PREÂMBULO


PREÂMBULO

Nossa Senhora recebeu pela inefável bondade de Jesus a força de suportar até o fim as provações do seu amor. Espero que você também possa encontrar a força de perseverar com o Senhor até o calvário."



Estrada para o interior: “A via que me leva ao passado é a mesma que projeta o futuro. 
Aqui compreendo a influência do caminho e sua relação com a jornada. 
Percebo como os trajetos escolhidos se transformam no próprio destino que trilha a passagem para a próxima estada. 
E, nesta esteira que se auto-alimenta, já não sei mais separar a causa do efeito.
Afinal, sou eu que percorro a estrada ou é a estrada que transita em mim?” 
(Matheus de Lima Sampaio)


Primeira placa do Caminho, afixada num poste localizado defronte ao Hotel Agapito.

Minha decisão de percorrer novamente o Caminho da Fé surgiu espontaneamente nos albores do Ano Novo, com a curiosidade que me é latente, de conhecer o trecho compreendido entre Sertãozinho e Cravinhos, ainda inédito para mim.

Esse ramal, o último a ser agregado ao Caminho da Fé, foi inaugurado oficialmente em 29.05.2014, no Parque Municipal “Antônio Gimenes Filho”, onde está localizado o Mirante do Cristo Salvador, em Sertãozinho.

No entanto, um “Grupo de Pioneiros”, composto por 10 pessoas, se reuniu no carnaval de 2013, especificamente para percorrer este trecho, conferindo a sinalização e apontando algumas eventuais falhas.

Foram eles: Kleber Augusto, Gilberto Perdiz, Rosa Mafra, Denis K Vehara, Laucemir da Graças, André de Oliveira Mendes, Kijoak Kunya, Wagner Cândido da Silva, Igor Magrini e Antônio Carlos Monteiro.

Meu agendamento inicial previa iniciar o Caminho da Fé no mês de agosto.


Fonte localizada na praça 21 de abril, em Sertãozinho.

Contudo, houve imprevistos e precisei antecipar minha programação.

Estávamos no início do mês de junho e, após chuvas torrenciais, o Estado de São Paulo sofria sob forte massa de ar polar.

Os termômetros não paravam de apresentar recordes negativos de temperatura, diariamente, quando embarquei num táxi em direção à rodoviária local.

Ali, tomei um ônibus da Viação Cometa que, após 3 horas de viagem, me deixou na Estação Rodoviária da progressista cidade de Ribeirão Preto, cognominada atualmente como a “Capital Brasileira do Agronegócio”.

Na sequência, um ônibus intermunicipal da Viação São Bento, ao custo de R$4,30 a passagem, me deixou em Sertãozinho, após 25 minutos de viagem.


O hotel onde fiquei hospedado em Sertãozinho.

Na cidade, me hospedei no Hotel Agapito, estabelecimento credenciado pelo Caminho da Fé, onde paguei R$70,00 por um excelente quarto individual.

Foi ali também que adquiri minha Credencial Peregrina, ao custo de R$10,00.

Para almoçar, utilizei os serviços do Restaurante Empório Barão, onde ingeri uma comida simples mas saudável, por R$37,50 o quilo, no sistema self-service.

Depois utilizei o tempo para rearrumar minha mochila, fazer anotações e estudar o roteiro do dia seguinte.


Igreja matriz de Sertãozinho.

Com uma população de aproximadamente 110.000 habitantes, Sertãozinho está localizada a nordeste do Estado de São Paulo, na região de Ribeirão Preto.

Distante 325 quilômetros da Capital do Estado, é uma das cidades mais importantes da região.

Embora conte com um significativo parque industrial, é principalmente conhecida em todo o Brasil por ser grande produtora de açúcar e álcool merecendo, por isso, forte projeção.

A cidade foi fundada em 1877, por Antônio Malaquias Pedroso que, no ano anterior, fizera a doação de 12 alqueires de suas terras, em torno de sua residência. 


A praça central de Sertãozinho.

Bem próximo de sua casa, no lugar atualmente denominado praça 21 de Abril (o marco zero da cidade), ele ergueu uma capela em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.

Hoje ela é a Catedral de Nossa Senhora Aparecida, matriz de Sertãozinho.

A primeira denominação de Sertãozinho foi "Capela", passando posteriormente para "Engenho Nossa Senhora Aparecida de Sertãozinho", "Aparecida de Sertãozinho" e, finalmente "Sertãozinho".


Igreja matriz de Sertãozinho, vista desde a praça 21 de abril.

Mais tarde fui dar uma volta no centro dessa progressista urbe.

Pude, então, conhecer e fotografar sua igreja matriz, cuja padroeira é, coincidentemente, Nossa Senhora Aparecida.


Interior da igreja matriz de Sertãozinho.

Em seguida, dei um grande giro pela praça 21 abril, com direito a fotografar o coreto e a fonte de águas.

Na sequência, passei diante do Teatro Municipal, depois fui conferir cuidadosamente o local por onde eu deixaria a cidade na manhã seguinte.


Tearo Municipal de Sertãozinho.

Á noite, enquanto lanchava em meu quarto, por curiosidade, li a história do assentamento das pessoas no local onde está a cidade, que muito me impressionou:

“Em 1827, o Brasil, que se encontrava separado de Portugal há cinco anos, era governado pelo imperador D. Pedro I. Enquanto o Rio de Janeiro começava a constituir a sua Corte Imperial, com fazendeiros e coronéis ganhando títulos de barões e viscondes, a vida no interior de Minas Gerais transcorria calmamente com a prática de atividades da pecuária, da lavoura e do comércio e a dedicação aos ofícios religiosos.

Era nesse ambiente simples, de terras verdes e colinas, que, numa região que ia de Caldas até Andradas, no sul daquele Estado, vivia João Manoel de Pontes, rodeado de parentes e assentados ligados entre si.

No início do século XIX, João Manuel, enfrentava numerosas dívidas e dificuldades em seus negócios. Sua esposa, Escolástica Maria Rosa, falecera com apenas 28 anos, vítima de hanseníase. Apenas quatro meses depois, no dia 9 de setembro de 1823, João Manuel casou-se com Ana Benedita de Oliveira.


A praça central de Sertãozinho, de outro ângulo

Na época, todos comentavam a beleza do sertão paulista conhecido pelas suas terras "vermelhas como sangue", já que até as roupas dos sertanistas que regressavam para Minas Gerais estavam impregnadas dessa cor. Como tinha pouco a perder e grande desejo de aventura, Pontes organizou, com alguns parentes, amigos, agregados e três escravos, além da mulher e dos filhos, uma marcha rumo ao noroeste.

A comitiva foi a pé, com carros de boi, cavalos e burros levando os apetrechos necessários para a jornada. No grupo estavam: Manuel Jacinto de Pontes e Antônio Maciel de Pontes, este ainda criança, filhos de João Manoel, e seu genro Antônio Quirino de Souza Benevides. Também seguiram o mesmo caminho o seu irmão Domiciano Manuel de Pontes, seus cunhados Antônio Joaquim da Rocha e José Antônio de Melo e seu amigo Antônio João Ferreira, todos oriundos de Caldas.

Após meses de jornada, os valentes aventureiros alcançaram o território onde hoje se encontram as cidades de Sertãozinho e Pontal e o Distrito de Santa Cruz das Posses. Naquela época, porém, a região era coberta por uma mata cerrada.

João Manuel, em 1827, chegou até um ribeirão, o córrego do Sertãozinho, e o percorreu de sua cabeceira até a foz no Rio Mogi-Guaçu. Também explorou todos os afluentes da região, tomando posse do território, que denominou Fazenda do Sertãozinho do Mato Dentro. Uma medição posterior apurou que essa área chegava a 13.768 alqueires.

Em 1847, ano da morte de João Manuel de Pontes, a família dominava aproximadamente 25 mil alqueires e começou a se dedicar mais ao cultivo das terras e a construção de benfeitorias para os que ali habitavam. Os sucessivos casamentos, inventários, heranças, partilhas, negócios de compra e venda, permutas e doações transformaram Sertãozinho numa enorme colcha de retalhos, constituída de pequenos sítios, chácaras e fazendas. Para se ter uma ideia, cem anos após a chegada dos primeiros posseiros, em 1930, ano da Revolução que mudou o destino do País, a Fazenda do Sertãozinho do Mato Dentro encontrava-se dividida em 189 partes.

Fonte: http://www.sertaozinho.sp.gov.br/


Pronto para iniciar a jornada.

Antes de dormir, como sempre faço, busquei amparo e proteção na oração e rezei a Nossa Senhora Aparecida, assim:




“Ó Incomparável Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, Advogada dos Pecadores, Refúgio e Consolação dos Aflitos, livrai-me de tudo o que possa ofender-vos e a vosso Santíssimo Filho, meu Redentor e Querido Jesus Cristo. 

Virgem bendita dê proteção a mim da fome, assalto, raios e outros perigos que possam me atingir. Soberana Senhora dirige-me em todos os negócios Espirituais e Temporais. 

Livrai-me das tentações do demônio para que trilhando o caminho da virtude, pelos merecimentos de vossa puríssima Virgindade e o preciosíssimo sangue de vosso Filho, vos possamos ver, amar, e gozar da eterna glória, por todos os séculos.

Amém!”

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