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3ª etapa – TORTOSA à GANDESA – 43 quilômetros


3ª etapa – TORTOSA à GANDESA – 43 quilômetros


Você não é derrotado quando perde. Você é derrotado quando desiste.” 


Bem, a jornada seria difícil e de grande extensão.

Pensando nisso, deixei o local de pernoite às 5 h 30 min, seguindo em direção ao “casco viejo” da cidade, utilizando para tanto, sua artéria principal: a Avenida Generalit.

O clima se apresentava frio, e um vento cortante varria as ruas desertas por onde eu transitava.

Havia pensado muito na noite anterior e resolvera seguir o traçado oficial do Caminho do Ebro, de forma que, depois de caminhar 1.000 metros, aproximadamente, por uma ponte, atravessei o rio Ebro, depois segui em direção a uma grande rotatória.

Na sequência, eu deveria seguir por uma rodovia, à esquerda, em direção a Roquetes, depois passar pelo bairro de Jesus, cujo nome provém de um convento fundado pelos franciscanos em 1429.

Ocorre que estava escuro ainda, tudo fechado, de maneira que não teria visão e nem poderia visitar os locais por onde transitaria.

Assim, observando o mapa que portava, optei por seguir diretamente pela rodovia C-12, já que, mais adiante, o traçado do caminho atravessa essa “carretera” e, quando atingi esse local estratégico, adentrei à direita, numa estrada de terra.


Primeira placa de indicação do dia.

Uma placa, ali afixada, me informava que eu estava seguindo em direção ao “Camí del Riu”.

Então, por uma pequena ponte, atravessei um canal de irrigação e, imediatamente, encontrei um caminho de terra que seguia paralelo a esse curso d'água.

Com a lanterna ligada, encontrei a primeira flecha amarela do dia.

Pronto, eu estava novamente no Caminho, e pude relaxar.

Esse percurso inicial se mostrou agradável, plano, arejado, e pude seguir tranquilo e em oração, enquanto lentamente mais um dia raiava.


Na Via Verde, em direção à cidade de Aldover.

A estrada foi torcendo lentamente à esquerda e, após uns três quilômetros, passei a caminhar ao lado de um caminho asfaltado, ladeado por cercas de madeira.

Tratava-se da Via Verde do Baixo Ebro, construída em 1945 para o transporte de mercadorias e pessoas de Tortosa, até Valjunquera, cuja edificação se encerrou sem atingir a cidade de Alcañiz, como fora projetado.


Placa explicativa sobre o trajeto da Via Verde na Catalunha.

Em 1973, como tantas outras vias férreas remanescentes da Espanha do ditador Franco, ela foi desativada.

Então, seu traçado foi utilizado para se criar uma cômoda pista destinada a pedestres e ciclistas.


Mais um dia amanhecendo!

De se destacar em seu trajeto, que ela atravessa por uma grande quantidade de túneis, as abruptas montanhas que se abrem a sua frente.

Eu reavaliei novamente os mapas que portava e verifiquei que, a partir daquele ponto, tanto o Caminho Jacobeu que eu percorria, o rio Ebro e a Via Verde, seguiam praticamente paralelos.

Então, resolvi prosseguir diretamente pela Via Verde tendo em vista que, embora ela tivesse o piso asfaltado em toda a sua extensão, ao menos me proporcionaria sombras, pois estava cercada por exuberante vegetação em quase todo o seu trajeto.

Dessa forma, prosseguindo em minha jornada, depois de 10 quilômetros vencidos, passei pela pequena aldeia de Aldover, que conta atualmente com 940 habitantes.


Antiga Estação Ferroviária de Aldover.

A pequena povoação ainda dormia, e encontrei apenas 2 pessoas passeando com seus cães, por ruas limpas e arborizadas.

Notei que a antiga estação de trem da cidade está muito bem conservada e com pintura recente.

Verifiquei, ainda, que já havia um bar aberto quase na saída da cidade, porém eu estava bem nutrido e segui adiante.


Na Via Verde, em direção à cidade de Xerta. Muito verde no entorno.

O roteiro prosseguiu estupendo e, em alguns locais, eu passei em meio a enormes paredões rochosos.

O sol logo surgiu iluminando o ambiente, mas a vegetação lateral me protegia de seus raios solares.

Quase sempre retilíneo, o caminho se mostrou arejado e hidratado, pois um vento frio soprava diagonalmente, provindo das montanhas situadas do meu lado esquerdo, para onde eu seguiria, mais à frente.


Na Via Verde, em direção à cidade de Xerta. Grandes paredões rochosos.

Depois de 15 quilômetros caminhados, eu adentrei em Xerta, outra pequena vila, também situada junto ao rio Ebro e a Via Verde.

De possível origem ibero-romano, ela se se identifica com a ilercavona Osikerda.

Com o domínio árabe, se criaram numerosas canalizações para o aproveitamento das águas do Ebro, procedentes das montanhas que a circunda, e a esse respeito ainda se conserva um documento de 1398, onde Pedro “El Ceremonioso”, cita a cidade de Xerta, sobre um pedido feito a Pauls.


Transitando pela cidade de Xerta.

A base de economia de seus 1.500 habitantes é a agricultura, com amplas zonas destinadas ao cultivo de oliveiras, laranjais e tangerina, todas em áreas irrigadas.

Sua igreja matriz tem como padroeira Nossa Senhora de Assunção.


Igreja matriz de Xerta. No campanário, quatro cães miram a cidade.

De se ressaltar que ela conta com um campanário neoclássico, do século XX, onde, curiosamente, existem 4 figuras de cães em seus vértices, todos olhando para baixo.


Igreja matriz de Xerta, uma construção do século XIII.

Eu atravessei lentamente a cidadezinha, fotografei sua igreja matriz, depois solicitei informações a um amável senhor, e logo chegava diante da antiga estação ferroviária de Xerta.


Antiga Estação Ferroviária de Xerta.

Ali fiz fotos, além de uma pausa para hidratação e ingestão de uma banana.

A partir desse local, o roteiro oficial do Caminho del Ebro coincide com a Via Verde.

Logo acima, por um túnel, eu atravessei sob a rodovia C-12, enfrentei suave ascenso e logo cheguei junto a um mirador de onde eu detinha uma estupenda visão da represa de Xerta.


"...por um túnel, eu atravessei sob a rodovia C-12.."

Trata-se de uma extensa barragem, fruto de uma grande obra de engenharia, possivelmente, de origem romana ou islâmica, concluída em 1411, sob a direção de Mussá Alami, quando da dominação muçulmana na região.

A obra consiste numa represa edificada em diagonal às bordas do rio, com uma extensão de 375 metros, e sua principal função é elevar o nível da água do curso d'água para desviar uma parte dessa para canais de irrigação a direita e a esquerda do Ebro, que nascem nos extremos da represa.

Essa comporta foi declarada bem Cultural de Interesse Nacional em 2002, na categoria de Monumento Histórico, pelo governo da Catalunha.


A barragem de Xerta.

Fiz uma pausa ali para fotos e observação dessa portentosa edificação, depois segui adiante.

Então, teve início a passagem por uma sucessão de túneis, a maioria de pequena extensão.


Via Verde, início da sucessão de túneis.

No entanto, existem alguns com mais de 1.000 metros de comprimento e que, por sorte, oferecem em seu interior iluminação, cuja eletricidade é proveniente de painéis solares.

De qualquer maneira, sabendo que tal conforto poderia falhar em alguma galeria, prudentemente, levava minha lanterna no bolso e precisei utilizá-la algumas vezes.

O caminho seguiu sempre entre farta vegetação ou, então, junto a enormes paredões rochosos.


Na Via Verde, em direção à Estação de 
Benfallet.

O dia se apresentava luminoso e fresco, mas o sol ainda não havia atingido seu ápice.

Dessa forma, embora integralmente solitário, minha caminhada se mostrou profícua e agradável.


Na Via Verde, em direção à Estação de Benfallet. Mais um túnel à frente.

Embora o trajeto seja sempre em leve ascenso, pude caminhar num ritmo constante e quase não senti o tempo passar.

Na verdade, nos primeiros 10 quilômetros dessa Via, fui ultrapassado apenas por 2 ciclistas que, estranhamente, nem me cumprimentaram.


Na Via Verde, em direção à Estação de Benfallet. Tudo plano e arborizado.

Nesse tramo, ultrapassei um túnel reto, com dois quilômetros de extensão, que curiosamente tem uma particularidade: só duas vezes por ano, a luz do amanhecer produz um fino e efêmero conjunto de raios luminosos em seu interior.

O roteiro prosseguiu quase indefinidamente retilíneo e sempre cercado por profusa vegetação.


Na Via Verde, em direção à Estação de Benfallet. Muito verde no entorno.

Foram tantos túneis ultrapassados, que logo perdi a conta.


Na Via Verde, em direção à Estação de Benfallet. Passando por uma sucessão de 4 túneis, em sequência.

De fato, é preciso atravessar com a devida precaução as pontes e os desfiladeiros situados entre altas montanhas, que, sem dúvida, apresentam uma beleza indescritível, e propiciavam uma autêntica sucessão de panoramas, odores e sensações, para um peregrino solitário como eu.


Na Via Verde, antiga Estação Ferroviária de Benfallet.

Depois de aproximadamente 12 quilômetros, passei diante da antiga estação de Benfallet, onde existe uma pensão, além de um bar e restaurante.

Estávamos numa sexta-feira, e notei intensa atividade no local, monitorada por guias de turismo e professores de educação física.

Tudo porque no final de semana aconteceria uma extensa programação a ser desenvolvida no entorno, como jogos, prova de atletismo, passeios ciclísticos, etc.


O caminho prossegue plano e com muito verde no entorno.

Eu apenas apreciei a movimentação, aproveitei para tirar fotos, depois segui meu caminho.


Atravessando entre grandes rochas.

O roteiro seguiu agradável, agora em meio a uma grande serra, dotada de imensas montanhas pétreas.

Tudo plano e deserto, num ritmo uniforme prossegui animado e curioso, pois os túneis voltaram a se suceder.


Na Via Verde, antiga Estação de Pinell de Bray.

Mais cinco quilômetros vencidos, passei diante da antiga estação de Pinell de Bray, situada num local amplo e bem conservado.

Porém, diferentemente da anterior, tudo ali estava deserto e silencioso.


Na Via Verde, com telas protetoras do lado direito.

Prosseguindo, passei a caminhar junto a um desfiladeiro e, nesse trecho, as cercas laterais ofereciam uma vedação extra, com a colocação de telas protetoras do lado direito, certamente, para prevenir acidentes.


Foram tantos túneis, que até perdi a conta...

Depois, houve uma nova sucessão de túneis, alguns de razoável extensão e sem iluminação interior.


Mais telas protetoras nesse trecho, por conta de precipício lateral.

Porém, como o sol já estava bem alto, foi possível ultrapassá-los sem maiores dificuldades.

Finalmente, o caminho se enveredou para a direita e logo observei, abaixo, o Santuário de Foltcalda.

Então, seguindo à sinalização, abandonei definitivamente a Via Verde e descendi cuidadosamente por uma senda bastante empinada.


Adentrando no Santuário, Em primeiro plano, o rio Canaletas.

No plano, ultrapassei o rio Canaletas, depois segui em direção à igreja e demais instalações, pois ali existe um bar e um restaurante, além de aprazível área para descanso, dotada de bancos e ajardinamento.

Eu estava sedento e precisava repor o estoque do precioso líquido, contudo, para minha decepção, encontrei tudo deserto e fechado.

Também não localizei torneiras ou fontes artificiais, onde pudesse aplacar a minha sede, de forma que apenas fiz fotos do entorno.


Famoso Santuário de La Fontcalda.

O nome desse lugar se deve a existência da antiquíssima “Fonte de los Xorros”, localizada num estreito vão à esquerda do curso do rio Canaletas, cujas águas minero medicinais brotam a temperatura de 30 ºC.

Nesse local se instalou no século XIV uma comunidade trinitária que, mais tarde, ao se mudar do lugar, não teve continuidade.

Posteriormente, em 1753, se edificou uma igreja dedicada à Nossa Senhora Mãe de Deus que, durante a Guerra Civil espanhola, sofreu sérios bombardeios.

O local conta com uma zona de descanso, hostal e bar-restaurante, para atender os numerosos turistas que visitam essa área nos finais de semana.


Fonte existente em La Fontcalda. Mas estava seca.

Eu estava confuso quanto à rota a seguir, então, por sorte, chegou um casal de viajantes, com o qual tomei informações.

Na realidade, existem duas formas de chegar e sair daquele Santuário.

O primeiro seria ascender a montanha, por uma estrada asfaltada que, em seu topo, abriga o Parque da Fonteta, e tem 13 quilômetros de extensão.

Por essa via seguem os carros e os ciclistas.


Deixando La Fontcalda, em direção às escadarias.

Mas, para os peregrinos ou caminhantes ousados, o trajeto se inicia pelas rochas situadas à beira do rio Canaletas.

Eu estava sedento por água fresca mas, na falta desta, bebi e enchi minha garrafa plástica na própria “Fonte de los Xorros”, depois segui adiante, pois o sol e o calor se faziam opressivos.


Deixando La Fontcalda, em direção às escadarias. Do lado esquerdo, o rio Canaletas.

O caminho segue o curso do rio Canaletas, por um estreito desfiladeiro localizado entre altas e rochosas paredes.

Depois, prossegue por escadarias, que estão orladas por corrimões laterais, para prevenir quedas e auxiliar na impulsão.


Escadarias em ascendência, à frente.

Foi um trajeto difícil e perigoso, pois existem degraus ascendentes e outros em forte descenso, os quais venci com extremo cuidado, pois uma queda ali seria fatal.

Superado esse primeiro obstáculo, passei a caminhar por trilhas que, em alguns locais, se mostraram extremamente confusas, por deficiência de sinalização.


Monumento ao Peregrino, no caminho rumo à Gandesa.

Contudo, aos trancos e barrancos fui superando esses obstáculos e, mais acima, sempre em aclive, passei junto de uma escultura em forma de dois pés, que homenageia os peregrinos do Caminho de Santiago.

A partir de ponto, caminhados 37 quilômetros, a estrada seguiu em forte ascenso e quase sem sombras protetoras.


Escalando a “Sierra de Pàndols”.

Eu me encontrava bastante desgastado pela longa jornada vencida até esse patamar, quando o roteiro se inclinou de vez, forçando-me a utilizar as derradeiras energias para seguir adiante.

Foram momentos tensos e de superação, porque minha água estava no fim e sabia que, se algo me ocorresse, eu estaria em sérios apuros, pois não havia outros peregrinos me seguindo nesse dia.

Depois de vencer três patamares distintos, já no topo, passei junto a uma pedra denominada “El Frare”, batizada em homenagem a uma pessoa que havia afirmado que o Caminho do Ebro era integralmente plano.


Escalando a “Sierra de Pàndols” Trajeto duríssimo.

Eu ainda segui em ascenso, por um quilômetro, até atingir uma enorme pedra conhecida como “Bordón de la Peregrina”, uma formação rochosa que se assemelha a um cajado.

E, finalmente, cheguei ao topo da elevação.

Graças a Deus, a morte, que viajava clandestina em minha mochila, havia ficado no caminho.

Fiz ali uma pausa retemperadora, pois me encontrava integralmente esgotado pela longa distância vencida até aquele local.


Restam apenas 4,4 km até Gandesa, a partir dessa placa.

Uma placa afixada num poste de madeira me informava que ainda restavam 4,4 quilômetros para Gandesa, onde eu pernoitaria.

Enquanto tomava o derradeiro gole da água que dispunha, relembrei que nesse derradeiro trecho eu superara o “collado” de En Torner, localizado na mítica “Sierra de Pàndols” que, em 1938, fora palco da terrível Batalha do Ebro.

Mas, afinal, o que foi a Batalha do Ebro?

No verão de 1938, quando já havia transcorrido um ano de Guerra Civil espanhola, a situação dos exércitos da II República estava sumamente comprometida.

Sem alternativa, o presidente Negrím e o general Vicente Rojo decidiram tomar a iniciativa e lançaram sua última grande ofensiva, iniciando a mais larga e cruenta batalha de toda a Guerra Civil Espanhola, numa frente estabelecida junto ao rio Ebro, desde Tarragona até Zaragoza.




No dia 25 de julho eles cruzaram o rio em diferentes pontos, aproveitando o fator surpresa, porém a reação das forças franquistas foi muito rápida e teve início uma batalha de intenso desgaste, onde morreram mais de 20 mil soldados.

As baixas chegaram a ser equiparadas, proporcionalmente, àquelas experimentadas pelos exércitos da frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial.

Depois de 4 meses de luta, em novembro de 1938, as tropas republicanas voltaram a cruzar o rio Ebro, acantonando-se na Catalunha.

Os republicanos haviam fracassado em sua ofensiva e a derrota na batalha do Ebro, confirmava que a Guerra Civil chegava ao seu final, com a posse do Generalíssimo Franco, cuja ditadura durou até sua morte, em 1975.


Chegando à cidade de Gandesa. Caminho duríssimo, nesse inesquecível dia...

Bem, eu estava um tanto debilitado, mas precisava seguir adiante e o fiz, descendendo por uma rodovia asfaltada.

Já no plano, superei leve ascenso por uma estrada de terra que se internou num bosque e, mais acima, acabei novamente por sair na rodovia C-43, e por ela aportei em Gandesa, minha meta para aquele dia.

Na cidade fiquei hospedado na Funda Serres onde, por 22 Euros, pude dispor de um quarto e banheiro bastante confortáveis.

Depois de retemperador banho, fui almoçar no restaurante Sibarites, onde paguei 11 Euros por um excelente “menu del dia”.


Rotária principal, localizada na cidade de Gandesa.

A cidade, pertencente a província de Tarragona, tem uma população de 3 mil pessoas e é a capital da comarca da Terra Alta.

A palavra Gandesa em língua ibérica, anterior a influência latina, pode significar castelo, reduto ou refúgio.

Sua igreja matriz, dedicada à Nossa Senhora da Assunção, remonta o século XIII, foi edificada em estilo românico e complementada com ornamentação mudéjar.

A história de seu escudo tem uma origem muito peculiar, pois em 17 de outubro de 1319, a cidade celebrou as bodas reais do príncipe Jaime, primogênito de Jaime II “El Justo”, com a princesa Leonor, filha de Fernando IV.

O casamento ficou conhecido como “A Farsa de Gandesa”, pois após a cerimônia, o príncipe fugiu da igreja deixando para trás suas luvas.


Uma rua antiga da cidade de Gandesa.

Assim, o escudo da cidade de Gandesa é representado por uma luva.

Devido aos combates durante a Batalha do Ebro, a povoação é mencionada na canção conhecida como “El Frente de Gandesa”.

Durante e contenda franquista, sofreu os rigores da guerra em frente o Ebro e hoje em dia, um museu instalado em sua praça central, se destina a rememorar aqueles tristes dias.

Sua atividade econômica principal é a produção vinícola, mas ali também se cultivam em larga escala, amêndoas e oliveiras, sendo que o azeite, proveniente das Terras Altas, desfruta do reconhecimento de uma denominação única de origem protegida.


A primeira flecha da etapa do dia seguinte.

Depois de uma necessária soneca fui, primeiramente, verificar o local por onde deixaria a cidade na manhã seguinte, um sábado, pois havia em mim muita inquietude quanto a esse detalhe, porque todos a quem perguntei, desconheciam o roteiro 
sequente do Caminho do Ebro.

Clarificado esse item, fui até a igreja matriz da cidade, cuja padroeira é Nossa Senhora da Assunção.


Porta da igreja matriz da cidade de Gandesa.

Depois das fotos e uma visita demorada em seu interior, dei um breve giro pela pequena cidade, aproveitando para descansar em sua praça principal.

Em seguida, me provi de víveres num supermercado e logo me recolhi, pois me sentia extremamente exaurido.


Igreja matriz de Gandesa, uma edificação do século XIII.

Isto em decorrência da longa trajetória vivenciada naquela data, acrescendo-se que, após caminhar aproximadamente 37 quilômetros sobre piso asfáltico, é que realmente se iniciou a parte mais difícil dessa etapa.

De se lembrar que o sol estava fortíssimo, temperatura ao redor de 25 graus, agravado pelo fato de que meu estoque de água estava no final.

Fazendo um rápido balanço, sabe-se que o Santuário de La Fontecalda se encontra a 160 m de altitude, e o topo do morro de En Torner, a 475 m de altitude.


Na praça principal de Gandesa. Após o dia cansativo, ainda vivo e animado...

Portanto, numa distância de aproximadamente 5 quilômetros, precisei superar um desnível de 315 m de extensão.

Nada do outro mundo para quem já percorreu o Caminho da Fé várias vezes.

Ocorre que esse temível obstáculo surgiu, exatamente, quando eu já me encontrava fatigado em face da dura jornada.

Por sorte, essa é a única aclividade destacável em todo o Caminho do Ebro.