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2ª etapa – IGUALADA a LA PANADELLA – 24 quilômetros


2ª etapa – IGUALADA a LA PANADELLA – 24 quilômetros


Vá firme na direção das suas metas. Porque o pensamento cria, o desejo atrai e a fé realiza.




A jornada desse dia, aparentemente, não ofereceria grandes dificuldades, a começar pela distância a ser percorrida.

Porém, como a saída de Igualada seria longa e feita através de áreas urbanizadas, deixei o local de pernoite às 6 h e 30 min e segui em direção ao centro da urbe, onde me enlacei com o roteiro do Caminho Catalão novamente.

Deixei a cidade caminhando por bairros residenciais, onde encontrei farta sinalização, com flechas amarelas recém-revitalizadas.


Um Caminho muito bem sinalizado, com flechas recém-revitalizadas.

Depois, caminhei uns 500 metros sobre terra, mas, em seguida, voltei a pisar em asfalto.

Em determinado local, passei ao lado de uma igreja semiabandonada, situada num local ermo e desabitado.

Trata-se da Ermida de São Jaime Sesoliveres, construída no século XIII, e que se encontra em processo de restauração.


Igrejinha de São Jaime.

Depois, voltei a pisar sobre terra, o que muito me alegrou.

Nesse trecho silencioso, aproveitei para agradecer pela minha vida e coloquei em dia as orações matinais.


Finalmente, terra...

Sete quilômetros percorridos em ritmo uniforme, passei Sant Genís, uma minúscula povoação, onde residem 120 pessoas.

Por ela transitei rapidamente, posto que de ínfima extensão.


Igrejinha de Sant Genís.

Pude visualizar, todavia, ainda que ao longe, uma sóbria igreja românica do século XIII, recentemente restaurada.

Prossegui por rodovia mais dois quilômetros e, na sequência, transitei pela cidade de Jorba, onde vivem 382 pessoas.

Sempre por asfalto, visualizei um castelo que já estava construído no ano 978. 


As ruínas do Castelo de Jorba, no cimo do morro.

Apesar de ter sofrido numerosas reformas, seu estado atual é, praticamente, de ruína total.

Localizado no cimo de um morro, contudo, ostenta, orgulhoso, fincada em sua base lateral, a bandeira espanhola.

Eu ultrapassei toda a povoação, que está disseminada ao lado da rodovia que a corta, e nela observei a existência de vários bares, restaurantes e “tiendas”.


Igreja matriz de Jorba e, ao fundo, no alto, as ruínas de seu castelo.

Vislumbrei, ainda, a igreja matriz, dedicada a Santo Pere, uma construção do século XVI, em estilo gótico.

Relativamente aos peregrinos, a Prefeitura local oferece um espaço de acolhida, num local bastante precário e sem colchões.

Há, no entanto, a possibilidade de pernoite no Hostal Jorba, localizado 4.300 metros à frente, seguindo o roteiro do caminho.

Após ultrapassar a pequena povoação, eu prossegui indefinidamente por uma ciclovia localizada, estrategicamente, ao lado da rodovia.

O clima prosseguia fresco, dia claro, sol em aquecimento, tudo colaborando para que eu prosseguisse em meu périplo, com excelente bom humor.


Caminhando numa ciclovia de grande extensão e beleza.

Em determinado local, feliz da vida, fixei a máquina fotográfica num mourão, programei o temporizador e pude eternizar mais um momento único no caminho.

O roteiro perpassou por locais belíssimos, plenos de bosques, porém, em nenhum local me ofertou sombras.

E, embora eu caminhasse ao lado de uma “carretera”, por sorte, o trânsito por ela era praticamente inexistente.


O roteiro passa por locais belíssimos e ermos.

Dessa forma, tive tempo para repensar minha vida, traçar planos futuros e me conectar com o infinito.

Sete quilômetros adiante, percorridos quase sem nenhuma dificuldade, transitei pela pequena vila de Santa Maria del Camí, onde residem, aproximadamente, 30 pessoas.

O destaque dessa aldeia é a sua pequena igreja românica, de uma só nave, construída no século XII, à beira do caminho, para atender os peregrinos.


Igreja de Santa Maria del Camí.

Na povoação não existem bares ou comércio, apenas algumas casas, onde não vi ninguém se movimentando.


Uma construção do século XII.

No local, apenas o gorjeio dos pássaros permanecia ininterrupto, além do ganir de um cão distante.

Prosseguindo, ainda em asfalto e perene ascendência, um quilômetro adiante, as flechas me remeteram à esquerda, para um caminho cimentado e silencioso.

Num local, de incomum beleza, situado junto a uma extensa plantação de canola, aproveitei a estrutura de bancos ali alocados, e fiz uma pausa para descanso e hidratação.


Pausa para descanso e hidratação.

O clima permanecia fresco, ventoso, propício para uma tranquila caminhada.

Na sequência, adentrei numa senda matosa, localizada abaixo da rodovia, um percurso espetacular e ermo que, no entanto, culminou por me remeter à rodovia, novamente, 500 metros à frente.

A partir dali, sem outra opção, segui bordejando a “carretera” pelo seu acostamento, por mais intermináveis seis quilômetros.


Um trecho belíssimo dessa etapa, no entanto, de pequena extensão.

Como o trânsito ali era incipiente, tive tempo para meditar e, depois, ouvir música, através dos fones de ouvido que eu conectara ao meu minúsculo rádio de pilhas.

E sem maiores novidades, sempre em ascendência, acabei por aportar em La Panadella, pequeníssimo enclave, onde pernoitaria nesse dia.

Para tanto, me dirigi ao Hostal Bayona onde, por 22 Euros, pude dispor de um excelente apartamento individual.

Banho tomado, roupas lavadas, desci almoçar no restaurante localizado no piso térreo do estabelecimento.

Ali, por 11 Euros, pude degustar um excelente “menu del dia”, especialmente para peregrinos.

Como companhia na refeição, contei com a presença dos amigos Tony, um peregrino espanhol das Ilhas Canárias, e a Graça, uma peregrina italiana.

Foram momentos de intensa confraternização, onde pudemos rememorar a jornada do dia, traçar planos futuros, cotejar cronograma de viagem, enfim, momentos vividos sob intensa alegria que, apesar de efêmeros, foram inesquecíveis, posto que, por exemplo, a Graça jamais reencontrei.

Ela passou a caminhar pouca quilometragem por etapa e dois dias depois, após traumática queda, precisou abandonar sua peregrinação e retornou à Itália.

Já o simpático Tony eu revi em algumas ocasiões, inclusive, pernoitamos no mesmo local, em certa noite, como futuramente comentarei.


Quase chegando em La Panadella.

La Panadella é um pequeno núcleo de população, com apenas 50 habitantes, que oferecia serviços à antiga rodovia nacional.

Local que, justificadamente, entrou em franco declínio, com a inauguração da Autovia do Norte.

Nesse enclave encontrei dois bares, dois postos de combustíveis, restaurantes e, além de dois hostais, uma “tienda” de serviços.

Sua sede é a cidade de Montmaneu, localizada próximo dali.


Almoço festivo com Tony e Graça, regado a muito vinho.

Depois de reconfortante soneca, dei um rápido giro pela povoação, aproveitando a ocasião para adquirir víveres para o café da manhã e a jornada sequente.

À noite, optei por ingerir singelo lanche no bar do hostal, onde tive o prazer de dividir a mesa com a peregrina Graça.

A ocasião foi propícia, também, para que eu rememorasse meus parcos conhecimentos do idioma italiano.

Mas, logo me recolhi, posto que a jornada sequente seria bastante exigente, mormente, por se tratar de um sábado, dia em que o comércio na Espanha fecha às 12 horas ou, mais tardar, às 13 horas.


Flores, bancos e sombra: um convite a uma pausa para descanso.

CONCLUSÃO PESSOAL: Uma jornada de pequena extensão, com trânsito por locais interessantes e muito bem cuidados, contudo, mais uma vez, eu caminhei o tempo todo, salvo em pequena extensão, sobre piso duro, o que magoa sensivelmente os pés do peregrino, mormente para aqueles que calçam botas como eu. No geral, uma etapa de rara beleza, cujo percurso transcorre por locais desertos e silenciosos. De se realçar o clima vivenciado nesse dia, com sol e temperatura permanecendo, em média, 10 ºC, durante quase todo o trajeto.