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5ª dia – SAPUCAÍ-MIRIM/MG (Bairro do Paiol) a SAPUCAÍ-MIRIM/MG – 22 quilômetros


5ª dia – SAPUCAÍ-MIRIM/MG (Bairro do Paiol) a SAPUCAÍ-MIRIM/MG – 22 quilômetros




O percurso seria de pequena extensão, então, pela primeira vez no caminho, levantamos às 5 horas e, em seguida, partimos para o desjejum, que estava delicioso.


Nossa "passagem" no Livro de Visitas da Pousada HP.

Nesse dia a oração do grupo recebeu o reforço do Lélio, proprietário da Pousada, e quem gerenciou a palavra foi nosso “patrão”, o Furlan.

Bem alimentados, tanto no espírito quanto fisicamente, partimos animados, com o dia claro, o que dispensou o uso de nossas lanternas.

Conforme eu já sabia, o roteiro seguiria sempre em perene e agradável descenso.

Num primeiro momento, transitamos por locais habitados onde a tônica era o latido dos cães e o agradável tronar dos galos.

Mais abaixo, já no bairro do Paiol, pude fotografar a igrejinha ali erigida em homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora.


Muitas árvores, logo no início do caminho.

Prosseguindo, encontramos um agradável trecho arborizado, um antepasto do que encontraríamos nessa jornada.

Quando o visual voltou a se abrir, pude observar uma grande serra a nos ladear pelo lado esquerdo, onde se sobressaia um enorme pico.

Ninguém do grupo soube me informar seu nome, mas, em seguida, conversando com um morador local, obtive as informações que desejava.

Estávamos, na verdade, ladeando a serra do Paiol, localizada exatamente na divisa dos municípios de Sapucaí-Mirim/MG e Gonçalves/SP.


À esquerda, a serra do Paiol e a Pedra do Campestre em destaque.

O pico que eu avistava se chama Pedra Bonita ou Pedra do Campestre.

Trata-se de uma montanha de 2120 metros altura, é o local de maior altitude em toda a região e oferece uma linda vista panorâmica de 360°.

Seu acesso se faz através de uma trilha em mata fechada, a partir de 1500 metros de altitude, até onde é possível chegar de carro.

O percurso da trilha leva, em média, sete horas e é necessária a presença de guias turísticos, e do topo podem ser observadas a Serra do Mar, parte do Sul de Minas e o Vale do Paraíba.

Aproximadamente, 4 quilômetros percorridos, a estrada se bifurcou e seguimos à esquerda, em direção ao Rancho dos Tropeiros do Mário Justo.

Descendemos um pouco, ultrapassamos um rio por uma ponte e, então, enfrentamos o único ascenso do dia.


Final do único ascenso do dia.

No topo do morro, a 1365 m de altitude, conseguimos captar novamente sinal de internet e, concomitantemente, todos acessaram seus aparelhos celulares e tomaram ciência das novidades caseiras e do mundo.

O “carro de apoio” estava estacionado nesse local e pudemos ingerir nosso delicioso “café caseiro na trilha”.


Trechos mágicos nesse dia...

Prosseguindo, iniciou-se perene e agradável descenso, por uma estrada serpeante, mas de piso socado, ideal para caminhar.

Em determinado local, abriu-se uma clareira do nosso lado direito e pude fotografar uma imensidão de morros e intensa neblina evolando em direção ao firmamento, em face do aquecimento solar.


A visão que detínhamos desde o alto do morro.

O ar ali aspirado, de tão puro, chegava a queimar em meus pulmões, tamanha sua concentração de oxigênio.

Uma exuberante vegetação nos rodeou o tempo todo, composta por mata nativa, moitas de bambu e bosques de eucaliptos.


Caminho em descenso e dentro de frondosa mata.

Isso nos proporcionava sombra e frescor, otimizando nosso passo na trilha.

De quando em vez, abria-se um espaço do lado direito e eu podia fotografar a estupenda visão que dali nós detínhamos.


Outra visão que se descortinava desde o cimo do morro.

À minha frente, havia uma sucessão de montanhas se elevando ante o céu azul, onde o destaque era o verde intenso proporcionado pelos bosques preservados ali existentes.

Mas havia também residências e reses se alimentando, mansamente, em vastas pastagens.


Quase chegando ao final do descenso...

Quase no final desse maravilhoso “passeio”, o declive se acentuou e precisei manejar meu cajado com força para não cair.

Quando tudo se nivelou, reencontramos nosso “carro de apoio”, e ali pude me hidratar e ingerir algumas frutas.


Pausa para descanso, hidratação e café

O dia estava fantástico, belo e fresco, apesar do sol já brilhar com intensidade, vez que eram 10 horas.

Na sequência, seguimos por uma estrada de terra larga e empoeirada que, em seu final, nos levou a transitar por bairros periféricos.


Quase adentrando em zona urbana.

Então, acessamos uma rodovia asfaltada e por ela caminhamos um bom tempo, enquanto atravessávamos Sapucaí-Mirim/MG, uma simpática cidade, cuja população não excede a 7 mil almas.

O município está situado no vale do rio Sapucaí-Mirim, o qual lhe empresta o nome, e onde se localizam suas nascentes.

Seus fundadores foram os bandeirantes que partiram do município paulista de Taubaté, em 1853, em busca de minérios na região.


A igreja do Bom Jesus em Sapucaí-Mirim/MG.

A cidade tem a curiosidade de ser, na prática, quase um enclave de Minas Gerais situada no estado de São Paulo.

Porquanto, a menos que se faça uso de algumas estradas vicinais de difícil acesso e tráfego, em péssimo estado na época das chuvas e que fazem a ligação com Camanducaia e Gonçalves, não é possível chegar ao município partindo de qualquer outro ponto de Minas Gerais sem passar por território paulista.

Nós transitamos por toda a urbe, depois acessamos uma estrada de terra que segue em direção a Campos do Jordão.


Chalés onde nos hospedados na Pousada Casa Verde.

Três quilômetros à frente, chegamos à Pousada Casa Verde Baú, que está situada no município de São Bento do Sapucaí SP, e seria nosso local de nosso pernoite nesse dia.

O local é efetivamente de paradisíaca beleza e oferece acomodações para turistas, romeiros e cavaleiros.

No local existem bons chalés e novas construções foram recentemente inauguradas.

Um regato, cuja nascente se situa no alto do bairro do baú, banha a propriedade e suas rumorejantes e cristalinas águas dão um toque especial ao local.

Havia até piscinas à nossa disposição, mas o frio reinante, temperatura ao redor de 18 graus, inibiu qualquer tentativa de usufruí-las.


Ao fundo e ao longe a fabulosa Pedra do Baú.

Dali também era possível avistar, ao longe, a famosa Pedra do Bau, destaque e cartão-postal para qualquer turista que transite por aquela região.

Como aportamos por volta das 11 h 30 min à Pousada, todos se animaram na lavagem de suas roupas e em pouco tempo os varais disponíveis se encontravam lotados.

Logo depois chegou um grupo de 9 cavaleiros, cujo chefe, o Sr. Moacir, conversei mais tarde.

Eles eram provenientes de Cajamar/SP e haviam partido de Bragança Paulista/SP, explicou-me o simpático peregrino.


Outra vista da Pedra do Baú.

Seu trajeto seria diferenciado em relação ao nosso grupo, pois pernoitariam no dia sequente na Pousada Santa Maria da Serra, localizada pós o Horto Florestal de Campos do Jordão.

O almoço foi servido às 13 horas e estava delicioso, pois composto de saborosa comida caipira, preparada em fogão de lenha.

À tarde ficamos todos “jogando conversa fora”, enquanto aguardávamos a hora do jantar.


Descanso merecido: Leca, Furlan, Eu e Renato.

Outra refeição aprazível e apetitosa, que degustamos no refeitório da pousada.

Depois, cada um buscou o seu refúgio quente, pois o dia seguinte prometia novamente muitas emoções.

Custo individual na Pousada Casa Verde do Bau: R$120,00, incluindo pernoite, almoço, jantar e café da manhã.

AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma jornada tranquila, quase toda em descenso e de pequena extensão. O trecho que desce a serra foi um dos mais agradáveis de todo o percurso, pois trilhado em meio a exuberante natureza. De se elogiar o local de pernoite, por suas confortáveis instalações, bem como pela qualidade das refeições ali ingeridas. No global, um trajeto sem maiores dificuldades, a mais remansada de todas as etapas cumpridas até o momento.