9ª Jornada – CASTRO-URDIALES a LAREDO

9ª Jornada – Castro-Urdiales a Laredo - 25 quilômetros: “Asfalto ou Montanha!”  


               Analisando-se, de plano, a etapa não se aparentava difícil, porquanto a variação altimétrica a ser vencida, nessa etapa, seria de pequena monta.

            De qualquer forma, ainda havia possibilidade de chuva durante o transcorrer do dia, assim, levantei às 5 h 30 min e deixei o local de pernoite às 6 h 50 min, quando ainda não tinha clareado.

            Segui, então, pela rua Santander e depois pela avenida Silvestre Uchoa, que na verdade, corresponde ao traçado da tão minha conhecida rodovia N-634.

            E, apesar desse trecho ser um tanto confuso pela profusão de ruas assimétricas, bem como pela escuridão reinante, não tive dificuldades no rumo a seguir, e logo encontrei meu principal referencial: a “Plaza de Touros” da cidade.

            Naquele local avistei a primeira flecha amarela, assim, obedecendo à sinalização, adentrei à esquerda, seguindo em direção ao Camping Castro, por uma via vicinal asfaltada.

            Na sequência, ultrapassei a Autovia Nacional por um túnel e prossegui em terra, agora por uma preciosa senda em descenso, integralmente arborizada, e logo adentrava em Allendelagua, um povoado que sobrevive da criação e comércio de gado.




            A vila é pequena, porém bem típica e diferente, com velhas casas e muitas floreiras enfeitando janelas e alpendres, e onde pude observar também jardins recém-plantados, todos muito bem cuidados.

            Em seguida, já em descenso, segui por uma trilha suspensa no morro, paralela a Autovia Nacional, que transpus depois de 2 quilômetros, através de um túnel.



            Já do outro lado, acessei uma rodovia vicinal asfaltada e logo adentrei em Cerdigo, outro pequeníssimo “pueblo”, onde pude admirar e fotografar a igreja dedicada a São João Evangelista, uma construção do século XV.



            Na sequência, eu cruzei a rodovia N-634 e prossegui por uma senda matosa e empedrada, localizado à beira mar, onde precisei abrir e fechar várias porteiras, pois nesse local observei uma grande criação de gado e ovelhas pastando, pachorrentamente.

            Dois quilômetros depois, eu aportava em Islares, outro minúsculo povoado, onde precisei bordear o Camping Arenillas, localizado defronte à praia existente nesse interessante local.

            No final da rua, girei à esquerda e retornei definitivamente à rodovia N-634, seguindo pelo acostamento, no sentido contrário ao tráfego de veículos, que nesse dia mostrava-se bastante escasso.

            Três quilômetros à frente, após passar debaixo dos pilares que sustentam a Autovia Nacional, abriram-se duas opções: eu poderia seguir à esquerda, por terra, escalando montanhas e passando por extensos vales.

   Porém, tal roteiro acresceria 12 quilômetros a mais no percurso.

            Assim, optei por seguir adiante pela “carretera” e logo passava por “El Pontarrón de Guriezo” uma pequena vila que conta com um grupo de chalés e vivendas tradicionais, construídas em torno de uma moderna ponte, que transpõe o rio Aguera.

            Os primeiros registros de presença humana nessa área são do período pré-histórico, e o testemunho mais relevante dessa presunção é a série de monumentos megalíticos localizados nos cumes dos montes deste município.

   Viveu de perto a presença romana, dada a sua proximidade com Castro-Urdiales, a antiga Flavióbriga, contudo, desde o início do século XX a população apresentou descenso, tanto pelo envelhecimento, como pela migração de jovens a cidades com maiores perspectivas de emprego.

            Ali encontrei um bar aberto e aproveitei para fazer um descanso, ingerir um café, bem como para comprar água e chocolates.

            Na sequência, prossegui pelo acostamento da rodovia por mais sete quilômetros, uma jornada dura e íngreme, até aportar, depois de 1 h 15 min, em Liendo, na verdade, uma pequena vila com um conjunto de casas dispersas por um amplo vale, com um pequeno núcleo de serviços em torno da igreja de La Assunción.

            Na realidade, a maioria das construções ali erigidas pertencem a “indianos” (pessoas que emigraram, fizeram riqueza na América e depois voltaram ao seu torrão natal).

  As casas são todas muito belas, adornadas por palmeiras e jardins, tanto que aqui veraneia seu filho predileto, o Dr. Luís Rojas Marcos, um ilustre psiquiatra espanhol, que reside e trabalha em Nova York.



            Prossegui pela rodovia e mais acima adentrei à esquerda, utilizando uma variante que passa pelo povoado de Tarrueza, porém me dei mal, pois além do percurso ser também em asfalto, acresceu mais 2 quilômetros em minha jornada.



            Talvez a única nota interessante e, ao mesmo tempo, trágica, foi um monumento que pude fotografar referente ao peregrino Rodrigo Grossi Fernandes, que faleceu naquele local em 18 de maio de 2.008, quando caminhava em direção à Santiago.

            Depois de escalar íngreme elevação, acabei saindo, mais abaixo, na rodovia N-634, novamente, e por ela segui até Laredo, onde aportei depois de descer intermináveis escadarias e transpor a “Puerta de San Lorenzo”, construída no século XIII, que se encontra muito bem conservada.

   Essa belíssima cidade, localizada a beira mar, abarca a grandiosa praia de Salvé, com aproximadamente 6 quilômetros de extensão, e foi um dos principais portos da cornisa cantábrica, no século XVI.

            Hoje, com aproximadamente 13 mil habitantes, sua origem remonta ao século XI, quando o pequeno povoado surgiu no entorno do Monastério de San Martin e devido aos favores reais outorgados pelo rei Alfonso VIII, em 1.200, foram impulsionadas as relações comerciais com europeus vindos da França e Inglaterra, instalando-se ali as principais autoridades administrativas.

            Tanto isto se fez presente que ainda existem na cidade, em excelente estado de conservação, o palácio “del Condestable”, e muitos outros, dentre os quais se destacam os das famílias Arcentales, Hoz e Gutiérrez Rada, todos edificados entre os séculos XV e XVII.

            No entanto, as diversas guerras e pestes que assolaram esta parte da costa cantábrica, após o século XVI, frearam o seu desenvolvimento até as primeiras décadas do século XX, porém na atualidade, Laredo se converteu em importante centro turístico, frequentada pelos que buscam a beleza de suas paragens e praias.

            Na cidade, fiquei hospedado no Hostal Salomón, um dos melhores e mais luxuosos estabelecimentos em que pernoitei durante minha aventura, e está localizado numa grande avenida que bordeja o “casco viejo” dessa belíssima e carismática urbe.



            Após o almoço e um bom descanso, fui visitar a igreja de Santa Maria, uma emblemática construção gótica datada do século XIII, qual seja, dos primórdios dessa bela vila, cuja data oficial de fundação remonta ao ano de 1.068.

            Depois, fui andar pelo calçadão à beira mar, para um passeio e, também, aproveitar para conhecer o local por onde sairia na manhã seguinte.

            Como nos dias pretéritos, fiz um singelo lanche no quarto e logo fui dormir, pois a jornada seguinte seria bastante extensa, sem contar as complicações inerentes ao caminho.



IMPRESSÃO PESSOAL – Uma etapa de pouca variação altimétrica, no entanto, bastante dura pois, caminhei aproximadamente 4 quilômetros em terra, os demais, em piso asfáltico, um tormento para os pés, contudo, para compensar, em meio a belíssimas paisagens e muito verde.

10ª Jornada - LAREDO a SANTANDER