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2º dia: ALTO DA LAGOINHA ao MORRO DE SÃO JOSÉ ao ALTO DA LAGOINHA – 13 quilômetros


2º dia: ALTO DA LAGOINHA ao MORRO DE SÃO JOSÉ ao ALTO DA LAGOINHA – 13 quilômetros


"A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento." (Albert Einstein)


Alto da Lagoinha - 365 metros de altitude.

Contato: Edson (75) 3544-6105;

Pessoas maravilhosas e muito acolhedoras.

Você irá dormir 2 noites nesse povoado.

Dois dedos” de prosa, na porta da rua, com as pessoas simples desse povoado: Nota 10.

Saber sobre o Sr. Gregório, figura símbolo do Caminho da Paz, que faleceu em 2004.

(Transcrito do folheto informativo que o peregrino recebe na Pousada do Bosque, em Amargosa, início do Caminho)


Morrinho de São José – 610 metros de altitude.

Até Morrinho de São José são 6,5 quilômetros. Subida forte. Deixar as mochilas no Alto da Lagoinha.

Pegar a chave da Capela com o Sr. Edson.

Coloque sua pedra, no monte de pedras, com o seu pedido de paz. Assim fazem todos os peregrinos. Um grande momento para Meditação.

Retornar para o Alto da Lagoinha. Total 13 quilômetros.

(Transcrito do folheto informativo que o peregrino recebe na Pousada do Bosque, em Amargosa, início do Caminho)


A jornada desse dia se afigurava mais como um passeio, do que uma etapa completa.

Ademais, não carregaríamos nosso equipamento principal, pois levamos apenas uma pequena mochila de ataque, contendo água e chocolate para um frugal lanche.

Dessa forma, tomamos, sem pressa e com muita prosa na mesa, o café da manhã preparado pela Dona Damiana.

Deixamos calmamente o vilarejo até a placa em que, seguindo em frente, iríamos a Mutuípe, destino do dia seguinte; pela direita, daríamos ao Morro de São José, nossa meta do dia.


Nessa bifurcação, seguimos à direita, em direção ao Morrinho de São José.

Uns duzentos metros depois, numa bifurcação, observamos a sinalização, deixamos a estrada principal e seguimos à direita, em franco descenso.

A chuva que dera uma trégua na madrugada voltou, forçando-me a vestir a capa protetora.


Debaixo de chuva, com a Marlene seguindo na frente.

A Marlene, como não levara a capa de chuva, socorreu-se com seu anoraque à prova d'água.


Visão do belíssimo vale situado do lado direito do Caminho.

Nesse primeiro trecho, fomos ultrapassados por vários trabalhadores montados em suas motocicletas, dirigindo-se ao trabalho.


Trabalhador, seguindo para a colheita do cacau, com seu jegue e respectivos panicuns.

Mais abaixo, deparamos-nos com um trabalhador montado num jegue, em cujo dorso iam pendurados dois panicuns (balaios), que seriam utilizados para o transporte do cacau.

Trocamos algumas palavras com o simpático jovem.

Depois cada um seguiu seu destino.

Em todo o caminho, encontramos inúmeras plantações de cacaueiros com frutos de todas as colorações, com ênfase para o amarelo, indicação de maturação e de que está no momento de ser colhido.


Um cacaueiro, com vários frutos, de variadas colorações.

O cacaueiro, da família Malvaceae, dá o fruto chamado cacau.

Sua origem é a América do Sul.

Atinge entre 4 a 8 metros de altura e possui duas fases de produção: temporão (março a agosto) e safra (setembro a fevereiro), sendo ele a principal matéria-prima do chocolate, através da moagem das suas amêndoas secas, em processo industrial ou caseiro, sendo que outros subprodutos dele incluem sua polpa, suco, geleia, destilados finos e sorvete.

Em 1758, o botânico sueco Carlos Linneo chamou a planta de Theobroma cacao L, que significa “Manjar dos deuses”, talvez, inspirado em toda a simbologia que envolvia o cultivo do cacau.

O cacaueiro tem folhas longas que nascem avermelhadas e logo ficam de um verde intenso, medindo até 30 cm.


A polpa existente no interior do cacau. (Créditos: Marlene Araújo Arruda)

Seus frutos também podem medir até 30 cm de comprimento, apresentando coloração verde, vermelha ou amarronzada, cores que tendem ao amarelo, quando amadurecidos.

No interior do fruto são encontradas de 20 a 50 sementes recobertas por uma polpa branca e adocicada, fixadas em uma placenta com as mesmas características.

A flor do cacau tem cinco pétalas e é polinizada por pequenos insetos, ao longo de todo o ano.

Entre a polinização e o amadurecimento do fruto decorrem cerca de 180 dias.

Os botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais e originando três grupos importantes: Criollo, Forastero e Trinitário.

O cacau é cultivado em cerca de 17 milhões de hectares em todo o mundo.

A produção somada de Costa do Marfim e Gana representa 60 por cento da oferta global.


Em ascenso, giro à direita.

Depois de ultrapassar pequeno riacho por uma ponte, principiamos a ascender em direção ao topo do morro.


Ascenso úmido e liso. Detalhe da flecha amarela, no piso da estrada.

As ladeiras não são tão íngremes, de forma que mantivemos um ritmo confortável, enquanto seguíamos conversando e fotografando a paisagem circundante.


Muito verde no morro situado no outro lado do vale.

Transitamos diante de várias casas, todas habitadas por pessoas humildes, mas simpáticas e educadas com os viajantes e forasteiros, como nosso caso.


Visão à nossa retaguarda, mostrando os locais por onde viéramos caminhando.

De quando em vez, quando o entorno se abria, volvíamos nossos olhos para a retaguarda e, ao fotografar, podíamos avaliar nosso progresso montanha acima.


Nesse local, adentramos à direita, passando por um quebra-corpo.

Depois de caminhar 6 quilômetros, observando a sinalização, dobramos à direita, atravessamos um quebra-corpo instalado junto a uma porteira, e seguimos em leve descenso.

Logo passamos diante da casa do Sr. Genílson, proprietário das terras onde está instalada a capela de São José.


No Morrinho de São José, com o Genilson, que reside próximo dali.

Ele, gentilmente acompanhou-nos até o alto do morro onde foi construída a ermida, cuja manutenção está a seu cargo.

Depois que batemos algumas fotos juntos, ele retornou ao seu trabalho.

Como a chave da igrejinha estava comigo, abri sua porta e adentramos ao local de oração.


Morrinho de São José, interior da igrejinha.

Foi bem a tempo, pois a chuva voltou com força, deixando tudo integralmente nublado.

Nada podia ser visto a 50 metros.

Assim que ela cessou, uma brisa soprou a cerração do entorno, mostrando, ante nossos extasiados olhos, a magnífica vista que se tem dali de cima.


Nossa visão, desde o Morrinho de São José.

Pudemos, então, caminhar pelos arredores e fotografar a espetacular paisagem que, do alto, divisávamos.


Morrinho de São José, local situado a 610 m de altitude.

Estávamos a 610 metros de altitude, e nossa visibilidade se estendia até horizonte sem fim.

Aproveitei, ainda, para me dirigir ao interior da capelinha, onde pude meditar alguns minutos, além de externar minhas orações.

Em seguida, cumpri também o ritual de depositar uma pedra no monte que fica ao lado da ermida.


Cruzeiro fincado abaixo e defronte ao Morrinho de São José.

Seguindo as orientações do Sr. Genílson, descemos por um caminho matoso e, a uns cem metros abaixo, encontramos um cruzeiro fincado no solo, próximo de uma singela capelinha, erigida em devoção à Nossa Senhora de Fátima.


Capelinha erigida em devoção à Nossa Senhora de Fátima.

O interessante é que ela está inserta numa pequena gruta natural, propiciada pela formação rochosa, de forma que fica muito bem protegida e a salvo de intempéries.


Outra visão do cruzeiro, fincado diante do Morrinho de São José.

Fiz uma pausa para reflexão, orações e fotos do local,

Retornei até a Capela de São José, para uma última visita.


Pedrinhas deixadas pelos peregrinos no Morrinho de São José.

Finda esta, fechei as portas da singela construção e iniciamos a viagem de retorno.

Quando passamos diante da casa do Sr. Genílson, ele e sua esposa, num gesto de cortesia e hospitalidade, convidaram-nos para entrar em seu quintal.

Ali nos ofereceu frutas e espigas de milho assadas no fogão a lenha.

Passamos um tempo ali ingerindo bananas, laranjas, mangas, enquanto conversávamos com sua esposa, a Maura.


O Genílson nos recebeu em sua residência, com frutas e muito carinho.

Saciados e agradecidos, despedimos-nos do simpático casal e reiniciamos nosso regresso.


Retornando para Alto da Lagoinha, visão do que nos faltava vencer, desde o alto do morro.

Que foi muito tranquilo e prazeroso, porque feito sempre em contínuo e benfazejo descenso.


Quase chegando em Alto da Lagoinha.

Por volta das 11 horas, estávamos de volta ao Alto da Lagoinha.

Pontualmente, ao meio dia, almoçamos, na casa de Dona Damiana.

À noite, a Marlene e eu fizemos nossa derradeira visita ao bar de Dona Maria.

Ali, além de fotos, pudemos confraternizar e nos despedir do pessoal, já que partiríamos bem cedo na manhã seguinte.


Em Alto da Lagoinha, no bar de Dona Maria, bebemorando com os novos amigos.

Após o brinde final e cumprimentos efusivos, retornamos a casa de Dona Damiana para jantar.

Depois da gostosa refeição, segui para o meu quarto, com o intuito de providenciar a necessária arrumação da mochila e dormir.

Lá fora a chuva retornara com força e embalou meu sono a noite toda.

A diária em Alto da Lagoinha, incluso o café da manhã, almoço e jantar, ficou em R$100,00/dia, para cada peregrino.


Depoimento da Marlene, no Livro de Visitas, que fica sob a guarda do Sr. Edson, em Alto da Lagoinha.

Quando a pessoa se torna peregrina, dispõe-se ao mundo e às pessoas. Sai pelos caminhos e descobre que o mundo é muito maior do que imagina, que existem pessoas maravilhosas por onde quer que se vá.

Já fiz vários outros caminhos e me dispus a vir à Bahia para uma experiência diferente, porque também vim com um companheiro com o qual nunca tinha andado, o Sr. Oswaldo Buzzo.

Os papos pelas estradas, o relevo do sobe e desce, os cacaueiros pelos caminhos, o encontro com os moradores vai provando que a vida é maravilhosa, que não há nada que impeça a paz entre os homens.

Na Lagoinha, ou melhor, na casa de Damiana, senti-me em casa. Papo gostoso, gente como a gente. Conversei muito com a Juliana que, tenho certeza, será uma excelente profissional na área da psicologia.

Amanhã sairei daqui com vontade de voltar. Ver de novo a igreja de São José lá no alto do morro.

Abraços a todos!”

17/07/2015 - Marlene Araújo Arruda – Campinas/SP”

(Transcrito do Livro de Visitas de Peregrinos de Alto de Lagoinha, que fica sob a guarda do Sr. Édson)


Igrejinha situada no Morrinho de São José.

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de pequena extensão, mas com uma longa ladeira a ser vencida até o topo do morro. Sempre em meio a muito verde, sob um clima fresco e arejado. A visão que se descortina do cume da montanha é de “encher os olhos”, tal a extensão do horizonte que nos é ofertada. A capelinha proporciona um belo momento para oração e reflexão. Acredito que essa etapa, apesar de sua pouca extensão, não deve ser suprimida ou desprezada pelo peregrino, quando da elaboração de seu cronograma de viagem.


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