FINAL


 FINAL


"A peregrinação amplia e enriquece com uma experiência de Deus mais intensa, festiva e emotiva, os limites da nossa habitual visão do mundo. Pessoas de várias culturas, etnias, línguas, idades e procedências, marcadas por múltiplas situações humanas de sofrimento e de esperança, convergem para um ponto comum, ao encontro do outro, para partilhar pedaços de vida e procurar na peregrinação algo que está para além do ordinário e finito da existência humana. Assim antecipam a humanidade ideal e a fraternidade universal, reunida no Espírito do único Deus. A peregrinação exprime simbolicamente a grandiosa realidade do povo de Deus, que se mobiliza na procura do Deus vivo".  (Armindo dos Santos Vaz, padre)



Se caminhar é o ato de se dirigir para um lugar ou objetivo, fazê-lo seguindo uma Rota semelhante ao Caminho de Santiago, é absorver o profundo impacto deixado ao longo dos séculos por inúmeros peregrinos e viajantes.

Na antiguidade, plenos de fé e coragem, os romeiros medievais viajavam com destino à Santiago de Compostela e, apesar da enorme distância cronológica que nos separam, as necessidades básicas do homem não mudaram. 

Posto que, nós ainda prescindimos de uma finalidade a cumprir, um roteiro delineado, e locais propícios para alimentação, descanso e recuperação.

E, embora entre as razões motivadoras do caminhante atual, já não esteja inserta a necessidade de resgatar os pecados cometidos, qualquer caminho que se dirija a um local sagrado, ainda é uma experiência em que o componente espiritual desempenha um papel preponderante. 



Porquanto a caminhada ao ar livre, em meio à natureza, nos incentiva a auscultar o nosso interior, ouvir a voz divina, vez que não há nada que convide tanto à reflexão e ao autoconhecimento, quanto ao exercício de percorrer um caminho a pé.

Sem se esquecer que soprepujar os desafios estabelecidos por nós mesmos, enobrece a alma, pois nos evidencia a extraordinária força que possuímos e que só vem à tona quando exigida além do limite inicialmente imaginado.

Nesse sentido, o “Caminho Del Salvador”, um roteiro deserto e solitário, foi para mim uma experiência motivadora e de transição, onde pude testar meus limites físicos, interagir intensamente com a belíssima paisagem circurdante, além de conhecer pessoas especiais e locais inesquecíveis.

Mas, minha peregrinação não se encerrava definitivamente em Oviedo, posto que no dia seguinte eu prosseguiria minha aventura em direção à Compostela, agora pelo Caminho Primitivo.

Assim, antes de deitar, acorreu-me à memoria as sensatas palavras ditas pelo fenomenal alpinista russo, Anatoli Boukreev, ao conquistar o cume do monte Everest, em sua terceira tentativa de escalá-lo:

“O fim de todo Caminho é o começo de um novo, ainda mais longo e mais difícil.


Em Oviedo, defronte a Catedral de San Salvador, ponto final desse Caminho.

 

Bom Caminho a todos!


Julho/2012