7º dia: CASA BRANCA a VARGEM GRANDE DO SUL - 31 quilômetros


7º dia: CASA BRANCA a VARGEM GRANDE DO SUL - 31 quilômetros

"Nossa Senhora, Mãe de Jesus, ensina-nos a seguir as palavras do Vosso Filho, para que sejamos sementinhas de um mundo novo, cheio de paz e do Amor de Deus!
E pedimos, principalmente, por aquela pessoa tão amada e querida em nossas famílias: nossa MÃE!


A jornada do dia compreendia razoável extensão, embora não contivesse variações altimétricas importantes.

Ocorre que nessa etapa houvera uma modificação importante, relativamente àquela que eu empreendera em 2012, quando partira da cidade de São Carlos.

Agora o percurso segue em direção à cidade de Itobi, antes de se direcionar a Vargem, minha meta para aquele dia.

Após uma excelente noite de sono, acordei às 4 h 30 min e, bem-disposto, iniciei meus preparativos para a jornada do dia.

Pela TV, fiquei sabendo que novamente o dia seria ensolarado e com céu aberto.

Após as providências de praxe, às 5 h 30 min, deixei o local de pernoite, e segui solitário em direção ao centro da urbe.

Naquele local eu me reencontrei com as flechas amarelas, prosseguindo à direita em direção ao Horto Florestal da cidade.

Embora estivesse escuro e eu me guiasse pela lanterna que portava, o caminho nesse trecho está estupendamente bem sinalizado, de forma que segui sem problemas.


Outro dia que vejo nascer na trilha...

Depois que deixei o Horto Florestal, eu caminhei um tempo paralelamente à Rodovia SP-340 até que, em determinado local, por um viaduto, eu passei sob ela e, já do lado oposto, acessei uma estrada de terra.

Com o dia raiando, pude observar que eu caminhava por uma via vicinal plana e retilínea.


Caminho plano e retilíneo.

A me ladear pelo lado direito, algumas chácaras e pequenas propriedades, enquanto que do lado esquerdo existiam imensos canaviais.


O sol quase nascendo...

Galos cantavam anunciando o novo dia, e o céu já mostrava uma coloração amarela e alaranjada, bem a minha frente.

Vivenciei, então, momentos preciosos de introspecção, onde aproveitei para colocar minhas orações em dia e agradecer por mais um dia com saúde.


Outro dia amanhecendo, um privilégio para os madrugadores como eu.

Mais à frente, um senhor roçava um capinzal localizado próximo de um pomar e paramos para conversar um pouco.

Disse-me que depois da mudança do roteiro do Caminho da Fé, ele sempre vê peregrinos transitando por aquela estrada e, muitas vezes, tem vontade de seguir junto.

Mas, conforme me confessou, suas pernas não aguentariam ir até o final, visto que faria 80 anos em breve.


Muita cana no entorno.

Trocamos mais algumas impressões sobre o clima reinante, pois a temperatura estava entre 10 e 12 graus naquele momento.

Depois das despedidas, um pouco adiante, pude assistir de camarote o nascimento do sol, um privilégio diário do qual não abro mão.


Nesse trecho a cana já fora ceifada.

Em alguns locais a cana já havia sido cortada, em outros estava no tamanho certo para a ceifa.


Caminhões e homens trabalhando no corte da cana.

Em determinado local, o caminho fletiu radicalmente à esquerda, e logo à frente, me encontrei com caminhões e máquinas de corte, fazendo a colheita da cana.

De passagem, conversei alguns minutos com um dos motoristas, depois segui em frente.

Depois de 12 quilômetros percorridos, passei diante de uma casa, onde existe oferta de água potável.

Um grupo de 3 amistosos cães vieram me receber e eu fiz uma pausa para admirar a paisagem circundante, pois meu estoque de água estava completo.


Adentrando ao município de Itobi.

Prosseguindo, logo ultrapassei a divisa de municípios e adentrei no de Itobi que, em língua tupi, significa “rio verde”.

O caminho seguiu tranquilo e silencioso, mas sem sombras.


Caminho plano e arenoso.

Em alguns trechos encontrei bastante areia no piso, o que dificultou um pouco o meu deslocamento.


Mata e cana, a tônica desse trecho.

Depois de percorrer 14 quilômetros, por uma ponte, eu ultrapassei o rio Verde e logo acessei uma movimentada avenida, pois o roteiro do Caminho da Fé não vai em direção ao centro da cidade.

Ali as flechas me direcionaram para a direita, em direção a uma grande rotatória.


O roteiro segue à direita e não adentra em Itobi.

Quando ali cheguei, eu ultrapassei a rodovia SP-350 que vai em direção à cidade de São José do Rio Pardo.

Do outro lado, eu acessei a Estrada Vicinal Padre Gino Righetti e segui adiante por uma rodovia pouco movimentada e plana em seu início, mas que não possui acostamento.

Pelo guia que eu portava, sabia que teria que vencer 12 quilômetros sob piso asfáltico.


Trecho em asfalto; serão 12 quilômetros.

Para um peregrino calçando botas, o asfalto não é um lugar agradável para caminhar.

Entendo que o caminho anterior, era bem mais agradável que esse, embora também seguisse por 6 quilômetros à beira da movimentada rodovia SP-215.

Mas lá, ao menos, existia a possibilidade de caminhar em terra, pois aquela via possui uma extensa área livre situada depois do acostamento.

Bem, não havia nada a fazer a não ser prosseguir adiante.


A cana também está presente aqui...

Para amenizar a solidão, coloquei os fones de ouvido, liguei meu rádio e segui ouvindo música regional.

Por sorte, o trânsito de veículos nesse trecho prosseguiu bastante incipiente.

Em alguns tramos encontrei sombras e belas fazendas, onde a tônica eram as pastagens.

Mas também vi extensas plantações de cana, a maioria, já no ponto de corte.

O dia se apresentava claro, com o sol brilhando forte, num céu azul e sem nuvens, porém a temperatura permanecia num patamar agradável, ao redor de 16 graus.


Início de longo descenso.

Aproximadamente 7 quilômetros superados no asfalto, iniciou-se severa declividade.

O ascenso pelo lado oposto foi um tanto penoso, mas eu sabia que logo isso teria fim.


Ascendendo pelo lado oposto. Céu azul e sem nuvens.

Efetivamente, pouco à frente, eu ultrapassei a divisa de municípios, deixando o de Itobi para adentrar no de Vargem Grande do Sul.


Finalmente, retornando à terra....

Quinhentos metros depois, as flechas me remeteram à direita, para uma larga estrada de terra, que seguia em direção ao Pesqueiro Miachon, mas logo fez uma curva à esquerda.

Infelizmente, o trânsito de caminhões nesse trecho estava intenso e face à terra solta no chão, acabei por engolir e aspirar bastante poeira.


Engoli muita poeira nesse trecho..

Prosseguindo, no final de longa reta, entrei à direita numa pequena porteira, acessando outra grande lavoura de cana, recém-colhida.

Faço aqui um pequeno parágrafo, para dissertar sobre um tema que entendo oportuno nessa etapa do Caminho da Fé.

Sabe-se que as culturas de cana-de-açúcar e eucaliptos avançam rapidamente nos municípios de Tambaú, Casa Branca e Vargem Grande do Sul, a exemplo do que vem ocorrendo em diversas regiões do Estado.


Sombras sempre são bem-vindas.

Isto tudo, em detrimento do plantio de batata, cebola e outras hortaliças, que eram o forte nessa região.

Tudo porque, a pouca vocação hoje encontrada nos filhos de fazendeiros e sitiantes, com a manifesta preocupação de menos gastos e pouco trabalho com a terra, permitem, infelizmente, que os grandes produtores de cana e eucaliptos encontrem facilidades cada vez maiores para comprá-las ou arrendá-las.


Quase adentrando em zona urbana....

Já quase no final da jornada, caminhei por uma movimentada estrada vicinal de terra e, na sequência, contornei um grande e verdejante Haras.

Numa bifurcação, segui à esquerda, por uma agradável estradinha arborizada, em meio a inúmeras e bem cuidadas chácaras, até adentrar, finalmente, ao perímetro urbano.


Estátua do Cristo Redentor.

Depois de percorrer quatro ruas pavimentadas, passei ao lado de uma enorme estátua de Cristo.

Esse monumento representa o “Cartão de Visitas” da urbe, e está localizado em uma elevação, no meio de uma grande e movimentada avenida.

Cognominada, “A Pérola da Mantiqueira”, Vargem Grande do Sul surgiu de uma antiga estrada boiadeira ou francana no século XVII, em busca de minas de ouro em Goiás.

A data oficial de sua fundação é 26 de setembro de 1874.


Praça principal da cidade.

Hoje, com mais de 40 mil habitantes, a cidade tem sua economia baseada na batata e na cana-de-açúcar, seus principais produtos agrícolas, e na indústria, o setor ceramista se destaca como principal esperança de crescimento.

Lá, me hospedei no Príncipe Hotel, um estabelecimento de excelente qualidade, onde paguei R$68,00 por um excelente quarto individual.

Para fazer minhas refeições, utilizei os serviços do Wanda Restaurante e Marmitaria, local de aprazível ambiente, com excelente atendimento e preços módicos, um dos estabelecimentos do gênero onde melhor almocei em todo o caminho, por isso o recomendo com efusão.

Ali paguei R$20,00 e pude me servir a vontade no sistema “self-service”.

Depois de uma merecida soneca, saí dar para uma volta, aproveitando a oportunidade para verificar o local por onde eu transitaria no dia seguinte, quando fosse deixar a cidade.


Interior da igreja matriz.

Por sorte, nada havia mudado, pois o trajeto ainda era o mesmo que eu percorrera em 2005 e 2012, de forma que retornei até a praça central e entrei na igreja matriz para orar e meditar.

À noite, fiz um frugal lanche num bar, e logo me recolhi.


Passeando pela cidade.

Porquanto, em face de problemas particulares, eu necessitaria retornar ao meu lar no dia seguinte.


Nossa Senhora de Aparecida, rogai por nós!

Dessa forma, faria jornada dupla, passando por São Roque da Fartura e prosseguindo até Águas da Prata, onde tomaria um ônibus em direção a minha residência.


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada onde o relevo não apresenta maiores dificuldades. Todavia, também com escassez de árvores, e de suas sombras protetoras do sol. Outro entrave a ser considerado, talvez seja o fato de que parte do percurso, logo depois da cidade de Itobi, segue 13 quilômetros por uma rodovia, onde não existe acostamento, sem contar a razoável distância a ser percorrida nessa etapa.