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3 – SANTA BRANCA a PARAIBUNA – 38 quilômetros


3 – SANTA BRANCA a PARAIBUNA – 38 quilômetros

"Fica estabelecida a possibilidade de sonhar coisas impossíveis e de caminhar livremente em direção aos sonhos." (Montaigne)


Placa existente na porta de saída do Hotel, que fiz questão de fotografar.

A jornada apresentava-se desafiadora, por conta de sua grande extensão.

Dessa forma, resolvemos sair bem cedo e às 5 horas, depois de ingerir um café quente e saboroso, gentilmente preparado pelo porteiro noturno do hotel, deixamos o local de pernoite e seguimos por ruas frias e silenciosas da povoação.

Em ascenso, passamos diante da igreja matriz da cidade, acessamos uma via lateral, muito bem sinalizada e logo prosseguimos pela Avenida Santa Luzia que, mais à frente, se transformou na rodovia Carvalho Pinto, sempre sobre asfalto.

Quando se findou a iluminação urbana, eu liguei minha potente lanterna de mão e prosseguimos sem maiores problemas.

Estava ainda tudo muito escuro quando, quatro quilômetros adiante, numa bifurcação, adentramos à direita, e passamos a transitar, definitivamente, sobre terra.

Caminhávamos no cimo de um morro e o trajeto sequente foi sempre em agradável descenso, enquanto o dia lentamente clareava.


Trecho plano e extremamente hidratado.

A estrada, com piso socado, mostrava um entorno nebuloso e hidratado, por onde seguimos animados.

Em determinado marco, 8 quilômetros vencidos, a Sônia foi ficando à minha retaguarda e eu pude caminhar em meu ritmo, a sós, com meus próprios pensamentos e orações.


Paisagens maravilhosas, trechos inesquecíveis...

A tônica nesse trecho foi também extensas fazendas com imensos rebanhos de gado leiteiro.

Em algumas delas, as vacas estavam sendo ordenhadas no curral e o mugido dos bezerros famintos era intenso.

Galos cantavam ao longe, cães ladravam à distância e pássaros errantes voavam pelo céu em busca de alimento.

Em determinados trechos, passei por matas nativas, onde o ar era puríssimo.

Depois, já no plano, se iniciaram imensos retões, a perder de vista.


Nesse trecho, o caminho é retilíneo, a perder de vista..

Em determinados sítios, vi casas abandonadas, algumas em ruínas, onde o silêncio imperava em toda a sua plenitude.

Isto porque, normalmente, aqueles que residem no campo têm animais como cães e aves, e o barulho é certo nas imediações.


Dia nublado. Prosseguem os retões...

Sons que eu não ouvia enquanto transitava pelas residências vazias, algumas com mato até o teto.

Depois de vencer, aproximadamente, 14 quilômetros, passei diante de uma placa que me informava ter eu já caminhado 60 quilômetros.


Ultrapassando os 60 quilômetros..

Houve, então, um pequeno ascenso, depois retornaram os caminhos retilíneos.

Foi esse, sem dúvida, um dos trechos mais preciosos da jornada, pois transitei por locais ermos e silenciosos.


Trecho ermo e silencioso..

Extensas pastagens me rodeavam e um riozinho murmurante me acompanhou o tempo todo pelo lado esquerdo.

O sol, já no alto, clareava o ambiente, mas seus brilho era ofuscado por uma grossa camada de nuvens.


Clima fresco e caminho plano.

Ainda assim, seu calor irradiava energia e a neblina se encontrava em franca ascensão, deixando o ambiente claro e arejado.


Ao longe, a neblina em suspensão em direção ao firmamento..

Em determinados locais, podia ver a cerração, ao longe, em suspensão, em direção ao firmamento.

E depois de 15 quilômetros vencidos, num local amplo e com total vistas do horizonte, fiz uma pausa para hidratação e ingestão de uma banana.

A Sônia, perfazendo uma surpreendente jornada de superação, logo me alcançou e prosseguimos juntos no trecho sequente.


Ao longe e à esquerda, o portal de acesso à Fazenda São José.

Mais adiante, passamos diante de um majestoso portal que dá acesso à magnífica Fazenda São José.

Então, o caminho fez uma curva para a esquerda e o trajeto passou a ser em franco descenso.

A estrada continha algumas pedras alocadas no seu leito e eu, embora preocupado em não tropeçar, observava 4 imensas serras que descortinavam do meu lado direito, todas abrigando extensas plantações de eucaliptos.


Descendendo forte em piso pedregoso.

O visual era espetacular, pena que por conta da posição do sol naquele momento, não consegui fotografá-las.

O trecho sequente me surpreendeu, pois passamos a caminhar entre bosques e extensos eucaliptais.

Em alguns locais árvores estavam sendo derrubadas e serradas.


Caminhando entre eucaliptos e mata nativa. Trecho agradável e fresco.

Por conta do transporte da madeira, encontramos algum tráfego de caminhões nesse trecho.

Um riacho serpeante nos acompanhou o tempo todo nesse trajeto e por pontes, algumas precárias, o atravessamos diversas vezes.


Trajeto agradável e sombreado.

Em determinado local, encontramos uma estranha construção localizada do lado direito da estrada, composta por 5 torres cimentadas, em total abandono.


Construções estranhas e abandonadas...

Cismo que eram antigos silos, utilizados para a estocagem de grãos, mas não pude confirmar tal afirmação.

Quando passamos a caminhar por um trecho aberto, já encontramos bastante tráfego que seguia em direção ao bairro São Germano.

Dali já conseguíamos observar, ao longe, a rodovia dos Tamoios, que segue em direção a Caraguatatuba.


Caminho sem sombras, mas de excelsa beleza nesse intermeio.

O trecho final, quase todo urbano, exigiu bastante esforço de nossa parte, porque nele enfrentamos dois grandes ascensos.

O sol estava a pino num céu azul e sem nuvens, e o calor e a poeira já se faziam insuportáveis.


Caminho em ascenso, sob sol forte e céu azul.

Diga-se de passagem, a peregrina Sônia me surpreendeu pelo seu invejável condicionamento físico, vez que embora estejamos praticamente na mesma faixa etária, e ela fosse debutante em caminhos, mostrou garra e disposição em toda a jornada, dignos de elogios.


Outro ascenso, sem sombras, no trecho derradeiro.

O trecho final, em franco descenso e por uma movimentada rodovia, nos levou, finalmente, à cidade de Paraibuna, nossa meta para aquele dia.

Ali obtivemos informações e logo adentrávamos ao Hotel Santinho, onde nos hospedamos nesse dia.

Nele, paguei R$70,00 por um quarto individual, onde também não apreciei as dependências.

O local mostrou-se limpo e arejado, mas suas instalações são minúsculas e apertadas, até para mim, que possuo estatura mediana, que dirá para alguém com altura e volume mais arrojados.

Para almoçar, utilizamos os serviços do excelente restaurante “De Mãe para Filha”, onde ingeri farta e deliciosa refeição.

Nele paguei R$29,99 o quilo da refeição, servida no sistema Self-Service.


Igreja matriz de Paraibuna/SP.

Paraibuna foi fundada pelos bandeirantes em 1666, no dia 13 de junho – data na qual se comemora o aniversário da cidade. Até o início do século 20, era conhecida como "Celeiro do Vale do Paraíba", devido à produção de café, milho, feijão e aos rebanhos de gado leiteiro.

A origem do nome Parahybuna é de origem indígena, formado por PARA (água), HYB (rio) e UNA (preta).

Logo, a palavra PARAIBUNA significa "Rio de Água Escura".

De 1830 a 1870, o município chegou a ser um dos maiores produtores de café, cana-de-açúcar e algodão do Vale do Paraíba, tendo nesses produtos suas principais riquezas econômicas na época.

Hoje, a cidade busca novas possibilidades para o seu desenvolvimento turístico com o uso da represa de Paraibuna, fomentando atividades recreativas e educacionais, em especial educação e conscientização ambiental, tais como: atividades de Turismo Rural, Ecológico, Náutico, Gastronômico e Histórico.


Casas da época colonial, devidamente preservadas..

Com pouco mais de 18 mil habitantes, de acordo com o IBGE, a cidade está cercada por rios, montanhas e belas paisagens, atraindo visitantes de várias regiões do país e do exterior, que vêm à cidade para desfrutar de suas belezas naturais e degustar a tradicional gastronomia do município, com destaque para o famoso "Afogado" – prato típico regional.

Além de chamar a atenção pela sua culinária típica, Paraibuna também se destaca pela prática de esportes voltados ao turismo, como “mountain bike”, “trekking” (caminhadas em trilhas), esportes náuticos, turismo rural, entre outros.

A represa de Paraibuna é uma atração à parte! São 760 km para navegação, um espelho d'água de 230 km², com águas cristalinas e um total de 204 ilhas. Quem visita a represa usufrui de muito lazer e divertimento, em um ambiente paradisíaco, ideal para a prática de esportes náuticos, dentre eles: esqui aquático, “wake-board”, barco a vela, canoagem, etc.

Os passeios de lancha e jet-ski também estão entre as opções de lazer.

Para os apaixonados pela pesca, uma ótima opção são os pesqueiros, que oferecem variedade de serviços e de peixes, tais como tilápias, lambaris, carpas, pacus, piabas, entre outras espécies.

População atual: 18 mil habitantes.

Suas principais atrações são: Casarões Coloniais, Fonte da Bica D´Água, Igreja Matriz de Santo Antônio, Lago da Barragem (Represa de Paraibuna), Mercado Municipal, Mirante do Cruzeiro, Morro do Remédio e Parque Municipal Dr. Rui Calazans de Araújo (Trilha do Fundão).


Igreja matriz de Paraibuna/SP e praça central da cidade, sob outro ângulo.

À tarde, após um necessário e reparador descanso, fomos visitar e fotografar a maravilhosa igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é Santo Antônio.

A inauguração oficial do templo ocorreu em 7 de setembro de 1886, e a torre que hoje se ergue em seu frontal, teve iniciada sua construção por volta de 1904.


Interior da belíssima Igreja matriz de Paraibuna/SP.

No seu estilo original de construção, em “ TAIPA ” (construção à base de barro pilado), ela permaneceu até por volta de 1954, quando teve início uma reforma geral, financiada pelos paroquianos.

Quanto à sua parte interna, nela foi retratada em esplendor, precisamente no teto, por meio de afrescos, a vida de Santo Antônio, o patrono da cidade.

Uma verdadeira obra-prima, executada pelo pintor Álvaro Pereira.


A famosa Fonte da Bica D'Água.

Depois, demos um extenso giro pelo centro da cidade, cujas construções, em arquitetura colonial barroca do período cafeeiro, estão integralmente preservadas e com pintura recente.

Fiz ainda, por conta própria, uma visita ao Largo da Bica, onde teve início o primitivo aglomerado urbano, e pude fotografar a Fonte da Bica D´Água.

A fonte ali existente está muito bem preservada e representa um mergulho no passado desse simpático município, um dos mais vetustos no Estado de São Paulo.


Um pôr do sol mágico nesse dia, que assisti desde a janela do meu quarto.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Hotel e Restaurante Santa Branca, localizado em Santa Branca/SP, até o Hotel Santinho, localizado em Paraibuna/SP: 7 h 41 min

Clima: frio e neblinoso de manhã, ensolarado, após as 9 horas, com temperatura variando entre 13 e 23 graus.

Pernoite no Hotel Santinho – Apartamento individual razoável – Preço: R$70,00 - (Casal: R$130,00)

Almoço no Restaurante “De Mãe para Filha” - Excelente! – Preço: R$29,99 o Kg, no sistema Self-Service.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de grande extensão, porém, pontuada de locais belos, arejados e verdejantes. Sem dúvida, uma das mais bonitas de toda a Rota da Luz. Embora tenhamos enfrentado uma perene ascensão na metade do trajeto, foi a parte final que mais exigiu denodo e paciência, por conta do sol forte e expressivo tráfego de veículos, mormente no trecho em terra. No global, uma etapa de grande superação física, mas a cidade de Paraibuna me surpreendeu positivamente por sua beleza, prédios históricos preservados e pela educação e respeito com que o seu povo trata os visitantes.