10ª Jornada - LAREDO a SANTANDER

10ª Jornada – Laredo a Santander - 40 quilômetros: “A Capital da Cantábria!” 


               A jornada seria extensa e cansativa, de forma que me levantei às 5 h 30 min, calmamente fiz minhas abluções matinais, e deixei o hostal onde me hospedara às 7 h, sem muita pressa, pois teria que aguardar a chegada de uma embarcação, conforme adiante explicitarei.

           Assim, acessei a orla marítima e pelo calçadão, sempre à beira mar, caminhei por 5 quilômetros até o final da praia de Salvé, no bairro chamado puntal de Laredo, onde prossegui por uma estrada vicinal asfaltada que me conduziu até um embarcadouro, pois ali há um braço de mar que precisa ser atravessado.

            Eu tinha consultado a Oficina de Turismo no dia anterior, de modo que sabia de antemão o horário em que a barca iniciaria a operação.

  Então, ao chegar no terminal turístico, precisei aguardar um pouco, pois não era 9 horas..

            No horário aprazado, uma pequena embarcação fez a travessia de uns 200 m de água salgada, até me deixar do outro lado, já na cidade de Santona, junto a um monumento em homenagem a Juan de la Costa.

  Essa impoluta e venerada figura, foi marinheiro e cartógrafo, autor do “mapa-mundi” mais antigo que se conhece, nasceu nessa vila e, inclusive, participou da 1ª expedição de Cristóvão Colombo, em 1.492, e era o proprietário e capitão da nau Santa Maria.

  Situada aos pés do imponente monte Buciero, essa simpática povoação se une a terra por uma estreita língua de areia, e nela está situado um dos pantanais, mais bem conservado de toda costa cantábrica, incluindo a “Reserva Natural de las Marismas de Santoña, Victória y Joyel”, que se estende por mais de 4.300 ha e serve de refúgio a milhares de aves.



            Seguindo as marcações, eu atravessei o pequeno povoado, sempre em direção ao sul, saindo, mais abaixo, junto a uma pista exclusiva para pedestres, que segue paralela a uma ciclovia.



            Mais à frente, caminhei ao lado do grandioso complexo penitencial de El Dueso, uma portentosa construção de 1.907, localizada junto às “marismas” de Santoña e ao pé do monte Buciero.

            Prossegui por uma via asfaltada à beira da praia de Bérria e no final de uma grande reta, girei à esquerda e iniciei um íngreme ascenso pelo monte El Brusco, na verdade, um grande rochedo com 90 m de altura, findo o qual se tem acesso à praia de Trengandín, já do outro lado da montanha.



            A escalada é penosa, pois feita quase na vertical, contudo a paisagem que se descortina do cume é realmente de tirar o fôlego, com vistas preciosas para qualquer direção em que se olhe.

            Depois de uma acidentada descida, já pelo lado oposto da elevação, acabei saindo numa larga faixa de areia, situada junto ao mar, e por ela caminhei uns 3 quilômetros até chegar à Noja, uma belíssima cidade, onde avistei inúmeras casas em construção, sinal de que essa vila absorve no momento, um grande incremento em sua atividade turística.

            Ali, atravessei ao lado da igreja de São Pedro, um templo em estilo gótico do século XVII, e observando as flechas amarelas, segui em direção à praça del “Ayuntamiento”.

            Naquele local fiz uma pausa para descanso e hidratação, bem como aproveitei a ocasião para conversar com o simpático Sr. Nicolás, um taxista alegre e falante, que me forneceu preciosas informações para a sequência de minha jornada.

            A partir dessa cidade, o Caminho transcorre fazendo algumas voltas, pois passa pelos povoados de San Miguel de Meruelo, Bareyo e posteriormente em Guemes, onde se encontra o famoso albergue “La cabaña del Abuelo Peuto”, há muito tempo capitaneado pelo carismático “trotamundos”, o Padre Ernesto.

            No entanto, como minha meta era pernoitar em Santander e o roteiro oficial também discorre quase sempre por estradas asfaltadas, como forma de ganhar tempo, pois o sol estava muito forte, resolvi seguir diretamente pela rodovia CA-141, de escasso tráfego.

            E depois de 12 quilômetros percorridos, aportei em Galizano, na verdade, uma pequena vila com um grupo de chalés e casas disseminadas num vale, no qual desponta a igreja de Nossa Senhora de Galizano.

            Num bar localizado à beira da rodovia, tomei um café, comprei água e frutas, depois segui adiante, agora por uma calçada cimentada, na realidade, uma bonita ciclovia, que segue paralela à rodovia.

            Uma hora depois chegava à Loredo e logo depois, ao “pueblo” de Somo, onde embarquei numa confortável lancha, chamada de “Pedreñera”, que depois de percorrer 6 quilômetros por uma belíssima baía, me deixou em Santander, mais exatamente, num calçadão denominado de “Paseo” Pereda.



            A cidade, de grande apelo turístico, desde os veraneios do rei Alfonso XIII, no palácio de la Magdalena, se converte nos meses de verão em uma alegre opção para se desfrutar de umas férias, contemplando a formosa baía e banhando-se nas numerosas praias existentes no bairro de de “El Sardiñero”.


            Da sua história, há que se destacar que, durante a Época Romana, ela era conhecida como “Portus Victoriae Iuliobrigensium”, conforme atestam os registros arqueológicos encontrados na Península que lhe dá o nome.

            Graças aos privilégios reais e à importante atividade comercial que havia em sua zona portuária, experimentou época de esplendor até o século XV, com um expressivo aumento na população, que se estruturou em dois núcleos: “la Puebla Vieja” e “la Puebla Nueva”.

            A peste de 1.497 e outras sucessivas epidemias, mataram mais da metade da seus habitantes, que tardou a recuperar-se, porém, a abertura das rotas marítimas com a América no final do século XVIII, e o estabelecimento de uma importante burguesia, ela voltou a restabelecer seu esplendor, convertendo-se em capital da província da Cantábria.

            Atualmente, com 185 mil residentes, é uma urbe universitária, jovem e dinâmica, com um turismo crescente, devido, sobretudo, ao seu clima na época estival.

  Há temperatura suave durante o verão, sendo raro que ultrapasse 31 graus.

            Na cidade fiquei hospedado na Pensão Real, localizada numa das ruas que compõe seu belíssimo e muito bem preservado “casco viejo”.

            Para almoçar utilizei os serviços do restaurante “El Figon”, localizado próximo do Museu Municipal de Belas Artes, estabelecimento onde paguei irrisórios 7 Euros pelo “menu del dia”, o menor preço despendido, até então, por uma refeição.



            Depois de um breve descanso, saí para passear pela urbe e pude então visitar a Catedral, um tempo datado do século XIII, fundado na baixa Idade Média, nos tempos do rei Afonso VII, a exemplo da abadia dedicada a São Emeterio.

            Depois, fui conhecer o local por onde partiria no dia seguinte e no retorno, num ponto de táxi, conversei com o Sr. Juán, que me esclareceu algumas dúvidas, bem como me deu informações e ideias de como proceder na jornada seguinte.

  Clarificou que se a fizesse completa, necessitaria caminhar por 44 quilômetros.

            Algo impensável, mormente porque a maior parte dessa jornada seria por asfalto.

            À noite fiz um lanche no quarto enquanto assistia ao jogo entre o Real Madri x Barcelona pela final da Copa do Rei, partida vencida pelo escrete “merengue” por 1 x 0.

            Depois fui dormir, pois a jornada seguinte seria bastante longa e difícil.


Sinalização do Caminho nas ruas de Santander - Província da Cantábria

IMPRESSÃO PESSOAL – Uma etapa de razoável amplitude e bastante dificuldade, mormente pela escalada do monte El Brusco, quase na metade da jornada. O tramo final feito todo em asfalto, e debaixo de sol forte, foi extremamente duro e desgastante, só amenizado pelo passeio de barco na belíssima baía de Santander, antecedendo o aporte à cidade de mesmo nome.


11ª Jornada - SANTANDER a SANTILLANA DEL MAR