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1º dia – ITATIBA/SP a BRAGANÇA PAULISTA/SP – 40 quilômetros


1º dia – ITATIBA/SP a BRAGANÇA PAULISTA/SP – 40 quilômetros




Para me encontrar com o grupo que caminharia em direção ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, localizado em Aparecida/SP, deixei minha residência e adentrei num táxi às 3 h de uma fria e nebulosa madrugada invernal, e 45 minutos mais tarde já me encontrava no átrio da Igreja de Santo Antônio, em Itatiba/SP, onde teria início nossa “viagem” a pé.

Ali fui apresentado aos demais companheiros e, em seguida, o padre Tarcísio Spirandio, pároco responsável por aquela paróquia, que já nos aguardava há algum tempo, fez breve homilia, depois deu uma benção especial a cada peregrino.

Animados e refortalecidos na fé, exatamente, às 4 h 30 minutos, demos início a nossa peregrinação, sendo que 7 pessoas seguiriam caminhando e outros 2 iriam de carro, transportando nossa equipagem e fornecendo o necessário apoio logístico.

O trecho inicial transcorreu por bairros periféricos da cidade, onde seguimos sob o conforto da iluminação urbana.

E eu, neófito no roteiro, apenas, seguia os demais romeiros antigos, sendo que alguns já estavam perfazendo sua 15ª jornada nesse caminho.


Caminhando pelo acostamento da rodovia, enquanto o dia vai nascendo..

Mais acima, acessamos a rodovia Alkindar Monteiro Junqueira, que liga Itatiba a Bragança Paulista, passamos sob a Rodovia Dom Pedro I e prosseguimos indefinidamente pelo acostamento asfáltico, caminhando no sentido inverso ao tráfego de veículos que, nesse primeiro momento, se mostrava inexpressivo.

Porém, com o dia amanhecendo, pude observar que o trânsito se encontrava em perene recrudescimento.


Nosso carro de apoio. Pausa para água e frutas.

Dez quilômetros percorridos em bom ritmo, fizemos uma pausa num bairro situado à beira da rodovia para hidratação e ingestão de frutas.

Depois, recuperados fisicamente, prosseguimos em frente.

Após caminharmos exatamente 20 quilômetros pelo acostamento asfáltico, fletimos à esquerda e acessamos a Estrada Josephina Vicchini Alves, cujo piso é de terra.

Cem metros à frente, fizemos outra pausa para ingestão de nosso “café da manhã na trilha”, momento em que foi batida a primeira foto do grupo.


Primeira foto do grupo. Mas nessa, infelizmente, o Dejair ficou de fora...

Uma máquina de terraplenagem havia revolvido terra recentemente na estrada, de forma que no trecho sequente, enfrentamos muita poeira por conta do efetivo tráfego de veículos automotores.

Mais 3 quilômetros vencidos, junto à Portaria da Fazenda Santa Terezinha, fizemos outra pausa para ingestão de líquido e ali eu recebi a camiseta oficial de nosso evento, que deveria ser obrigatoriamente vestida no primeiro e derradeiro dia da nossa peregrinação.


Finalmente, uniformizado como os demais do grupo.

O trecho sequente se mostrou estupendo, porque o trânsito de veículos arrefeceu e pudemos seguir tranquilos.

Além disso, encontramos um caminho fresco, porque o clima estava nublado e o sol ainda não dera as caras.


Trajeto silencioso e arborizado.

Foi um trajeto pontuado por verdejante vegetação e sempre em perene descenso.

Em determinados locais, tivemos a oportunidade de observar a montagem de enormes torres de transmissão, uma estrutura que desempenha um papel importante nos sistemas de transferência em massa de energia. 


Um dos trechos mais belos desse primeiro dia.

Porquanto, o papel fundamental dessa estrutura é acomodar, de forma segura e eficaz, as linhas de transmissão. 

Inúmeros trabalhadores se desdobravam no exercício de seu mister e tivemos a oportunidade única de vê-los em ação.


O pessoal caminha animado a minha frente...

Um trabalho bruto e de certa forma perigoso, mas que concorre decisivamente para o progresso do Brasil.


Outro trecho belíssimo que vencemos pouco antes do almoço.

Às 11 h 30 min, depois de percorrermos 28 quilômetros, fizemos uma pausa no bairro de Campo Novo para almoçar.


Pausa para almoço. O Renato e o Dejair firmes no fogão e na feitura da salada..

Na verdade, como seria praxe nas jornadas sequentes, ingerimos um lanche supimpa, posto que nos foi servida linguiça frita na chapa, acompanhada de salada e pão, à vontade.

Além disso, havia água, refrigerantes e cerveja à disposição do grupo.

Como complemento ou sobremesa, foi disponibilizado frutas e doces aos presentes.

Uma hora depois, finda a lauta refeição, prosseguimos em nossa jornada.

Infelizmente, por sentir fortes dores no calcanhar do pé esquerdo, nosso Mestre Furlan optou por seguir o restante do percurso no carro de apoio, como forma de preservar sua higidez.


Muita terra fofa no piso da estrada. Poeira na certa!

Então, em 6 peregrinos apenas, enfrentamos um pequeno ascenso e no topo da colina encontramos muita terra fofa no piso, sinal claro de que haveria muita poeira quando da passagem de algum veículo automotor.

O que de fato ocorreu, várias vezes.

O sol finalmente aparecera e já crestava com força os caminhantes.


Sol forte e céu azul. Entorno belíssimo.

Mais abaixo, transitamos pelo bairro Mãe dos Homens, no qual o bar do Goiano é referência, então, ali giramos à esquerda.

Em sequência, acessamos a rodovia que une as cidades de Bragança Paulista a Tuiuti e Socorro.


Quase no final, outro trecho arborizado e maravilhoso.

Caminhamos algum tempo pelo acostamento asfáltico até que, após a transposição da ponte sobre o rio Jaguari, adentramos à direita e prosseguimos em terra.

O trecho final, todo trilhado sobre piso socado foi tranquilo e, em alguns trechos, agradavelmente arborizado.

Durante o percurso derradeiro, o “carro de apoio” esteve sempre estacionado em locais estratégicos, oferecendo água e frutas aos peregrinos.


A derradeira pausa para hidratação e descanso.

Sem maiores novidades, aportamos ao Pesqueiro e Pousada Ás de Ouro, localizados na fazenda homônima, às 15 h 30 minutos.

Diga-se de passagem, o local é belíssimo e abriga um grande lago destinado à pesca das mais variadas espécies e dimensões de peixes.


Pesqueiro Ás de Ouro, local belíssimo.

Ali, para pernoite, fomos distribuídos em dois quartos, sendo que em um dormiram 4 peregrinos e no outro o restante do grupo.

Depois do necessário banho, ficamos em alegre confraternização, enquanto aguardávamos o jantar.


O Pesqueiro, de outro ângulo...

Que foi servido, pontualmente, às 19 horas.

A refeição preparada por Dona Otília, a proprietária da Fazenda, estava supimpa e acabei por me esbaldar no seu consumo.

Resultado: à noite, me sentindo empanzinado precisei ingerir um envelope contendo sal de frutas para auxiliar na digestão.


Custo individual: R$100,00, incluindo pernoite, jantar e café da manhã.

AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma jornada de grande extensão e razoável beleza, mormente após os cansativos 20 quilômetros inciais, trilhados sob piso asfáltico. Mas, apesar da poeira reinante, houve trechos de mavioso encanto, dotados de entornos verdejantes e silenciosos. Os componentes do Grupo de Peregrinos de Itatiba me acolheram muito bem e logo me senti em casa, apesar de conhecer apenas o Coordenador e Chefe da Peregrinação, o amigo Walter Rogério Furlan. No global, um trajeto longo e difícil, mas superado pela fé e estoicismo do grupo.