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2º dia: SAPUCAÍ-MIRIM a ESTAÇÃO PIRACUAMA (PINDAMONHANGABA): 28 quilômetros


2º dia: SAPUCAÍ-MIRIM a ESTAÇÃO PIRACUAMA (PINDAMONHANGABA): 28 quilômetros 

Os grandes feitos são conseguidos não pela força, mas pela perseverança.” 


A pousada onde me hospedei em Sapucaí-Mirim/MG.

Como a jornada afigurava-se, novamente, de média extensão, levantei às 4 h, e após um singelo café matinal, parti às 5 h, sob um céu enfarruscado e sombrio.

Sempre pelo acostamento de uma movimentada rodovia, em contínuo descenso, caminhei por uma hora e, seis quilômetros à frente, às 6 h, no bairro Ponte Nova, entrei à esquerda numa estradinha vicinal de terra que se apresentava completamente tomada por poças de água, obrigando-me a verdadeiros malabarismos para não molhar os pés.

Além disso, alguns trechos se apresentavam perigosamente escorregadios.

Quero crer que a chuva que se abatera sobre a cidade de Sapucaí-Mirim no dia anterior, com fraca intensidade, tivera seu epicentro nessa região.

Mas, tirante tais empecilhos, o caminho é muito bonito e bucólico nesse trecho, margeando o trajeto todo um riacho murmurante que corre pelo lado esquerdo da trilha.

Mais à frente, após ascender forte elevação, já próximo do bairro Cassununga, ultrapassei o marco que divide o município de Sapucaí-Mirim e Santo Antônio do Pinhal.

E, naquele local, retornei definitivamente ao Estado de São Paulo.

Logo em seguida, depois de uma ponte, adentrei à rodovia que liga São José dos Campos a Campos do Jordão e caminhei 1 quilômetro por asfalto.

Então, numa bifurcação de rodovias, prossegui à esquerda, em direção ao bairro Fazenda Velha, por locais extremamente frescos e arborizados.

Finalmente, depois de ultrapassar a Pousada Villa da Mantiqueira, sempre sobre asfalto e, subindo perenemente, segui por mais 4 quilômetros, em meio a matas e corredeiras d’água, até aportar em Santo Antônio do Pinhal, exatamente às 8 h 15 min da manhã.


A igreja matriz de Santo Antônio do Pinhal/SP.

A história conta que Antônio Joaquim de Oliveira construiu em sua propriedade uma capela em homenagem a Santo Antônio de Pádua e formou entre os pinheirais uma graciosa vila que levou o nome do Santo.

Em 13 de junho de 1860 fundou-se povoado oficialmente, e elevou-se à freguesia no ano seguinte e a distrito de paz no ano de 1880.

Em 1960 veio a emancipação política e em 1967 a Assembleia Legislativa instituiu a Estância Climática de São José do Pinhal.

A cidade faz parte do Circuito das Montanhas e, face sua proximidade de Campos do Jordão, é uma boa opção de hospedagem para os turistas, que costumam lotar suas pousadas nos feriados e finais de semana, o que pode ocasionar problemas, eventualmente, para os peregrinos que não fizerem suas reservas com a devida antecedência.

População atual: Aproximadamente, 7 mil habitantes.

ALGUMAS FOTOS DESSE PRIMEIRO TRECHO:


Adentrando em terra, encontrei muita água e lama.


Mas o caminho nesse trecho é fantástico e silencioso.


O sol tentando sair..


Paisagens bucólicas e ermas.


A igrejinha do bairro Cassununga.


Uma das praças existentes em Santo Antônio do Pinhal/SP.

Em seguida, ainda pelo asfalto, caminhei mais 4 quilômetros até a Estação de trem Eugênio Lefreve, onde fiz uma parada rápida para café e apreciar o famoso “bolinho de bacalhau”, vendido a “preço de ouro”.

Uma placa indicativa, próxima ao local, informava que Campos do Jordão distava, apenas, 12 quilômetros dali. 


Ao fundo, a estátua de Nossa Senhora Auxiliadora.

Logo à frente, no alto do morro, num mirante, parei para fotos diante da estátua de Nossa Senhora Auxiliadora.

Desse local, descortina-se uma vista maravilhosa e completa do Vale do Paraíba, podendo-se, em dias claros, distinguir as cidades próximas, inclusive São José dos Campos e Pindamonhangaba.

Naquela data, infelizmente, uma forte cerração cobria todo o entorno, frustrando minha intenção de fotografar o horizonte.

As flechas, então, me conduziram a caminhar sobre os dormentes da linha férrea em acentuado descenso. 

Um quilômetro depois, as indicações me direcionaram à esquerda, para uma trilha estreita e perigosa, em brusco declive, por onde, literalmente, desci a “Serra da Mantiqueira” em definitivo. 


Descendo a serra, com muita água na trilha.

O terreno extremamente inclinado exige desmedido cuidado, pois é atravessado em sua extensão por várias nascentes de água, com trechos de muita lama, além de conter em seu piso inúmeras pedras soltas, que podem se deslocar e ocasionar acidentes indesejáveis.

A ríspida decadência deixou-me um tanto tenso e preocupado pelo acentuado risco envolvido, embora o trajeto tenha transcorrido sob clima ameno, entre árvores frondosas e o chilrear ininterrupto de pássaros da região. 


Trechos silenciosos e arborizados. Depois a trilha piorou muito...

Ali, a mata nativa cobre todo o morro, numa uniformidade verde e densa.

Nota-se que as fortes chuvas que castigaram a região desde o final de 2017, delapidaram o leito da trilha, deixando tudo muito perigoso para o caminhante, e precisei me concentrar ao extremo, para não levar um tombo ou, até mesmo, torcer o tornozelo ou quebrar uma perna. 


No final da trilha, caminho em agradável descenso...

Mais embaixo, após passar defronte uma solitária residência, iniciou-se uma estrada pedregosa e larga, todavia, ainda em ininterrupta declivência. 


Ainda descendendo, já próximo da Estação Piracuama.

E assim continuei até, cinco quilômetros abaixo, quando encontrei, finalmente, às 11 h, a Estação de trem Piracuama, que se situa a 11 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal, e 19 de Pindamonhangaba.

Hospedei-me próximo dali, na Pousada Champêtre, uma extensa construção térrea, edificada com extremo bom gosto, num espaço privilegiado e aconchegante, longe da civilização e do barulho urbano. 


Pousada Champêtre: Espetacular!

O alojamento se dá em quartos conjugados, amplos e confortáveis, em local de deslumbrante e rara beleza, cercado de muito verde, sob as faldas da cadeia de montanhas que rodeia Campos do Jordão.

Dali avista-se, dentre outros, o célebre Pico Itapeva e o Morro da Maminha.

As refeições são servidas no restaurante da própria Pousada, cujos proprietários, o Sr. Paulo e a Dona Ana Maria, recebem os peregrinos com extremo desvelo. 


Vista da Serra da Mantiqueira, desde a Pousada Champêtre.

A hospitalidade da direção e dos demais funcionários é algo para nunca mais ser esquecida.

Conforme combinara por telefone, o almoço me foi servido, pontualmente, às 12 horas. 


Vista da Serra da Mantiqueira, desde a Pousada Champêtre, de outro ângulo. Ao fundo, o Morro da Maminha.

Após um merecido descanso, passei a tarde respirando o ar puro que ali emana, à exaustão, ouvindo música, fazendo anotações e descansando numa rede caprichosamente alocada numa varanda.

Após o jantar fiquei um tempo conversando com os proprietários dessa espetacular pousada, pessoas experientes e viajadas, que me contaram histórias pungentes e gratificantes de outros peregrinos que me antecederam naquele local.

E isto não me surpreendeu, porque, curiosamente, quando percorri o Caminho da Fé pela primeira vez, também me hospedei nesse local, exatamente, no dia 27/04/2005, onde as anotações feitas no “Livro de Visitas” confirmam que lá estive naquela memorável data, sendo que pude reler e matar saudades. 


Com o Sr. Paulo e Dona Ana, proprietários da Pousada Champêtre.

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde a Pousada Shangrilá, em Sapucaí-Mirim/MG, até a Pousada Champêtre, localizada junto à Estação Piracuama (Pindamonhangaba/SP): 5 h 50 min;

Clima: Nublado e chuvoso em alguns trechos, variando a temperatura entre 17 e 24 graus.

Pernoite: Pousada Champêtre: Espetacular! – Apartamento, com café da manhã e jantar - Preço: R$90,00.

Almoço no restaurante da própria pousada: R$20,00 a refeição.


AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma etapa fácil e agradável até a Estação Eugênio Lefreve. Entretanto, merece atenção e cuidado a vertiginosa descida da serra da Mantiqueira, ao final da jornada. Sem dúvida, para mim, um dos grandes obstáculos que enfrentei no caminho, porque no trecho em comento, o mais leve descuido pode ser fatídico, mormente, se estiver chovendo. Porém, o pernoite, na magnífica Pousada Champêtre, compensa todo o esforço despendido na jornada, porquanto a hospitalidade de seus proprietários, Paulo e Ana Maria, é edificante e nos energizam para a jornada sequente.