3º dia: CRAVINHOS a SÃO SIMÃO - 32 quilômetros


3º dia: CRAVINHOS a SÃO SIMÃO - 32 quilômetros


"Peçamos a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a "mãe amável, a mãe querida" do nosso Brasil que interceda por cada um de nós e pelo nosso povo para que, seguindo os seus passos, possamos ir ao encontro daquele que nos espera de "braços abertos", o Cristo Redentor, o Filho de Maria."


Eu já conhecia a jornada daquele dia, pois havia tido a oportunidade de percorrê-la em 2010.

No entanto, tendo em vista o tempo decorrido, muitas coisas poderiam ter-se modificado.

A quilometragem a ser vencida era de razoável extensão.

Estávamos num domingo, dia em que os supermercados costumam fechar, no máximo, às 13 horas.

Sopesando todas essas particularidades, resolvi sair às 5 h 45 min, ainda no escuro.

Afinal, o trecho inicial discorria pela cidade, onde eu poderia contar com o beneplácito da iluminação urbana.

No horário previsto, me dirigi à portaria do hotel, no intuito de entregar a chave do quarto, mas ali não avistei vivalma.


Pronto para mais uma jornada de fé.

Eu já ia deixando o estabelecimento, quando encontrei o porteiro noturno que retornava da rua, onde fora buscar o pão que seria servido aos hóspedes.

Gentilmente, ele me fez regressar e insistiu para que eu tomasse o café preto que ele havia preparado, e ainda me segurou um bom tempo para contar casos referentes a peregrinos que ali haviam se hospedado anteriormente.

O senhor Carlos, além de simpático e bom de conversa, sabe cativar os hóspedes, de forma que só consegui partir 15 minutos mais tarde.

E esse interlúdio casual, por incrível que possa parecer, me propiciou vivenciar outra experiência inesperada.

Anteriormente, havia necessidade de retornar, próximo do local onde está afixado o Portal do Caminho da Fé, para se enlaçar novamente no roteiro.

Contudo, atualmente existe um caminho alternativo, devidamente sinalizado, que segue beirando à Via Anhanguera e foi esse que eu tomei.

Duas quadras abaixo, um carro diminuiu a velocidade e seu condutor cordialmente perguntou se eu era peregrino.

Ante minha aquiescência, seguimos conversando, pois ele queria saber minha procedência, quanto tempo levaria para chegar à cidade de Aparecida, se eu estava sozinho, etc..

Contou-me que seu irmão era um caminhante fanático e já fora mais de 8 vezes ao Santuário de Aparecida, a pé, utilizando o roteiro do Caminho da Fé.

Cem metros à frente, ele se despediu dizendo que iria trabalhar, acessou uma rua à direta e eu prossegui em meu périplo.

Quatro quadras adiante, um carro parou numa esquina, seu condutor desceu e ficou a me aguardar.

No lusco fusco da manhã, pois o dia não clareara ainda e eu seguia sob a cambiante iluminação urbana, me alvorocei internamente, afinal, eu estava desacompanhado.

Porém, quando ele veio ao meu encontro, notei paz, benevolência e serenidade em seus olhos, e isto me acalmou.

Disse-me que seu irmão lhe avisara sobre minha presença na cidade, e ele imediatamente largara seus afazeres e viera prestar solidariedade e auxílio naquilo que eu necessitasse.

Curioso, ele quis saber de onde eu saíra, como estava de saúde, se eu precisava de algo, enfim, se colocou integralmente à minha disposição para ajudar.

Respondi-lhe que tudo estava bem comigo, depois conversamos um pouco sobre nossas experiências peregrinas.

Então, ele se despediu com um efusivo aperto de mão, num gesto que tocou fundo e confrangeu meu coração, pois somente quem já foi peregrino, sabe de nossa carência afetiva, ao transitar solitário por terras estranhas, longe do lar e dos familiares.

Confesso que deixei a cidade com os olhos marejados e só então me lembrei que, na emoção do momento, esquecera de perguntar como ele se chamava.

Conformei-me com a falha, posto que não importava seu nome, alguém sempre cruzará nosso caminho, deixando-nos um pouco de si, através de uma mensagem, e levando também um pouco de nossa essência.

Aliás, anjos não precisam ser nominados, vez que todos eles têm o mesmo rosto e nunca nos lembramos de perguntar-lhe o prenome.

Deixo, no entanto, aqui consignado, meu agradecimento sincero a essa nobre alma cravinhense, de quem não esquecerei quando adentrar à Basílica de Aparecida.


No caminho para São Simão: mais um dia amanhecendo!

Eu prossegui ainda em zona urbana por algum tempo, depois, mais abaixo, me enlacei com o ramal que provinha desde Bonfim Paulista, o mesmo por onde eu transitara diante do Portal do Caminho da Fé.

Passei, em seguida, por alguns locais ermos e aos primeiros albores da madrugada, ultrapassei a rodovia SP-328 e segui por uma estrada de terra junto à mesma, até encontrar mais abaixo a via Anhanguera.

Ali, fleti à direita e prossegui por uma estrada vicinal, sempre paralela a essa importantíssima via paulista, no sentido interior-capital. 


No caminho para São Simão: lentamente, o dia amanhece!

O dia ainda não clareara, mas fugia depressa o escuro da noite.

Depois de 5 quilômetros percorridos e com a luz do sol já assomando, o caminho seguiu sempre em meio a extensos terrenos vazios, onde a cana já havia sido ceifada, por estradas bem demarcadas, planas e com ótima conservação em seu leito.
 

A Via Anhanguera segue ao lado nesse trecho.

Dois quilômetros à frente, eu contornei um posto de combustíveis, e prossegui seguindo as flechas amarelas tendo postes de eletricidade a me ladear pelo lado esquerdo.


Caminho sem sombras..

Às 7 h, após 8 quilômetros percorridos, passei ao lado de uma fazenda que se dedica à criação de gado bovino, onde encontrei grandes árvores para me proteger, pois o sol, nascente a pouco, já irradiava calor.


No caminho para São Simão: trecho arejado e entre pastagens.

Após ultrapassar esse oásis, adentrei em campos onde a cana estava alta, de forma que o visual permaneceu estático e monótono, pois eu não detinha visão do entorno.

E seguiram-se novos estirões, ora com cana já colhida de um lado, ora do lado inverso.


Um pouco de água na estrada..

O sol prosseguia seu ciclo e, lentamente, a temperatura que estava ao redor de 8 graus, quando eu deixara o local de pernoite, prosseguia subindo e eu já sentia calor.


Uma mangueira solitária...

Depois de 11 quilômetros caminhados, passei ao lado de uma grande mangueira, uma das raríssimas árvores existentes naquelas paragens, por isso mesmo, um forte ponto de referência nesse trecho.

O percurso permaneceu imutável, sempre plano, mas, em alguns locais, com fazendas de gado no entorno.

Depois retornaram os infindáveis canaviais.


Aqui retornam os canaviais.

Em alguns trechos, encontrei poças de águas na estrada, resquícios das chuvas recentes.


Pastagens no entorno, algo raro nesse trecho.

A paisagem prosseguia belíssima em alguns trechos, mas integralmente silenciosa e solitária, pois não encontrei nenhuma pessoa ou animal nesse tramo.

Então, principiei a descender, agora, novamente, entre espessos canaviais.


Descendendo...

Às 8 h 30 min, depois de vencer 15 quilômetros, ultrapassei um grande cruzamento, diante da Fazenda Santa Ana, onde existem algumas casas margeando a pista, embora a sede esteja situada a 2 quilômetros daquele local.

Um senhor vinha a cavalo pelo lado direito e, quando nos encontramos, trocamos algumas palavras.

Disse-me que ia visitar um compadre e lá almoçaria, afinal, era um domingo.


Cruzamento com a Fazenda Santa Ana: descenso retilíneo.

Quando soube que eu demandava Aparecida, a pé e solitário, demonstrou preocupação, mas desejou-me boa viagem, sob as bençãos da Mãe Maria.

O percurso seguiu imutável, retilíneo e deserto, sempre entre canaviais, num trajeto áspero e sem sombras.

A solidão era a tônica nesse trecho, e lembrei do que lera certa vez sobre o tema, um pensamento do cientista Louis Marcondes, cujo conteúdo concordo plenamente:


A descida prossegue..

“A solidão é uma escola, paradoxa, que da perspectiva que hoje observo, nos permite encontrar a liberdade e a independência emocional. Nos ajuda a arrancar as amarras do apego afetivo e através da introspecção nos permite conhecer a si mesmo. Mas também nos envolve em nosso próprio egoísmo.

Todos precisam de alguém, e no processo do aprendizado e do autoconhecimento em uma fase da vida é crucial o convívio com alguém que o complemente.

Porém, hoje considero adequado o que Nietzsche dizia: "Não me roube a solidão se não me oferecer verdadeira companhia.” 


À frente, uma árvore diferente à beira da trilha.

Mais abaixo, para minha surpresa, cruzei com um automóvel e o condutor me pediu informações sobre uma fazenda situada nas imediações.

Ambos caímos na risada quando lhe confessei minha condição de peregrino, sem meios de auxiliá-lo, por residir distante daquela região.


Ultrapassando a marca dos 500 quilômetros.

Prosseguindo, mais abaixo, transitei diante da placa do Caminho da Fé que me informava restarem 500 quilômetros até Aparecida, minha meta final, e meu coração pulsou jubiloso.

Eu seguia com o fone nos ouvidos, ouvindo música regional em meu radinho de pilha.

O caminho prosseguiu retilíneo e sempre em descenso, embora a paisagem circundante se mantivesse imutável.


Caminho retilíneo e sem sombras.

Na verdade, canaviais e mais canaviais.

Finalmente, depois de 19 quilômetros percorridos, passei a caminhar junto à Via Anhanguera novamente. 

Por um túnel, que também serve de retorno para veículos, ultrapassei sob o asfalto, e prossegui à direita em direção a um posto de combustível.


Viaduto sob a Via Anhanguera.

Ali fiz providencial pausa para ingestão de uma barra de chocolates e hidratação.

Nesse local existe um bar, onde é possível, se necessário, adquirir água e outros víveres.

Porém eu estava prevenido quanto a esses itens e, face ao calor reinante, preferi seguir adiante.

Em sequência, acessei a rodovia que segue em direção à cidade de São Simão, e pelo acostamento, no sentido contrário ao fluxo de veículos, caminhei uns 200 metros. 


Trecho refrescante e sombreado.

Então, observando à sinalização, fleti à direita, atravessei uma cerca de arame através de um quebra-corpo, e prossegui paralelo à rodovia, sob a sombra refrescante de um extenso renque de pinheiros.

O dia seguia lindo, claro e com poucas nuvens quando, depois de um quilômetro, dobrei à direita e prossegui por uma estrada sem sombras e extremamente arenosa, que dificultava sobremaneira meus passos, ainda ladeado por extensos canaviais.


Retornam os canaviais..

Em determinado local, obedecendo à sinalização, eu fleti à esquerda e prossegui em franco descenso.


Em forte descenso...

Mais à frente, depois de mais três quilômetros percorridos, transpus uma porteira, atravessei por dentro de uma bela chácara, onde existe um lago e, sobre o espelho d'água, visualizei um majestoso casal de cisne.

Porém, ali tudo estava solitário e triste, o silêncio era total e também não avistei ninguém circulando pelas imediações.

Sem mais o que ver, fleti à esquerda, atravessei outra porteira, e prossegui por um caminho retilíneo, orlado por árvores baixas.


Caminho retilíneo após a chácara..

Quinhentos metros depois, girei à direita, em direção a um frondoso bosque, enquanto visualizava, ao longe, uma montanha, plena de verde em toda a sua altimetria.

Logo adiante, um rumoroso riacho atravessava um pequeno bosque, local propício para um merecido descanso.

Foi o que fiz, depois de ultrapassá-lo sobre uma graciosa ponte, aproveitando, ainda, para me hidratar e renovar o protetor solar.

Naquele mesmo lugar eu fizera uma pausa em 2010 e foi impossível não reviver as elucubrações que me assomaram a mente, naquela ocasião, as quais reproduzo abaixo:


Trecho gostoso e arborizado, onde fiz uma pausa para meditação sobre o ano de 2010.

“Enquanto ingeria uma maçã debaixo de frondosa árvore, raciocinava que o mês de abril não era o ideal para a realização de uma grande aventura a pé, face à intensidade dos raios solares. Contudo, meu trabalho exige assinatura de ponto diariamente, assim, não disponho de muitas opções para realizar meus sonhos. Com isso, me submeto aos interregnos que me são concedidos.

Nesse contexto, tenho comigo que quando me aposentar, e falta pouco tempo para isso, poderei programar com mais parcimônia minhas caminhadas, direcionando-as para meses em que a atividade solar esteja menos veemente.

Ainda sobre o tema, alguns livros atinentes ao assunto, que já li, sugerem tópicos importantes, mandamentos que pretendo professar, na medida do possível, quando essa nova fase chegar: persiga suas paixões, leia livros de assuntos diferentes, viaje para lugares fora do circuito turístico, siga uma religião ou várias, para entender suas diferenças e semelhanças, etc..

Visto que a “melhor idade” não é apenas uma frase, mas resume um estado de espírito e, com saúde, dinheiro e alegria de viver, é certamente a oportunidade que nos é oferecida de aproveitar tudo o que a vida tem de melhor. Com tempo e sabedoria, obviamente.

Porém, o ato de se aposentar, implica num grande choque emocional, e seu peso está catalogado num patamar elevado, quando se consulta a tabela de nível de estresse. E se a pessoa não estiver preparada para tal evento, pode incorrer em calamidades e decepções.

Assim, o que me conforta a respeito do assunto, é saber que toda catástrofe, fatalmente, gera mudanças. Isto é fato comprovado. Porque o difícil é tomar consciência do que está acontecendo, quando se está no “olho do furacão”.

Creio que foi o filósofo Henri Bergson quem criou essa imagem ao falar sobre a dificuldade de se conceituar o que é existência: é impossível descrever a chuva, ou a neblina, quando estamos no meio delas.

Só conseguimos emitir juízos e avaliações de processos externos ao nosso íntimo, e a existência é o ambiente em que vivemos. Qualquer tentativa de conceituá-la levará ao mesmo erro que cometerá quem, nadando para atravessar um rio caudaloso, tentar elaborar teorias hidráulicas sobre a composição das forças correntes hídricas que o arrastam. Uma vez no rio, é nadar ou nadar.

Inquieto por natureza e praticante de esportes há mais de 40 anos, quero passar longe do clichê do aposentado padrão, qual seja: aquele que veste pijama e do sofá de casa, aguarda a vida passar. Pois, em minha opinião, o maior castigo que uma pessoa pode impingir a si mesma é não encontrar nada para fazer”.



Trecho em ascenso.

Hoje, aposentado há 4 anos, sinto que prossigo honrando meus compromissos de estar sempre em movimento, posto que em meu modo de viver, a passividade ou a preguiça passam longe.

Retemperado, mochila novamente afivelada, segui adiante, agora em ascenso contínuo.

Mas nada abrupto, apenas uma leve declividade, que fui vencendo sem maiores problemas.


Um pé de primavera dá o tom nesse local.

Em determinado local, passei diante de um exuberante pé de primavera integralmente florido e isso me impingiu novo ânimo na jornada.

Prossegui, ainda, por lento e perene aclive, tendo à minha direita, uma bela serra, estupendamente arborizada, com fazendas de criação de gado ao seu redor.

Infelizmente, nesse tramo derradeiro, transitei sempre por locais arejados e sem sombra.

Já no topo do morro, eu girei à direita e prossegui em frente, por outra estrada integralmente reta e levemente descendente.


Quase chegando, caminho retilíneo e sem sombras.

Num trajeto agradável e extremamente solitário, pois encontrei apenas um ciclista residente nas imediações retornando da cidade.

Quase no final do percurso, ladeei um grande bananal e depois de virar bruscamente à esquerda, iniciou-se severa descida que culminou sob a linha férrea.

Após ultrapassá-la sob um viaduto, adentrei em zona urbana, seguindo à beira do asfalto, por um calçadão cimentado, em direção à urbe.


Calçadão lateral, antes de acessar o centro da cidade.

Mais acima, passei ao lado do Ginásio de Esportes da cidade e após trafegar por mais algumas ruas, cheguei ao Hotel São Simão, local onde me hospedei nesse dia.

Ali, por R$48,00, pude dispor de um quarto limpo e arejado.

Para almoçar, utilizei os serviços da Cantina Brasil, onde pude ingerir uma saudável refeição no sistema self-service, por R$33,00 o quilo.


Local onde almocei nesse dia.

São Simão, atualmente com uma população de 15.000 habitantes, chegou a ter 30.000 pessoas no século XIX, tornando-se a segunda maior povoação do estado de São Paulo, à época.

A cidade ainda é conhecida como o “Berço da Proclamação da República”, pois em 31 de janeiro de 1.888, antecipando ao clamor popular, sua Câmara Municipal propunha a extinção da monarquia e anulava a formação do 3º império.

Para se ter uma ideia da importância de sua extensão territorial, no contexto geográfico de seu ápice, ela foi comarca dos seguintes distritos, por sinal, hoje progressistas cidades: Cravinhos, Santa Rosa de Viterbo, Serrana, Sertãozinho, Ribeirão Preto, Pontal, Dumont, Guatapará, Serra Azul, Barrinha, Santa Rita do Passa Quatro e Luiz Antônio.


Igreja Matriz de São Simão.

O município de São Simão, recebeu no século XIX, a visita de Dom Pedro II, e de sua esposa Dona Teresa Cristina Maria de Bourbon.

Ambos desembarcaram na estação ferroviária da época, caminharam pela Rua dos Expedicionários, e depois da caminhada, degustaram doces numa doceria da cidade.

Em face de seu clima privilegiado, por conta das serras que a cercam, e, consequentemente, da água potável e cristalina em abundância, ela está credenciada a ser uma futura estância hidromineral, pois tratativas estão sendo feitas nesse sentido pela sua administração municipal.


Ao longe e ao fundo, o Morro do Cruzeiro.

Olhando a urbe pelo lado oeste, vê-se o imponente morro do Cruzeiro.

Nele se encontra fincado um Cristo Redentor, com 40 metros de altura.

Para se ter uma ideia, ele é 2 metros mais alto que seu homônimo carioca.

Esgotado fisicamente, não tiver pernas para subir até seu topo, mas dizem que a vista que de lá se descortina é exuberante.

Não é à toa, conta uma lenda local, que os antigos moradores sabiam, com bastante antecedência, quando receberiam visitas.


Igreja Matriz de São Simão.

Mais tarde, fui reconferir o local por onde deixaria a cidade na manhã seguinte.

Aproveitei o percurso para fotografar a igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é São Simão Apóstolo, inaugurada em 1892 e construída em estilo eclético.

A imponência da edificação é testemunho do passado glorioso, mas a limpeza e organização da cidade, assim como a amabilidade cativante dos cidadãos, demonstram que a cultura da hospitalidade permanece.

Infelizmente, o templo se encontrava fechado, frustrando minha tentativa de verificar os afrescos de Benedito Calixto e do italiano Cercelli existentes em seu interior.


Portal do Caminho da Fé.

Na praça contígua ao templo, está instalado o Portal do Caminho da Fé, o qual fiz questão de fotografar novamente.

À noite verifiquei que havia um marasmo latente na pacata cidadezinha, com poucas pessoas circulando pelas ruas e o comércio praticamente todo fechado.


Praça central de São Simão.

Por sorte, encontrei um bar aberto onde pude lanchar.

Fazia frio e ventava forte quando fui dormir.

Aliás, o clima é bastante instável na cidade, e as estatísticas provam isso, pois a menor temperatura registrada em São Simão foi de -0,9 °C, em 28 de junho de 2011, e a maior atingiu 40,3 °C, em 16 de outubro de 2014, seguido de 40 °C no dia anterior.


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma etapa de razoável amplitude, com um percurso quase todo plano, porém, praticamente sem sombras. A paisagem chega a ser monótona, pois tirante o finalzinho da jornada, todo feito em meio a infindáveis canaviais, sendo 26 quilômetros em terra e o restante em asfalto. Além disso, existem alguns trechos bastante arenosos, que dificultam sobremaneira o deslocamento do caminhante.