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2º dia - TREKKING EM URUBICI



2º dia - TREKKING EM URUBICI


Mais um dia amanhece em Bom Jardim da Serra

No dia seguinte tomamos um reforçado e saboroso café da manhã no hotel, depois ficamos no aguardo do taxista que havíamos contratado e que nos levaria até Urubici, distante 72 quilômetros.


O Perdiz e o motorista, o Sr. Remi, aguardando eu e a Celina.

Pontualmente no horário aprazado, o Sr. Remi estacionou o seu automóvel, onde embarcamos todos e prosseguimos pela rodovia SC-390 em direção à cidade de São Joaquim.

Trinta minutos depois, numa bifurcação, ele tomou à direita e seguiu pela rodovia SC-416, agora rumo ao norte.


Cachoeira do Avencal, inserta em forte neblina.

Uns cinco quilômetros antes de aportarmos ao nosso destino, ele fez uma parada no mirante do Avencal para que pudéssemos, ainda que de longe, admirar a beleza da cachoeira homônima.

Ela está situada no Morro do Avencal, possui 100 metros de queda livre, e é muito frequentada por praticantes de rapel.


O vale onde se encontra a cachoeira estava tomado por forte nebulosidade.

Seu nome deriva da avenca, vegetação comum na região, sendo possível chegar de carro à parte de cima da queda d'água e a pé à parte de baixo, mas é preciso ter calçados apropriados e tomar cuidado com as pedras escorregadias.

Ela fica ao lado das famosas inscrições rupestres ali existentes e que foram deixadas por povos que habitaram a região há pelo menos 4.000 anos, sem dúvida, um dos mais importantes registros arqueológicos em território catarinense.

Presume-se que esses povos considerassem sagrado esse local onde destaca-se a imagem perfeita de um rosto, a "Máscara do Guardião", que deve ser procurada atentamente pelo visitante.


Paisagem da serra do Avencal, quase chegando à Urubici/SC

Todo o cânion estava tomado por forte neblina, de forma que pudemos apenas fotografar todo o vale que cerca esse lugar mágico, ainda que a distância.

Prosseguindo, logo aportamos em zona urbana e nos dirigimos à sede do Parque Nacional de São Joaquim, localizada próximo ao Banco do Brasil e o Urubici Park Hotel, e atende todos os dias em horário comercial.

Ocorre que desde fins de 2013, a visitação ao Morro da Igreja é controlada, precisando obter antecipadamente uma permissão, que é concedida nessa repartição.



Esse documento não tem custo e nos foi concedida em minutos, junto com algumas instruções de visitação ao parque.

Na verdade, a medida tem por objetivo restringir o acesso excessivo de turistas, principalmente em feriados prolongados, quando a pequena e estreita estrada de acesso a essa procurada atração acaba ficando congestionada e não há lugar para estacionar junto ao mirante situado no alto do morro.



A HISTÓRIA DE URUBICI

Por marcar a história de várias civilizações, Urubici exibe, até hoje, a passagem de seus primeiros habitantes. São sinais registrados em pedras há pelo menos 40 séculos, comparável às inscrições encontradas em alguns outros pontos do litoral catarinense. Segundo historiadores, o ano de 1711 é data base para Urubici, quando dom João V ordena que os jesuítas procurem minas e catequizem índios até o Rio Caçadores. Com essa missão, os padres José Mascarenhas e Luís de Albuquerque traçam marcos na região - marcos do Maranhão até Laguna, a considerada "região do ouro". O primeiro marco foi colocado no Morro Pelado (comando indígena), o segundo no Morro da Mala (onde moravam os padres) e o terceiro no Morro do Panelão (onde ficavam as tropas que carregariam o ouro). Conta-se que grande porção do ouro foi enterrada nas rochas pelos jesuítas. Os índios, na maioria tupi-guarani, foram catequizados em grupos e já eram remanescentes de outras regiões.


Uma das mais bonitas, charmosas e diferentes igrejas existentes em Urubici/SC.

Conta-se que existem mapas em originais e cópias, nunca vistos. Urubici registrava um pinheiral espantoso, um "mar de pinheiros", e em outras regiões, não em todas, alguns banhados, com sumidouros de animais e pessoas não orientadas. Alguns índios já conheciam missionários e orientavam jesuítas pelas andanças. Padre Luís relata que, ao fincar uma grande cruz no dia 1º março, ela mergulhou no pântano, mais de um metro, sem nenhuma força. Em cada marco, foi plantada uma cruz jesuítica, com ramos amarrados na altura de Cristo. Nos anais do livro 12 Jesuítas no Estado de Santa Catarina (Biblioteca dos Jesuítas do Rio de Janeiro), além desse relatório, existe o seguinte:

Os jesuítas (que na opinião de muitos eram homens comuns com vestes de padres) levavam pessoas em cargueiros para acamparem e ficarem acampadas nas regiões por onde andavam. No planalto, acamparam doze homens com cavalos, fora os dois padres que comandavam a pesquisa. Balaios cheios de artefatos indígenas eram levados continuamente de volta à missão no Morro do Pelado de onde eram levados para o Rio. Com eles, ia um bugreiro, Samuel Kupll, que preparava o chão da missão e fazia o marco; Manuel Sampaio que era cuidador de tropas; os guapos que a cavalo iam pela região, com Liro Santo, Caetano Matoso e outros.”


Cartaz mostrando a localização do Morro da Igreja e da Serra do Corvo Branco, para onde iríamos seguir.

O município era habitado por índios xoclengues quando os primeiros colonizadores de origem europeia, vindos de Tubarão, São Joaquim e Bom Jesus, chegaram na região. Os novos habitantes logo expulsaram os índios, cujos vestígios ainda podem ser encontrados as e inscrições rupestres espalhadas por todo o território, convidando turistas e pesquisadores a visitarem a região. De 1903 a 1911, imigrantes agricultores e madeireiros fixam-se na região.

Em 1924, sabendo da fertilidade no solo do vale do Rio Canoas, chegaram, à região, imigrantes italianos, alemães e letões, que tornaram, a agricultura e pecuária, as principais atividades econômicas da região.9

Localizada no fértil Vale do Rio Canoas, Urubici, a Terra das Hortaliças, é o maior produtor de hortifrutigranjeiros de Santa Catarina. Também se destaca pelo cultivo de maçã, especialmente com a variedade gala, considerada a melhor de toda a região serrana. Outro aspecto importante é o cultivo de erva-mate, produto básico do tradicional chimarrão, e apreciado nos países do Mercosul. Com paisagens muitas vezes comparada à Europa.


A avenida principal da cidade de Urubici.

A diversidade do relevo fez de Urubici ("pássaro brilhante" no idioma xokleng, tribo que habitava a região) um dos paraísos do turismo de aventura no país. Programas do gênero não faltam. Pode-se fazer descida de rapel nas cachoeiras e paredões, canoagem em um dos rios da região - há dezenas deles -, cavalgadas por caminhos deslumbrantes e caminhadas por trilhas com variados graus de dificuldade. Lugar para saltos de asa delta e parapente também não faltam. Até uma modalidade recentemente chegada ao país, o arvorismo - travessia por trilhas suspensas interligando as copas das árvores -, já pode ser praticada na cidade. O cenário para liberar a adrenalina não poderia ser mais encantador - afinal, não é por acaso que Urubici ganhou o merecido apelido de "Terra de Tesouros". A cidade oferece paisagens inesquecíveis como a vista da Pedra Furada a partir do Morro da Igreja ou cascatas como a do Avencal e a Véu de Noiva, duas entre nada menos que 82 quedas de água catalogadas no território do município.

Fonte: Wikipédia


VISITA AO MORRO DA IGREJA


Um cartaz revelador e, ao mesmo tempo, assustador em termos de temperatura negativa.

Após deixarmos a cidade, prosseguimos ainda de táxi pela rodovia SC-439, que segue em direção à cidade de Grão Pará.

Depois de 14 quilômetros percorridos, entramos à direita, e ainda viajamos mais 15 quilômetros em acentuado aclive, por uma estradinha asfaltada que necessita urgentemente de manutenção em seu leito, face à quantidade de buracos e valas nela existentes.

Localizado a 29 quilômetros do centro de Urubici, o morro sedia uma base da aeronáutica (Cindacta II), que controla o espaço aéreo de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.


Cartaz explicativo fincado no Morro da Igreja.

Aos visitantes é permitido passar a primeira porteira, que geralmente encontra-se aberta, mas não têm permissão para entrar na área da aeronáutica, a partir da segunda porteira, que permanece fechada e com segurança em tempo integral.

O Morro da Igreja é o ponto habitado mais alto do sul do Brasil, sendo que ali foi registrada, extraoficialmente, a temperatura mais fria do país - 17,8 graus negativos, em 29 de junho de 1996.

O vento intermitente dá a sensação de frio ainda mais intenso, e em todos os invernos há, invariavelmente, ocorrência de neve.

É um passeio imperdível e de fácil acesso quando o tempo está bom, pois a subida ao morro é asfaltada.


No famoso Morro da Igreja, diante da Pedra Furada, cartão postal de Urubici, a cidade mais fria do Brasil.

Dali, a exatos 1.822 metros de altitude, foi possível observar o vale e as escarpas do Parque Nacional de São Joaquim, além da maravilhosa Pedra Furada, uma escultura natural com uma fenda de 30 metros de circunferência na rocha, de interessante formação, que se assemelha a uma grande janela natural.


Curtindo mais uma conquista, com a Pedra Furada ao fundo.

Especificamente, sobre essa atração turística, existem muitas lendas sobre os tesouros que foram enterrados ao seu lado, e de tempos em tempos ouvem-se histórias na região, dando conta de que alguém encontrou um cofre, caixa ou arca com ouro em suas imediações, pois na época das madeireiras era muito comum as pessoas guardarem em buracos, sob a terra, suas pequenas fortunas.

Mas, certamente a lenda mais antiga sobre tesouros é a dos Padres Jesuítas, que teriam escondido quarenta cargueiros de ouro e prata em frente à janela furada, antes de serem expulsos pelos índios.


Visão imorredoura do horizonte, a 1822 m de altitude.

Após demorada visita pelo local, onde aproveitamos para fazer fotos e observar a fantástica paisagem que se delineava a nossa frente, retornamos pela mesma estradinha até a rodovia SC-439.

Ali apanhamos nossas mochilas, fizemos os acertos monetários com o motorista do táxi e, então, enquanto ele retornava em direção à Urubici, nós tomamos rumo inverso, pois seguimos caminhando em direção à Serra do Corvo Branco.


NOSSA CAMINHADA


Logo no início de nossa caminhada, uma placa avisa sobre a interdição da estrada na Serra do Corvo Branco.

Meu relógio marcava 11 horas, o calor estava infernal e o sol crestava com vigor no céu azul que, de quando em vez nublava, vaticinando que à tarde teríamos tempestade, como de fato ocorreu.

O Perdiz e a Celina optaram por seguir num passo mais tranquilo, então prossegui solitário adiante, em meu ritmo normal de caminhante.

Por sinal, eu levara bastante roupa de frio, pois entendia que encontraríamos baixa temperatura na serra, o que acabou não ocorrendo.

Assim, minha mochila estava pesando ao redor de 10 quilos e meu desempenho foi bastante prejudicado nesse trecho.


Estrada com pouco trânsito e sempre entre belas paisagens.

A estrada seguiu entre grandes fazendas, onde o forte é a criação de gado europeu e carneiros, além de casinhas coloniais de madeira com jardins floridos e de grama impecavelmente bem aparada.


Paisagens verdes e preservadas, para qualquer lado que se olhe.

Para qualquer lado que eu olhasse, sempre via surgir a exuberante natureza que, nesse trecho, está integralmente preservada.


Uma dos inúmeros macieirais que avistei nesse trecho.

Passei também diante de inúmeros macieirais, onde os pés se encontravam carregados de frutas maduras, pois estávamos em plena safra.

Em vários locais pude observar trabalhadores fazendo a colheira desse saboroso fruto, e o forte é a variedade gala, considerada a melhor de toda a região serrana.


Igrejinha localizado no bairro São Pedro.

Mais à frente, passei diante de uma igrejinha localizada no bairro de São Pedro e, logo depois, fiz uma pausa diante de um monumento que celebra o asfaltamento desse primeiro trecho da rodovia.


Parada estratégica para descanso e hidratação.

Mais alguns quilômetros e o asfalto findou, dando início a uma estrada cascalhada, onde o trânsito se encontra interrompido, por conta de obras na pista, com vista ao asfaltamento do restante dessa rodovia, inclusive, o trecho que vai do pico da Serra do Corvo Branco até a cidade de Grão Pará.


Fim do asfalto e início do trecho em pavimentação.

Mais quatro quilômetros vencidos, eu encontrei uma bifurcação, onde uma placa informava que a Pousada e Albergue Rio Canoas, local de nosso pernoite naquele dia, ficava à esquerda.


Aqui, seguindo as indicações, eu deixei a rodovia e segui à esquerda.

Segui, então, por mais 3 quilômetros por uma estradinha deserta, situada em meio a muito verde, tendo o rio Canoas, uma belíssima e encorpada via líquida, correndo pelo meu lado esquerdo.


Rio Canoas, um belíssimo curso d'água, que acompanhou nosso trekking nesse dia.

Nesse trecho, transitei entre imensas fazendas de gado e imponentes residências tendo, como pano de fundo, imensas serras cobertas por luxuriantes vegetações.


Estradinha plana, situada em meio a muitas fazendas, em direção ao Albergue Rio Canoas.

Finalmente, após vencer 18 quilômetros em bom ritmo, aportei no Refúgio, sendo recebido por Dona Marli, que me encaminhou às acomodações ali existentes.


Finalmente, depois de 18 quilômetros sofridos, quase chegando..

Mais tarde chegaram o Perdiz e a Celina, também extremamente fatigados, em vista do sol ardente que, como eu, enfrentaram nesse magnífico trajeto derradeiro.


Em frente ao Albergue de Rio Canoas que, infelizmente, nos decepcionou em termos monetários.

Nos alojamos num local bastante amplo, onde existem 7 beliches e 2 banheiros.


Albergue em Rio Canoas, local onde pernoitamos depois de partirmos de Urubici.

Havia ainda uma sala com fogão a lenha, além de uma cozinha completa, com fogão a gás, geladeira e utensílios domésticos.

Nós pretendíamos pernoitar 2 vezes nesse local e no dia seguinte empreender uma caminhada até o Cânion Espraiado.

Ocorre que o responsável pela empresa Expedições Corvo Branco, que nos guiaria nessa empreitada, não se encontrava no local e nem se sabia quando ou se ele retornaria.


Enquanto o jantar não fica pronto no albergue de Rio Canoas, o Perdiz e a amiga Celina debatem os próximos Caminhos. Com o cão Capeto de prontidão!

O local onde está localizado o Refúgio é de expressiva beleza, porém, mais um fator pesou em nossa decisão de ir embora no dia seguinte: os salgados preços que ali são cobrados.

Nós tivemos que desembolsar R$115,00 cada um, pelo pouso, uma refeição e o café da manhã, para dormir num espaço compartilhado.


O entorno do albergue é belo e pleno de tranquilidade.

Portanto, esse albergue não se apresta a peregrinos ou mochileiros de plantão, por praticar valores fora da realidade desse grupo.

À guiza de comparação, diria que no Caminho da Fé, em Andradas, um pernoite em apartamento individual no luxuoso Hotel Palace, englobado com duas refeições e mais o café da manhã não sai por mais de R$80,00.

Assim, em consenso, decidimos que na manhã sequente iríamos descer a Serra do Corvo Branco e caminhar até a cidade de Grão Pará, num percurso de aproximadamente 33 quilômetros.


Uma forte tempestade se aproxima: hora de dormir.

Isto resolvido, fomos jantar, depois logo nos recolhemos, pois iniciou forte tempestade com ventos e trovões, que seguiu noite adentro.