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2º dia: BOM REPOUSO/MG a ESTIVA/MG - 25 quilômetros


2º dia: BOM REPOUSO/MG a ESTIVA/MG - 25 quilômetros


"Uma montanha é o melhor remédio para uma mente perturbada. Raramente o homem reflete sobre sua própria insignificância. Ele acha que é mestre em todas as coisas. Ele acha que o mundo é seu. Nada pode estar mais distante da verdade. Só quando ele vagueia sozinho nas montanhas, em comunhão com a natureza, observando outras criaturas insignificantes como ele e indiferentes a sua presença, ele desperta para sua curta presença na terra." (Finis Mitchell)


Nossa Senhora Aparecida, a vossa benção e proteção em minha jornada!

Não seria uma jornada de grande extensão, mas o sol estava crestando para valer depois das 10 horas.

Assim, como de praxe, levantei bem cedo e às 4 h 45 min deixei o local de pernoite e dei inicio a jornada daquele memorável dia.

Observando cuidadosamente o traçado disponibilizado pelo aplicativo Wikiloc que levava gravado em meu aparelho celular, eu segui em direção ao Santuário de Nossa Senhora das Graças.

Então, ainda sob o conforto da iluminação urbana, eu contornei o morro onde está fincada a imagem da Mãe da Medalha Milagrosa e logo acessei uma estrada de terra, por onde segui em forte ascenso, com minha lanterna de mão ligada.


Caminho fresco e ainda em ascenso.

No topo da elevação eu atingi 1482 m de altitude, a maior altimetria dessa etapa.

Depois, segui em descenso por um bom tempo, atravessei uma ponte sobre o rio Moji-Guaçu e, após 5 quilômetros percorridos, transitei pelo bairro dos Bentos.

Ali tudo estava silencioso, deserto e uma forte nebulosidade “vestia” o entorno.


Igrejinha situada no bairro dos Bentos.

Calmamente, fotografei uma belíssima capela que ali existe, depois segui adiante.

O trecho sequente foi de expressiva beleza e praticamente ermo, pois não avistei pessoas ou residências à beira da estrada.


Trecho com bastante cerração no entorno.

O clima estava úmido e frio, excelente para caminhar.

A neblina prosseguia forte, mas eu sabia que quando ela se dissipasse o sol brilharia com vigor.


Uma capelinha solitária, situada num cruzamento de estradas.

Vencidos 8 quilômetros em bom ritmo, passei pelo bairro do Pinhalzinho, onde observei várias crianças aguardando o ônibus que as levaria para a escola em Estiva.

No trecho sequente fui parado em três oportunidades por pessoas curiosas em saber o meu destino.


Outro trecho espetacular...

Todos estranharam eu caminhar solitário, mas, sempre sorridente, lhes explicava que íamos em 5, pois além de mim, seguiam Deus, Nossa Senhora, meu Anjo da Guarda e os Espíritos Benfazejos.


Muita vegetação nativa no entorno.. trecho belíssimo!

Percorridos 10 quilômetros sem maiores dificuldades, eu desaguei na rodovia que liga Bom Repouso à cidade de Estiva e por ela segui mais mil metros, sempre em desabalado descenso.

Então, observando cuidadosamente o traçado gravado em meu aparelho celular, eu adentrei à esquerda, numa estrada de terra, ainda em forte declive.


Capela situada no bairro Pinhal I.

Logo passei diante da igreja de Nossa Aparecida onde uma faixa me avisava que eu estava transitando pela comunidade do bairro Pinhal I.

Uns quinhentos metros abaixo eu girei à direita, ultrapassei o rio Mandu por uma ponte e principiei a ascender.

Primeiramente, sem grandes dificuldades, porém, pouco mais adiante, o ascenso se empinou rispidamente.


Em forte ascenso por locais ermos e silenciosos.

Além da dificuldade em prosseguir, encontrei muito barro nesse trecho, por conta das chuvas recentes, bem como porque seu piso fora nivelado por um trator há pouco tempo.

Porém, já no topo da serra, quando a estrada se aplainou, passei a caminhar pelas faldas da montanha, com amplas visões de todo o entorno.


Visão desde o topo do morro.

Foi esse o trecho mais belo de todo o percurso, porque não encontrei vivalma e não avistei nenhuma residência construída nas imediações.

Tinha como companhia, apenas, gado equino e bovino que estavam esparramados pelas pastagens que me rodeavam.


Caminhando solitário pelas faldas da montanha.

O sol brilhava forte num céu azul e sem nuvens, onde inúmeras espécies de aves se movimentavam pelo firmamento, com destaque para os gaviões e urubus.

Encontrei ainda nesse intermeio muitos pés de araucárias, espécie que prolifera em locais situados a mais de mil metros de altitude.

E eu estava a quase 1.400 m de altura.


Caminhando em direção ao ponto de maior altimetria desse trecho.

Finalmente, após ultrapassar um grande cercado construído para abrigar o gado leiteiro, principiei a descender.

Eu seguia por uma trilha bem definida, situada ao lado de uma cerca de arame farpado, porém, em determinado local, o roteiro inserto em meu aparelho celular me intimou a girar à direita.

Inutilmente, busquei algum quebra corpo ou porteira, contudo não encontrei passagem.

Creio que se isto havia anteriormente, fora obstruída pelo atual proprietário daquelas terras.


Início do descenso. Locais desabitados e silenciosos...

A solução foi jogar minha mochila para o outro lado pela via aérea, depois, com extremo cuidado, encontrei um espaço para transpor os fios de arame.

A sequência foi descender, sem tréguas, por trilhas matosas e escorregadias, situadas em locais integralmente desertos.

Num desses espaços, onde o declive era forte e liso, “caiu a minha ficha”, pois notei que se algo me ocorresse ali, teria dificuldade de encontrar auxílio, em face de ninguém residir nas imediações.


Um descenso pronunciado e perigoso.

Assim, prossegui observando cuidadosamente onde punha meus pés, pois uma queda era iminente e, se ela ocorresse, me seria fatal.

Por sorte, uns dois quilômetros abaixo, passei diante da sede de uma fazenda, depois, ainda em descenso, encontrei várias plantações de morango, onde pessoas se movimentavam na colheita do fruto.


O descenso prossegue sem tréguas...

A declividade prosseguiu sem tréguas, indefinidamente e, em alguns locais, encontrei a estrada bastante escorregadia.

E observando a minha retaguarda podia avistar a extensa cadeia montanhosa de onde eu descendera.


Observando à minha retaguarda, podia ver a montanha de onde eu descendera.

Dessa forma, caminhei sem pressa e com extremo cuidado até, finalmente, atingir um planalto.

E por ele prossegui ainda por uns 4 quilômetros até atingir a zona urbana.


No final, caminhando num planalto..

O sol queimava sem dó, num límpido céu azul, quando aportei à Pousada do Poka, local onde fiquei hospedado em Estiva.

Ali, por R$60,00 pude dispor de um excelente e aconchegante quarto individual.

Para almoçar utilizei os serviços do Restaurante Mãe Geralda, onde, por R$15,00, pode-se comer à vontade no sistema self-service.


Igreja matriz de Estiva/MG.

À tarde, após merecido descanso, passei quase uma hora em oração na igreja matriz da cidade, agradecendo sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida, pelo sucesso na jornada daquele dia.


Interior da igreja matriz de Estiva/MG.

Por sinal, quando eu estava no templo, teve início a reza de um terço, patrocinado por senhoras de uma comunidade local, e pude participar do agradável evento.


Interior da igreja matriz de Estiva/MG, cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida.

À noite, quando lanchava na Padaria localizada ao lado da Pousada em que me hospedara, tive o prazer de conhecer e confraternizar com alguns caminhantes residentes em Brasília, que percorriam o Caminho da Fé, com destaque para o peregrino Igor, um jovem extremamente simpático.


Confraternizando com 2 peregrinos do Caminho da Fé, ambos de Brasília. O de óculos é o Igor.

Também, tive a alegria de reencontrar e cumprimentar o sr. Poka, proprietário da pousada onde eu estava hospedado, um amigo de longa data, que esbanja simpatia e amabilidade.


Com o simpático Sr. Poka, o proprietário da pousada onde pernoitei em Estiva/MG.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Nossa Senhora das Graças, localizada na cidade de Bom Repouso/MG, até a Pousada do Poka, em Estiva/MG: 5 h 30 min

Hospedagem em Estiva: Pousada do Poka – Ótima! Preço: R$60,00 por um excelente quarto individual. Também recomendo esse local, com calor, pela qualidade e simpatia com que o peregrino é ali tratado!

Almoço no Restaurante Mãe Geralda - Excelente! – Preço: R$15,00, podendo-se comer à vontade, no sistema self-service.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa de média extensão e também permeada de alterações altimétricas. Como na jornada anterior, também vislumbrei belíssimas paisagens e transitei por locais ermos e silenciosos. A “cereja do bolo” que desfrutei nessa jornada, foi o trecho que percorri pelo alto da serra, onde só avistei árvores, pastagens, gado equino e bovino, alén de pássaros. No global, um trajeto de razoável dificuldade, mas de grande plasticidade paisagística.

Para baixar o registro dessa etapa no Wikiloc, acesse: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=20083402