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8ª etapa – QUINTO à BURGO DEL EBRO – 31 quilômetros


8ª etapa – QUINTO à BURGO DEL EBRO – 31 quilômetros



Tudo o que você quer está do outro lado do medo.


A etapa não teria uma extensão demasiada e nem oferecia dificuldades altimétricas.

Sabia que enfrentaria novamente, grandes estirões retilíneos e vazios, mas isso não me preocupava.

De qualquer maneira, eu tentara fazer reserva no único Hostal existente em Fuentes de Ebro, mas por alguma razão que desconhecia, não obtivera sucesso.

Isto me preocupava, pois se não conseguisse pernoite naquela povoação, possivelmente eu teria que ir dormir em Saragoza, algo que não estava em meus planos.

Deixei o local de pernoite às 6 h 30 min, e encontrei o clima frio e ventoso, ideal para caminhar.

Eu segui à beira da rodovia N-232 por uns 300 metros e, observando às instruções que portava, logo depois de passar diante do ginásio polidesportivo da cidade, eu girei à direita e, utilizando a rodovia vicinal, por uma ponte, ultrapassei as linhas férreas.

Então, girei à esquerda, acessei uma larga e plana estrada de terra, seguindo indefinidamente ao lado da ferrovia.


No caminho, em direção à Fuentes de Ebro. Tudo verde e plano.

Quase de imediato, visualizei à primeira flecha amarela do caminho e, automaticamente relaxei, seguindo em frente tranquilo e animado.

O dia se mostrava nublado e a previsão meteorológica indicava possível garoa ou chuviscos para aquele dia.


Um rebanho de ovelhas observa minha passagem.

Sabendo disso, coloquei a capa protetora na mochila e deixei a outra em local de fácil acesso.

O caminho seguiu indefinidamente entre imensos trigais, a tônica nesse trecho.


O caminho prossegue plano e retilíneo.

Ao lado do caminho, eu via incontáveis canais de irrigação, todos abastecidos pela água do rio Ebro, e que servem para aguar a cultura existente no fértil vale por onde eu seguia.

Em determinado local, que não soube precisar com exatidão, o Caminho Catalão, proveniente do Monastério de Mont Serrat (Catalunha), desaguou no Caminho del Ebro, por onde eu estava seguindo.

Percebi, então, que a sinalização dessa etapa, que já estava boa, quase de imediato, melhorou sensivelmente, e prosseguiu dessa forma nas jornadas subsequentes.


Caminhando do outro lado das vias férreas. Sinalização excelente!

Depois de caminhar aproximadamente uns 10 quilômetros, as flechas amarelas me guiaram para o outro lado da ferrovia, onde acessei outro largo caminho de terra e prossegui em frente.

Já quase no final desse primeiro tramo, por um viaduto, eu passei sob os trilhos do trem de alta velocidade, AVE, depois segui fletindo à esquerda.


Caminho plano e silencioso.

Prossegui ainda por agradáveis e silenciosos caminhos, onde não avistei vivalma.


A cidade de Fuentes de Ebro aparece no horizonte.

Porém, lentamente, eu fui novamente me acercando da civilização e, do alto de pequeno outeiro, já podia avistar a cidade de Fuentes de Ebro, onde aportei em seguida, depois de caminhar 20 quilômetros.

Um povoado com 4.000 habitantes, dedicados integralmente à agricultura, sobressaindo-se o cultivo da famosa cebola doce, que leva o nome dessa localidade.


Transitando por uma das ruas da cidade de Fuentes de Ebro

Oliveiras, cereais e produtos provenientes das hortas complementam sua produção agrícola.

Em suas proximidades se encontram os restos de um povoado ibero e assentamento romano de La Corona.

Eu adentrei à povoação e, surpreendentemente, encontrei tudo muito bem sinalizado.


Igreja matriz da cidade.

Seguindo às flechas, logo passei diante de sua igreja matriz, uma construção do século XVI, cujo padroeiro é São Miguel Arcanjo.

O riquíssimo conjunto arquitetônico é mais um belo exemplo da arte mudéjar.

Depois, a sinalização me levou para fora da simpática vila, através de avenidas limpas e muito bem cuidadas.

Ressalta-se que, essa foi a primeira cidade, desde a minha partida de Deltebre, por onde consegui transitar sem precisar pedir informações a transeuntes, e nem consultar meu GPS.


Logo que sai da cidade, eu voltei a caminhar à beira das vias férreas.

Bem, eu caminhei pouco tempo à beira das linhas férreas, depois, lentamente fui me afastando para a direita, em direção a campos de cultivo de trigo.


Nesse trecho, o caminho segue em direção ao rio Ebro;

A estrada plana e arejada me conduziu sem pressa, novamente, na direção do rio Ebro, que nessa região é remansoso e pleno de sinuosidades.


Caminho sem sombras, mas nesse dia não havia sol.

Foi um trajeto agradável e fresco, pois o dia permanecia nublado e com ameaça de chuva para breve.


À frente, um grande polígono industrial.

Percorridos mais uns 4 quilômetros, passei dentro de um polígono industrial bastante movimentado e barulhento, o que me desconcentrou um pouco.


Nesse trecho o Caminho do Ebro novamente coincide com o traçado da GR-99, cuja sinalização é um mourão de madeira, com uma fita vermelha.

Ultrapassado essa grande área, de febril atividade, passei a caminhar à beira de um grande canal de irrigação, proveniente do Ebro.


Nessa bifurcação, eu segui em frente o a GR-99, à direita.

Nesse trecho o Caminho do Ebro e a GR 99 coincidem em seus traçados, contudo, mais acima, eu prossegui à esquerda, e o outro roteiro, para a direita.

Mais adiante, passei diante do antigo povoado romano de “La Cabañeta”, onde existe um grande tesouro arqueológico sendo recuperado, pois no século II a.C, havia um importante assentamento romano nesse lugar.


Aqui se localizava a antiga cidade romana de "La Cabaneta".

Porém, pelo que notei, as escavações estão suspensas, pois não avistei ninguém ou qualquer atividade no local.


Escavações cobertas e nenhuma atividade no local.

Já em leve descenso, logo adentrei em zona urbana, bem a tempo, por sinal, pois teve início uma fina e fria garoa.

Com a mochila protegida e faltando pouco para chegar ao destino, segui debaixo da chuva, sem colocar a capa protetora, e logo cheguei ao centro de Burgo do Ebro, minha meta para aquele dia.

Tomei informações com uma simpática jovem e logo aportava ao Hostal Danae, onde me hospedei nesse dia.


Hostal Danae, onde me hospedei nesse dia.

Ali, por 20 Euros, pude dispor de um excelente quarto individual, bastante espaçoso e bem iluminado.

Após as providências de praxe, desci para almoçar no restaurante existente no térreo do estabelecimento, onde paguei 9 Euros por um delicioso “menu del dia”.

E como a chuva prosseguia, ainda que em forma de garoa, deitei para descansar.


O prédio do Ayuntamiento de Burgo de Ebro, mais parece uma igreja.

A cidade de Burgo de Ebro está situada a 15 quilômetros de Zaragoza, da qual já foi bairro, e onde trabalha grande parte de seus habitantes.

A rodovia de Castellón divide ao meio seu casco urbano, situado junto à planura da margem direita do Ebro.


O prédio do Ayuntamiento de Burgo de Ebro, visto de outro ângulo.

Existem relevos montanhosos no município, porém eles se encontram situados mais à direita, já do outro lado da via-férrea.


A Calle Mayor de Burgo de Ebro.

Parte de seu município esta ocupado pela Reserva natural dirigida pelos Sotos e Galachos do Ebro.

Em tempos de outrora, contou com uma igreja de São Pedro Apóstolo, edificada em estilo mudéjar, hoje desaparecida, tendo sido reconstruída com características modernistas.

Sua população atual é 2400 pessoas.


A primeira flecha do trajeto do dia seguinte (à esquerda).

Mais tarde, quando o sol voltou a brilhar, fui dar um giro pela simpática cidadezinha.

Primeiramente, pude fotografar sua igreja matriz que, como as demais, também se encontrava fechada para visitas.


A entrada da igreja matriz da cidade, em estilo modernista.

Em seguida, por segurança, fui conferir o local por onde deixaria a povoação na manhã seguinte.

Depois, passei num supermercado e me provi de frutas e víveres, pois voltara a garoar com razoável intensidade.


Floreiras, colocadas nas calçadas, dão um toque alegre nessa simpática cidadezinha.

À noite, fui até um bar e ali degustei um saboroso lanche, regado a um copo de encorpado vinho tinto riojano.

E logo fui dormir, pois estava expectante por conhecer a cidade e Zaragoza, por isso pretendia lá chegar bem cedo, a tempo de visitar suas principais atrações turísticas e religiosas.


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