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Minha Viagem e História do Caminho Catalão


MINHA VIAGEM

Acreditar que algo pode acontecer é o primeiro passo para algo ser realizado.


O Caminho Catalão de Santiago me surgiu como uma excelente opção para o ano em curso, pois, de fato, em 2016, percorri o Caminho do Ebro, e, é de se notar, que seus traçados oblíquos se fundem num só roteiro, muito próximo da cidade de Saragoza.

Contudo, não era minha intenção reprisar o trecho final, localizado entre as cidades de Piña del Ebro e Logroño.

Por sorte, há muito tempo, peregrinos criaram um ramal alternativo que, após, aproximadamente, 80 quilômetros, na cidade de Tárrega, desvia-se do caminho original e segue em direção ao Monastério de San Juan de la Peña, situado muito próximo dos Pireneus, uma cordilheira localizada no sudoeste da Europa, cujos montes formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha.

Resolvido o local por onde caminharia desta vez na Espanha, estudei demoradamente o percurso, fiz anotações, pesquisas e me senti seguro em termos logísticos, para defrontar mais essa aventura.

Dessa forma, confiante e animado, embarquei em São Paulo e, depois de 11 horas de voo, pós breve translado no aeroporto de Madri, um outro avião, depois de 90 minutos no ar, me levou a Barcelona.


Ao fundo, o Monte Serreado, em cujo cume está o Monastério de Montserrat.

Ali, adentrei num táxi que me conduziu até a Estação de Trem Espanha, situada no coração da capital da Catalunha, onde um trem, ao custo de 12 Euros, me deixou, 1 hora mais tarde, aos pés do Monte Serreado (em catalão, Montserrat).

Ali, cansado, mas feliz, embarquei num trem cremalheira que, após 7.500 metros, vencidos em terrível ascendência, me colocou no topo do morro, junto ao monastério que ali existe.

Imediatamente, me dirigi ao Hotel Abat Cisneros Montserrat, onde havia feito reserva.


Ao fundo, o Hotel onde me hospedei nesse dia.

Nele, por 66 Euros, em razão de não existir opção mais em conta, pude dispor de um quarto espaçoso e dotado de todos os confortos que um viajante moderno merece, como TV de tela plana, wi-fi, banheiros limpos, cama grande, lençóis cheirosos, calefação, etc...

Já passava das 13 horas e, então, me lembrei de que há muito tempo eu não ingeria uma refeição quente.

Assim, após desfazer os pertences e tomar um banho, rapidamente, desci para almoçar e, para tanto, me dirigi ao Restaurante La Cafeteria onde, por 12 Euros, pude desfrutar de um maravilhoso “menu del dia”.

Retemperado, retornei ao local de pernoite e, face ao desconforto causado pelo fuso horário, ou seja, adiantado 5 horas em relação ao Brasil, deitei para descansar.


O Monastério de Montserrat.

Mais tarde, já descansado, fui visitar e fotografar o interior do Monastério, bem como verificar o local por onde deixaria esse enclave no dia seguinte.

Depois, fui carimbar minha credencial peregrina no albergue ali existente, posto que sua recepção só abre após as 16 horas.


A primeira flecha do Caminho Catalão,

Para minha surpresa, o hospitaleiro, Sr. Juán, me informou que existiam 3 peregrinos ali abrigados, que também partiriam na manhã sequente, o que muito me animou, pois teria companhia no caminho.

Às 19 h, após ingerir um frugal lanche, compareci a igreja do monastério para assistir às “vísperas noturnas”, onde a maior atração são os cantos gregorianos entoados pelos padres e seminaristas que residem e estudam no local.

Ao final de 30 minutos, quando a celebração se findou, fui solenemente abençoado pelo reitor do Monastério que, após rápida cerimônia, me abraçou e desejou-me um “Bom Caminho”.

Profundamente emocionado, retornei ao local de pernoite e logo me recolhi, pois fazia muito frio naquela noite.

Afinal, estávamos no topo de um morro, a mais de 1.200 metros de altitude.



HISTÓRIA DO CAMINHO CATALÃO

Já tive medo, hoje tenho história.


O Caminho Catalão, por San Juan de la Peña, é uma antiga rota jacobeia que, desde o Monastério de Monserrat, avança junto a outra variante deste Caminho (Caminho Catalão por Zaragoza), para desviar-se na cidade de Tárrega e, desde lá, se dirigir rumo noroeste.

Na sequência, ele atravessa a cidade de Balaguer, entra na Província de Aragón, ultrapassa sua capital Huesca, para chegar, posteriormente, ao Monastério de San Juan de la Peña.

Após descendermos desse derradeiro cenóbio, o Caminho Catalão termina seu trajeto, se enlaçando com o Caminho de Santiago Aragonês, na cidade de Santa Cília de Jaca.

Os peregrinos que na Idade Média chegavam através de diversas rotas ao Monastério de Montserrat, continuavam sua peregrinação a Compostela pelo Caminho de Santiago (Caminho Catalão Meridional, ou Caminho Catalão por Piña de Ebro e Zaragoza)

Estes peregrinos passavam por Igualada, Tárrega e Lleida, até se unir em Pina de Ebro, com a Rota do Ebro, que lhes levaria até Logroño e, desde ali, pelo Caminho Francês, até Santiago de Compostela.


Ao fundo, o Monastério de Montserrat.

Contudo, existia outra possibilidade.

Uma vez em Tárrega, os peregrinos podiam desviar-se na direção noroeste, pelo caminho de Balaguer.

Esta opção começou a se chamar Caminho Catalão por San Juan de la Peña ou Caminho Catalão Setentrional.

Os salva condutos firmados com os romeiros pelos reis de Aragón deixam evidente que esta rota jacobeia existe desde a Idade Média.

Pelos registros históricos, o primeiro que utilizou esse caminho foi o abade de Montserrat, Cesáreo, que peregrinou desde o Monastério até Santiago, no ano de 959.

Como já sabido, os Caminhos Catalães compartilham um pequeno trecho comum, desde Montserrat até Tárrega.

Esse roteiro foi recuperado em 1993 e, na atualidade, se encontra perfeitamente sinalizado e dotado de uma de boa rede de albergues.

O Caminho Catalão nos surpreenderá pela sua enorme variedade paisagística, dentre as quais se destacam o Parque Natural de Montserrat, as terras de cultivos de Plana de Urgell, a zona de pastos de Somontano e, já em Aragón, a Serra de Loarre, com seus vales e suas inesquecíveis vistas dos Pireneus, sobretudo, próximo da cidade de Mallos de Riglos.

Depois, o Caminho avança pela Serra de la Peña, onde se encontra o Monastério de San Juan de la Peña, que dá nome ao Caminho, para, depois, baixar ao rio Aragón, e confluir com o Caminho Aragonês, em Santa Cília de Jaca, Comarca de Jacetânia.


O MONASTÉRIO DE MONTSERRAT


O Monte Serreado (em catalão, Montserrat) é um maciço rochoso, tradicionalmente considerado a montanha mais importante e significativa da Catalunha (Espanha), e que concilia valores naturais, culturais e históricos.

Ele está localizado a 50 quilômetros a noroeste de Barcelona, entre as regiões de Anoia, do Baix Llobregat e Bages.

É, segundo a tradição, a montanha mais sagrada da Catalunha, e abriga o famoso Mosteiro do Monte Serreado, beneditino, dedicado à Virgem de Montserrat.

Por sinal, a ilha de Montserrat, localizada no Caribe, foi nomeada assim por Cristóvão Colombo em 1493, por possuir também uma extensa cadeia de montanhas.

Ele também tornou-se um nome próprio muito comum para as mulheres no país catalão e na Espanha, e desde o final do século 19, o nome é usado também para homens.


O Monastério de Montserrat, de outro ângulo.

O morro forma um maciço que se eleva bruscamente a oeste do Rio Llobregat e seu cume é conhecido como São Jerônimo (em catalão, Sant Jeroni), possuindo 1.236 metros de altitude.

As formas extravagantes da montanha mais emblemática na Catalunha são o resultado de um processo geológico e geomorfológico de milhões de anos, posto que ao longo dos milênios, movimentos tectônicos, alterações climáticas e a erosão, terminaram por moldar seu relevo acentuado, com enormes paredes e blocos arredondados de conglomerados de argila rosa. Em seu ventre, a erosão criou cavernas, abismos e barrancos.

A floresta mediterrânica é o tipo predominante de vegetação em Montserrat e, dentre seus destaques, incluem os carvalhos. O maciço abriga mais de 1200 espécies de plantas, incluindo pinheiros, o bordo, a tília, a aveleira, o azevinho, o buxo e o teixo.

Quanto à fauna, podemos encontrar aves, como o arqueiro.

Já em relação aos mamíferos, temos o esquilo, o morcego, o javali, assim como as cabras selvagens.

Os lobos têm gradualmente desaparecido da montanha de Montserrat, entre outros, devido à pressão humana.

Há também répteis, como cobras do tipo ibérica e anfíbios, como as salamandras.


A Virgem de Montserrat

De acordo com uma lenda, uma imagem da Virgem foi descoberta no ano de 880 na Gruta Santa, e deste então Montserrat tem sido associada à espiritualidade.

Além do mosteiro e da Santa Gruta, o complexo montanhoso contém uma série de pequenas igrejas e capelas, como a de Santa Cecília, São Bento, São João, Santa Maria Madalena, São Miguel e São Jerônimo.


Vista desde o cimo do monte Serreado.

Nossa Senhora de Monserrate, Virgem Negra de Montserrat (em catalão, Mare de Déu de Montserrat, que significa "Mãe de Deus do Monte Serreado"), é uma imagem de Maria, a mãe de Jesus Cristo, localizada no Mosteiro de Santa Maria de Montserrat.

É conhecida popularmente como La Moreneta (“A Morena”, por causa de sua cor escura), feita em madeira no século XII, e não no ano 50, como conta a lenda, sendo a sua cor escurecida resultado da transformação do verniz, devido ao tempo.


Rosário Monumental

Segundo a lenda, a imagem teria sido construída por São Lucas e levada ao seu atual local por São Pedro no ano 50. No século VIII, durante a invasão muçulmana da Península Ibérica, teria sido escondida por devotos numa caverna. A imagem teria sido reencontrada somente no ano 880, por um grupo de crianças. Um bispo teria, então, tentado levá-la para a cidade de Manresa, mas a imagem teria se tornado pesadíssima, impedindo seu translado. O bispo teria interpretado o fato como um milagre e como um sinal de que a imagem deveria permanecer no local. Teria, então, sido construído o Mosteiro de Santa Maria de Montserrat no local, para abrigar a imagem. Em 27 de abril, celebra-se a festa da Virgem de Montserrat, padroeira da Catalunha. O monte é também identificado por alguns como a localização do Santo Graal. A lenda decorre do conto alemão medieval que se refere a uma montanha chamada Monsalvat como a localização do Graal.


O Monastério de Montserrat, visto de sua parte inferior, local de partida dos peregrinos.

O Rosário Monumental de Montserrat é um conjunto de obras escultóricas, de cunho religioso, situadas no caminho que conduz ao Mosteiro de Montserrat e à gruta onde foi encontrada, segundo a lenda, a imagem da Virgem no ano 880. O caminho foi escavado ao longo da Montanha de Montserrat entre 1691 e 1704. No percurso foram situados vários grupos escultóricos dedicados ao Santo Rosário e aos quinze mistérios da Virgem, edificados entre 1896 e 1916. Na sua construção intervieram arquitetos como Antoni Gaudí, e escultores como os irmãos Agapit e Venanci Vallmitjana. Devido à sua variada autoria, o Rosário Monumental não tem um selo estilístico comum, mas em geral enquadra-se dentro do modernismo catalão.