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1º dia – MADRI a TRES CANTOS – 28 quilômetros


1º dia – MADRI a TRES CANTOS – 28 quilômetros

Mergulhar na natureza desde o amanhecer e descobrir o tamanho real que o homem ocupa no universo, este é o tesouro secreto que aguarda o peregrino.




A primeira parte da jornada seria toda urbana, de forma que parti às 6 h, sob uma temperatura de 7 °C.

Primeiramente, segui até a igreja de Santiago, onde me persignei e pedi proteção ao Santo Apóstolo, ainda que pelo lado exterior do templo, já que o mesmo, previsivelmente, se encontrava fechado.

Então, animado e otimista, dei início ao percurso daquele dia.

Eu tinha o traçado desse caminho gravado no aplicativo Wikiloc, inserto em meu aparelho celular, e foi por ele que me guiei, pois somente depois de caminhar 7 quilômetros, ao chegar a “Plaza de Castilla”, foi onde visualizei a primeira flecha amarela.

Para aqueles que se sentirem inseguros em percorrer esse trecho inicial, recomendo tomar um táxi ou ir de metrô até esse local.

A partir dali, com o dia claro, não tive mais problemas com a sinalização, pois o Caminho de Madri também está estupendamente bem marcado.

Lentamente, fui deixando a civilização, e depois de 13 quilômetros, ao ultrapassar o bairro de Fuencarral, onde há um cemitério, adentrei em estradas de terra e, mais adiante, passei a caminhar pelo interior de um grande parque, por onde, historicamente, transitava o gado em busca de novas pastagens.

Depois, sempre por estradas bem demarcadas, caminhei ao lado das vias férreas, até que, mais adiante, eu as transpus por um túnel.

Então acessei uma trilha localizada ao lado de uma ciclovia, por onde segui até o final da etapa.

Nesse trecho derradeiro, eu fui escoltado pelas linhas férreas, do lado esquerdo, e pela Autovia Nacional, situada a uns 200 m, do meu lado direito.

Por isso, o barulho do trânsito e a passagem dos trens acabaram por interferir, negativamente, em minha introspecção.

Na verdade, o Caminho passa ao largo da cidade de Tres Cantos e precisei caminhar mais 1.500 m em zona urbana, até chegar ao Hostal Tres Cantos, onde havia feito reserva.

Algumas fotos da jornada desse dia:


A primeira flecha que avistei nesse dia, na "Plaza de Castilla".


Cruzeiro localizado atrás do Cemitério de Fuencarral.


Finalmente, adentrando em estradas de terra.


Uma antiga estrada por onde se movimentava o gado.


Caminho muito bem sinalizado.


Caminho ermo e silencioso ainda.


Cavalos dão o tom nesse trecho.


Rotatória existente na entrada da cidade de Tres Cantos.

A origem da cidade de Tres Cantos remonta aos anos 1960, quando os tecnocratas da Opus Dei tiveram a ideia de resolver os problemas de habitação e a explosão demográfica de Madri, com a criação de um aglomerado urbano de grandes dimensões, em seus arredores.

Como resultado desta ideia, em 1971 foi criado o “Plan Actur” (Atuações Urbanísticas Urgentes), para colocar em prática esse plano, objetivando descongestionar a grande urbe madrilenha.

Em 1976 cria-se Tres Cantos S.A., empresa pública que começa a construção da nova cidade, a mais jovem da região e uma das poucas projetada sobre o papel. 


Tres Cantos: cidade nova e muito bem cuidada.

Graças ao fenômeno do cooperativismo, fomentou-se durante a década dos anos 80 a construção massiva de uma impressionante quantidade de casas por todo o novo município.

Foi no ano de 1982 que chegaram a Tres Cantos seus primeiros habitantes, de fato, em condições muito precárias.

Nos nove anos seguintes, a povoação pertenceu a Colmenar Velho, até que em 21 de março de 1991, ela se converteu numa cidade autônoma e independente.


Ruas limpas e planas.

Seu nome deve-se a um marco geodésico existente próximo aos terrenos de onde se edificou a cidade.

Situada 23 quilômetros ao norte de Madri, a imensa maioria das pessoas, que nela habita, trabalha na capital espanhola.

População: 41 mil habitantes


Tres Cantos, vista parcial de sua praça central.

Em Tres Cantos fiquei hospedado no Hostal Tres Cantos, localizado a 1.500 m do Caminho, de excelente qualidade.

Para almoçar, utilizei os serviços do Restaurante Envero, onde despendi 11 Euros por um saudável “menú del dia”.

IMPRESSÃO PESSOAL – O Caminho se inicia na Plaza de Santiago, em pleno centro histórico da capital espanhola, depois segue por um rosário interminável de ruas, praças e avenidas, sempre em direção ao norte, até sair da grande urbe. A segunda parte da jornada foi feita em campo aberto, por um vale, sobre um antigo caminho por onde transitava gado em busca de novas pastagens. Mais adiante, segui paralelo às vias férreas e, posteriormente, ao lado uma pista cimentada, exclusiva para ciclistas. Pode parecer desencorajador esse início, porém, passar pela luminosa cidade de Madri compensa, e muito, todo o esforço despendido.

No global, caminhei 13 quilômetros em zona urbana até, finalmente, adentrar em estradas de terra. Essa etapa é praticamente toda plana e não apresenta maiores obstáculos ao peregrino, além de estar muito bem sinalizada. Por sorte, nesse dia, o clima se manteve ameno, com temperatura máxima ao redor de 13 °C, já que não há sombras no trajeto.

 02º dia – TRES CANTOS a MANZANARES EL REAL - 27 quilômetros