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HISTÓRIA


HISTÓRIA

"Caminhando comigo está o meu maior amigo: Deus!"




Única rota Jacobeia com origem em Santiago de Compostela tem a sua meta final no Cabo Finisterra.

Tradicionalmente, as peregrinações Jacobeias terminam na cidade de Santiago de Compostela.

No entanto, desde sempre que muitos peregrinos, tanto da Península Ibérica como do resto do mundo, decidem continuar a sua viagem até a zona mais ocidental da Galícia, junto às águas bravas do Oceano Atlântico.

O Cabo Finisterra, situado a cerca de 100 quilômetros a Oeste de Santiago de Compostela, é considerado por muitos o verdadeiro fim do Caminho de Santiago, existindo muitos peregrinos que, após visitarem Santiago e a sua catedral, continuam a peregrinação até esse ascético local.

A Costa da Morte era para os antigos, e assim se manteve até ao final da Idade Média, o último reduto da terra conhecida, a ponta ocidental da Europa continental, a porção final de um itinerário marcado no céu pela Via Láctea, um espaço místico e simbólico, que tinha como extremo a ponta do Cabo Finisterra.

Por esses motivos, era um lugar carregado de crenças e rituais pagãos que, com os tempos, se foi cristianizando, situação já patente em meados do primeiro milênio.

Antes dos Descobrimentos esta era a última porção de terra habitada do Mundo.

Hoje Fisterra (ou Finisterra, como em Português dizemos) é um fim figurado. Um lugar onde todos desejam chegar, tal como os povos celtas e depois os romanos, aguardando a hora do ocaso e ver o sol esconder-se na imensidão do mar.

Depois de o Caminho Jacobeu do Ebro e o final do Caminho Francês, neste ano de 2016, uma carência interior me impelia a seguir em frente.

Afinal, este convite representava, assim, a oportunidade de levar adiante aquilo que vulgarmente se designa como o Epílogo do Caminho.


LOCALIZAÇÃO DO CAMINHO DE FINISTERRA NO MAPA IBÉRICO 


A partir do século XII, o Códice Calixtino, conhecido em latim como Liber Sancti Jacobi ou Codex Calixtinus, um conjunto de textos com origem entre 1150 e 1160, do final do pontificado de Gelmires, e apresentado como sendo da autoria do Papa Calisto II, é considerado uma fonte fundamental da história da peregrinação ao túmulo do Santo Apóstolo.

No documento estava assinalado que os discípulos de Santiago tinham viajado a Dugium (atual Finisterra) à procura da autorização dos romanos para enterrarem o apóstolo onde hoje é Santiago de Compostela. 




Estes mandaram prendê-los, e quando fugiam e estavam prestes a serem capturados, a ponte que acabavam de atravessar caiu, exatamente, quando a tropa romana por ela transitava.

Mais recentemente, a tradição Jacobeia prende-se com duas devoções populares da Galícia: a do Santo Cristo de Finisterra que, de acordo com Molina (século XVI) "acode os mais romeiros que vem ao Apóstolo", e a da Virxe da Barca de Muxía que, segundo a tradição, acudiu a este formoso lugar numa barca de pedra para animar Santiago na sua pregação.


ANTIGUIDADE E VARIANTES DO CAMINHO DE FINISTERRA 


A antiguidade desta rota comprova-se em documentos de 1119, em que se cita a preocupação do Rei Alfonso VII e o Abade de San Xulián de Moraime, em dar hospedagem aos peregrinos que chegavam a zona.

Em 1355, o peregrino Jorge Grisaphan descreveu no seu diário a peregrinação a Fisterra.

Nos diários escritos em 1465, por León de Rosmithal, em 1462, por Sebaldo Rieter, em 1581, por Erich Lassota e, em 1583, por Julián Iñiguez de Medrano, todos eles narraram as suas peregrinações ao fim da terra. 




Na parte comum, inicia em Santiago de Compostela e passa por Ames, Negreira e Olveiroa, até chegar a Hospital.

Depois, prossegue por Cee, Concubión, até Finisterra.

Ou por Dumbria, Senande e Moraime, até Muxía.

Permite, ainda, a ligação entre Finisterra e Muxía.


SIMBOLOGIA 


Além de representar o fim de uma jornada, o Caminho de Finisterra simboliza, também, o início de uma outra: a volta, o reinício, o recomeço para o peregrino.

Por isso, os rituais que acompanham este Caminho são, para os peregrinos, bastante significativos.

Assim, após a chegada ao fim da terra, junto ao farol em Finisterra, o peregrino deve descer até o mar onde deverá devolver a sua concha (símbolo Compostelano) ao mar, queimar o vestuário que usa no momento e mergulhar sem qualquer tipo de indumentária, ao pôr do sol.

Cumprido esse ritual, o peregrino retorna ao mundo, renascido. 




Por este roteiro não se encerrar em Santiago de Compostela, os peregrinos não obtém a Compostelana.

No entanto, em Muxía e em Finisterra são emitidas a Muxiana e a Fisterrana, certificados que comprovam a realização deste caminho.

Visitar Finisterra significa chegar ao fim de um velho caminho de peregrinação, utilizando as terras mais ocidentais da Europa.

Que foi seguido por milhares de pessoas, ao longo dos séculos, para se encontrar com o renascer da vida, com velhos cultos pagãos e os elementos da natureza, que aqui se manifestam com todo o seu esplendor: a água, o sol e as pedras.