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5º dia: ANGELINA à MAJOR GERCINO - 27 quilômetros


5º dia: ANGELINA à MAJOR GERCINO - 27 quilômetros

Altimetria e distância a ser vencida nessa jornada, capturada pelo peregrino Perdiz no Google Earth.

Como de costume, levantei bem cedo e me preparei para a jornada do dia.

Observando pela janela do quarto, notei que o clima se mantinha fresco e neblinoso, sinal de que novamente teríamos sol forte a partir das 8 horas.

Assim, como já resolvera no dia anterior, ignorei o café da manhã que somente seria servido após as 7 h 30 min, e me alimentei com frutas e uma barra de chocolate.

Mus companheiros resolveram aguardar o desjejum, de forma que partiriam somente às 8 horas.

Isto decidido, deixei o local de pernoite às 6 h 10 min, quando o dia ainda não havia clareado.


Portal de entrada do Convento das freiras franciscanas, onde nos hospedamos em Angelina.

Ao atingir o Portal de Entrada do Convento, espreguicei-me, levantando os braços e respirando profundamente, como que saudando aquele Santuário.

O ar puro e gélido revigorava e oxigenava meu sangue.

Estava pronto e, em forma, para marchar rumo ao destino do dia.

Solitário, reconferi a mochila, apertei a barrigueira e tomei o rumo.


...Então, segui à esquerda por uma estrada calçada por bloquetes e sob o conforto da iluminação urbana..."

Porquanto, sabia que entre o céu e a solidão, há grandes momentos de troca que embelezam a vida.

Então, segui à esquerda por uma estrada calçada por bloquetes e sob o conforto da iluminação urbana.


Nessa bifurcação, segui à esquerda.

Um quilômetro percorrido, encontrei uma bifurcação e, observando a sinalização, segui à esquerda por uma larga e bem compactada estrada de terra.

O dia principiou a clarear e dei conta que quando estou num “Caminho”, raramente perco um nascer do sol, com certeza, um dos momentos mágicos da vida.


Estrada plana, vazia e hidratada.

Nesse trecho inicial encontrei forte cerração e sob esse clima fresco e agradável, segui em bom ritmo e feliz por estar em movimento novamente.


Estrada plana, clima agradável e fresco.

Quatro quilômetros percorridos, passei a margear a Barragem do Garcia, que foi inaugurada em 1963, sendo o primeiro empreendimento da CELESC - Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A, na geração de energia elétrica.

O lago foi formado pela barragem da Usina Hidrelétrica Garcia, inaugurada em 1960 e responsável pelo fornecimento de energia para Florianópolis – a área alagada tem 500.000 m2 e a capacidade de geração da usina é de 9.600 Kw.

A história conta que:


A belíssima Barragem do Garcia.

No ano de 1954 iniciou-se a construção do reservatório para a Usina Garcia I, simultânea a limpeza da área, com a retirada da fauna e da flora; as famílias que lá residiam já haviam sido retiradas anteriormente.

A potência instalada era suficiente para o fornecimento de energia elétrica à região de Florianópolis, assim como o atendimento da demanda em outras zonas do Estado.


Ponte sobre a Barragem do Garcia, para acesso às propriedades localizadas do outro lado.

A instalação de uma Usina, na época, era vista pela população como uma fonte de emprego e renda, pelo contingente de pessoas contratadas para trabalhar na construção, operação e manutenção da Usina. Porém, a população da localidade diminuiu devido às desapropriações e desmantelamento da vila operária - atualmente desabitada - que fora erguida próximo à usina.

Com o término da obra, o leito do rio abaixo da represa quase que secou, causando a interrupção no fluxo migratório dos peixes.


Barragem do Garcia fotografada de outro ângulo.

Além dos efeitos derivados das rápidas mudanças ambientais, ressalta-se os impactos sociais do reservatório: o deslocamento populacional, a indenização paga aos residentes na área alagada, inferior ao preço real, bem como a destruição das relações sociais estabelecidas no lugar, pois boa parte da população que residia na área foi morar em outro lugar.

O lago da Represa da Usina Garcia I não apresenta nenhuma infraestrutura para o lazer, limitado à realização de campeonatos anuais de Jet-Sky.

A pesca com redes e tarrafas é proibida, porém praticada com frequência.

Fonte: http://www.sbpcnet.org.br/


Estrada ainda vazia, com o sol já alto.

O caminho plano e, em alguns trechos, com profundo descenso, seguiu ao lado do maravilhoso rio das Antas, que corria célere pelo meu lado esquerdo.


Locais arborizados e frescos, paisagens inesquecíveis.

No céu, o sol forçou a passagem entre as nuvens e espantou a neblina para fora do caminho.


Nesse trecho, o verde intenso dá o tom à paisagem circundante.

A mata nativa nesse trecho está integralmente preservada, proporcionando um visual magnífico, pleno de muito verde.


Nesse trecho, residências e chácaras ladeiam o caminho.

Em vários trechos, encontrei aglomerações de residências, bem como inúmeras chácaras e pequenas propriedades pertencentes a pessoas que residem em outras cidades.


Paisagens surreais, plenas de muito verde.

Mas, como era um sábado, o trânsito se mostrou bastante expressivo, posto que a estrada não comporta a passagem de mais do que dois veículos, assim eu sempre corria perigo quando dois automóveis se cruzavam.


Uma pequena vila existente no fundo de um vale.

E quanto mais avançava o horário, maior o tráfego de automotivos, tornando minha caminhada perigosa e preocupante, pois não existe espaço destinado ao pedestre nessa rodovia, embora ela seja intermunicipal.


Estrada em descenso, com sombra em alguns trechos.

Compensava, no entanto, o visual do entorno, pleno do verde em todas as suas tonalidades, pois trata-se de área de preservação ambiental.


Uma das inúmeras pontes pênseis que visualizei nesse trecho.

Em determinados locais, pude observar a presença de pontes pênseis, a única maneira de atravessar o rio de um lado a o outro, ressalvando que a maioria é destinada apenas à pedestres.


Fazenda com extenso milharal, localizada na outra margem do rio das Antas.

A região também se presta à criação de gado leiteiro e à cultura de cereais, sendo que os milharais afloram em todos os locais.


Alguns trechos são de silêncio e beleza absolutos.

Ressalte-se que o roteiro nesse trecho é extremamente arborizado e, em alguns locais, dotado de frondosas árvores que, com seus galhos minorizavam o calor reinante, pois o calor já chamuscava forte.


Adentrando ao distrito de Garcia.

Depois de 12 quilômetros percorridos, adentrei ao distrito de Garcia, cuja sede é Angelina.

O piso passou a ser calçado por bloquetes e logo transitei diante de uma igrejinha existente nesse povoado.


Igrejinha existente no distrito de Garcia.

Ali, fiz uma pausa para hidratação e ingestão de uma barra de chocolate.


Distrito de Garcia, cuja sede é Angelina.

Segui em frente, por uma rodovia bastante movimentada, onde existem belíssimas residências, algumas recém construídas, outras em fase de acabamento, demonstrando a pujança desse local.

Mais adiante, eu atravessei uma ponte e, na sequência, passei a caminhar sobre piso asfáltico, já no bairro Coqueiros.


Caminhando sobre piso asfáltico, já no bairro Coqueiros.

O tráfego de veículos prosseguiu bastante movimentado, porém em boa parte desse percurso urbano, existem calçadas, de forma que não corri o risco de atropelamento.

A partir desse local, passou a me acompanhar pelo lado esquerdo o rio Tijucas que, nesse trecho, já exibia um expressivo volume de águas em seu leito.


O belíssimo rio Tijucas me acompanha pelo lado esquerdo.

Finalmente, com o sol a pino, e depois de percorrer 17 quilômetros, encontrei uma bifurcação e, observando a sinalização, adentrei à esquerda em direção à cidade de Major Gercino, minha meta para aquele dia.


Depois de 17 quilômetros percorridos, adentrei à esquerda, em direção à Major Gercino.

Caminhando agora pela rodovia SC-108, por uma ponte, transpus o rio e principiei a ascender por uma estrada de terra, situada em meio a um espesso bosque.


Um espesso e agradável bosque me aguarda.

Duzentos metros acima, fiz uma pausa para visitar a Gruta da Imaculada Conceição, onde há um pedestal com a imagem de Nossa Senhora.

Ali também existem duas nascentes cristalinas e a água brota límpida e fresca.


Gruta da Imaculada Conceição, onde me hidratei intensamente.

Fiz, então, uma pausa para intensa hidratação e ingestão de uma barra de cereal, pois ainda me restavam 8 quilômetros para o final da jornada.

Bem disposto, reiniciei minha caminhada e prossegui em contínuo ascenso, contudo, sempre rodeado por abundante vegetação que, em alguns locais, me propiciavam sombra e consequente refrigério, pois o calor já estava intenso.


Nesse trecho, o trânsito de veículos se mostrou caótico.

Para piorar o desconforto que senti nesse entremeio extremamente verde e belo, o tráfego de veículos se intensificou e, em várias curvas, precisei tomar muito cuidado para não ser atropelado.

Mais tarde, comentando essa inusual movimentação de automotores, fiquei sabendo que havia dois grandes eventos sendo realizados na região, um casamento e um funeral, possivelmente, a causa de todo esse alvoroço.


Serras verdes pontuam a vista nesse local.

No topo do morro, observando à minha esquerda, pude ver um mar de serras, todas integralmente verdes, sinal de que a natureza nesse entorno fantástico permanece intacta.


Paisagem verdejante e agradabilíssima.

Numa das curvas da estrada pude fotografar um acontecimento inusitado, para o qual eu já havia sido alertado pelo Carminatti.

Trata-se da união de duas árvores que, com raízes diferenciadas, penderam e se encontraram no alto e, imbricadas e amalgamadas com total solidez, a partir daí, prosseguiram o crescimento em um só tronco.


As famosas "árvores abraçadas".

No mínimo, algo curioso e distinto, que fiz questão de registrar em fotos, embora existam referências desse fenômeno na internet sob o título: “duas árvores abraçadas”.


O caminho prosseguiu extremamente verde e sombreado.

Prossegui ainda em leve ascensão por dentro da mata nativa até que, finalmente, acabei por sair num local aberto, no pico do monte, de onde eu tinha uma visão privilegiada de todo o entorno que se desenhava abaixo.


Final da mata, saindo para um local amplo localizado no topo da serra.

Então, fiz ali uma pausa para contemplação e fotos.


Vista panorâmica do vale situado abaixo, bem como das serras circundantes.

Encontrei nesse local um ciclista, o André, que fazia um giro pela região e, conforme me contou, pretendia percorrer mais de 100 quilômetros naquele dia.


O simpático ciclista André, com quem fiz amizade e troquei importantes informações sobre o roteiro.

Conversamos um pouco, depois seguimos juntos ainda por um trecho trocando informações, até que, num determinado patamar nos despedimos e ele seguiu em frente, rapidamente, pois estávamos em forte descenso.

Então, passei a descer com ímpeto, pois o caminho descai desabaladamente e precisei tomar muito cuidado para não levar um tombo.

Nessa hora o cajado é essencial!


Já em descenso, vista do vale situado abaixo.

Já no plano, adentrei em zona urbana e passei a caminhar por uma avenida que passava por obras, deixando seu piso irregular, numa mistura de terra, areia e paralelepípedos.


Caminho serpeante, em íngreme descenso.

Confesso que minha chegada ao centro da cidade foi extremamente estressante, pois misturou trânsito excessivo com poeira, barulho e ausência de calçada, obrigando-me a tomar imensos cuidados com minha segurança.


Igreja magriz de Major Gercino.

Por sorte, mais adiante adentrei em piso asfáltico que me levou até o Hotel Senadinho, local onde havia feito reserva.


Hotel Senadinho, onde ficamos hospedados, que oferece excelentes instalações.

Ali, por R$60,00 pude dispor de excelentes instalações, além do café da manhã, incluso nesse valor.

Apesar do adiantado da hora, caminhei por aproximadamente 1.500 metros até a Churrascaria Major onde, por R$15,00, pude comer à vontade.


Local do meu almoço nesse dia.

No retorno, lavei roupas, depois tirei uma necessária soneca.


Praça principal da cidade, com a estátua de seu fundador.

A cidade de Major Gercino é um lugar tranquilo e belo, e seus principais colonizadores foram os alemães, portugueses, italianos e poloneses.

Dista 100 quilômetros de Florianópolis e sua população atual é de 3.795 habitantes..


Avenida principal da cidade, vendo-se ao fundo a igreja matriz.

O turismo é fomentado pelos inúmeros rios e cachoeiras existentes na região, sendo que sua hidrografia é constituída, principalmente, pelo rio Tijucas, que passa pela cidade.

Além disso, possui belíssimas paisagens esculpidas pela própria natureza, sendo também uma cidade rica culturalmente.

Sua principal fonte de renda é o turismo e a fabricação artesanal de vinhos e champanhas.


Prédio que abriga a Câmara de Vereadores de Major Gercino.

Emancipado em 03 de novembro de 1961, pela Lei nº 756, recebeu o nome de Major Gercino em homenagem a Gercino Gerson Gomes, filho de Manoel Vicente Gomes, que também se empenhou pelo desenvolvimento desta comunidade.

Além de Major do Exército, ele também foi professor da Faculdade de Farmácia, em Florianópolis.

Um dos pontos mais visitados é a gruta edificada com pedras do rio, e a pracinha central, onde há o busto do Major Gercino, que dá nome à cidade.


Flores na avenida principal da cidade.

Importante ressaltar que dentro dos limites que compõem o município, 90% são ocupados por parreirais e os 10% restantes são de pessegueiros, que abastecem o litoral catarinense.

Ao todo, são colhidas 1.000 toneladas de uvas por ano, das quais a metade é utilizada para a produção de vinho colonial. O restante é comercializado na Grande Florianópolis e no litoral através da Ceasa.

Nas 590 propriedades rurais de Major Gercino também são cultivados fumo, milho, mandioca, oleaginosos e criadas aves, suínos e bovinos de corte e de leite, sendo que as principais etnias ali habitantes só de origem alemã, portuguesa, italiana e polonesa.

Fonte: www.majorgercino.sc.gov.br


Morro fronteiriço à cidade, onde existe uma belíssima cachoeira.

Às 15 h, quando me levantei, reencontrei meus companheiros que haviam acabado de chegar, e percebi que o tempo estava mudando novamente, muitas nuvens escureciam o céu, sinal de que teríamos chuvas à noite, o que de fato ocorreu.

O Carminatti ainda teve pique para seguir um atalho e fotografar uma belíssima cachoeira existente no verdejante morro situado do lado oposto de onde estávamos hospedados.


Foto da cascata, ao fundo, de difícil acesso, mas que mereceu a visita do Carminatti.

Aproveitei a ocasião para ir até a praça principal da povoação, onde pude fotografar a estátua do Major que dá nome a cidade.


Busto de Major Gercino.

Infelizmente, não pude conhecer o interior da igreja matriz, pois ela se encontrava fechada naquele horário.

Posso afirmar, no entanto, que sua pintura externa, completamente descascada, dava ao templo um certo ar de abandono.


Avenida principal, com a igreja matriz ao fundo.

Para jantar, utilizamos o próprio bar existente no andar térreo do hotel, cuja proprietária nos preparou um cardápio bem simples, mas que foi ingerido com muito apetite.

E logo nos recolhemos, pois o dia seguinte também seria cansativo, mas com uma novidade alvissareira: iríamos conhecer o decantado “Atalho do Trainotti”, segundo o Carminatti, “A cereja do bolo de nossa peregrinação”!


RESUMO TÉCNICO DESSA DATA, PRODUZIDO PELO PEREGRINO JOSÉ CARMINATTI

DIA 21-03-15 – ANGELINA - MAJOR GERCINO (26,6 KM)

Saímos às 07:55 h e caminhamos pela Rodovia SC 108 que é pavimentada até Km 1,0, onde tomamos a esquerda e continuamos pela mesma rodovia, mas por estrada de terra.

No Km 4,2 passamos pela Barragem do Garcia.

No Km 12,1 passamos pela Igreja do Distrito de Garcia.

Atravessamos o Distrito todo em calçamento e já no Bairro Coqueiros no Km 16,8 giramos a esquerda, continuando pela Rodovia SC 108 que neste trecho continua sem pavimentação, com destino a Major Gercino.

Neste trecho, subimos um morro e próximo a uma casa abandonada encontramos um homem caído que disse ter sido assaltado.

Paramos um veículo e um senhor que era amigo da vítima, providenciou um atendimento mais adequado a mesma, visto que no momento não possuíamos sinal de celular para comunicar a polícia do ocorrido.

No Km 17,0 paramos para fazer um lanche na Grutinha Nossa Senhora Aparecida.

No Km 24,5 chegamos ao início do povoado de Major Gercino.

Às 14,42 h no Km 26,5 chegamos ao Hotel Senadinho em Major Gercino.

O Hotel Senadinho (Fone 48.32721109) possui várias opções de acomodações.

O dia foi com tempo bom e no final de tarde deu uma pancada de chuva com trovoadas.

Conseguimos ainda visitar a bela cachoeira de Major Gercino, cujo acesso é dificílimo.