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05º dia - SEGÓVIA a SANTA MARIA EL REAL DE NIEVA - 36 quilômetros


05º dia - SEGÓVIA a SANTA MARIA EL REAL DE NIEVA - 35 quilômetros

O Caminho nos mostra a melhor maneira de chegar e nos enriquece à medida que passamos por ele.



Seria uma longa jornada, assim, deixei o local de pernoite às 6 h e segui por ruas frias e vazias, até a praça central da cidade, onde está localizada a Catedral de Segóvia.

A partir daquele local, por estreitas e silenciosas ruas, passei a descender e, quatro quilômetros à frente, depois de transitar pela vila de Zamarramala, adentrei numa larga estrada de terra, situada entre imensos trigais, onde segui em frente confiante.

O dia finalmente clareou e prossegui sempre em excelente ritmo, pois, praticamente, não há acidentes altimétricos no percurso.

Assim, sem maiores dificuldades transitei pelos pequenos “pueblos” de Valseca e Los Huertos, onde fiz uma pausa para hidratação e ingestão de uma banana.

Na sequência, caminhei um bom tempo sobre a “Via Verde do Vale do rio Eresma”, um caminho integralmente plano, que utiliza o traçado de uma antiga ferrovia desativada, que ligava Segóvia e Medina del Campo.

Nesse trecho, tive a companhia, pelo lado esquerdo, de um imenso bosque de pinheiros.

Posteriormente, transitei mais de hora em meio a imensas pastagens, por uma trilha gramada, um bálsamo para os meus pés cansados.

Mais adiante, sempre entre trigais, transitei por Añe, um dos menores povoados que o caminho atravessa.

A povoação seguinte foi Pinilla-Ambroz, onde também não vi comércio aberto ou pessoas nas ruas.

Por sorte, dentro da vila encontrei, sequencialmente, 3 fontes de água potável, o que me permitiu matar a sede e repor o conteúdo de minha garrafinha plástica, que já estava se findando.

No trecho derradeiro, também, nada mudou, pois prossegui caminhando solitário, em grandes retões, a perder de vista, entre imensos trigais, algo um tanto monótono.

Mas, eu estava com meu radinho ligado, fone nos ouvidos, assim, segui animado, ouvindo música espanhola.

E sem maiores intercorrências, cheguei a Santa Maria, mas ainda precisei caminhar mais 2 quilômetros pelo acostamento de uma rodovia, para aportar ao excelente Hostal Avanto, onde me hospedei nesse dia.

Algumas fotos da jornada desse dia:


Em Segóvia, a sinalização está no solo.


Adentrando ao campo, entre trigais.


Adentrando ao povoado de Valseca.


Campos desertos e silenciosos...


Não avistei vivalma nesse dia, pelas estradas rurais.


Quase chegando em Los Huertos.


Caminhando em direção a um bosque.


Trânsito pela Via Verde de Eresma. Tudo reto e plano.


Local para descanso...


Homenagem a um peregrino inglês que morreu nesse local em janeiro/2013.


Piso matoso, excelente para os pés.


Adentrando à pequena vila de Ane.


De volta à solidão dos campos..


Uma interessante sinalização..


Quase chegando... retões a perder de vista..


Santa Maria já aparece no horizonte.


Caminhando em zona urbana.

A vila de Santa Maria El Real de Nieve foi fundada por Dona Catalina de Lancaster, em virtude da milagrosa aparição da Virgem de la Soterraña que, segundo a lenda, foi localizada por um pastor, no ano de 1392.

A atividade principal da povoação, desde o século XV, foi a fabricação de tecidos, que se consolidou pelos incentivos que o reino ofertava, até seu declínio no século XIX.


A igreja matriz de Santa Maria.

O antigo conjunto conventual alberga a igreja de Nuestra Señora de la Soterraña, cujas obras se iniciaram em 1393, prolongando-se até 1399.

Um ano depois teve início a construção do monastério, do qual só se conserva o magnífico claustro.


Seu famoso claustro.

Declarado Monumento Nacional, seu estilo reflete a transição do românico para o gótico.

Trata-se de uma coleção de 87 capitéis, que encimam as colunas do claustro e permitem um detalhado estudo da vida cotidiana durante a Idade Média.


O famoso claustro, de outro ângulo.

No interior da igreja matriz está o túmulo da rainha Blanca I, de Navarra, que faleceu nessa cidade em 1441.

População: 1.013 habitantes


Um peregrino esloveno, o primeiro que encontrei no Caminho. Mas estava bebendo e andando de ônibus. Caminhar, nem pensar...

Em Santa Maria El Real de Nieva fiquei hospedado no Hostal Avanto, de excelente qualidade, mas localizado a 2 quilômetros do centro urbano.

Para almoçar, utilizei os serviços do restaurante instalado no andar térreo do hostal, onde despendi apenas 9 Euros, por um delicioso “menú del dia”.

IMPRESSÃO PESSOAL – Nessa jornada eu caminhei pelas austeras paisagens de Castilla, atravessando pequenos povoados, quase todos, sem comércio. Foi um largo trajeto por paisagens solitárias e escassas de sombras. Por sorte, no final dessa etapa eu adentrei em Santa Maria la Real de Nieva, que oferta o magnífico claustro de seu monastério aos viajantes e eu não podia deixar de visitá-lo. Os 87 capitéis do claustro refletem como era a vida cotidiana na longínqua Idade Média: trabalho no campo, caçadas, torneios, monges, músicos, animais fantásticos, tudo esculpido com um realismo surpreendente, a nos transladar para o ano 1400.

No global, uma etapa de grande extensão e, praticamente, sem sombras, mas o clima ameno auxiliou, em muito, a minha caminhada. Foi apenas nessa jornada que avistei o primeiro peregrino no roteiro, bebendo num bar em Santa Maria; um esloveno, de nome Sebástian, com quem conversei rapidamente, embora, pelo que depreendi, ele estava percorrendo o caminho de ônibus.