em péssima conservação, contendo muitos buracos.


Caminho plano, situado entre campos de pastagens.

Transitei algum tempo por bairros periféricos, contudo, 1.000 metros à frente eu, finalmente, adentrei em uma estrada de terra que seguiu sempre entre duas cercas que delimitavam imensas pastagens.

Parei para bater uma foto e percebi que não calçara minhas luvas naquele dia.


Clima fresco porque o sol ainda não nasceu.

Lembrei, então, que as deixara secando no dia anterior no parapeito da janela e me esquecera de vesti-las de manhã, algo inusitado, porque sempre faço uma rigorosa checagem no ambiente, antes de sair.

Paciência, pensei, afinal eu já estava a 3 quilômetros da Pousada e ficaria oneroso, em termos físicos, retornar para buscá-las.


O sol ameaça dar o ar da graça,

Bem, ainda não era nem 6 h 15 min, mas o sol já dava mostras que nasceria em breve.


Quaresmeiras floridas..

Num sítio próximo, junto a uma mata nativa, observei alguns pés de quaresmeira em plena florada.


Nessa bifurcação, segui à direita. Vide o totem da ER.

Nesse trecho também encontrei muitos eucaliptos a ladear a estrada, deixando o ambiente refrescante e perfumado.


À direita, entrada para a Fazenda Charco.

Seis quilômetros vencidos, passei diante da entrada para a famosa Fazenda Charco, cuja área total de 300 ha é toda voltada para produção do leite em exploração intensiva, sistema “Compost Barn”, utilizando silagem de milho, aveia e feno.

Seu rebanho é holandês, totalizando 350 cabeças, nas variedades: vermelha e branca (80%) e preta e branca (20%).

O plantel é todo registrado com o prefixo EMIELE, possui controle leiteiro oficial e classificação para tipo.


Começam a surgir os abençoados eucaliptos.

Atualmente, conta com 150 vacas em lactação, que produzem uma média de 35 kg vaca/dia.

Especializado, desde 1976, na criação e seleção de gado holandês vermelho e branco, o Sítio do Charco é referência na criação desta variedade no Brasil.

Em reconhecimento a este trabalho, essa propriedade conquistou por duas vezes o título de CRIADOR MASTER, concedido pela Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais.

Prosseguindo, mil metros adiante, passei em frente ao Haras Barão de Alfenas, outro portento e referencial na região, em termos criação do Cavalo Mangalarga Marchador.


À esquerda, entrada para o Haras Barão de Alfenas.

O caminho seguiu agradável e silencioso, cujo sossego só era quebrado, de quando em vez, pela passagem de algum motociclista, rumo ao seu trabalho campestre.


Muita sombra nesse trecho.

São momentos como o que eu vivenciava, plenos de introspecção, tranquilidade, que nos contatam com a natureza, e se tornam inesquecíveis em nossa memória.


Caminho belíssimo nessa etapa.

Sem maiores atropelos, curtindo cada curva do caminho, externando orações, agradecendo o Criador por locais tão belos, fui superando os obstáculos.


Mais sombra. O peregrino agradece!

E no décimo quilômetro acabei por desaguar numa larga estrada onde, se fosse à direita, acessaria a rodovia Fernão Dias.


Trecho sombreado e silencioso.

Mas, acompanhando à sinalização, girei à esquerda, e prossegui em leve descenso, por locais arejados, protegidos por uma grande ala de eucaliptos e mata nativa.


Um pequeno ascenso, o único dessa etapa.

Depois seguiu-se um ascenso razoável, que culminou numa estrada larga e plana, por onde segui sem pressa, curtindo o fantástico visual.


Entorno verdejante.

Em alguns locais, flores adornavam a estrada, deixando tudo mais alegre e colorido.


Flores e árvores à beira do caminho.

Em determinado local, fiz uma pausa para fotos, hidratação e ingestão de uma barra de cereais.


Caminho deserto e plano.

Recuperado, prossegui adiante até o 12º quilômetro, onde um totem me orientava adentrar à direita, numa senda estreita onde, inclusive, carros não podem trafegar pela existência de muitas valas e assoreamentos no solo.


12º quilômetro: entrada à direita.

A estrada seguiu levemente ascendente, depois foi engolida pela mata e se afundou numa imensa vala, de onde sair seria impossível, visto que, em alguns locais, as paredes laterais medem mais de 4 metros.


Os barrancos laterais começam a crescer.

A grande altura dos paredões laterais, cobertos por musgos e outros pequenos vegetais, denunciava que essa estrada teve grande movimento no passado, significando ela se gastou, assim como as cavas, por não ter capeamento.

A terra do chão foi embora aos poucos, nos cascos das mulas e nas rodas dos carros de boi.


Trilha situada em meio a grande cava.

Num momento reflexivo, fiquei a pensar sobre as atividades e o tempo despendido para que essa cova se formasse.

Por aqui passaram, com certeza, milhares de pessoas, principalmente escravos que construíram esta estrada, que perderam suas vidas nela, os tropeiros que se utilizaram dela, que sofreram, sorriram, trabalharam e viveram histórias aqui.

Tratava-se de um momento único esse que vivenciei ali, podendo visualizar, ainda que em pensamentos, homens cansados, andando à minha frente, puxando seus animais carregados, na dura lida pela sobrevivência.

Mais abaixo, a cava ficou maior ainda e a temperatura caiu sensivelmente, sob a proteção da mata.

Uns quatro metros a minha frente, uma cobra marrom, de um metro, mais ou menos, atravessou rápida a trilha, fazendo-me redobrar o cuidado ao caminhar.

Esse tramo é longo, ao redor de 2.700 metros, e é praticamente impossível safar-se de seu interior.

Árvore caída na trilha.

Se eu encontrasse algum animal ou ofídio nesse intermeio, possivelmente, eu teria que forçar a passagem ou então retroagir ao início da trilha.

Em alguns locais, tendo em vista que a estrada é em descenso, a força das águas provocou imensas crateras no piso.


Outra árvore que desabou..

Ademais, existem árvores cujas raízes foram solapadas pelo tempo e acabaram por ruir sobre a trilha, quase obstruindo a passagem de pessoas.

Mais abaixo, em determinado trecho, o lado direito se nivelou a um imenso cafezal, que descia a ladeira e se estendia até onde minha visão permitia enxergar.


Nesse trecho me encontrei com um grande cafezal do lado direito.

Logo depois, no entanto, voltei a mergulhar na “cava” situada novamente entre grandes paredões.


Depois voltei a mergulhar na mata.

Em algum momento, o sol se escondeu detrás de nuvens, deixando o ambiente fantasmagórico e plúmbeo, e eu, solitário, precisei reunir coragem para seguir adiante.


Local fantasmagórico...

Eu caminhava contemplando as paredes, plenas de raízes de árvores, algo inusitado para mim, ao mesmo tempo que prestava atenção onde pisava, pois o chão estava coberto de varas e galhos de árvores.

Infelizmente, algumas delas poderia esconder outra cobra, e eu temia um encontro dessa natureza, por isso, a todo momento, eu clamava pela proteção de São Bento.


As paredes laterais são altas e não permitem a saída do caminhante.

Na verdade, a sensação que tomou conta de mim, naquele momento, era uma mistura de temor, alegria, prazer e apreensão.


Erosão no piso e nas laterais.

Fiquei a maginar as viagens que esses homens faziam, o trabalho deles, a dificuldade ao se depararem com inúmeros obstáculos à sua frente.

Fossem eles bandeirantes, tropeiros, ou simples viajantes a se utilizarem desses caminhos. 


Muito verde e umidade.

Sentia-me orgulhoso de poder estar ali, de alguma forma fazendo parte dessa história, depois de tanto tempo, revivendo os episódios que marcaram o início da formação do nosso País.


Enfim, saída em local arejado.

Bem, mais adiante, ultrapassados mais alguns obstáculos, acabei por sair num local aberto e arejado.


Depois voltei a mergulhar no interior da mata.

Prosseguindo, uns duzentos metros depois, voltei a adentrar em nova cava que, certamente, era continuação da anterior, embora, desta vez, suas paredes estivem com alturas bem menos imponentes.


Seguindo pelo asfalto em direção à Baependi/MG.

Vencidos 15 quilômetros, eu atravessei a rodovia BR-267 e, já do lado oposto, após ultrapassar uma rotatória, segui caminhando por uma pista vicinal em direção à cidade de Baependi, distante 3 quilômetros daquele marco.

Foi um percurso duro, pelo piso asfáltico, e perigoso, pois essa via não possui acostamento e suas laterais estavam com mato alto, dificultando o acesso de pedestres, como no meu caso, quando um veículo vinha em minha direção, ou cruzava com outro próximo a mim.




Vencido esse tramo, me reencontrei com as setas amarelas, azuis e verdes que norteiam o peregrino do Caminho dos Anjos, roteiro que eu havia percorrido em junho/julho de 2014.

Então, como já conhecia o trajeto derradeiro, relaxei e segui adiante, sem maiores dúvidas em termos de rumo.


Igreja matriz de Baependi/MG.

Mais tarde, já sob sol forte, adentrei ao centro de Baependi e fiz uma visita a sua igreja matriz, dedicada à Nossa Senhora de Monteserrat, uma construção datada de 1754.


Contendo um rico acervo, sua mistura de estilos barroco e rococó, é a única do gênero no Brasil, tendo sido considerada Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Depois, como bom cristão e renitente peregrino, fui visitar o Santuário de Nhá Chica, onde pude orar diante da imagem da Beata e de seu túmulo.


Santuário de Nhá Chica, em Baependi/MG.

Atualmente a cidade de Baependi também tem atraído muitos peregrinos ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como Igreja de Nhá Chica, considerada um patrimônio espiritual da cidade.

A religiosidade tem destaque, dando foco a Francisca de Paula de Jesus, carinhosamente chamada de NHÁ CHICA, filha de mãe escrava e, supostamente, senhor branco.

Perdeu sua mãe aos dez anos de idade, e teve que enfrentar a vida junto com seu irmão de 12 anos, sob os cuidados de Nossa Senhora.




Era analfabeta, não aprendeu a ler e escrever, e das escrituras sagradas ela só conheceu, porque alguém ia ler para ela e, mesmo assim, ela detinha grande sabedoria.

Nunca se casou, e dedicou sua vida integralmente aos pobres, dando conselhos a todas as pessoas que a procuravam. Comerciantes e homens de negócios iam conversar com ela e ouvir seus conselhos, sendo que muitos a consideravam uma santa e não tomavam decisões sem antes consultá-la.

Nhá Chica era uma senhora que tinha dons de clarividência, a quem muitos iam pedir orientações, porém ela não se considerava santificada, dizia que apenas rezava com muita fé.


Santuário de Nhá Chica, em Baependi/MG. Livro de visitas.

Falecida em 1895, aos 87 anos de idade, sua beatificação aconteceu no dia 4 de maio de 2013, em Baependi, numa cerimônia presidida pelo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o cardeal Ângelo Amato, representante da Santa Sé, que anunciou a data de 14 de junho como a festa litúrgica em memória de Nhá Chica.

Desta forma, Nhá Chica se tornou a primeira leiga e negra brasileira a ser declarada beata pela Igreja Católica.

Finda minha visitação ao Santuário, retornei ao centro da cidade e ali prossegui pela rua Dr. Manoel Joaquim, por onde discorre o roteiro da Estrada Real.




Quinhentos metros depois, num trevo, tomei à esquerda e logo reencontrei os totens da Estrada Real e os marcos do C.R.E.R, pois nesse trecho os 2 caminhos seguem o mesmo itinerário.


Trecho do caminho localizado entre Baependi e Caxambu/MG

Em alguns trechos sequentes, a mata se enlaçava sobre a estrada, produzindo verdadeiros túneis de vegetação, um presente ao peregrino já exaurido pela longa marcha.


Trecho do caminho localizado entre Baependi e Caxambu/MG

Depois de cinco quilômetros vencidos, iniciou-se o asfalto e, sobre ele, prossegui em zona urbana, transitando por bairros periféricos.

Seguindo as orientações da planilha que portava, e sem maiores dificuldades, aportei à Pousada Águas de Caxambu, uma construção moderna, situada a dois quarteiros da entrada do Parque das Águas da cidade.

Ali, por R$60,00, pude desfrutar de um quarto individual confortável, com todas as comodidades que um caminhante moderno merece, inclusive, TV de tela plana.

Para almoçar, utilizei os serviços do restaurante Coreto, situado próximo dali, o qual recomendo com efusão.

No local, pude ingerir uma comida de qualidade e excelente sabor, servida no sistema Self-Service, por R$35,00 o kg.

Depois do farto repasto, retornei ao local de pernoite para descansar.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

As virtudes das águas de Caxambu foram essenciais para o surgimento da cidade.

Em 1674 a bandeira comandada por Lourenço Castanho Tazques alcançou o sopé de um morro de nome "Cachambum", vencendo os índios Cataguases e empurrando-os para o oeste.

Passaram desapercebidos pelas fontes que, embora muito bem escondidas na densa mata, denunciavam sua presença pela fertilidade daquelas terras.

É difícil estabelecer quando elas foram efetivamente descobertas, mas o certo é que foram achadas aos poucos, muitas vezes por acaso.

Uma data significativa é 1748, com a construção, por Estácio da Silva, de uma capela homenageando Nossa Senhora dos Remédios, fazendo crer que ele possa ter experimentado as qualidades de alguma fonte.

Seja como for, o pequeno e espalhado povoado, pertencente à freguesia de Baependi, passaria mais tarde a ser chamado de Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu.

Duas fazendas (das Palmeiras e Caxambu) existiam nas redondezas em 1814, e provavelmente seus funcionários tenham se deparado com algumas fontes.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Após beberem da água - e constatarem seu sabor estranho - deram origem aos rumores que se espalharam por toda a região.

Em 1841 o lugar já era bastante visitado por pessoas acometidas das mais diversas enfermidades como reumatismo, lepra, cegueira e até mesmo loucura.

Temendo a contaminação, o juiz de Baependi determinou a retirada de todos.

Somente em 1844 surgiram as primeiras construções, quando Felício Germano Mafra desbravou o matagal, descobriu três novas fontes, e executou benfeitorias para que os enfermos pudessem aproveitar melhor as águas.

Mafra foi encarregado desta tarefa por Antônio de Oliveira Arruda, fazendeiro de Barra Mansa, que teve sua esposa curada pelas águas de Caxambu.

Mesmo com as melhorias, o desenvolvimento do lugar era demasiado lento e ainda não se viam casas nos arredores das minas até 1852.

Visitas ilustres chegaram em 1868, nada mais que a Família Imperial do Brasil.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Vieram da Corte, sabedores das magníficas qualidades das águas do lugarejo, onde permaneceram por um mês.

Dom Pedro II, dona Leopoldina, o duque de Saxe, a princesa Isabel e seu marido conde D' Eu, batizam algumas fontes do Parque das águas.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Após tratamento, a princesa Isabel, que sofria de anemia, engravidou e, como gratidão, mandou erigir a igreja de Santa Isabel de Hungria.

Contudo, nem os hóspedes imperiais conseguiram motivar o crescimento de Caxambu.

A situação só começou a mudar em 1875, com a abertura de concessão para a exploração das minas.




A Companhia das águas Minerais de Caxambu, organizada em 1886, pelo Dr. Policarpo Viotti, realizou importantes obras como captação das águas, drenagem, construção do balneário e casas para aluguel, cuja concessão foi transferida em 1890 para o conselheiro Francisco de Paula Mayrink.

As propriedades medicinais das fontes de Caxambu foram estudadas em 1893 por uma comissão de químicos e médicos da Academia Nacional de Medicina.

Caxambu floresceu no início do século XX, pois possuía estação de trem, hotel, se emancipou de Baependi e, a partir daí, se tornou um dos principais pontos turísticos de Minas Gerais, junto às demais cidades do Circuito das Águas.



Parque das Águas de Caxambu/MG.

Recebeu visitantes influentes, como o jurista e político Rui Barbosa, que declarou: "Caxambu é um jardim de florescência deslumbrante".

O município espalhou a fama milagrosa de suas fontes pelo mundo e, para se ter uma ideia, em 1922 existiam permanentemente na cidade oito orquestras, contratadas exclusivamente para alegrar os hotéis e cassinos.

As águas passaram a ser engarrafadas sem contato manual e exportadas em 1956.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Mais tarde, após um bom cochilo, fui visitar o Parque das Águas de Caxambu, instalado numa área de 210.000 m2.

Ali encontrei bosques, lagos, quadras esportivas, pista de cooper, pedalinhos, piscina de água mineral corrente e um agradável Balneário Hidroterápico, que oferece banhos carbogasosos e de imersão, sauna, duchas e massagens.

As águas jorram de 12 fontes, cada uma delas com sua indicação terapêutica apropriada.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Eu ingeri o precioso líquido em todas elas, sendo que uma das mais famosas é a Fonte D. Isabel/Conde D’Eu, de onde jorra água mineral bicarbonatada, alcalina terrosa cálcica, alcalino terrosa magnesiana, ferruginosa, carbogasosa, fluoretada e radioativa.

Que é indicada como tônico geral, com ação antianêmica, bem como para casos de debilidade do organismo e astenia, vez que além de ferruginosa, ela possui radioatividade e outras riquezas como o magnésio, cálcio, flúor, sílica e estrôncio, tornando-se um verdadeiro alimento vivo.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Outra, também muito procurada, é a Fonte Dom Pedro, a mais antiga e simbólica do Parque das Águas, que possui interessante construção em estilo greco-romano, sendo um dos cartões-postais da cidade.

Sua captação ocorreu em meados do séc. XIX, e o pavilhão atual, de inspiração neoclássica, foi construído no início dos anos 60.

O prédio em que ela se encontra possui cúpula apoiada por pilastras grossas, não tendo paredes, e em seu interior, encontra-se uma réplica da coroa que pertenceu a Dom Pedro.

Atualmente, ela é considerada a mais importante do Parque pelo seu engarrafamento e venda comercial, tratando-se de uma de água mineral carbogasosa, bicarbonatada, alcalina terrosa, fluoretada, radioativa forte e altamente gasosa, sendo apropriada como água de mesa, por sua natureza digestiva.


Parque das Águas de Caxambu/MG.

Por isso mesmo, ela é indicada como estímulo à digestão, para as dispepsias e digestões lentas e insuficientes, estimulante do apetite, e sua forte radioatividade purifica o sistema hepatorrenal, diluindo a bile e a urina, além de facilitar a expulsão de resíduos da vesícula biliar e das vias urinária.

Em determinado momento principiou a garoar e como eu estava sem a capa de chuva, resolvi retornar ao local de pernoite.

Antes, ainda dei uma passada no Damódromo da cidade, onde pude disputar e ganhar algumas partidas.


Damódramo de Caxambu/MG.

Como de praxe, à noite ingeri um frugal lanche e logo fui dormir, pois a intempérie seguiu constante e, em alguns momentos, na forma de temporal.


AVALIAÇÃO PESSOAL
Uma etapa de média extensão, e sem variações topográficas importantes. Com certeza, foi essa a etapa mais bela das 7 que vivenciei nessa jornada, porque em quase todo o trajeto existe exuberante vegetação ornando e sombreando as laterais da estrada. Ademais, a passagem pela “cava” antes da cidade de Baependi, nos remete há mais de 300 anos, algo histórico e inusitado. No global, uma etapa fácil e plena de atrativos como, por exemplo, as visitas ao templo de Nhá Chica e ao Parque de Águas de Caxambu.


RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Cruzília, em Cruzília/MG, até a Pousada Águas de Caxambu, em Caxambu/MG: 6 h 15 min;

Clima: frio e nublado de manhã; depois das 6 h 30 min, calor e sol forte até o final da jornada.

Pernoite na Pousada Águas de Caxambu: Apartamento individual – Excelente! – Preço: R$60,00.

Almoço no Restaurante Coreto: Excelente – Preço: R$35,00 o kg, no Self-Service.


 ‎VOLTAR   -   7º dia: CAXAMBU à SÃO LOURENÇO – 28 quilômetros