EPÍLOGO

EPÍLOGO

Algumas pessoas entram na sua vida e deixam pegadas no seu coração – e elas nunca desaparecem.” (Rob Hall, alpinilsta neozeolandês)


A peregrinação, como se sabe, muitas vezes, é vista como sendo o correspondente físico da vida espiritual.

Tal exercício de fé, seja qual for a causa que nos move a iniciá-lo, será, sem dúvida, um dos mais intensos que podemos experienciar.

E esse fenômeno maravilhoso, teve início após a descoberta do túmulo de São Tiago, no século IX.


Confraternizando com peregrinos alemães e australianos, em Santiago de Compostela


Assim, desde priscas eras, para quem percorre o Caminho de Santiago, há um antes e um depois. 

Porquanto, a aventura é surpreendente e enriquecedora para o peregrino atual, um cidadão de um universo, onde tudo está à mão, e um incentivo a mais para tentar visualizar a rota que seus antecessores trilharam um dia.

Vez que, podemos imaginar o que sentiria o caminhante medieval, cujo conhecimento do mundo, à época, era reduzido ao de seu ambiente imediato.


Farol de Finisterre, último marco do Caminho


Por isso mesmo, quando no roteiro, os peregrinos tornam-se agudamente cônscios de sua dependência em relação aos seus companheiros e, ao mesmo tempo, de sua responsabilidade para com eles.

Contudo, é necessária uma atitude especial, preparação cuidadosa, coragem para superar quaisquer obstáculos que se interponham no caminho, cautela diante do perigo e, determinação para não desistir, seja quais forem os empecilhos.

          Com efeito, para afrontar um repto desse porte, é preciso contar com as maiores virtudes de um “romeiro” autêntico como, por exemplo, vigor físico, paciência, cooperação, persistência e, acima de tudo, gostar de caminhar.

          Sabendo, de antemão, que é na travessia que ocorrem as experiências guardadas para sempre, o aprendizado de vida, e as histórias para contar aos amigos e netos.


Com José Luis, proprietário do restaurante Manolo, em Santiago de Compostela


A chegada ao destino, o cumprimento da meta, nada mais é do que a coroação de um desafio superado.

Então, quando do meu aporte à Santiago, pude perceber minha capacidade de resistir a tantas adversidades e rudezas que o Caminho me impôs, e isto também foi motivo de orgulho e comemoração.

          Assim, ao redigir esse singelo relato, eu tive a intenção de descrever aquilo que aspirei, senti, sofri, e vibrei, durante o mágico período em que ambicionei, planejei, me preparei e, finalmente, realizei o projeto de percorrer o Caminho Primitivo.


O túmulo de São Tiago, no subsolo da Catedral

          

            Mas, também, tentei olhar para o meu interior, objetivando descobrir a raiz exata da fascinação que os caminhos religiosos exercem sobre o meu ser.

            Nesse sentido, ao finalizar esse percurso, aprendi que sonhos associados à disciplina, organização e perseverança, podem nos levar a atingir metas aparentemente impossíveis.

            E continuo sonhando...


 

            Em Finisterre, queimando as roupas, início de um novo caminho, o Caminho da Vida!


            Bom caminho a todos! 

Setembro/2012