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1º dia: AMARGOSA ao ALTO DA LAGOINHA – 25 quilômetros


1º dia: AMARGOSA ao ALTO DA LAGOINHA – 25 quilômetros


Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. (Mahatma Gandhi)


Amargosa - 280 metros de altitude. Início do Caminho da Paz.

Contato: Daílson (proprietário). Pousada do Bosque (75) 3634-2663.

A pousada fica na Praça do Bosque. Próximo da Rodoviária.

As setas iniciam na saída da cidade, pelo rio Ribeirão.

Ponto de referência: Igreja Matriz. Saindo da pousada, seguir as indicações para Baixa da Areia.

25 quilômetros até Alto da Lagoinha. Muitas subidas e descidas.

A maioria das vendas não possui água mineral.

No quilômetro 12, aproximadamente, “Parada Obrigatória”. Algumas vendas.

(Transcrito do folheto informativo que o peregrino recebe na Pousada do Bosque, em Amargosa, início do Caminho)


A primeira flecha do Caminho da Paz, pintada defronte à Pousada do Bosque, em Amargosa/BA.

O percurso desse dia não seria fácil, pois eu já conhecia seu perfil altimétrico através de pesquisas feitas na internet.

Ademais, embora estivéssemos no inverno, a meteorologia indicava temperatura superior a 27 graus para depois das 12 horas.

Dessa forma, combinei com a Marlene de sairmos às 6 horas, já com o dia claro, como forma de amenizar nosso esforço na parte final do trajeto.

A nota dissonante nessa história é que o café da manhã na Pousada do Bosque somente seria servido a partir das 7 horas.

Muito tarde, convenhamos, para peregrinos.

O Daílson, proprietário do estabelecimento, disse que não sairíamos de lá sem ingerir alimentos, e que ele mandaria providenciar algo para o nosso desjejum.

Porém, como caminhantes experientes, a Marlene e eu adquirimos no dia anterior, num supermercado, frutas e chocolates, para fins de “forrarmos” o estômago, antes de iniciarmos nosso périplo.

E tal providência se mostrou acertada, posto que, quando meu relógio marcou a horário programado para a partida, nada havia para comer sobre a mesa do refeitório, nem mesmo um revigorante copo de café, embora a diária que houvéssemos pago incluísse tal benesse em seu custo.

Entendo que o peregrino não é um turista qualquer, ao revés, se trata de uma pessoa especial, que, de cajado nas mãos, caminha por longas horas e, assim, investe seu tempo e dinheiro, além de despender intenso esforço físico na consecução de seus objetivos.

E, por isso mesmo, não pode e nem merece ser tratado com descaso.

Por sorte, nos pernoites seguintes, não tivemos nenhum tipo de problema quanto a este quesito.


Partindo para o Caminho da Paz, com a Marlene, no marco zero, defronte à Pousada do Bosque, em Amargosa/BA.

Bem, a Marlene e eu fizemos algumas fotos no “marco zero”, depois, confiantes e animados, demos início a nossa jornada.

Seguimos as benfazejas flechas amarelas em direção à igreja matriz da cidade e, logo após transitarmos diante do prédio que abriga o Banco do Brasil, giramos à esquerda, e prosseguimos em leve descenso por ruas já movimentadas em termos de trânsito e pessoas.

Trezentos metros depois, observando a sinalização, dobramos à direita. 

Logo abaixo, findou o calçamento urbano e teve início uma larga estrada de terra.


Na saída de Amargosa/BA, placa alusiva ao Caminho da Paz.

Uma senhora que varria a calçada defronte uma casa, chamou nossa atenção para uma placa que assinala o início oficial do Caminho da Paz.

E, não fosse seu alerta, teríamos passado por esse interessante marco, sem visualizá-lo.

Assim, retroagimos e fizemos uma foto naquele local.


Início da estrada de terra. Um aperitivo do que encontraríamos nessa etapa: muito verde, com todas as suas matizes, em todas as direções.

Seguindo adiante, logo descortinou um horizonte, pleno de intenso verde, em todas as direções.


Descendendo sobre pedras, com muito verde no entorno.

Ainda descendendo, mais abaixo encontramos calçamento em pedra, feito com objetivo de facilitar a locomoção de veículos motorizados, pois o grau de inclinação nesse local é bastante acentuado, fato que impediria e trânsito veicular, mormente em dias de chuva.

Depois caminhamos um bom tempo por uma estrada plana e arborizada, com o rio Ribeirão correndo o tempo todo, à nossa esquerda.


Caminho liso e com muitas poças de água.

O solo, de terra compacta, estava liso e com muitas poças de água, em face da chuva recente, que caíra durante a noite toda.

Nesse trecho encontramos tráfego intenso de motos, vans e ônibus escolares, todos se dirigindo à cidade, seja para trabalho ou estudo.

A paisagem sempre verde nos encantou e corroborou para que mantivéssemos nosso astral em ascensão.


Giro à esquerda, para atravessar sobre o rio Jiquiriçá-mirim.

Depois de aproximadamente uma hora, 5 quilômetros vencidos, numa bifurcação, giramos à esquerda, ultrapassamos o rio Jiquiriçá-mirim por uma ponte e, já do lado oposto, iniciou-se forte aclive que fomos vencendo passo a passo.


Caminho úmido e, agora, em forte ascenso.

Já no topo do primeiro morro, pude fotografar a paisagem que se descortinava abaixo, plena de muito verde.


Do cimo do morro, visão de onde nós viéramos caminhando.

O ascenso prosseguiu forte e, com calma e perseverança, fui sobrepujando solitário as dificuldades que se apresentavam, visto que a Marlene ficara alguns metros atrás, porém sem perdermos o contato visual.


O ascenso prossegue forte e contínuo.

Imagens magníficas se abriam num vale situado a minha direita e, de tempo em tempo, enquanto acalmava minha respiração, aproveitava para fotografar o entorno.


Paisagem de "encher os olhos", num grande vale, situado do lado direito do caminho.

Mais acima, quase no topo da elevação, aguardei pela chegada de minha parceira. 

Depois, prosseguimos juntos.


Ainda em ascenso...

O caminho internou-se em meio a um agradável bosque, enquanto o dia que se iniciara com sol intenso principiou a nublar.


O caminho, mais acima, se interna em frondoso bosque.

Seguiram-se grandes retas; depois, outro aclive forte.


Caminho hidratado e rodeado de árvores.

Tudo em meio a um boscoso intermeio.


O roteiro prossegue entre frondente mata.

Embora, de quando em vez, surgissem algumas estradas laterais, o caminho se mostrou soberbamente bem sinalizado, de forma que não tivemos dúvidas sobre o rumo a tomar.

Depois de sobrepujar outra íngreme elevação, finalmente pudemos respirar aliviados no cume da derradeira serra.


Derradeira visão da cidade de Amargosa, situada no topo de uma elevação.

Dali, observando à nossa esquerda, podíamos admirar majestosa paisagem e, ainda, visualizar, a uns 9 quilômetros de distância, no alto de uma montanha, a cidade de Amargosa.

Foi nossa derradeira vista da cidade onde se inicia o Caminho da Paz.


Caminho em descenso, com a Marlene na frente.

Iniciou-se forte descenso, desta vez, com a Marlene seguindo à frente.


Outro belíssimo vale se desenhava pelo meu lado direito.

Um belíssimo vale se desenhava à nossa direita.

Pude fotografá-lo sem pressa.

Muito verde para todos os lados que olhávamos.

Um bálsamo para nossos sentidos.


No poste, a marca dos 10 quilômetros percorridos.

Já no plano, num poste, pude fotografar a marca dos 10 quilômetros vencidos até aquele patamar.

Depois seguimos em nova ascensão, mas sempre com muito verde a nos rodear.


Nesse trecho, o caminho me fez lembrar o Estado de Minas Gerais...

Novamente no topo, pelo lado esquerdo, pude observar um entorno fotográfico, pleno de pequenas elevações.

Tamanha variação de altimetria fez-me lembrar o Estado de Minas Gerais.


Cacaueiros com frutos, numa plantação situada à beira da estrada.

Prosseguindo, iniciou-se uma extensa plantação de cacaueiros, a primeira roça dessa espécie que avistávamos no caminho.


Caminho arejado e em amplo descenso.

Alguns frutos já amarelos, em ponto de colheita, destacavam-se na marcante paisagem.


Dois moradores locais, com quem conversei um pouco.

Prosseguimos na verdejante rota e, mais abaixo, me encontrei com dois residentes, montados em cavalo e jeque, com quem travei breve diálogo.


Nessa bifurcação, segui firme em frente, conforme apontava a sinalização.

Ainda em descenso, prossegui adiante e solitário, pois a Marlene, à minha retaguarda, ficara fotografando a beleza da paisagem.


Novo descenso, sempre em meio a muito verde.

O caminho nesse trecho é belíssimo, digno de fotos e elogios.

Um intenso verde permeava o entorno.

Difícil descrever a beleza intensa que o local nos oferecia.


Adentrando ao bairro de Muritiba.

O piso mudou e passamos a caminhar sobre paralelepípedos, pois estávamos adentrando ao bairro de Muritiba que, curiosamente, pertence ao Município de Ubaíra, cidade que só conheceríamos dali a quatro dias.

Uns cem metros depois, fizemos uma pausa no bar e mercearia de Dona Zélia que, em sua humilde venda, recebeu-nos como irmãos, tamanha a alegria e a hospitalidade estampadas em seu rosto.


A venda de Dona Zélia.

O GPS, instalado em meu celular, mostrava que, até aquele local, havíamos caminhado 13,7 quilômetros.

Utilizamos o banheiro, fizemos um lanche com mantimentos e água adquiridos no estabelecimento.


Cartaz exposto na venda de Dona Zélia.

O céu escurecera e sinalizava mudanças para breve.

Fizemos algumas fotos no local.

Depois, com despedidas fraternas e emocionadas, seguimos adiante.


Despedindo-me de Dona Zélia.

O tempo, cada vez mais nublado, expungia o brilho da paisagem.

Eu prosseguia entusiasmado, apesar do clima adverso, e me lembrei de um pensamento de Ralph W. Emerson, que assim diz: “Para os espíritos pobres, a natureza é cinza, enquanto para aos espíritos curiosos, a mundo inteiro arde e brilha com uma luz intensa!"


A chuva retornou nesse trecho.

Cinco minutos depois, a chuva que prometia cair, finalmente desabou, obrigando-nos a fazer uma pausa para colocar nossas capas protetoras.

Em um determinado local, ela se intensificou de tal maneira que eu seguindo à frente, me resguardei sob o frontão da Fazenda Novo Horizonte.


                                                                                                                                                                                   A chuva prossegue..

Já, a Marlene, que estava a uns 100 metros à minha retaguarda, se escondeu debaixo de uma construção abandonada.


Estrada lisa e molhada...

Quinze minutos depois, bátega amainada, prosseguimos.


Muitas poças de água no trajeto...

O caminho se mostrou soberbo nesse trecho, com um verde intenso em todas as suas tonalidades.


Abaixo, a represa de captação de águas da cidade de Ubaíra.

Depois de transitar um bom tempo numa planície, principiamos a descender bruscamente, sinal de que novos desafios nos aguardavam.

A chuva cessara e, face ao calor vivenciado, já nos livráramos de nossas capas protetoras.


Forte e belo descenso. O caminho prossegue em ascensão, pelo lado oposto.

Porém, ao chegar ao final do descenso, local de captação de águas para a cidade de Ubaíra, gerenciada pela empresa EMBASA, a chuva retornou com intensidade, forçando-nos a nos abrigarmos sob o telhado de um barracão, para vestirmos novamente nossas capas.


Vertedouro da barragem de captação de águas de Ubaíra.

Na sequência, ultrapassamos a barragem por uma ponte, onde pudemos ver, por marcação num muro, que havíamos caminhados 20 quilômetros até aquele local.

Contudo, o GPS, instalado em meu celular, anotava que havíamos percorrido 20.900 metros.

Teve início, então, penoso ascenso, que fomos vencendo com calma, face ao cansaço acumulado na jornada.


Ascenso pelo lado oposto. entre roças de cacau e banana.

Nesse trecho também passamos por inúmeras plantações de cacau, banana e mandioca, culturas predominantes nessa região.


Horizonte amplo e verdejante.

O ascenso prosseguiu por bom tempo; no entanto, de forma moderada.


Igrejinha situada no bairro de Tabuleiro Alto.

Mais acima, transitamos pelo bairro de Tabuleiro Alto, onde pude fotografar uma singela capelinha.

Seguimos ascendendo até ultrapassar uma casa branca.

Mais acima, a estrada se bifurcou.

Observando a sinalização, giramos à direita e principiamos a descender.


Início de forte descenso em direção ao Alto da Lagoinha.

Já no plano, adentramos em zona urbana, passando a caminhar sobre paralelepípedos.

Estávamos, finalmente, no Alto da Lagoinha, pequeno distrito, com aproximadamente 2.000 habitantes.

Embora distante, pertence ao município de Ubaíra.

Ali, tomamos informações, até localizarmos a residência do Sr. Edson, o responsável pelo Caminho da Paz nessa pequena localidade.


Sr. Edson, o representante do Caminho da Paz em Alto da Lagoinha, uma pessoal especial.

Feitas as apresentações, ele, amavelmente, conduziu-nos à casa de Dona Damiana, onde ficamos hospedados.

Alojamo-nos no piso superior da construção, onde, além da cozinha, há quatro confortáveis quartos.

Todos, porém, servidos por um único banheiro.


Casa de Dona Damiana, onde ficamos hospedados em Alto da Lagoinha.

Mais tarde, após um profícuo banho, fomos chamados para o almoço.

Dona Damiana mostrou ser uma excelente cozinheira.


Praça central de Alto da Lagoinha.

Depois de uma necessária e reparadora soneca, dei uma volta pela minúscula povoação, aproveitando para observar o local por onde partiríamos no dia sequente, rumo ao Morrinho de São José.

No retorno, parei no bar existente dentro do minimercado de dona Maria e, enquanto degustava uma cerveja, fiz alguns amigos, todos querendo saber um pouco sobre a minha aventura.

Foi, também, um momento importante para interagir e conhecer sobre as atividades desenvolvidas na pequena comunidade.

À noite ingeri apenas uma porção de sopa preparada por Dona Damiana, e logo fui dormir, pois voltou a chover forte.


Com Dona Damiana, na cozinha da Pousada.

IMPRESSÃO PESSOALUma jornada de razoável extensão, com algumas ladeiras importantes para serem sobrepujadas. Mas, em termos de paisagem, esse trecho é soberbo, com um entorno sempre maravilhoso e pleno de muito verde. No quilômetro 13,7 existe a venda de Dona Zélia e um bar, local que pode ser utilizado para descanso e reposição de água. No geral, uma etapa plena de variações altimétricas, repleta de gratas surpresas a cada curva da estrada.


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