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07º dia – COCA a ALCAZARÉN - 24 quilômetros


07º dia – COCA a ALCAZARÉN - 24 quilômetros

...mas, de qualquer forma, o Caminho de Santiago existe! E nele está a magia, o espírito e a semente de um mundo novo, mais humano, melhor e diferente.




Seria outra jornada de média extensão e, segundo havia lido, uma repetição, em termos visuais e altimétricos, da etapa anterior.

Assim, calmamente me levantei, fiz as abluções necessárias e parti às 7 horas, quando os outros 2 peregrinos que haviam pernoitado comigo no albergue, ainda preparava o seu desjejum.

Deixei Coca pela sua “Plaza Mayor”, caminhei próximo da torre de San Nicolás, depois segui pelo “Camino Viejo del Molino” e, logo adiante, ultrapassei o rio Voltoya por uma ponte.

Após vencer leve ascenso, logo me internei no meio de áreas agriculturadas, passando, quase em seguida, a transitar por um interminável bosque de pinheiros, em sendas de piso composto de areia fina, sempre paralelo ao rio Eresma.

Uns dois quilômetros adiante eu emergi em campo aberto e caminhando entre plantações de trigo, cheguei a Villeguillo, o último município segoviano em meu caminho.

A pequena povoação conta com apenas 150 almas, mas oferece um excelente albergue e dispõe de um só bar onde, segundo informações, atendem amavelmente os peregrinos.

Ultrapassei tranquilamente a minúscula vila e logo eu estava de volta aos campos de cereais, quando ainda me restavam 18 quilômetros para encerrar a jornada.

Caminhei mais 2 quilômetros por larga estrada de terra sem sombras, situada entre trigais.

Na sequência, adentrei em outro imenso bosque de pinheiros e dentro dele, caminhei mais 5 quilômetros, uma tônica também nessa etapa.

Depois, segui por uma rodovia vicinal, utilizei uma ponte para transpor o rio Eresma e, na sequência, depois de vencer pequeno aclive e fazer um giro de 90 graus, à esquerda, me internei novamente em outro colossal pinheiral.

Mais de uma hora depois, voltei a caminhar entre trigais, porém, logo apareceram vinhedos também, que me acompanharam até a chegada a Alcazarén, minha meta para esse dia.

Eu segui em direção ao bar Real, onde me foi disponibilizada a chave do albergue de peregrinos da cidade.

Nesse dia ocorreu algo estranho, pois após banho e a necessária lavagem de roupas, saí para almoçar e ao retornar, como de praxe, deitei para descansar.

Duas horas mais tarde, quando me levantei, senti a garganta raspando, dores nas articulações e um pouco de febre, algo que nunca me havia ocorrido na Espanha.

Lembrei-me, então, que enquanto eu ingeria minha refeição no bar, um senhor espirrara diversas vezes à minha retaguarda; será que eu fora contaminado por alguma virose, pensei.

Bem, ingeri um antigripal que havia levado do Brasil em meu “pronto-socorro” e, sonolento, me deitei novamente.

Quatro horas depois, mais animado, tive forças para ir até o bar Real, onde engoli um caldo quente e uma “tortilla espanhola”.

Antes de me deitar, voltei a tomar outro antigripal e dormi muito bem, pois estávamos, novamente, em apenas três pessoas no recinto.

No dia sequente, graças a Deus, levantei bem-disposto, como se nada houvesse acontecido; pena que não pude visitar a igreja matriz e nem fotografei a cidade de Alcazarén, pois quando parti na manhã seguinte, ainda estava tudo escuro.

Algumas fotos da jornada desse dia:


O primeiro trecho do dia também foi entre trigais.


Depois, para variar, trânsito por ermos bosques.


Trecho plano, muito bom para caminhar.


Seguindo em frente, eternamente solitário...


Trajeto plano e sem sombras.


Extensos trigais, a perder de vista.


Natureza exuberante..


Quase no final da jornada. Um repeteco da anterior..

Situada na Província de Vailadolid, seu nome de origem árabe significa “os dois alcazares”.

O município conta com terrenos ricos em replantio de pinheiros e vinhedos, mas também se cultivam cereais e vários tipos de tubérculos.

Sua principal atividade econômica procede da exploração de setor agrícola, ainda que existam pequenas indústrias locais.

Conta com a igreja mudéjar de Santiago Apóstolo, declarada bem de interesse cultural, uma construção do século XIII.

Em seu interior se conservam restos de afrescos góticos datados do século XIV.

Seus extensos vinhedos, situados em zona de cascalho, levam a denominação “Rueda”.

População atual: 650 habitantes.


Em Alcazarén eu pernoitei no Albergue de Peregrinos, uma construção moderna e funcional. Além de todas as comodidades que um caminhante necessita, ele oferece 4 beliches em seu dormitório. Nesse dia, dormimos em 3 pessoas no local, pois além de mim, havia apenas um casal de americanos, o mesmo que pernoitara comigo em Coca. Preço: 5 Euros.

Para almoçar, eu utilizei os serviços do bar Real, onde degustei 2 “platos combinados”, por apenas 10 Euros.

IMPRESSÃO PESSOAL – Nessa etapa eu deixei a Província de Segóvia para adentrar na de Valladolid, porém a paisagem foi uma continuação da jornada anterior, com extensos pinheirais, caminhando por sendas cujo piso era composto de areia fina. Também, transitei sobre caminhos que foram utilizados, durante séculos, por pastores conduzindo rebanhos de gado transmutantes, que migram para as montanhas no verão, e para as planícies no inverno. Veredas também utilizadas pelos “segadores” galegos, quando vinham trabalhar na colheita do trigo, nos campos de Castilla.

No global, outra jornada de média extensão, praticamente, toda plana, onde o forte seguiram sendo os imensos pinheirais. Mas, encontrei também, plantações de trigo e alguns vinhedos. O dia se manteve fresco, com temperatura amena, o que contribuiu, sensivelmente, para meu tranquilo e algo monótono deslocamento.