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EPÍLOGO


EPÍLOGO


UMA NOVA DOENÇA FOI DESCOBERTA!


Com o "Mestre" Gilberto Perdiz, pronto para iniciar a subida da Serra do Rio do Rastro.

Uma nova doença foi descoberta nesse começo de 2015. Trata-se de um vírus degenerativo, causado por um mosquito que ataca as pessoas que saem pelo mundo com suas mochilas, achando que a vida é uma brincadeira.

O que acontece é que depois que uma pessoa se atreve a fazer seu primeiro mochilão, inevitavelmente é picada por esse mosquito chamado “VIAJE_E_VIVA".

Uma vez que a doença é contraída, corpo e espírito se degeneram rapidamente, e a única maneira de sobreviver, é viajando pelo mundo. Além de sobreviver, as viagens fazem com que a pessoa se torne cada vez mais jovem, física e espiritualmente.

No início da doença, pequenas viagens são suficientes para a sobrevivência, mas com o agravamento, se torna necessário cruzar estados, países e até continentes.

Em casos mais extremos, o paciente pode sentir alucinações tão fortes, que chega a ter contato com coisas que não se pode ver, o que lhe causa sensações de extremo prazer.

Outra grande consequência, é uma sensação chamada “felicidade”. As pessoas “saudáveis”, que levam uma vida estável, normalmente conseguem esquivar-se desse sentimento, já que seu tempo utilizado para trabalhar, juntar dinheiro e consumir, não sobrando muito tempo para senti-lo.

Um dos piores problemas da doença, é que a felicidade é inevitável e não tem fim, já que o doente passa todo o tempo pensando sobre a vida, conhecendo o que existe dentro de si e entrando em contato com essas estranhas coisas que não se pode ver, mas eles insistem em dizer que sim, que existem…

Eu, como portador da doença desde a primavera de 2000, busco prevenir a população sobre a enfermidade e suas consequências.

Essa terrível doença deixa sequelas. Como consequência dessa doença, tenho marcas características dela registradas em minha mente: calor, frio, sol, chuva, poeira, granizo, amigos ......... muitos amigos, e caminhos pelas perguntas que tenho e não encontro respostas e os 40.806 quilômetros de chão (10.260 quilômetros em Caminhos), que desde 2.001 já se passaram por debaixo de meus pés.

Mas se ainda assim desejarem se arriscar, eu posso indicar alguns pontos onde o mosquito ataca com maior ferocidade!!!

(baseado no texto de Beto Ambrósio)


Descendo a Serra do Corvo Branco - Foto: Gilberto Perdiz


FINAL


O QUE ESPERAR DE UMA VIAGEM?


Descendo a Serra do Rio do Corvo Branco solitário - Foto: Gilberto Perdiz

Nada!

Deixe a viagem encontrar você, esbarre com a possibilidade de surpreender-se com pessoas e fatos incomuns na sua vida, dê oportunidade a si mesmo e seja apenas espectador da sua própria história misturada e remexida aos infinitos caminhos que poderá seguir ou abrir e nos diversos seres que podem te ensinar. Deixe-se levar pelo fluxo de um rio ainda limpo e inocente que não sabe onde vai desaguar.

Viajar é se despir de todos os moldes pré-fabricados vendidos por meia dúzia de gente interessada no que você tem, não no que você sente.

Viajar é a possibilidade de você improvisar e reconhecer que estar fechado ao objetivo de querer algo de alguma coisa é muito egoísmo, assim é com os “amores”, achamos que a pessoa é nossa e, na verdade, precisamos é fazer parcerias, amizades, ter companheirismo, não possuir, possuir e possuir e ser dono de tudo e todos…sei que TER foi implantado na nossa cabeça desde que nascemos, mas não esperar nada de ninguém e de lugar nenhum é uma possibilidade infinita de estar aberto, e assim aprender muita coisa e conhecer muita gente que poderá ser decisiva no seu caminho.

E cuidado, esperar demais de ações, pessoas ou lugares que ainda nem existem no seu caminho pode ser um tanto quanto frustrante, é uma oportunidade única de ver que somos só um grãozinho de areia no fundo de um oceano infinito. Você até pode jogar um chapéu pra cima, sabe que ele cairá, mas sem saber ao certo onde será, e nem sempre estaremos no lugar certo para apanhá-lo.

O maior significado em não esperar absolutamente nada do caminho e dos seres que estão, possivelmente, pela frente, é encantar-se com a surpresa de cada gesto, mesmo que não seja na mesma língua.

Permita-se dar uma oportunidade ao acaso simplesmente por ter ido e nada mais. Lá na frente só uma ação é certa: o final da viagem maior, da passagem por essa terra, e até lá, dar uma de mãe Diná, é arriscar perder o trem da vida.

Encontre a viagem pelo caminho.  (texto de Edu Bah)


Carminatti, eu, Márcia, Perdiz e Celina.

Nesse sentido, diria que fui privilegiado, pois não conhecia pessoalmente nenhum dos amigos que me acompanharam nessa viagem ao sul do Brasil.

Por isso mesmo, só tenho a agradecer o companheirismo e afabilidade dos peregrinos Perdiz, Celina, Márcia e Carminatti que, com sua camaradagem e esportividade, deixaram minha odisseia mais suave e alegre.


BOM CAMINHO A TODOS!

Fev/2015

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