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FINAL


FINAL


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples fato de respirar.

Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade!

(Martha Medeiros)



SER O MISERÁVEL MAIS VIAJADO DO PLANETA OU O SENHOR MAIS RICO DO BAIRRO?


Prefiro ser servo da montanha a rei do camarote; um desinformado num lugar novo; exercitar a paciência na prática; não pertencer a grupos, mas conhecer quase todos e respeitá-los; ter mais amigos do que dinheiro; escrever “do que” e não me importar com a norma culta.

Ao invés das palavras mil, contento-me com o sábio silêncio das pedras, o olhar compenetrado do Condor dos Andes, a agilidade do rato, a fragilidade das plantas e a perspicácia da mãe natureza.

Falar menos e observar mais.

Não despertar pela campainha atormentadora do celular, e sim através dos raios de sol que, levemente, aquecem meu rosto adormecido cheio de areia de praia ou capim do cerrado, após um dia de esgotamento da energia direcionada para onde desejei dissipá-la.

Ser o miserável mais viajado do planeta do que o senhor mais rico do bairro.



Caminhar e ver, abrir o coração e amar, fazer amigos por frequências harmônicas distintas, que se completam em lindos acordes quando soados juntos.

Desejo sofrer as consequências dos meus erros a inclinar-me de arrependimento por “e se?’

Não quero ser um super “star”, mas, no mínimo, ser o protagonista da minha história de vida.

Prefiro preferir a escolherem para mim.

Não esquecer o que aprendi na infância, ser adolescente sem me importar com conselhos de adultos infelizes ou gente invejosa.

Saber que nem tudo é como a gente deseja, mas se deixarmos para lá, mais distante ficamos dos planos de Vida almejados.

Viajar.

Conjugar ações no presente e em todas as pessoas.

Ir.

Voltar.

Aprender mais.

Já mencionei “viajar”?

(Diários de Carona, Edu Bah)


EPÍLOGO



Planejar passeios, pesquisar trilhas, desfrutar paisagens nunca vistas, conhecer pessoas que jamais esperávamos encontrar, vivenciar outra cultura.

Peregrinar é assim mesmo, é compor em seu enredo diversos caminhos, que ao final se interligam por uma força maior, como a de experimentar algo novo, ou simplesmente, a arte de buscar em cada lugar inédito, nossa essência errante.

É também um momento especial para conhecer um pouco de nós mesmos, sem alimentar em relação ao roteiro um horizonte de expectativas, com a consciência de que a felicidade estará ao nosso alcance, pois somos eternos peregrinos.

Nesse sentido, diria que o Caminho Inglês se caracteriza, sobretudo, pelo verdor dos bosques, com sua primeira parte a decorrer paralela à ria de Ferrol e, em sequência, da de Betanzos.

No percurso todo existem apenas dois ascensos de relevo mais acentuado que, embora difíceis, não oferecem grande sacrifício para serem sobrepujados.

No geral, é um roteiro tranquilo, onde se convive muito bem com a natureza e a pacatez do quotidiano rural galego, porquanto a sombra das árvores, existente na maior parte do seu trajeto, torna-o extremamente agradável.

De se ressaltar, ainda, que ele está estupendamente bem sinalizado, sendo quase impossível se perder nesse histórico roteiro.


Adeus Santiago e, se Deus permitir, até breve!

A chegada a Santiago é sempre mítica, vez que com o aproximar da Praça do Obradoiro, sente-se com maior intensidade o espírito peregrino.

Quase em sobreposição à alegria de mais uma jornada cumprida, é indisfarçável uma certa nostalgia, ficando a ideia, quase o compromisso, de repensar para o ano seguinte, outro Caminho diferente.

No meu caso, já fiz um pacto com Santiago e, se ele me permitir, um dia voltarei novamente à Compostela, para o abraço de mais uma vitória, quiça, após percorrer outro roteiro inédito!


BOM CAMINHO A TODOS!


Maio/2015

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