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1º dia: PARAISÓPOLIS a SAPUCAÍ-MIRIM: 29 quilômetros


1º dia: PARAISÓPOLIS a SAPUCAÍ-MIRIM: 29 quilômetros 

Paciência e perseverança têm o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem.” 


Cartaz existente na cozinha da Pousada da Praça, em Paraisópolis/MG.

A jornada seria de média quilometragem e, em princípio, como eu já conhecia o roteiro, sabia que ele não apresentava grandes dificuldades altimétricas.

No entanto, como vivenciávamos forte onda de calor, resolvi sair bem cedo e às 5 h 20 min já estava tomando o café da manhã no refeitório da pousada.

Teria um grande desafio pela frente, pois esse ramal não é sinalizado, assim, me socorreria das lembranças do que escrevi e publiquei concernentes a minha peregrinação de 2005, portanto, há 13 anos.

E muita coisa poderia ter sido modificada no trajeto, mas são desafios como este que estimulam a alma do peregrino autêntico.

No local onde me hospedei havia outros 4 caminhantes, porém eles seguiriam o roteiro normal, via serra de Cantagalo, etc.

Assim, deixei a Pousada da Praça às 5 h 30 min, e a saída da cidade se faz por uma rua asfaltada, em brusco aclive, até atingir o trevo da rodovia MG-173.

A partir daí, eu dobrei à direita e segui em direção a São Bento do Sapucaí/SP, num percurso arriscado e barulhento, pois a estrada é bastante movimentada e, praticamente, sem acostamento em quase toda sua extensão.

Após 90 minutos de caminhada, 8 quilômetros percorridos, atravessei o bairro dos Coqueiros.

Imediatamente, fleti à esquerda, e adentrei numa via vicinal de terra, em direção à Fazenda Nossa Senhora Aparecida.

A partir dali o trajeto se tornou interessantíssimo pelas exuberantes paisagens que se sucederam, sempre em meio a grandes fazendas de gado leiteiro, inclusive bufalinos, cercadas por uma imensa cadeia de montanhas, ao fundo.

Mais à frente, transitei pelo bairro Ezequiel, distrito de Gonçalves/MG.

Na sequência, a paisagem continuou inalterada, muito verde, fazendas e usinas de leite, caminhando numa estrada plana e larga, que serpenteia, o tempo todo, paralela ao rio Sapucaí-Mirim.

Prosseguindo, às 10 h, ultrapassei a fronteira dos Estados, adentrando novamente, mesmo que por pouco tempo, em São Paulo.

E, ainda que o céu permanecesse toldado por nuvens escuras, pude divisar, ao longe, a famosa Pedra do Baú, incluindo suas vizinhas, Bauzinho e Ana Chata.

Exatamente, às 9 h 30 min, atingia a área urbana da cidade de São Bento do Sapucaí, que está localizada entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira, nas Terras Altas do Sapucaí, cuja história inicia-se no tempo dos bandeirantes. 


A igreja matriz de São Bento do Sapucaí/SP.

Sua emancipação política é datada de 16 de agosto de 1832. Com belas cachoeiras, um rico artesanato e o famoso Complexo Pedra do Baú, é um convite aos visitantes.

Sua topografia montanhosa e farta vegetação proporcionam um clima ameno e saudável, tornando a cidade conhecida como a Estância da Aventura, pois abriga a prática de uma série de esportes radicais. O município possui ainda alguns monumentos históricos. É berço do escritor Plínio Saldado e do jurista Miguel Reale.

São Bento foi palco de passagens históricas que relembram a revolução de 1932. Há no município trincheiras construídas no calor daquele agudo cataclismo, que registram essa época conturbada.

No catolicismo popular, São Bento é o santo conhecido como o protetor contra mordedura de cobras. Com base nisso e por sugestão de escravos e colonos, as versões tradicional e popular colocaram-no como padroeiro do município, já que havia grande proliferação desse ofídio na região.

A cidade conta atualmente com 11 mil habitantes e se localiza numa altitude média de 920 metros.

ALGUMAS FOTOS DESSA PRIMEIRA PARTE DO PERCURSO:


Igrejinha localizada no bairro dos Coqueiros.


Adentrando em terra. Muita cerração no entorno.


Paisagens espetaculares, com muito verde.


Trecho aberto, já com sol. 


Caminho silencioso e deserto.


Muita paz, verde e sossego no entorno.


Ao fundo, a famosa Pedra do Baú.

A cidade de São Bento do Sapucaí é extremamente simpática e oferece uma enorme gama de locais para pernoite, porém, era cedo ainda, de forma que conforme adredemente programado, eu segui adiante, por ruas movimentadas, em direção ao meu destino final.

Após deixar a zona urbana, enveredei por uma estradinha asfaltada, que segue em direção ao bairro do Sítio.

Mais adiante, numa bifurcação, prossegui pela esquerda, numa ladeira áspera, em forte e longa ascensão.

Infelizmente, naquele dia o sol crestava forte num céu azul e sem nuvens, exigindo bastante do meu preparo físico.

Ao atingir seu cume pude ver, do meu lado direito, o marco da divisa dos Estados, porque naquele local, eu adentrava novamente a Minas Gerais.

À minha frente descortinava-se um paredão de montanhas verdejantes, inclusive pude avistar, ao longe, a cidade de Sapucaí-Mirim, minha meta para aquele dia.

Depois de vencer íngreme e escorregadio descenso, dobrei à direita e caminhei pelo bairro dos Bicudos, onde antigamente havia um malfadado “Lixão”, porém hoje esse enclave foi revitalizado e existem algumas olarias nas imediações.

Fixei meus olhos no horizonte e verifiquei que nuvens negras cobriam rapidamente o céu, de forma que apressei meus passos pela estrada serpeante, e às 11 h 30 min, após transpor, por uma larga e moderna ponte o rio que dá nome à cidade, adentrei a zona urbana.

Na cidade fiquei hospedado na Pousada Shangrilá, onde despendi R$45,00 por um quarto individual de razoável qualidade e que precisa de manutenção urgente.

Embora o estabelecimento seja bastante simples e rústico, o tratamento dispensado pelo proprietário, Sr. Antônio, é marcante e faz grande diferencial.

Para minhas refeições, utilizei a “Cantina da Lurdinha”, que serve farta comida, com sabor e tempero mineiro, a preço acessível.

Ali pode se comer à vontade pelo preço fixo de R$20,00, ou optar pela pesagem, que sai a R$30,00 o kg. 

ALGUMAS FOTOS DESSA SEGUNDA PARTE DO PERCURSO:


Uma surpreendente placa existente próximo da entrada para o bairro do Sítio. Restam 90 km até Aparecida.


No final dessa reta, vira-se à esquerda, e tem início forte ascenso.


Do alto do morro, olhando-se ao fundo, é possível avistar Sapucaí-Mirim.


Sol forte num céu azul e sem sombras. Sofri muito nesse trecho derradeiro.

Sapucaí-Mirim, hospitaleira e com paisagens fascinantes, fica no limite entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, em uma área de preservação ambiental da Serra da Mantiqueira.

Como as demais cidades da região tem como principal desbravador o bandeirante Gaspar Vaz da Cunha, “O Oyaguara”, que se fixou naquele lugar, e deu início à colonização, transformando a região em importante centro produtor de gado.

Conta atualmente com 6.300 habitantes, e está situada numa altitude média de 890 m.


A igreja matriz de Sapucaí-Mirim/MG.

Com tempo de sobra, após merecida soneca, dei um despretensioso giro pela simpática urbe e pude visitar e fotografar a igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora da Conceição.

Mais tarde, fui em direção a um supermercado para me prover de víveres a serem utilizados no lanche noturno e na jornada sequente.

Nesse dia, a chuva tão aguardada chegou às 17 h e prosseguiu noite adentro, embora, em forma de fina garoa.

E o vento frio que açoitava tudo lá fora, somado ao cansaço da jornada, constituíram-se num duplo incentivo para uma ótima noite de sono. 


Com o simpático Sr. Antônio, proprietário da Pousada onde pernoitei.

RESUMO DO DIA - Tempo gasto, computado desde a Pousada da Praça, em Paraisópolis/MG, até a Pousada Changrilá, em Sapucaí-Mirim/MG: 5 h 42 min.

Clima: Ensolarado, variando a temperatura entre 15 e 27 graus.

Pernoite: Pousada Changrilá: Extremamente simples, mas limpa! – Apartamento, com café da manhã - Preço: R$45,00.

Almoço: Cantina da Lurdinha: Excelente! – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no sistema self-service.


AVALIAÇÃO PESSOAL: Uma etapa de belas paisagens e de certa facilidade, não fossem os primeiros quilômetros trilhados no asfalto. O percurso também é quase sempre plano e de raro deleite, com enormes morros verdejantes a circundar o caminhante em quase todo o percurso. O trecho derradeiro, pós São Bento do Sapucaí, apresenta certa preocupação pela montanha a ser escalada na metade desse intermeio, mas não apresenta maiores dificuldades aos passos de um peregrino focado no trajeto.